Populismo: breves considera√ß√Ķes sobre seu significado

Esse post é parte da Blogagem Coletiva de comemoração aos 10 anos do ScienceBlogs Brasil. O tema dessa semana é Ciência e Política. Hoje quem escreve é Rodrigo Mayer, pós-doutorando em Sociologia Política na UFSC.

Se você quiser participar saiba mais em: http://bit.ly/SBBr10anos

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Nas √ļltimas d√©cadas, muito se tem falado e escrito sobre o populismo. Seu uso se refere tanto a lideran√ßas e partidos √† direita (Trump, Le Pen, entre outros) quanto √† esquerda (Ch√°vez, Podemos, etc.) do espectro pol√≠tico que se op√Ķe as estruturas de poder vigentes. A origem do termo remete a expans√£o da participa√ß√£o popular na arena pol√≠tica, fato que foi utilizado por diversas lideran√ßas (Per√≥n e Vargas, s√£o os maiores exemplos na Am√©rica Latina) para se opor as for√ßas dominantes de seu per√≠odo e construir uma rela√ß√£o simb√≥lica com a popula√ß√£o e, assim, legitimar seu poder (WEFFORT, 1989).

Durante as décadas de 1950 e 1960 o termo caiu em desuso e foi retomado na década de 1980, para se referir a Frente Nacional francesa. Apesar de possuírem representantes à esquerda, os novos populistas são comumente identificados como conservadores, ou seja, as estratégias populistas não se restringem a apenas uma ideologia. Como consequência do processo de profissionalização dos partidos políticos e a maior fluidez das identidades, os novos populistas focam em diversas camadas sociais, porém mantém a característica essencial do populismo que é retirada de sua legitimidade através de vínculos emotivos com o povo e se auto intitularem defensores da população.

Embora muito utilizada, a defini√ß√£o de populismo ainda √© vaga e pode se referir tanto as lideran√ßas origin√°rias do processo de moderniza√ß√£o na Am√©rica Latina quanto a l√≠deres de outras regi√Ķes que buscam extrair seu poder por meio da rela√ß√£o direta com o povo descontente com os rumos da pol√≠tica.

Mas afinal, o que √© o populismo? Essa n√£o √© uma pergunta f√°cil de responder, pois o fen√īmeno pode ser definido como uma esp√©cie de ideologia, uma forma de governo ou como um fen√īmeno social (CERVI, 2001). Em comum, as tr√™s defini√ß√Ķes argumentam que o populismo se refere a constru√ß√£o de uma rela√ß√£o simb√≥lica entre o l√≠der e parte da popula√ß√£o atrav√©s de um apelo contr√°rio as elites, isso √©, a constru√ß√£o de um discurso de ‚Äún√≥s‚ÄĚ, a popula√ß√£o, contra setores privilegiados (CANOVAN, 1999; LACLAU, 2013).

O relacionamento com o povo ‚Äď que tamb√©m √© pouco teorizado ‚Äď √© a principal fonte de legitimidade da lideran√ßa populista. Ela, n√£o apenas discursa em seu nome, como tamb√©m fala em devolver o poder ao povo. A defini√ß√£o deste se encontra repleto de significados, que podem ser mais gerais ‚Äď como nacionalismo versus estrangeiros, popula√ß√£o contra a elite, etc. ‚Äď bem como mais espec√≠ficos, como representa√ß√Ķes de etnias e culturas (CANOVAN, 1999; LACLAU, 2013). O l√≠der, neste caso, n√£o √© apenas o auto intitulado porta voz das aspira√ß√Ķes populares, mas tamb√©m o que melhor sabe o que √© bom para o povo. Por fim, esse relacionamento pode ser interpretado de duas formas: a) positivo: o l√≠der √© tido como um indiv√≠duo que l√™ as demandas da popula√ß√£o e traz√™-las para a arena pol√≠tica e; b) negativa: em que a popula√ß√£o √© estigmatizada e considerada como incapaz de perceber apelos demag√≥gicos e de participar do processo eleitoral. √Č importante notar que a vis√£o positiva trata basicamente de caracter√≠sticas pessoais das lideran√ßas, enquanto a negativa, carrega uma certa dose de elitismo ao considerar a popula√ß√£o inapta a participa√ß√£o na esfera pol√≠tica

A emerg√™ncia de movimentos populistas se encontra intimamente relacionada com a insatisfa√ß√£o e problemas com os resultados das democracias. No primeiro momento, na Am√©rica Latina, o crescimento destes movimentos veio acompanhado com problemas decorrentes do processo de moderniza√ß√£o (passagem de uma sociedade urbana para rural, baixa qualidade dos empregos, intensas migra√ß√Ķes e, concentra√ß√£o do poder econ√īmico em poucas m√£os) (DI TELLA, 1997). Em um segundo momento, o populismo emana da insatisfa√ß√£o com as promessas n√£o cumpridas pelos regimes democr√°ticos (aumento de desigualdades econ√īmicas e sociais, crise de representa√ß√£o, corrup√ß√£o, etc. e a exclus√£o da popula√ß√£o do centro do poder decis√≥rio (CANOVAN, 2004). Como alternativa a esses problemas, os populistas prop√Ķem o uso de mecanismos de democracia direta (consultas, plebiscitos, referendos) ou apelar ao povo, de modo a se sobrepor as inst√Ęncias decis√≥rias institucionais.

Portanto, o populismo, apesar de muito citado, √© um fen√īmeno ainda pouco teorizado nas ci√™ncias sociais (e na ci√™ncia pol√≠tica, em particular). O fen√īmeno, de modo sint√©tico, trata basicamente da constru√ß√£o de uma rela√ß√£o simb√≥lica entre uma lideran√ßa do tipo carism√°tico e uma parcela da popula√ß√£o em oposi√ß√£o a grupos que s√£o identificados como portadores de privil√©gios.

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Rodrigo Mayer, Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Paraná, mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, pós-doutorando em Sociologia Política na UFSC.

 

Referências bibliográficas

CANOVAN, M. Trust the people! Populism and the two faces of democracy. Political studies, vol.47, n.1, p.2-16, 1999.

CANOVAN, M. Populism for political theorists? Journal of political ideologies, vol.9, n.3, p.241-252, 2004.

CERVI, E. As sete vidas do populismo. Revista Sociologia e Política, n.17, p.151-156, 2001.

DI TELLA, T. Populism into the twenty-first century. Government and opposition, vol.32, n.2, p. 187-200, 1997.

LACLAU, E. A razão populista. São Paulo: Três Estrelas, 2013.

WEFFORT, F. 1989. O populismo na política brasileira. 4ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.

Ciência e política: duas coisas inseparáveis

Esse post é parte da Blogagem Coletiva de comemoração aos 10 anos do ScienceBlogs Brasil. O tema dessa semana é Ciência e Política. Hoje quem escreve é Eduardo Sato, autor do blog Torta de Maçã Primordial.

