iGEM 2012 Latin America: Nossa Apresenta√ß√£o e P√īsteres

Nossa Apresentação

nossa apresentação 2

Depois de muito desespero nos preparando at√© o √ļltimo dia para fazer uma apresenta√ß√£o que coubesse nos 20 min, conseguimos apresentar conforme o programado. Deu tudo certo, foi uma maravilha (pelo menos pra mim, que n√£o foi a pessoa que apresentou, hohoho)!

O time argentino, que estava em outra em outra sala, foi para onde estávamos para especialmente assistir nossa apresentação. Foi bem motivador. Quem diria hein!? Argentinos!

Mercosul! (Nós, os chilenos e os argentinos)

Mercosul! (Nós, os chilenos e os argentinos)

A √ļnica coisa ruim nisso tudo foi na hora de responder a uma das perguntas para o projeto de Rede de Mem√≥ria Associativa: “Comos voc√™s v√£o saber que a mem√≥ria foi inserida no sistema!?”. Essa foi uma pergunta um pouco descocertante. N√£o porque n√£o sab√≠amos responder, mas porque ela demonstrou que o juiz que fez a pergunta n√£o entendeu muita coisa desse projeto – o que n√£o √© totalmente culpa do juiz. Eu particularmente n√£o entendi o que realmente estava sendo perguntado e n√£o consegui captar que parte o juiz n√£o entendeu. Tentei mostrar que a mem√≥ria ia ser “testada” pelo padr√£o de ativa√ß√£o ap√≥s o est√≠mulo de algumas popula√ß√Ķes, mas ficou parecendo que eu estava repetindo o mais do mesmo.

Em uma conversa com o Carlos Hotta (do Brontossauros em meu Jardim), ele me fez enxergar o que estava “na cara” o tempo todo: muito provavelmente para aquele juiz, “mem√≥ria” √© o ato de se captar uma informa√ß√£o e armazen√°-la. Nosso projeto era sobre uma mem√≥ria associativa; a mem√≥ria j√° estaria estabelecida inicialmente no sistema. As popula√ß√Ķes de bact√©rias n√£o iam captar e armazenar a informa√ß√£o, a informa√ß√£o j√° estaria armazenada. √Ä partir da mesma informa√ß√£o incompleta, as popula√ß√Ķes de bact√©rias iriam associar essa informa√ß√£o incompleta √† duas mem√≥rias. A informa√ß√£o mais “parecida” com uma das mem√≥rias iria ativar da mem√≥ria em quest√£o. O que o juiz deve ter se perguntado foi algo do tipo: “Antes de verificar a associatividade de mem√≥ria, como eles tem certeza que eles colocaram a mem√≥ria?”. O ponto √© que o plano n√£o √© “colocar” a mem√≥ria, ela j√° estaria l√° geneticamente, constru√≠da com a bact√©ria.

No final das contas, acho que os √ļnicos que entenderam esse projeto foram os argentinos mesmo!

O resto das apresenta√ß√Ķes

Depois de apresentarmos houve um coffee Break e trocamos de sala. Vimos a apresenta√ß√£o de um dos times de Monterrey (j√° comentados anteriormente) e depois do time chileno. O time do Chile foi a melhor apresenta√ß√£o do iGEM LA, sem compara√ß√Ķes!

UC Chile

Com a apresentadora mais carism√°tica de todo o iGEM latino, no maior estilo TED Talk, o time chileno come√ßou com o seguinte discurso: “N√≥s quer√≠amos produzir cerveja √† partir de leveduras em um ambiente mais pr√≥ximo ao de biorreatores, em um pH √°cido. Ent√£o procuramos um chassi que pudesse gerar esse ambiente. Pesquisando, descobrimos que o Drag√£o de Komodo tem as caracter√≠sticas que precisamos para isso. Quer√≠amos juntar os genes de levedura aos do Drag√£o de Komodo¬† e colocar junto um Operon de asa de morcego para criar um drag√£o que cospe cerveja!”. Isso causou um estarrecimento sem igual. Eles criaram um instante de falso cl√≠max que fez com que ningu√©m soubesse em que acreditar. Por pelo menos um segundo eu confesso que realmente imaginei um Drag√£o de Komodo cuspidor de cerveja – how cool is that!? O anti-cl√≠max foi quebrado usando-se como desculpa uma das fatalidades mais comuns do iGEM: o atraso na encomenda de DNA sintetizado para fazer o drag√£o da cerveja. Isso substitu√≠u o falso cl√≠max da apresenta√ß√£o por um momento subliminar – e absurdo, por causa do suposto projeto fora-da-realidade – de empatia pelo time chileno (do tipo: “Tamb√©m tivemos problema semelhante, bem vindo ao clube!”). A impress√£o causada por esse original e arriscado in√≠cio de apresenta√ß√£o¬† foi uma mistura de bom humor, empatia, descontra√ß√£o e quebra-gelo. Quando foram realmente falar do verdadeiro projeto que tinham realizado, os chilenos tinham conquistado a aten√ß√£o de todos no recinto de uma maneira completamente envolvente.

Apresentação do chile e seu migué do dragão de cerveja.

Apresentação do chile e seu migué do dragão de cerveja.

