Neurobiologia Sintética

Interciência

Esse post √© parte da blogagem coletiva “interCi√™ncia“. O Amigo Oculto dos Blogs de Ci√™ncia Brasileiros! Algum blogueiro da primeira rodada escreveu esse post para o SynbioBrasil e eu escrevi um post para um dos blogs participantes (a lista dos blogs ficar√° dispon√≠vel em breve no Raio-x). Atrav√©s do estilo e tema (dentro do assunto Biologia Sint√©tica) do post, quem voc√™ acha que escreveu esse presente que o SynbioBrasil ganhou!? Ali√°s, algu√©m suspeita de qual post fui eu que escrevi num dos blogs participantes!? Vejamos o que o nosso amigo secreto escreveu para o synbiobrasil, com voc√™s, o autor desconhecido!

Ao entrar na brincadeira proposta pelo InterCi√™ncia, n√£o imaginava o quanto iria me interessar pela √°rea estudada pelo meu blog parceiro. Como o blog trata de uma tem√°tica ainda pouco conhecida por mim, tive que, agindo como um bom cientista, estudar e pesquisar bastante para poder entender o que √© essa tal Biologia Sint√©tica e, com uma pitada da minha especialidade (Psicologia, Neuropsicologia e Psicobiologia), escrever um post que agradasse a todos e fizesse uma boa s√≠ntese dos nossos temas. E cada vez que lia mais sobre as possibilidades para essa ci√™ncia ia tamb√©m me encantando com ela. E, sem amarras para o meu esp√≠rito imaginativo, escrevo para voc√™s sobre…

Neurobiologia Sintética:

A neurociência que realizará os sonhos da literatura de ficção científica!

As neuroci√™ncias s√£o as ci√™ncias que tem ocupado maior destaque na m√≠dia nos √ļltimos anos, avan√ßos consider√°veis sobre as nossas capacidades cognitivas e funcionamento cerebral a todo o momento surgem e provocam grande mobiliza√ß√£o da m√≠dia e mesmo do p√ļblico em geral. Para entender o homem e suas nuances √© preciso ir al√©m das perguntas filos√≥ficas e, com ci√™ncia, entender o funcionamento do √≥rg√£o que gere todas as nossas fun√ß√Ķes mentais, corporais e mesmo aspectos subjetivos. Para adentrar neste mundo, apenas uma metodologia bem delineada n√£o seria o suficiente, o entendimento do c√©rebro ‚Äď esse √≥rg√£o maravilhoso ‚Äď precisa de muita tecnologia. A d√©cada de 90 ‚Äď escolhida como a d√©cada do c√©rebro ‚Äď trouxe uma infinidade de instrumentos que poderiam ser utilizados para esse entendimento e, com eles, ainda mais perguntas e possibilidades.

Como n√£o sou especialista na √°rea da Biologia Sint√©tica, as limita√ß√Ķes t√©cnicas n√£o me impedem de imaginar maravilhas com o que os cientistas da √°rea poderiam fazer quando relacionada com as ci√™ncias do c√©rebro. Criar um organismo de materiais que nos possibilitaria fazer de forma mais efetivas as tarefas di√°rias ao aumentar a nossa percep√ß√£o e sensa√ß√£o, exacerbar as nossas capacidades mnem√īnicas, aumentar de forma inimagin√°vel o processamento cognitivo e assim nos dar agilidade, intelig√™ncia e, com uma maior conectividade e plasticidade neural, aumentando e melhorando a psicomotricidade, reabilita√ß√£o cognitiva e, bom, para ilustrar, nos tornando mais ou menos isso aqui:

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fonte: http://robertatkinsart.blogspot.com.br

Hum… Seria realmente √≥timo ter um uniforme como o do Venom criado em laborat√≥rio a partir das t√©cnicas da Biologia Sint√©tica, ainda mais quando se retiraria a problem√°tica da perda progressiva de sanidade proveniente da influ√™ncia telep√°tica-neural de um organismo alien√≠gena, mas seria isso apenas uma viagem de um aficionado pela literatura de fic√ß√£o cient√≠fica?

Na verdade não. Já existe uma série de projetos se propondo a aperfeiçoar a ligação entre o cérebro e os outros sistemas do corpo, além da criação de sistemas neurais e tecnológicos que nos permitam ir além da capacidade do nosso frágil corpo.