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Provavelmente muitos n√£o enxerguem quanto ci√™ncia e pol√≠tica est√£o atreladas e quanto uma afeta a outra, minha hip√≥tese √© que a ci√™ncia como forma cr√≠tica de interpretar o mundo n√£o √© ensinada nas escolas de maneira proposital, como diria Darcy Ribeiro: ‚ÄúA crise educacional do Brasil da qual tanto se fala, n√£o √© uma crise, √© um projeto‚ÄĚ [1].

Talvez parte do problema seja o fato das pessoas não entenderem o que um cientista faz, ou mesmo o que é ciência de modo geral. Mas não se engane, isto não quer dizer de forma alguma que a população brasileira não tem interesse por ciência: uma enquete realizada em 2015 pelo Centro de Gestão em Estudos Estratégicos (CGCE) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) mostra que 61% dos entrevistados se declararam interessados ou muito interessados pelo tema, porém 87% não soube informar o nome de um instituto de pesquisa científica brasileiro e 94% não conhece o nome de um cientista brasileiro [2].

Quando a (falta de) ciência afeta a política

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Existem dois pontos onde a falta de ci√™ncia √© bastante problem√°tica: na percep√ß√£o da popula√ß√£o sobre algumas decis√Ķes pol√≠ticas e nas pr√≥prias tomadas de decis√£o dos pol√≠ticos em quest√Ķes que envolvem ci√™ncia.

Um caso onde o primeiro ponto ficou bastante claro para mim aconteceu em 2016, quando Michel Temer assumiu a presidência e montou sua equipe de ministros sem ao menos uma mulher [3]. Na época, houve uma grande polêmica sobre este fato, como um claro exemplo de machismo, pois a probabilidade de isto acontecer ao acaso era muito baixa. Eu (que ainda não tinha nenhum envolvimento com divulgação científica) concordei com o argumento e supus que ninguém havia calculado esta probabilidade por preguiça, então eu fiz um modelinho simples, fiz o calculo e publiquei a imagem a seguir no Facebook.

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¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Figura 1: Probabilidade de uma equipe com 23 pessoas escolhida ao acaso contenha um n√ļmero m de mulheres, dado o pr√©-requisito de que todos sejam brasileiros, acima de 25 anos e possuam ensino superior completo [4].

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Acompanhando os coment√°rios, percebi que a grande maioria das pessoas nunca tinha visto um teste de hip√≥tese nula! Isto foi um choque para mim, pois no mundo das ci√™ncias exatas esta ferramenta √© usada de forma bastante corriqueira, por que n√£o ensinamos isto nas escolas? Outro choque para mim, foi o fato de muitos n√£o entenderem o que √© uma distribui√ß√£o binomial (esta inclusive √© parte do curr√≠culo do ensino m√©dio) fora do contexto bobo de lan√ßamento de v√°rios moedas para determinar o n√ļmero de caras e coroas.

Refletindo um pouco sobre este caso, comecei a pensar como a estat√≠stica e diversas outras ci√™ncias n√£o s√£o ensinadas nas escolas como ferramentas para interpretar o mundo, mas sim como coisas para se decorar para a prova. Em especial, a estat√≠stica √© apresentada como argumento em diversos meios de comunica√ß√£o, mas me respondam estimados leitores, voc√™s aprenderam no ensino m√©dio, o que significa por exemplo, a ‚Äúmargem de erro de 2% para mais ou para menos‚ÄĚ que tanto se fala nas pesquisas eleitorais?

Outro problema que podemos apontar no aspecto de percep√ß√£o pol√≠tica √© que posi√ß√Ķes pol√≠ticas s√£o tratadas por muitos como uma cren√ßa, ou como uma parte da suas personalidades e n√£o como algo baseado em evid√™ncias: um estudo realizado pela University of Southern Carolina indica que pessoas tem mais resist√™ncia a mudar de opini√£o sobre quest√Ķes politicas quando apresentadas a contra-argumentos em rela√ß√£o a opini√Ķes sobre quest√Ķes n√£o pol√≠ticas [5].

Isto vai completamente contra o esp√≠rito do m√©todo cient√≠fico, onde se o mundo n√£o corresponde as previs√Ķes do nosso modelo devemos descartar completamente nossas hip√≥teses. Ent√£o fica a pergunta: se a popula√ß√£o tivesse um letramento cient√≠fico ‚Äúideal‚ÄĚ, ter√≠amos um reflexo disso nas vis√Ķes pol√≠ticas?

Com isso podemos pensar no segundo ponto: as tomadas de decis√Ķes pol√≠ticas. Segundo uma tese de doutorado defendida na London School of Economics, cientistas costumam ter pouca voz no processo de formula√ß√£o de pol√≠ticas p√ļblicas na √°rea ambiental [6]. Possivelmente esta conclus√£o possa ser generalizada para as demais √°reas de ci√™ncia, onde dificilmente cientistas s√£o consultados em quest√Ķes t√©cnicas e prevalecem as opini√Ķes dos seres pol√≠ticos.

Um exemplo na cidade de São Paulo é a lei municipal 13.440 de 2002 (com redação alterada pela lei municipal 16.644 de 2017) que proíbe o uso de celulares em postos de gasolina [7], com a justificativa de que celulares poderiam produzir faíscas que levariam a acidentes devido a presença de materiais inflamáveis.  Quão absurda é a existência de uma lei assim?

Sabem o que produz fa√≠scas? Carros. Como ser√° que o redator dessa lei acha que funciona o sistema de igni√ß√£o de um carro? Ser√° que dever√≠amos todos empurrar nossos carros para fora do posto antes de lig√°-los? Ali√°s, as m√°quinas utilizadas na cobran√ßa de cart√Ķes de d√©bito/cr√©dito s√£o celulares disfar√ßados… elas tamb√©m s√£o proibidas? N√£o √© preciso um f√≠sico ou um engenheiro eletricista para perceber a inefic√°cia desta lei, mas se apenas um deles tivesse sido consultado, esta lei nunca existiria.

E n√£o s√≥ nas leis est√° o problema da falta de voz dos cientistas nas pautas que envolvem ci√™ncia, pois estes mesmos pol√≠ticos que n√£o confiam em ci√™ncia, decidem os or√ßamentos da ci√™ncia, atrav√©s dos repasses para ag√™ncias de fomento, universidades, laborat√≥rios nacionais e demais centros de pesquisas p√ļblicos.

Não é à toa que ao primeiro sinal de crise financeira tenhamos cortes enormes nos investimentos em ciência e tecnologia como os que acontecem atualmente e motivam diversas marchas pela ciência por todo o país.

Divulgação científica como parte da solução

¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Com o apresentado fica claro que o letramento cient√≠fico n√£o √© o √ļnico fator para mudar as pol√≠ticas p√ļblicas, mas talvez parte da solu√ß√£o seja mudar a percep√ß√£o p√ļblica de ci√™ncia. Cientistas por muito tempo se dedicaram e ainda se dedicam exclusivamente √† ci√™ncia sem se importar em explicar √† popula√ß√£o (que financia as pesquisas) qual a import√Ęncia do seu trabalho, ou mesmo qual √© o trabalho de um cientista.

