Synbio: uma revolu√ß√£o da… Informa√ß√£o?

Revolução, já!?

Nossos tempos andam bem corridos. Com certeza a pessoa mais atabalhoada da d√©cada de 80 diria o mesmo se pudesse se comparar com uma pessoa “normal” desse mundo entupido com mais de 7 bilh√Ķes de pessoas.¬† N√£o que hoje em dia o tempo tenha sofrido uma altera√ß√£o devido a uma curvatura do espa√ßo-tempo causada pelo enorme n√ļmero de pessoas acumuladas nas cidades¬† – o que ali√°s seria bem for√ßado; a n√£o ser que uma enorme massa vinda do espa√ßo venha para c√°, mas a√≠ n√£o haveriam mais pessoas para perceber o tempo -, o mesmo 1 minuto da d√©cada de oitenta ainda √© o mesmo do nosso tempo – mesmo que hipot√©ticamente os indiv√≠duos das diferentes √©pocas percebessem o tempo de maneiras¬†relativamente¬†diferentes por algum motivo desconhecido, cada um em sua √©poca ainda contaria os mesmos 60 segundos para contabilizar 1 minuto -, o que muda mesmo √© como percebemos esse tempo passando. Quando muitas coisas acontecem temos muitos referenciais para distinguir um momento diferente de outro, e em um mundo com muitas informa√ß√Ķes sendo captadas (ou pelo menos emitidas) de uma maneira muito r√°pida, a nossa sensa√ß√£o de passagem de tempo √© bem maior. Temos muitas coisas para distinguir como referenciais a todo momento e de uma maneira muito r√°pida. Essa √© a cara do nosso tempo que deixa o homem mais “sem tempo” dos anos 80 no chinelo: Informa√ß√£o.

Informação por Um, Informação por Todos

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Isso mesmo. Uns europeus sissudos do¬†CERN, ripongas do vale do sil√≠cio, e um bando de asi√°ticos espertos conseguiram mudar o mundo de uma maneira irrepar√°vel criando a internet, popularizando o computador (tornando-o pessoal) e deixando-os muito menores e mais baratos. Um grande fato √© que a maioria dessas coisas j√° existiam antes do grande povo (n√≥s!) botar as m√£os nessas tecnologias. Em grande centros de pesquisa, √© claro. Exatamente por isso que a palavra revolu√ß√£o se encaixa muito bem quando dizemos que o mundo passou por uma revolu√ß√£o da informa√ß√£o: em sua maioria, revolu√ß√Ķes pol√≠ticas – como a francesa, a bolivariana, a russa e etc – um poder passa de um lugar limitado para uma enorme massa de pessoas. O mesmo acontece com a informa√ß√£o: ela √© o poder e est√° completamente esparramada por a√≠. N√£o √© √† t√īa que muitas quest√Ķes pol√≠ticas foram incendiadas e at√© mesmo criadas com tudo isso, √© s√≥ observar melhor a revolu√ß√£o √°rabe, as mobiliza√ß√Ķes sociais estudantis em toda am√©rica e, sem precisar observar tanto assim, a resposta da poderosa massa virtual “anonyma” √† famigerada PIPA que n√£o voa e √† SOPA que n√£o √© de comer.

Informação Biológica sem Fronteiras

A biologia sint√©tica, depois de v√°rios anos de gesta√ß√£o em centros de pesquisas por a√≠ afora, nasce justamente como filha desse mundo informacional. √Č por isso “a cara” da m√£e, e aproveita de uma maneira diferente os recursos de nosso admir√°vel mundo novo (admir√°vel mesmo!) em rela√ß√£o √†s ci√™ncias mais velhas, que se anabolizaram com a prolifera√ß√£o de bancos de dados online, colabora√ß√Ķes sem fronteiras e acesso r√°pido e f√°cil √† dados que antigamente voc√™ s√≥ conseguiria encontrar em miss√Ķes desafiadoras em bibliotecas enormes pelo mundo. Em vez de ser apenas um √≥timo recurso de desenvolvimento e pesquisa, o enorme fluxo de informa√ß√Ķes dos tempos atuais moldou a caracter√≠stica mais importante da biologia sint√©tica que a torna inegavelmente original: a padroniza√ß√£o, o que a diferencia de outras disciplinas como engenharia metab√≥lica, gen√©tica, biologia¬†de sistemas, molecular… e por a√≠ vai. Com partes biol√≥gicas padronizadas, tanto a troca de informa√ß√Ķes gen√©ticas em pesquisas como o redesign dessas informa√ß√Ķes tona-se muit√≠ssimo mais r√°pido e f√°cil. A informa√ß√£o flui, torna-se mais √ļtil, cria enormes possibilidades. Assim como a internet deu poder √† n√≥s, simples usu√°rios, de sabermos de tudo (ou quase tudo) com apenas uns cliques, a biologia sint√©tica facilitou a troca de informa√ß√Ķes de tal forma que qualquer um, tendo os equipamentos certos, pode criar “m√°quinas geneticamente modificadas”¬†em seu quintal. Imagine ent√£o com centros de pesquisa!? O limite √© a criatividade: basta juntar as partes certas do jeito certo e voc√™ tem uma nova aplicabilidade.

Quem mexeu na minha vida!?

"Growth Assembly Project": um esbo√ßo de como no futuro as ind√ļstrias poder√£o seus produtos pr√©-projetados no cultivo daquilo que hoje chamar√≠amos de "mat√©ria prima" (clique na imagem para ir ao site do projeto).

Mas onde ent√£o os sinais da biologia sint√©tica no nosso dia a dia!? Vai demorar um pouco para que todo o modo de produ√ß√£o de produtos industriais, at√© mesmo commodities, mude (veja imagem acima). A grande m√≠dia vislumbrou com grande alarde pouco tempo atr√°s a bact√©ria “chassi perfeito” sintetizada em laborat√≥rio pelo grupo de¬†Craig Venter, que seria capaz de ser transformada, de uma maneira super otimizada, em que voc√™ quiser, dispensando por exemplo as pesquisas que custam em fazer uma esp√©cie de microrganismo servir adequadamente para produ√ß√£o de uma determinada coisa ou em se comportar de uma determinada maneira. Esse foi um grande avan√ßo que contribuir√° ainda mais no futuro quando a¬†Mycoplasma Laboratorium¬†for mais acess√≠vel. N√£o diria portanto que synbio √© uma grande mudan√ßa do mundo em que vivemos agora, mas √© pelo menos uma grande revolu√ß√£o premeditada. Quem sabe no futuro todos os grandes problemas da vida (fome, pobreza) sejam resolvidos com a pr√≥pria vida, s√≥ que um pouco mais sint√©tica.