Um jogo para acabar com preconceitos

Qual é a melhor maneira de passar uma informação pra uma pessoa!?

Como os comerciais, filmes e canais de televisão estão aí pra comprovar, o entretenimento passa muito mais pra você do que mera diversão. É com essa ideia que ficamos pensando em como fazer as pessoas entenderem os conceitos e finalidades da abordagem da Biologia Sintética. Como não perdemos tempo para arrumar uma desculpa para nos divertir, criamos durante esse ano um jogo de cartas – inspirado em elementos de MunchkinBohnanza, Magic e War – para, além de ensinar de uma maneira divertida sobre conceitos de microbiologia e biologia molecular, informar melhor as pessoas e acabar com certos preconceitos envolvendo microrganismos bioengenheirados.

E olha que legal: além de levarmos essa ideia como nossa Human Practices na competição internacional de máquinas geneticamente modificadas desse ano (e sermos bastante elogiados por esse trabalho), emplacamos primeiro lugar com o projeto na Olimpíada USP do Conhecimento!

primeiro lugar USP Conhecimento

É, senhora Sociedade, eu te disse que nossa brincadeira é uma brincadeira séria! Tão séria que esse projeto não para aqui.

Game Crafter

O jogo estará disponível para download (se você quiser imprimir aí na sua casa) ou para compra através do maravilhoso site “The Game Crafter“, que é de uma empresa que imprime e vende jogos independentes, como o nosso. Desse jeito nosso jogo vai poder sempre fazer o que ele se propõe a fazer: ser jogado!

O jogo

O jogo funciona assim: cada jogador (até 4) escolhe uma carta de personagem personagem, como por exemplo o professor Fujita:

Senhor Fujita

OBS: procure o “easter egg”.

Como dá pra ver, cada pesquisador tem uma personalidade específica e um chassi com que desenvolve seus projetos. No caso o senhor Fujita é um pesquisador que não colabora muito mas bastante competente, trabalhando com a largamente usada Escherichia coli.

O grande objetivo do jogo é construir primeiro que o seu colega um circuito gênico – afinal estamos falando de academia, minha gente! Para construir o circuito o jogador deve “criar”, acumular e trocar BioBricks, até que tenha a combinação de Biobricks necessários para completar o circuito, como por exemplo esse:

Carta Objetivo

OBS: nem todos os objetivos realmente podem ser feitos em alguns chassis.

Os Biobricks podem ser baixados com “pontos de metabolismo”, que é a representação dos recursos metabólicos e energéticos que o microrganismo tem para passar com sucesso pelo processo de transformação gênica de cada parte, a ser inserida sequencialmente na célula (no exemplo anterior há 8 BioBricks).

A dinâmica das cartas se dá quando elas ainda estão na sua mão e não foram “baixadas” no organismo. Há também (no melhor estilo Munchkin – quem já jogou sabe do que estou falando!) cartas dinâmicas usadas por um jogador em si mesmo ou em outros jogadores, como essa abaixo:

Carta dinâmica

E, por último, o último elemento do jogo é a tão temida aleatoriedade! Aquelas variáveis sem controle que sempre fazem seu experimento não sair como você queria. Um jogador no final da rodada joga um dado: dependendo do número tirado uma “carta aleatória” surge, ajudando ou prejudicando o ganho de pontos de metabolismo (que ocorre por rodada) dos chassis de cada pesquisador.

Cartas Aleatórias

Fizemos um overview do projeto num vídeo do youtube, dê uma olhada:

[youtube_sc url=” http://youtu.be/6Odd5-OKyHA”]
Quando o nosso novo site ficar pronto vamos ter um endereço especial com o jogo, por enquanto fica aqui nossa promessa de acesso aberto a esse conteúdo. 🙂

Acontece nos filmes, acontece na vida, acontece no Clube de Biologia Sintética

Este é mais um projeto que surgiu das reuniões do Clube de Biologia Sintética, feito por pessoas das mais diversas áreas e que se conheceram no clube. Esse é o objetivo principal do grupo: Reunir e ensinar pessoas de maneira divertida , integrar áreas, criar projetos científicos inovadores e criativos e, por fim, gerar impactos positivos na sociedade.