Está mais do que na hora dos cientistas saírem das suas torres de marfim e criarem um canal de dialogo aberto com a sociedade. Parte importante dessa comunicação já existe através dos meios de divulgação científica, mas o que temos ainda é pouco.

Neste contexto quero parabenizar o ScienceBlogs Brasil, pelos dez anos nessa jornada de levar ci√™ncia de forma acess√≠vel a popula√ß√£o e por servir como inspira√ß√£o para o surgimento de diversos outros canais de divulga√ß√£o cient√≠fica no Brasil, onde incluo n√≥s do Blogs de Ci√™ncia da Unicamp. N√≥s temos um papel de extrema import√Ęncia nessa media√ß√£o entre ci√™ncia e sociedade e precisamos n√£o s√≥ continuar este trabalho mas tamb√©m incentivar novas iniciativas que ampliem esta comunica√ß√£o! Continuemos escrevendo, pois como j√° conclu√≠mos os blogs n√£o morreram!

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Eduardo Sato é doutorando em física pela Unicamp, autor do blog Torta de Maçã Primordial e membro da equipe do Blogs de Ciência da Unicamp.

 

 

[1] Ribeiro, D. Sobre o óbvio. Em: Ensaios insólitos. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.

[2] Moraes B,  Caires L, Fontes H. Pesquisa revela que brasileiro gosta de ciência, mas sabe pouco sobre ela. Jornal da Unicamp. Campinas: 2017, Disponível em: https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2017/09/25/pesquisa-revela-que-brasileiro-gosta-de-ciencia-mas-sabe-pouco-sobre-ela

[3] Arbex T, Bilenky T. Ministério de Temer deve ser o primeiro sem mulheres desde Geisel. Folha de São Paulo, São Paulo: 2016, Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/05/1770420-ministeriado-de-temer-deve-ser-o-primeiro-sem-mulheres-desde-geisel.shtml

[4] Sato, EA. Meus dois centavos sobre a falta de representatividade dos ministros de Temer. Facebook, Campinas: 2016, Disponível em: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=999783896742911&set=a.255352981186010.71761.100001339318044&type=3&theater

[5] Kaplan JT, Gimbel SI, Harris H. Neural Correlates of maintaing one’s political beliefs in the face of counterevidence. Sci. Rep. 6, 39589; doi: 10.1038/srep39589 (2016). Dispon√≠vel em: https://www.nature.com/articles/srep39589

[6] Donadelli FMM, Reaping the seeds of discord: advocacy coalitions and changes in brazilian enviromental regulation. London School of Economics, PhD thesis, London: 2017, Disponível em: https://www.researchgate.net/project/PhD-Thesis-5

[7] Nunes R. Lei N¬ļ 16.644, de 9 de maio de 2017. Dispon√≠vel em: https://leismunicipais.com.br/a/sp/s/sao-paulo/lei-ordinaria/2017/1664/16644/lei-ordinaria-n-16644-2017-altera-a-redacao-dos-arts-1-e-2-da-lei-municipal-n-13440-de-14-de-outubro-de-2002-e-da-outras-providencias

 

Uma cientista no Parlamento

Esse post é parte da Blogagem Coletiva de comemoração aos 10 anos do ScienceBlogs Brasil. O tema dessa semana é Ciência e Política. Hoje quem escreve é Mariana Moura membro-fundadora do Movimento dos Cientistas Engajados e pré-candidata a deputada estadual.

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Você consome tecnologia todos os dias. Está surpreso?

O nosso colchão, a toalha, a roupa que usamos no dia a dia, o café, o pão e o leite, o pacote de macarrão e o de molho de tomate. A luz que chega na nossa casa, a geladeira, a televisão, o rádio. O nosso despertador, o chuveiro. O celular e o computador. As paredes da nossa casa, a tinta, o nosso sofá. O remédio que tomamos quando estamos doentes e o conhecimento do médico que a gente consulta. Tudo isso é resultado da ciência. O conhecimento acumulado pela humanidade ao longo dos séculos transformado em produtos. Ciência é qualidade de vida.

√Č a casa mais barata e constru√≠da com materiais melhores. √Č o rem√©dio da doen√ßa que as empresas farmac√™uticas n√£o t√™m interesse em curar. √Č a comida mais barata porque a terra produz mais e porque chega mais r√°pido na nossa mesa. √Č a possibilidade de estudar √† noite porque tem energia el√©trica. √Č o emprego com sal√°rios melhores e a valoriza√ß√£o do sal√°rio m√≠nimo. Ci√™ncia √© Habita√ß√£o, Alimenta√ß√£o, Sa√ļde, Seguran√ßa, Educa√ß√£o e Emprego.

Os pa√≠ses centrais perceberam isso h√° d√©cadas. Perceberam tamb√©m que desenvolvimento cient√≠fico se produz com investimento do Estado. No Brasil, pelo contr√°rio, os investimentos em ci√™ncia s√£o sempre os primeiros a sofrer cortes quando chega uma crise. Desde 2013, os repasses federais para o Minist√©rio da Ci√™ncia e Tecnologia ca√≠ram quase pela metade chegando, no ano passado, a patamares do in√≠cio do S√©culo XX. O corte de 44% nos recursos deixaram a pasta com apenas R$ 3,7 bilh√Ķes para investir em 2017. Essa mentalidade est√° colocando em risco as pesquisas em andamento com o √™xodo de recursos humanos que levaram anos e muito investimento para serem formados. Formamos 20 mil doutores por ano, mas estes profissionais n√£o t√™m onde trabalhar no Brasil e acabam saindo do pa√≠s para continuar suas pesquisas. Um projeto como o LNLS, que cont√©m o laborat√≥rio de luz s√≠ncroton mais avan√ßado do mundo, e que foi or√ßado em R$ 1,8 bilh√£o, adiou suas atividades pela falta de recursos este ano. Para poder produzir novos materiais de constru√ß√£o, novos medicamentos, empregos com sal√°rios melhores √© preciso investimento p√ļblico maci√ßo e cont√≠nuo em Ci√™ncia e Tecnologia. A interrup√ß√£o desses recursos p√Ķe a perder o que foi feito antes.

N√≥s exportamos milh√Ķes de toneladas de min√©rio barato para comprar barras de a√ßo,¬† exportamos petr√≥leo para importar gasolina. Consumimos a tecnologia produzida por outros pa√≠ses a um custo anual de R$ 20 bilh√Ķes apenas para o pagamento de royalties e licen√ßas de uso. S√≥ para ter a permiss√£o de usar. Isso √© de uma irracionalidade sem tamanho. Temos todas as condi√ß√Ķes de transformar essa mat√©ria-prima gerando emprego e renda. Temos que mudar a l√≥gica e explorar conscientemente os materiais que temos respeitando limites ambientais e sociais do nosso territ√≥rio. O Brasil n√£o pode se dar ao luxo de n√£o investir em Ci√™ncia.

