Cabras‚ĄĘ, porcos‚ĄĘ, peixes‚ĄĘ e muito mais com marca registrada

Voc√™ pode n√£o saber, mas o Brasil j√° √© o segundo maior produtor de transg√™nicos do mundo, ficando atr√°s apenas do Estados Unidos. At√© agora as altera√ß√Ķes gen√©ticas em escala comercial estiveram restritas apenas √†s plantas, com destaque para a soja e o milho. Mas n√£o s√£o apenas novos vegetais que os pesquisadores desejam colocar no mercado, animais geneticamente modificados aguardam aprova√ß√£o para serem comercializados enquanto outros ainda passam por diversos testes. Confira cinco pesquisas que podem oferecer imensas vantagens para os consumidores, os produtores e at√© para o meio ambiente.

EnviropigTM

Com quase um bilh√£o de porcos no mundo, uma grande preocupa√ß√£o que se tem √© o destino dos¬†dejetos ricos em f√≥sforo e nitrog√™nio.¬†O EnviropigTM criado na Universidade de Guelph, no Canad√°, foi concebido para ser um porco ‚Äúeco-friendly‚ÄĚ.

Grande parte do f√≥sforo presente nos gr√£os e sementes que comp√Ķem a alimenta√ß√£o dos porcos est√£o na forma de fitato, um composto que eles n√£o conseguem digerir e portanto s√£o excretados. Para contornar esse problema, foi introduzido em seu genoma o gene da enzima fitase, o que torna poss√≠vel aos porcos a digest√£o e absor√ß√£o do f√≥sforo desses alimentos. Dessa forma, o Enviropig excreta at√© 70% menos f√≥sforo nas fezes.

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A pesquisa começou em 1995 e já recebeu patentes nos EUA e China, mas ainda não foi aprovado para consumo.

 

AquAdvantage¬ģ

O salm√£o AquAdvantage¬ģ deve ser o primeiro animal transg√™nico a ser aprovado para consumo pela¬†Food and Drug Administration (FDA). Ele √© igual ao salm√£o do atl√Ęntico em tamanho, apar√™ncia e gosto, exceto pelo fato de ter em seu genoma o gene de horm√īnio do crescimento do salm√£o do pac√≠fico e DNA do peixe-carneiro americano.

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Essas altera√ß√Ķes permitem que o salm√£o da empresa AquaBounty Technologies cres√ßa duas vezes mais r√°pido que o salm√£o selvagem e consuma 25% menos alimento durante sua vida. Os peixes s√£o est√©reis e criados apenas em cativeiro. A pesquisa teve in√≠cio em 1989 e, embora tenha-se conclu√≠do que o salm√£o n√£o apresente riscos, ele ainda est√° em revis√£o pela FDA.

 

Porcos ricos em √īmega-3

O consumo de alimentos ricos em omega-3 √© recomendado por possuir¬†poder anti-inflamat√≥rio e reduzir os riscos de doen√ßas cardiovasculares. No entanto,¬†nem todos os seres humanos t√™m acesso a esse tipo de alimento presente em grande quantidade nos peixes marinhos.¬†Para oferecer uma carne alternativa ao peixe, rica em √īmega-3, a solu√ß√£o at√© agora era alimentar os animais com linha√ßa, peixes e outros produtos marinhos, o que altera as caracter√≠sticas sensoriais da carne.

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Para conseguir uma carne rica em √īmega-3 sem alterar a alimenta√ß√£o dos animais, pesquisadores nos Estados Unidos criaram porcos com o gene fat-1 do verme Caenorhabditis elegans. O gene fat-1 permite que os porcos consigam converter √īmega-6 em √īmega-3. A pesquisa foi publicada na revista Nature Biotechnology¬†mas ainda n√£o h√° previs√£o de comercializa√ß√£o.

 

Cabras Transgênicas

A diarr√©ia √© respons√°vel pela morte de mais de meio milh√£o de crian√ßas todos os anos. Uma pesquisa que teve in√≠cio em 1999 na Universidade da Calif√≥rnia ‚Äď Davis (UCD), tem como objetivo obter um leite com poder anti-microbiano produzido com cabras que receberam o gene humano da enzima lisozima, prote√≠na abundante no leite materno.

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A pesquisa que começou nos Estados Unidos agora é feita em parceria com a Universidade do Ceará. O leite produzido pelas cabras transgênicas já mostrou efeitos terapêuticos em porcos, animais que têm um sistema digestivo parecido com o nosso. Os próximos passos serão os testes clínicos em humanos.

 

Porcos ‚Äúeditados‚ÄĚ

Utilizando ferramentas de edição de genoma (Zinc Finger Nucleases РZFNs e Transcription Activator-Like Effector Nucleases РTALENs), pesquisadores do Instituto Roslin, no Reino Unido, criaram porcos resistentes ao virus da febre suína Africana, capaz de matar os porcos europeus em menos de 24 horas.

Para tornar os porcos europeus resistentes foi necess√°rio que uma √ļnica letra no genoma fosse alterada. A altera√ß√£o foi feita com base no porco selvagem africano que √© resistente ao virus, por√©m incapaz de cruzar com o porco europeu.

Os testes com os porcos devem começar esse ano e se tiverem sucesso serão submetidos à aprovação pela FDA.

 

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Capazes de causar menor impacto ambiental, resistir a doen√ßas e serem mais saud√°veis, os animais geneticamente modificados podem ter um importante papel na alimenta√ß√£o da popula√ß√£o mundial, que deve atingir 9 bilh√Ķes em 2050. Mesmo ainda enfrentando a oposi√ß√£o de ativistas, muitos pesquisadores acreditam que os animais modificados por ferramentas de edi√ß√£o de genoma devem ter sua aprova√ß√£o acelerada pelas ag√™ncias reguladoras. Caso isso aconte√ßa, o Brasil n√£o ser√° apenas um dos maiores produtores de plantas‚ĄĘ geneticamente modificadas, mas tamb√©m de animais‚ĄĘ.