Você que compartilha dos nossos ideais, acompanhe nossas reuniões pessoalmente ou pelo ao vivo pelo streaming no nosso canal do youtube, ou ainda entre em contato pelo nosso email, canal do facebook e twitter!

Uma experiência de Biologia Sintética no ensino médio paulistano.

Pelos caminhos tortuosos que só os bons colegas nos proporcionam, acabei convidado a participar de uma das experiências mais empolgantes dos últimos tempos: uma tarde de apresentações e comentários a respeitos dos TCCs de alunos do colégio Bandeirantes, na Zona Oeste de São Paulo. Até aí, nada que pareça a princípio muito divertido, não fossem as boas surpresas que me aguardavam.

Para contextualizar, o Colégio Bandeirantes possui um módulo de Biotecnologia coordenado pela professora Ana Cristina Camargo de São Pedro para os alunos do segundo ano do ensino médio. Nele são ensinados e discutidos assuntos pertinentes ao tema, inclusive utilizando de artigos e outros materiais científicos bastante novos e, ao fim, os alunos apresentam um projeto de biotecnologia com foco na resolução de um problema do mundo atual.

Saudosismo ao ver esse formato "trabalho em grupo"?

Saudosismo ao ver esse formato “trabalho em grupo no ensino médio”, haha?

Nas apresentações, todas com o clima saudoso de “trabalho em grupo” dos tempos de colégio,  aparecem projetos motivados por temas como poluição marítima por petróleo, obesidade, doenças genéticas, síntese de produtos complexos e afins. Algo natural visto que a biotecnologia é o santo graal apontado para a maioria dos problemas que até então não fomos capazes de responder satisfatoriamente.

Não vou detalhar todos os 5 projetos, mas um em especial me pareceu bastante interessante: A síntese de Paclitaxel por meio de GMOs. Paclitaxel é um produto quimioterápico cuja principal fonte é um fungo endofítico da árvore Taxus brevifolia, o Taxomyces andreanae, porém já foi encontrada em outros fungos também. A molécula é complexa e já é parcialmente sintetizada em E.coli e leveduras se aproveitando de vias de síntese de terpenos, mas sua síntese completa ainda não é feita em GMOs.

Taxus brevifolia – Extrair produtos de alto valor de suas fontes naturais as vezes não é a melhor estratégia.

O projeto basicamente consistia na transferência da via metabólica para uma bactéria para produção e posterior purificação em níveis farmacêuticos do produto. Apesar de sabermos que as coisas não funcionam de maneira simples assim, foi bastante interessante a abordagem pela similaridade com coisas que já vem sendo feitas, como a produção da artemisina. Talvez, penso eu, esta seja a estratégia mais segura para utilização de GMOs atualmente: isolamento completo de organismos para a produção de um produto desejado em ambientes controlados.

Após a apresentação dos projetos, vejo os resultados de uma ótima preparação: o nível de detalhamento abarca bioética, biossegurança, designe de circuitos gênicos, discussão a respeito de diferentes chassis e etc. Ainda que às vezes de maneira inexperiente, o que não desabona o esforço, vejo discussões a respeito de diferentes estratégias que conciliem os ônus e bônus das novas abordagens criadas.

Estrutura molecular do Paclitaxel

Minha contribuição restringiu-se mais a elevar um pouco o nível dos questionamentos éticos, de biossegurança e de propriedade intelectual/comercial que identifiquei nos projetos. Não apenas as pessoas eram novas, mas o assunto em si é novo para a humanidade, o que leva a um nível ainda um pouco superficial das questões que emergem dessa tecnologia. Desta maneira, ainda que de forma restrita, espero ter colocado “bons empecilhos” necessários para a reflexão da bioengenharia em si.

Por fim, saio bastante satisfeito com o que vi. 20 e tantos jovens com o conhecimento suficiente para propagar uma visão menos preconceituosa da biotecnologia, capazes de pensar em projetos e nos desdobramentos dos mesmos, não importando que áreas forem seguir. Espero ainda que, caso algum dos alunos leia este texto, sinta-se orgulhoso do próprio trabalho e motivado a enfrentar o desafio de resolver problemas complexos como os apresentados.

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