Um pa√≠s com tanta riqueza n√£o pode achar normal que existam pessoas sem um lugar para morar, sem saberem o que v√£o comer na pr√≥xima refei√ß√£o. S√£o 52 milh√Ķes de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza. Isso √© inadmiss√≠vel! Especialmente em um pa√≠s que possui reservas minerais e naturais entre as maiores do mundo e em uma √©poca em que a cada dia, a cada hora, surgem novos mecanismos, novos processos, novos produtos que s√£o capazes de melhorar a vida das pessoas. Permitir que vivamos mais e melhor.

Há décadas não temos grandes projetos científicos e o Plano Nacional de Ciência e Tecnologia, construído com pesquisadores, trabalhadores e agentes sociais de todo o país, foi abandonado em 2014 antes mesmo de ser colocado em prática. Tivemos recursos, mas não tínhamos projeto e, quando tivemos projeto, os recursos foram extraídos dele. Os atuais políticos do país pensam em ciência com base em um modelo não eficiente, sem visão global e gerenciado de modo não organizado que não trouxe os resultados esperados. Temos hoje excelência em setores pontuais, mas isso não chega à sociedade. Para reverter essa situação, é preciso pensar em Ciência como motor do desenvolvimento e inserir a produção científica no projeto nacional.

Por isso sou pré-candidata a deputada estadual em São Paulo.

E conto com vocês nesta empreitada!

Um forte abraço,

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Mariana Moura –¬†Mestre em Ci√™ncias e doutoranda em Energia pelo Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de S√£o Paulo. Foi coordenadora geral da Associa√ß√£o de P√≥s Graduandos da USP Capital. √Č membro-fundadora do Movimento dos Cientistas Engajados e pr√©-candidata a deputada estadual pelo Partido P√°tria Livre

E você, também é de ler?

Esse post é parte da Blogagem Coletiva de comemoração aos 10 anos do ScienceBlogs Brasil. O tema dessa semana é Os blogs morreram? Hoje quem escreve é Maria Leticia Bonatelli do Blog Ciência Informativa.

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O que voc√™ faz para atingir o seu p√ļblico alvo? Voc√™ conhece as pessoas que consomem o produto que voc√™ oferece? Existe uma f√≥rmula ideal para uma divulga√ß√£o cient√≠fica que realmente contemple TODOS?

Bom, essas s√£o perguntas que passam (ou deveriam passar) pela cabe√ßa de qualquer pessoa que produz conte√ļdo. Aqui eu vou falar de n√≥s, divulgadores cient√≠ficos. Como muitos de voc√™s, eu tenho um passado na p√≥s-gradua√ß√£o (mestrado e doutorado) e sempre tive interesse em compartilhar o meu conhecimento com o p√ļblico que, muitas vezes, n√£o tem acesso ao que √© discutido na academia.

Foi então que em meados de 2014, eu e um grupo de colegas iniciamos um projeto de divulgação científica chamado Ciência Informativa. O projeto incluía a criação de um blog de divulgação, no qual textos abordando diferentes tópicos da ciência seriam publicados semanalmente e, além disso, o mesmo espaço seria oferecido para que QUALQUER pesquisador ou aluno pudesse publicar textos de divulgação científica sobre a sua pesquisa.

E se voc√™ observar a data de cria√ß√£o do blog ‚Äď 2014 ‚Äď vai ver que n√£o foi exatamente no auge dos blogs. Outras m√≠dias ‚Äď vlogs, podcasts ‚Äď estavam surgindo e ganhando muita, ou at√© mais, aten√ß√£o que os blogs. Eu j√° ouvi de colegas da √°rea que deveria mudar de m√≠dia, que eu precisava ir para o Youtube e que os blogs j√° eram.

Mas, calma l√°. Se pensarmos nas tr√™s perguntas iniciais que fiz, existe uma m√≠dia que contemple todos? Um conte√ļdo que seja acessado por muitos p√ļblicos distintos? Crian√ßas, jovens e adultos? E voc√™, qual o produto que voc√™ mais consome na hora de se informar? Vlogs, podcasts ou blogs?

Particularmente, eu sou uma pessoa que gosta de ler para me manter informada. Consumo outros tipos de produtos tamb√©m, mas de longe prefiro ler artigos e an√°lises. E, ent√£o, ser√° que n√£o √© assim com as outras pessoas tamb√©m? Ser√° que diferentes conte√ļdos n√£o podem ser produzidos para contemplar diferentes p√ļblicos?

Um artigo publicado pela revista Nature em janeiro deste ano leva o t√≠tulo ‚ÄúWhy science blogging still matters‚ÄĚ e levanta diferentes pontos sobre a import√Ęncia e as dificuldades da blogagem ‚Äď se voc√™ ainda n√£o leu, recomendo. Segundo o artigo, blogar pode ser um desafio por conta da disponibilidade de tempo (ainda mais se voc√™ tamb√©m √© pesquisador) e ainda por competir com outras m√≠dias que acabam diluindo o impacto dos posts produzidos. Mas ainda assim, pode ser uma interessante forma de networking e, claro, de dissemina√ß√£o do conhecimento cient√≠fico ‚Äď seja entre pares ou n√£o.

Nesses quase 4 anos de blogagem ‚Äď o Ci√™ncia Informativa assopra velinhas em setembro de 2018 ‚Äď n√≥s vimos muitas mudan√ßas acontecerem no mundo da internet. De fato, √© dif√≠cil dizer qual ser√° a nova m√≠dia do momento ou qual app que usaremos daqui a seis meses. A mudan√ßa parece ser a √ļnica constante do mundo em que vivemos. E o blog, assim como as outras m√≠dias, tem que se adaptar a essa realidade.

Se voc√™ me pergunta: o Ci√™ncia Informativa atinge n√ļmeros de visualiza√ß√Ķes de Youtube? Minha resposta √© n√£o. Nosso crescimento √© mais lento e org√Ęnico. Conquistamos nosso p√ļblico ao longo desses anos, assim como os nossos colaboradores: cerca de 10% do conte√ļdo do blog foi escrito por pesquisadores e alunos que utilizaram a plataforma para realizar divulga√ß√£o cient√≠fica.

Sabemos sobre o que o nosso p√ļblico mais se interessa: textos sobre meio ambiente s√£o os mais acessados. Textos sobre linguagem e comportamento, que s√£o t√≥picos com conte√ļdo mais escasso na internet, tamb√©m s√£o muito acessados. Al√©m disso, sabemos que o nosso p√ļblico chega aos nossos textos, muitas vezes, por meio de pesquisa nos buscadores online ‚Äď utilize as palavras ‚ÄúRio Doce Hist√≥ria‚ÄĚ no Google e voc√™ poder√° ver o feature snippet do Ci√™ncia (Imagem abaixo).

rio doce historia

Tentar conhecer o seu p√ļblico talvez seja uma das coisas mais importantes que voc√™ pode fazer para aprimorar o conte√ļdo que produz. N√≥s sempre tentamos aprimorar o conte√ļdo e o formato do texto, assim como diversificar os assuntos abordados. Como muito de voc√™s, n√≥s tamb√©m aprendemos fazendo. E essa tamb√©m n√£o seria uma fun√ß√£o importante do blog? Capacitar pessoas para fazer divulga√ß√£o cient√≠fica?