E nesse quesito, um brasileiro é um dos nomes mais próximos de criar algo parecido com esta proposta.

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Nicolelis

Miguel Nicolelis é professor de Neurobiologia e Engenharia Biomédica e co-diretor do Centro de Neuroengenharia da Universidade de Duke e é atualmente o brasileiro mais próximo de ganhar um Nobel com suas pesquisas sobre a interface cérebro-máquina.

Com seus estudos, Nicolelis conseguiu mapear as ondas el√©tricas disparadas pelo c√©rebro, e assim, desenvolveu experimentos onde seus parceiros ‚Äď como costuma chamar os animais que o ajudaram ‚Äď podiam mover bra√ßos mec√Ęnicos apenas com o pensamento. A proposta de Nicolelis √© que na abertura da Copa do Mundo do Brasil de 2014, o chute inicial seja dado por uma crian√ßa parapl√©gica, utilizando uma esp√©cie de exoesqueleto.

Se a interface cérebro-máquina já está tão perto de ser desenvolvida, poderíamos olhar com esperança para a criação também de uma interface cérebro-organismo-sintético. E este passo, só seria possível de realizar com o empreendimento de esforços de neurocientistas dispostos a conhecer mais a Biologia Sintética.

Observando as possibilidades, consigo sonhar um pouco mais. C√©rebros artificiais! A Neurobiologia Sint√©tica poderia finalmente nos presentear com um c√©rebro totalmente artificial, digno dos melhores livros de Isaac Asimov, com todas as compet√™ncias cognitivas necess√°rias para a premissa Cartesiana: Penso, logo existo. Personalidade, cogni√ß√£o, mem√≥ria e consci√™ncia sendo moldada pelas m√£os de cientistas e, posteriormente, se desenvolvendo em pleno relacionamento com o ambiente em que este c√©rebro fosse inserido, possibilitando n√£o s√≥ um entendimento ainda maior do nosso funcionamento mental e aprendizagem, como abrindo portas para, quem sabe, investiga√ß√Ķes mais elegantes para os temas mais espinhos da ci√™ncia atual, como o Alzheimer, a Esquizofrenia ou o Autismo. Ou mesmo temas que n√£o parecem t√£o complexos, mas ainda guardam d√ļvidas diversas a serem respondidas, como ‚ÄúPor que dormimos?‚ÄĚ ou ‚ÄúPor que sonhamos?‚ÄĚ.

Ainda que exista o medo do senso comum com as possibilidades de cria√ß√£o da Biologia Sint√©tica ‚Äď vemos isso observando as not√≠cias relacionadas que saem na m√≠dia quando tratam da √°rea, normalmente utilizando termos como ‚ÄúLaborat√≥rios Frakenstein‚ÄĚ ou ‚ÄúCientistas brincando de Deus‚ÄĚ ‚Äď isso n√£o deveria ser um impedimento para os avan√ßos tecnol√≥gicos e cient√≠ficos. Muito pelo contr√°rio, ensinar e apresentar √† popula√ß√£o as vantagens dos trabalhos na √°rea se faz cada vez mais necess√°rios, pois qualquer √°rea da ci√™ncia que ainda esteja dando os seus primeiros passos ‚Äď mesmo que grandiosos ‚Äď enfrenta o ceticismo e temor do senso comum, para depois ‚Äď caso tenha condi√ß√Ķes cient√≠ficas reais e tang√≠veis ‚Äď crescer e contribuir para a humanidade. Apenas consigo enxergar os empreendimentos da Biologia Sint√©tica somados √†s Neuroci√™ncias como um caminho de desenvolvimento grandioso para a humanidade.

E assim, como os escritores que escreviam um mundo tecnol√≥gico em prol da humanidade em suas fic√ß√Ķes cient√≠ficas, s√≥ nos resta sonhar. E como os profissionais dedicados ao conhecimento, fazer ci√™ncia.

 

Este texto √© parte da primeira rodada do InterCi√™ncia, o interc√Ęmbio de divulga√ß√£o cient√≠fica. Saiba mais e participe em: http://scienceblogs.com.br/raiox/2013/01/interciencia/

Referências:

Blog SynbioBrasil

EASEC. Biologia Sintética: Uma Introdução. 2011. www.easec.edu