O projeto deles foi bem simples mas muito bem realizado. A constru√ß√£o que fizeram tinha como parte central os BioBricks desenvolvidos pelo time de Cambridge em 2010, que consistem basicamente de uma s√©rie de luciferinas¬†(prote√≠na fosforescente) de v√°rias cores – um desses BioBricks √© muito legal e bem √ļtil: um operon¬†que expressa luciferina sem que seja necess√°ria a adi√ß√£o de luciferase¬†para fazer a rea√ß√£o fosforescente acontecer (luciferase = $$$)! A grande idea deles foi implementar um sistema de bioluminec√™ncia em cianobact√©rias acoplado ao ciclo circadiano dos bichinhos. Em outras palavras, eles propuseram criar uma “biol√Ęmpada” que consiste de uma cultura de cianobact√©rias fotossintetizantes que durante √† noite produzisse luz. Seria como se ela “recarregasse” de dia para produzir luz √† noite.

Bioluminescência que o pessoal de Cambridge conseguiu.

Bioluminescência que o pessoal de Cambridge conseguiu.

Foram o primeiro time a clonar BioBricks com sucesso na esp√©cie de cianobact√©rias que utilizaram, al√©m de conseguir mostrar que a biol√Ęmpada de fato funciona como esperavam! Isso n√£o quer dizer que eles criaram um novo artigo de ilumina√ß√£o de interiores. O grande problema que impediu que o time chegasse at√© esse produto final √© a compatibilidade dos BioBricks – um dos grandes desafios da Biologia Sint√©tica. Devido a v√°rias quest√Ķes de ambiente celular, as prote√≠nas bioluminescentes n√£o brilharam com toda a intensidade que os ingleses de Cambridge conseguiram ao criar os BioBricks e testarem em E.coli, a express√£o n√£o estava otimizada para cianobact√©ria. Mas a prova de conceito foi feita, mesmo em baixa luminosidade! Esse foi um dos times que levou ouro e foi para a final. Bem merecido! Veja a wiki deles aqui.

Costa Rica-TEC-UNA

A primeira coisa que os cabisbaixos apresentadores do time costa-riquenho disseram foi: “N√≥s n√£o temos resultados.”. A equipe criada por incentivo do time panamenho, apesar de empolgada com o evento, estava bem abatida com os maus resultados. Ap√≥s uma estranha introdu√ß√£o da apresenta√ß√£o em forma de propaganda tur√≠stica da Costa Rica, a equipe falou de um projeto envolvendo produ√ß√£o de biodiesel¬† atrav√©s de triglicer√≠deos produzidos em R. Oppacus, que seriam liberados atrav√©s de um “mecanismo suicida” das bact√©rias; os triglicer√≠deos reagiriam com lipases secretadas por E.coli, a√≠ bastam umas rea√ß√Ķes qu√≠micas entre o produto dessa rea√ß√£o e etanol para produzir biodiesel. Por ser a √ļltima do evento, a apresenta√ß√£o ficou um pouco massante e cansativa. A wiki deles pode ser checada aqui.

P√īsteres

Como todo bom congresso, h√° a parte em que se apresentam os p√īsteres, e no iGEM n√£o foi diferente!

apresentando o poster

Foi uma excelente oportunidade para interagir melhor com as pessoas dos outros times e fazer perguntas espec√≠ficas sobre os projetos. Muitas pessoas ficaram interessadas por ambos os projetos e acho que a estrat√©gia de ter um projeto inovador e um projeto pragm√°tico at√© que funcionou com os p√īsteres. Apesar de termos feito uma gambiarra para arrumar umas imagens que estavam erradas no p√īster, nos sa√≠mos muito bem.

Haviam basicamente tr√™s tipos de ju√≠zes: o pragm√°tico, o curioso e o detalhista. O pragm√°tico √© aquele que duvida de tudo aquilo que √© teoricamente muito complexo e est√° interessado mesmo nos resultados experimentais. O curioso √© aquele que chega de fininho, observa durante um bom tempo o p√īster e faz perguntas capsiosas, mais com a inten√ß√£o de entender/aprender sobre o projeto do que inquirir as pessoas. O detalhista √© o que voc√™ mais sente confian√ßa nos par√Ęmetros de avalia√ß√£o: chega se apresentando, diz que vai cronometrar a explica√ß√£o e pede para fazer um “tour” pelo projeto para depois fazer as perguntas espec√≠ficas e vai anotando tudo em uma prancheta. N√£o explicamos t√£o bem para o avaliador pragm√°tico, mas nos demos relativamente bem com os outros dois tipos de avalidores. Eu fiquei orgulhoso por ter explicado “o que √© mem√≥ria” para um dos avaliadores curiosos que indagaram sobre o projeto de mem√≥ria associativa com bact√©rias. Talvez seja uma das poucas vezes que eu consegui fazer uma pessoa entender bem o projeto rapidamente.

Nosso poster: sim, tem texto demais.

Nosso poster: sim, tem texto demais.

Algumas pessoas do grupo acharam que o fato de precisarmos de tr√™s pessoas para explicar completamente o poster foi um ponto negativo. Eu discordo. Acho que √© importante que todos tenham uma no√ß√£o geral do projeto, mas n√£o creio que seja uma desvantagem se criar especializa√ß√Ķes na hora de apresentar, em que diferentes pessoas s√£o “cabe√ßas” de diferentes partes do projeto – e portanto cada um apresenta sobre sua √°rea. Isso s√≥ garante uma melhor explica√ß√£o do projeto em uma natural (e bastante comum) estrutura de grupo – que √© a especializa√ß√£o de pessoas em diferentes tasks dos projetos.

No pr√≥ximo e √ļltimo post sobre a experi√™ncia no iGEM 2012 n√£o vou falar de projetos, times, medalhas, competi√ß√Ķes e etc. Vou falar daquilo que se percebe e se ganha em um prazo mais logo e que, no final das contas, √© o mais importante. iGEM 2012 Latin America: Aquilo que realmente importa!