Ent√£o se a ideia era responder se os blogs morreram, a minha resposta √© um sonoro n√£o. Diferentes conte√ļdos contemplam diferentes p√ļblicos e est√° tudo bem ser assim. No mundo da divulga√ß√£o cient√≠fica, voc√™ est√° aberto √† experimenta√ß√£o e pode procurar qual m√≠dia se encaixa mais. Claro que sempre h√° a necessidade de pensar em formas de melhorar o conteudo do seu blog, vlog, podcast ou outros, mas assim como eu prefiro ler, outras pessoas tamb√©m ir√£o preferir. E voc√™, tamb√©m √© de ler?

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Maria Letícia Bonatelli do blog Ciência Informativa

Blogs de Ciência da Unicamp РAinda estamos aqui

Esse post é parte da Blogagem Coletiva de comemoração aos 10 anos do ScienceBlogs Brasil. O tema dessa semana é Os blogs morreram? Quem escreve hoje é a Erica Mariosa Moreira Carneiro, do Blogs de Ciência da Unicamp.

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It’s Alive” – Frankenstein (1931)

 

O prognóstico de morte dos blogs já foi anunciado por diversas vezes na mídia, contudo muitas iniciativas continuam insistindo nessa plataforma e conseguindo resultados interessantes e promissores! Tais como  nos seguintes casos, Science Blogs Рque está comemorando 10 anos com essa blogagem coletiva -, Ciência Informativa, Gene Repórter, Blogs da Ciência, Mural Científico e nós, do Blogs de Ciência da Unicamp, que desde 2015 promovemos divulgação científica escrita e produzida por pesquisadores, docentes e alunos da Unicamp.

Os blogs surgiram, de acordo com Malini (2008) e Paquet (2002), h√° mais de duas d√©cadas. O objetivo principal era ser um espa√ßo virtual para, por meio de textos, expressar ideias, informar e opinar sobre assuntos variados. Diferentemente das comunica√ß√Ķes em massa, como televis√£o e r√°dio, os blogs ganharam notoriedade devido √† possibilidade de liberdade de express√£o e intera√ß√£o com os leitores.

O nome ‚Äúblog‚ÄĚ vem de web-log, ou di√°rio de rede e foi usado inicialmente pelo norte americano Jorn Barger para se referir ao seu jornal online Robot Wisdom que, na √©poca, tinha a inten√ß√£o de ser uma ferramenta que indicava p√°ginas atrav√©s de links, de acordo com a import√Ęncia que o pr√≥prio autor do conte√ļdo as atribuia.

Com a evolu√ß√£o da tecnologia, do acesso e da maior disponibilidade de ferramentas, os blogs foram sofrendo mudan√ßas. Primeiramente em seu tamanho, depois ao agregar fun√ß√Ķes, como inclus√£o de imagens, √°udios, v√≠deos, etc. O Blogs de Ci√™ncia da Unicamp surgiu em 2015 em meio a essas mudan√ßas, com o prop√≥sito de ser um portal de blogs de divulga√ß√£o cient√≠fica com conte√ļdo exclusivo e in√©dito produzidos por cientistas. Atualmente o projeto conta com 31 blogs ativos e 25 em fase de constru√ß√£o.

Dos anos noventa at√© os dias de hoje muita tecnologia ‚Äúnasceu‚ÄĚ e ‚Äúmorreu‚ÄĚ e outras se reinventaram para se manterem competitivas. Neste contexto, arautos do apocalipse sugeriram por diversas vezes como ‚Äúos blogs perderam sua for√ßa‚ÄĚ, j√° que¬† ‚Äúas pessoas n√£o l√™em mais‚ÄĚ.

OS BLOGS PERDERAM SUA FORÇA:

Enquanto surgiam iniciativas de blogs no Brasil, o mundo da tecnologia apresentava novos formatos de comunica√ß√£o que chamavam a aten√ß√£o dos blogueiros e de seu p√ļblico, sendo assim, muitos blogs foram abandonados ou migraram para outras plataformas.

Esse fen√īmeno motivou um extenso debate no canal de Blogs Gene Rep√≥rter, do divulgador cient√≠fico Roberto Takata, com o t√≠tulo ‚ÄúH√° uma crise nos blogues brazucas de ci√™ncias?‚ÄĚ, rendendo 7 postagens de 2013 √† 2015. Dentre as diversas colabora√ß√Ķes, Takata destaca que mesmo sem ter dados precisos, √© poss√≠vel perceber a diminui√ß√£o das postagens em canais que acompanha. Percep√ß√£o essa que se concretiza com a pesquisas a seguir:

  • Realizada em 2015 pela ag√™ncia Grumft e divulgada pela Ag√™ncia Adnews conclui-se que a blogosfera brasileira possu√≠a 200 milh√Ķes de blogs ativos.
  • Em 2017 a empresa BigData Corp atualizou os dados da blogosfera brasileira, constatando que existem mais de 5,5 milh√Ķes de blogs no Brasil. Sendo que mais de 90% dos blogs aliam a sua exposi√ß√£o a redes sociais e outras plataformas, 48,53% utilizam Facebook, 48,21% o Youtube e 33,97% Twitter.

Com uma redu√ß√£o de 97% de blogs ativos no Brasil em dois anos de atua√ß√£o √© poss√≠vel admitir que os blogs de fato perderam sua for√ßa, principalmente quando comparados a iniciativas de divulga√ß√£o cient√≠fica em outras plataformas, como o YouTube que possui uma audi√™ncia de 95% da populacŐßaŐÉo online brasileira – de acordo com os dados fornecidos pelo Youtube Insights 2017.

AS PESSOAS NÃO LÊEM MAIS:

Guimar√£es (2018) comenta que a √ļltima pesquisa sobre an√°lise de comportamento de leitura foi aplicada em 2015, pelo Ibope Intelig√™ncia sob encomenda do Instituto Pr√≥-Livro para o projeto Retratos da Leitura no Brasil[1], verificou-se que 56% da popula√ß√£o brasileira √© leitora, contudo o brasileiro l√™ poucos livros, uma m√©dia de 4 livros por ano, sendo que 2 dos livros n√£o s√£o terminados.

Entretanto, nessa análise precisamos também considerar o leitor virtual, ou seja, aquele que utiliza de blogs, e-books e redes sociais para ler. De acordo com o Instituto Reuters de Oxford[2] em 2016, 91% dos brasileiros usam a internet para se informar, sendo 72% desses, leitores de notícias.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat√≠stica – IBGE[3] em sua √ļltima Pesquisa Nacional por Amostra de Domic√≠lios Cont√≠nua, em seu suplemento de Tecnologias da Informa√ß√£o e Comunica√ß√£o (TIC) referente a 2016, concluiu que 64,7% da popula√ß√£o brasileira est√° conectada a internet, desse montante, 71% usam a internet para educa√ß√£o e aprendizado e 68,6% para comunica√ß√£o com outras pessoas. A partir dessas pesquisas, observa-se que o p√ļblico leitor mant√©m-se ‚Äúvivo‚ÄĚ e utilizando cada vez mais o meio digital.

E o Blogs de Ci√™ncia da Unicamp, como se insere nesta discuss√£o? Ser√° que tem visto diferen√ßa, em seu p√ļblico, desde seu lan√ßamento nestes 2 anos e meio?

O BLOGS DE CIÊNCIA DA UNICAMP

Como o pr√≥prio nome j√° sugere, essa plataforma de blogs realiza divulga√ß√£o cient√≠fica a partir do conte√ļdo gerado pela Unicamp, sendo que as estrat√©gias de divulga√ß√£o de conte√ļdo para a sociedade acontece apenas de forma org√Ęnica[4], em quatro redes sociais oficiais e quatro redes sociais em fase de teste.

Publicando ao menos uma postagem in√©dita ao dia direcionada ao seu p√ļblico de interesse previamente identificado, realiza-se tamb√©m sugest√Ķes de pauta para ve√≠culos de m√≠dia, entre outras estrat√©gias.

O projeto acaba de realizar sua 9a Integração com futuros blogueiros/cientistas da Unicamp. Desde o início do projeto, foram integrados 382 pesquisadores, dentre os quais 97 continuam ativos e 25 ainda estão em fase de desenvolvimento e preparação de seus blogs. A maioria dos participantes é formada por pós-graduandos (35% de doutorandos e 6% de pós doutorandos para 24% de docentes e) e mulheres (55%).

A administra√ß√£o do projeto √© realizada por uma equipe de volunt√°rios, divididos de acordo com suas atribui√ß√Ķes e expertises pessoais, sendo 2 docentes, 1 doutor, 4 doutorandos, 1 mestre, 1 mestrando e 2 graduandos, desses s√£o 7 mulheres e 4 homens.

Os resultados do projeto são medidos através dos analytics (oferecidos pelas mídias sociais, google e piwik). De 2015 até 2 de julho de 2018, segundo dados apresentados pelo Google Analytics, tivemos 75.851 leitores nas postagens do portal, destes 66% são de novos visitantes e 33% de visitantes que retornaram, 59,87% são mulheres e 40,13% são homens.

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Figura 1 – Visualiza√ß√Ķes no portal principal coletadas no Google Analytics

O Blogs de Ci√™ncia da Unicamp teve um aumento expressivo de leitores ao longo de 2 anos e meio de atua√ß√£o, principalmente se considerarmos que n√£o houve nenhum tipo de investimento financeiro em divulga√ß√£o no projeto. Isso mostra que, apesar de novas tecnologias surgirem todos os dias, e a comunica√ß√£o estar sempre se renovando, este tipo de m√≠dia continua tendo um p√ļblico cativo e crescente, que procura, se interessa e divulga seu conte√ļdo.

Talvez as iniciativas de divulga√ß√£o cient√≠fica que optem por esse formato n√£o atinjam milh√Ķes de seguidores e algumas classes sociais rapidamente, como faz o YouTube, por exemplo. Contudo a fun√ß√£o da divulga√ß√£o cient√≠fica escrita, o Blogs de Ci√™ncia da Unicamp tem se realizado satisfatoriamente.

√Č fundamental acrescentar que a din√Ęmica de acesso e o consumo do conte√ļdo escrito √© diferente do conte√ļdo em v√≠deo ou √°udio. Tal suporte n√£o deve ser descartado por mera justificativa de procura de aumento de audi√™ncia, tendo seu nicho espec√≠fico e, muitas vezes, complementar a outras plataformas e produ√ß√Ķes. √Č importante que conte√ļdos escritos de divulga√ß√£o cient√≠fica continuem sendo disponibilizados, j√° que a rela√ß√£o do leitor com o texto √© diferente daquele que assiste com o v√≠deo. O ideal seria que os formatos se combinassem de forma complementar, com uma introdu√ß√£o mais simples em v√≠deo e seu aprofundamento por meio de um conte√ļdo textual.

Tamb√©m √© preciso dizer que o blog √© uma op√ß√£o acess√≠vel ao cientista que opta por realizar divulga√ß√£o cient√≠fica independente dos canais de comunica√ß√£o de seus institutos e universidades, pois esse tipo de plataforma n√£o exige uma¬† infraestrutura cara, como c√Ęmeras, editor de v√≠deo ou √°udio, por exemplo. Tamb√©m se destaca a relativa independ√™ncia do divulgador cient√≠fico, que usa a escrita como meio, em fun√ß√£o de outras plataformas exigirem mais pessoas envolvidas (e com qualifica√ß√Ķes diferentes) na produ√ß√£o de conte√ļdo e/ou maior desenvoltura do divulgador – o que pode gerar um disp√™ndio de tempo e custo maior tamb√©m. Contudo, embora a escrita seja um modo de divulga√ß√£o mais individualizado, n√£o torna simples ou f√°cil ao pesquisador. O futuro divulgador cient√≠fico deve se esfor√ßar em utilizar uma linguagem acess√≠vel por qualquer p√ļblico que possa vir a seguir o seu canal, sempre primando pela qualidade da informa√ß√£o.

Quanto a pergunta inicial desta postagem…

NÃO, OS BLOGS NÃO MORRERAM!

Mas a divulgação científica, independente do formato escolhido, ainda precisa de um maior reconhecimento, investimento e engajamento para continuar se desenvolvendo. Há muito chão pela frente! Que tal caminharmos juntos?

 Agradecimento especial a toda a equipe Blogs de Ciência da Unicamp que participa, escreve e contribui voluntariamente para que o projeto se mantenha vivo e operante.

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Erica Mariosa Moreira Carneiro –¬†Administradora do Blogs de Ci√™ncia da Unicamp. Gradua√ß√£o em Comunica√ß√£o Social em Rela√ß√Ķes P√ļblicas ‚Äď PUCCampinas. P√≥s Gradua√ß√£o em Jornalismo Cient√≠fico ‚Äď Labjor/Unicamp. Mestranda em Divulga√ß√£o Cient√≠fica e Cultural ‚Äď Labjor/Unicamp. Experi√™ncia em Divulga√ß√£o em M√≠dias Sociais com Pr√°ticas N√£o Onerosas.

Colabora√ß√Ķes: Andr√© Garcia, Ana de Medeiros Arnt e C√°ssio Riedo

BIBLIOGRAFIA

FRANKENSTEIN: The movie. Direção de James Whale e Produção de Carl Laemmle Jr. Estados Unidos: James Whale, 1931. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=J8KHc3ipm-0>. Acesso em: 03. jul. 2018.

MALINI, F. Por uma genealogia da Blogosfera: considera√ß√Ķes hist√≥ricas (1997 a 2001), 2008. Dispon√≠vel em: <http://www.cp2.g12.br/ojs/index.php/lcvt/article/view/35> Acesso em: 28 mar. 2017.

PAQUET, S. Personal knowledge publishing and its uses in research. 2002. Disponível em : <http://radio.weblogs.com/0110772/stories/2002/10/03/ personal Know ledgePublishingAndItsUsesInResearch.html>. Acesso em: 25 mar. 2017.

GUIMAR√ÉES, P. Retratos da Leitura ‚Äď Perfil do Leitor. 2017. Dispon√≠vel em: <https://www.institutoguimaraes.com.br/single-post/2017/07/27/Retratos-da-Leitura-%E2%80%93-Perfil-do-Leitor>. Acesso em: 03 jul. 2018.

SANTOS, I. Manuel Castells: um país educado com internet progride; um país sem educação usa a internet para fazer estupidez. 2017. Disponível em: <https://www.fronteiras.com/entrevistas/manuel-castells-um-pais-educado-com-internet-progride>. Acesso em: 03 jul. 2018.

[1] Foram entrevistadas 5.012 pessoas de 5 anos ou mais, alfabetizadas, ou não, e foram considerados leitores aqueles que leram algum livro nos três meses anteriores à entrevista.

[2] Pesquisa Completa: https://www.poder360.com.br/wp-content/uploads/2016/12/Pesquisa-instituto-Reuters.pdf

[3] pesquisa completa: https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/acessoainternet2015/default.shtm

[4] Divulgação feita com estratégias de comunicação sem a geração de custo para o projeto.

Blogar ou n√£o blogar? Eis a quest√£o!

Esse post é parte da Blogagem Coletiva de comemoração aos 10 anos do ScienceBlogs Brasil. O tema dessa semana é Os blogs morreram? Hoje quem escreve é a Lais Moreira Granato coordenadora do Blog Descascando a Ciência.

Se você quiser participar acesse: http://bit.ly/SBBr10anos

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Eu como blogueira, fico irritada quando leio algum post ou ouço alguém falar que os blogs morreram. Isso não é verdade!!

Segundo o Google Trends, a procura por “como iniciar um blog” vem crescendo nos √ļltimos anos.¬†Cada vez mais, cresce o n√ļmero de empresas que fazem uso do velho “blog” como uma forma de atualiza√ß√£o de seus clientes sobre assuntos relacionados ao produto que √© comercializado. Ou at√© mesmo como uma maneira de aproxima√ß√£o, j√° que um blog √© bem mais din√Ęmico que um site, por exemplo.

Al√©m das empresas, cientistas t√™m feito uso dos blogs como uma nova forma de divulgar os resultados de suas pesquisas e atrair a aten√ß√£o da sociedade para a ci√™ncia. Prova disso √© o n√ļmero crescente de novos blogs vinculados a rede de blogs da UNICAMP, que foi criada em 2015 e como o Science Blogs Brasil que est√° completando 10 anos!

O que aconteceu nos √ļltimos anos, √© que com o surgimento de novas tecnologias, novas tend√™ncias tamb√©m surgiram, e por isso foi preciso atualiza√ß√£o!

Hoje em dia “a cara” dos blogs mudou! Hoje os blogs utilizam v√≠deos e outras ferramentas multim√≠dias para incrementar seus textos e fazem uso das redes sociais para que consigam alcan√ßar um maior n√ļmero de pessoas. A cria√ß√£o de conte√ļdo n√£o √© mais apenas sobre palavras. A cria√ß√£o de conte√ļdo utiliza as palavras para criar uma hist√≥ria e essa ‚Äúhist√≥ria‚ÄĚ √© mais do que apenas uma narrativa, como era no in√≠cio dos blogs. Ela representa fortemente sentimentos, opini√Ķes e pontos de vista que permitem que o escritor se conecte fortemente com o leitor.

Hoje os blogs são uma ferramenta de comunicação, a voz de uma marca, que integra textos, imagens, vídeos e o mais importante: emoção!

Eis que os Blogs n√£o morreram! Na realidade, eles se tornaram muito mais efetivos com o passar do tempo. O importante √© a qualidade do conte√ļdo que se deseja transmitir. Coisas boas sempre geram interesse!!

Vamos blogar!

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Charge de Luiza Carvalho (https://dialogoscciencia.com/2013/07/24/a-divulgacao-cientifica-e-a-minha-formacao-no-bacharelado-de-ciencias-biologicas-da-ufmg/

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La√≠s Moreira Granato, bi√≥loga, mestre em Agricultura e Doutora em Gen√©tica e Biologia Molecular. Atualmente p√≥s-doutoranda no Centro de Citricultura ‚ÄúSylvio Moreira‚ÄĚ/IAC e coordenadora do Blog Descascando a Ci√™ncia.

Os blogues morreram? Spoiler alert: n√£o. Longa vida aos blogues.

Esse post é parte da Blogagem Coletiva de comemoração aos 10 anos do ScienceBlogs Brasil. O tema dessa semana é Os blogs morreram? E para essa inauguração chamamos o amigo Roberto Takata para falar da morte, ou não, dos blogs.

Se você quiser participar acesse: http://bit.ly/SBBr10anos

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“O relato de minha morte foi um exagero.” Mark Twain 1897. [1]

Como já entrego no título, claro que os blogues não morreram. Basta constatarmos que você está lendo este texto em um.

Ok. Os blogues n√£o morreram. Mas est√£o em risco de extin√ß√£o em um futuro pr√≥ximo? A√≠ √© mais complicado de responder. Ao menos para os de ci√™ncia com autores brasileiros h√° alguns ind√≠cios nesse sentido. Como uma redu√ß√£o no padr√£o de atividade de uma amostra de 346 weblogs no estudo do qual tomei parte (Fig. 1). Ressalte-se, no entanto, que n√£o √© a √ļnica interpreta√ß√£o poss√≠vel – pode ser que novos blogues (de ci√™ncias) estejam surgindo e o nosso levantamento n√£o foi capaz de capt√°-los adequadamente. E pelo menos um estudo (com um n√ļmero menor de “di√°rios virtuais”) concluiu que estaria havendo um aumento.

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Figura 1. Varia√ß√£o do n√ļmero de blogues de ci√™ncias ativos com autores brasileiros. Reproduzido de: Fausto et al. 2017.

Os blogues em geral – n√£o nos restringindo aos de ci√™ncia em pt-br – aparentemente v√£o bem. No Worpress.com, a principal plataforma de blogues blogues* (isto √©, tirando microblogues como o twitter; fotologues como o instagram ou Pinterest; videoblogues como muitos canais do YouTube; e plataformas de blogues que s√£o mais um tipo de m√≠dia social como o tumblr), o n√ļmero total de postagens mensais v√™m mantendo a tend√™ncia de crescimento desde o seu lan√ßamento em 2005: de pouco menos de 600.000 postagens novas (25,6 milh√Ķes de pageviews) em outubro de 2006 a mais de 77 milh√Ķes de novos posts (20,7 bilh√Ķes de pageviews) em junho de 2018 (Fig. 2) (Uma cautela deve ser tomada, no entanto, j√° que se trata de n√ļmeros divulgados pela pr√≥pria plataforma sem declara√ß√£o de auditoria, e n√£o um levantamento independente.)

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Figura 2. Varia√ß√£o do n√ļmero de postagens dos blogues hospedados no WordPress.com ao longo do tempo. Fonte: WordPress.com.

Os blogues como formato de comunicação devem ainda continuar por vários anos com algum grau de influência (ainda que eventualmente setorial: para temas específicos ou para grupos específicos de pessoas). Verdade que isso é mais um desejo do que um prognóstico, especialmente para os de ciências. Se, de um lado, temos uma aparente crise na blogosfera cientófila brazuca independente (e mesmo internacional [vide nota 2]); de outro, talvez estejamos frente a um processo de institucionalização da divulgação científica através de blogues: em 2015 foi lançado o Blogs de Ciência da Unicamp e, em 2016, o portal UFRGS Ciência. De novo, mais um desejo do que um prognóstico, no entanto.

Embora atualmente na internet brasileira canais no YouTube – com centenas de milhares a milh√Ķes de views por epis√≥dio, como no caso do Manual do Mundo e do Nerdologia – e podcasts – com dezenas de milhares de ouvintes como o Drag√Ķes de Garagem ou o SciCast – tenham mais visibilidade, e v√°rias iniciativas comecem a explorar outras m√≠dias como o instagram, enxergo um papel importante dos blogues no ecossistema da comunica√ß√£o p√ļblica de ci√™ncias online. Estes s√£o plataformas que conseguem fazer a integra√ß√£o dessas outras m√≠dias – por meio da incorpora√ß√£o (’embedding’) – e, melhor do que as demais, explorar a comunica√ß√£o por meio do texto escrito. Por exemplo, equa√ß√Ķes s√£o dif√≠ceis de serem exploradas em m√≠dia de √°udio, √© poss√≠vel de serem apresentadas em v√≠deo, mas explica√ß√Ķes mais detalhadas podem ser prejudicadas pela din√Ęmica da narra√ß√£o de v√≠deos – no texto, as pessoas podem ir e voltar e saltar de modo mais eficiente; gr√°ficos interativos podem ser facilmente inseridos nos blogues; e tendem a consumir menos banda (o que √© um fator a se considerar quando uma fra√ß√£o significativa acessa via celular – se n√£o houver um wi-fi dispon√≠vel e confi√°vel por perto, arquivos de √°udio e v√≠deo podem esgotar rapidamente a franquia de dados). Textos tamb√©m s√£o mais male√°veis quanto √† acessibilidade (ao menos de pessoas alfabetizadas) e, por enquanto, t√™m vantagens na indexa√ß√£o em mecanismos de busca, de tradu√ß√£o e mesmo de procura do pr√≥prio navegador. Boa parte das outras m√≠dias t√™m limita√ß√Ķes para o fornecimento de hiperlinks, especialmente para fora do site que hospeda o servi√ßo, o que √© facilmente integrado nos textos de blogues (na verdade, os links s√£o parte do esp√≠rito blogueiro – para os leitores poderem se aprofundar, para indicar outros canais dignos de serem seguidos, para dar a fonte original…). E, possivelmente como caracter√≠stica principal, a produ√ß√£o e edi√ß√£o de texto tamb√©m tende a ser muito f√°ceis e baratas do que uma boa edi√ß√£o de √°udio e v√≠deo – facilitadas ainda pelo fato de a educa√ß√£o formal enfatizar a habilidade de escrita.

Algumas dessas vantagens poder√£o ser igualadas por √°udios e v√≠deos na medida em que algoritmos se tornarem confi√°veis em extrair os textos desses arquivos (permitindo, por exemplo, pular direto para trechos que falam diretamente de um termo ou assunto); outras, como links externos, dependem de altera√ß√Ķes de pol√≠ticas de servi√ßo dos provedores (embora a tend√™ncia seja oposta, por exemplo, no facebook, que deseja manter os usu√°rios em sua plataforma o m√°ximo de tempo poss√≠vel); mas o texto, em uma forma ou outra, tem resistido √† prova do tempo.

Mesmo que os blogues blogues* não resistam às tendências atuais e futuras; os blogues nem tão blogues (como o tumblr, facebook, instagram e outros) que incorporem pelo menos alguma possibilidade de inserção de textos e explorar parte de suas vantagens devem continuar o legado. Ainda que isso seja mais desejo do que um prognóstico.

Nota:

*Blogues Blogues – blogs em formato cl√°ssico como WordPress e Blogspot

[1] A citação mais completa é:
“James Ross Clemens, a cousin of mine, was seriously ill two or three weeks ago in London, but is well now. The report of my illness grew out of his illness; the report of my death was an exaggeration.” Mark Twain, 31 de maio de 1897.
[“James Ross Clemens, um primo meu, esteve seriamente adoentado h√° duas ou tr√™s semanas em Londres, mas agora est√° bem. O relato de minha enfermidade surgiu a partir da enfermidade dele; o relato de minha morte foi um exagero.”]

[2] Como com o fechamento da versão original americana do ScienceBlogs РATENÇÃO: o ScienceBlogs Brasil é um projeto independente e não foi afetado por essa decisão do grupo SEED.

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Neste inst√°vel mundo intern√©tico – do qual o cemit√©rio de projetos da Google √© um exemplo eloquente – n√£o √© qualquer empreitada que chega aos dois d√≠gitos de transla√ß√Ķes terrestres.

Mais do que parab√©ns, devo dizer muito obrigado, ScienceBlogs Brasil, pelo bel√≠ssimo trabalho que tem feito nesta √ļltima d√©cada. N√£o apenas tem informado e conscientizado seus incont√°veis leitores e fi√©is f√£s em rela√ß√£o a temas relacionados √†s ci√™ncias e dado visibilidade a tanto projetos e divulgadores incr√≠veis; como inspirado um sem n√ļmero de pessoas a seguirem a carreira cient√≠fica e de comunica√ß√£o de ci√™ncias. Um dos principais projetos de divulga√ß√£o de uma das principais institui√ß√Ķes brasileiras: o Blog de Ci√™ncias da Unicamp, √© um filho espiritual direto dos SbBr.

Desejar longa vida aos SbBr é, assim, mais do que um cumprimento a todos os colaboradores Рatuais e pregressos Рe a comunidade de leitores que se formou em torno; é uma obrigação moral para alguém que aprecia e valoriza a cultura científica.

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Roberto Takata, entre outras coisas, escreve no Gene Repórter.