Mais um motivo pra você não acreditar em mentirosos

Em 21 de Abril de 2003, Amanda Berry desapareceu após deixar o trabalho, algumas quadras da sua casa em Cleveland. Em Novembro do ano seguinte a mãe de Amanda, Louwana Miller, foi ao programa de TV The Montel Williams Show.

No programa, a senhora Miller se encontrou com Sylvia Browne, e se você não está acostumando com o mundo do charlatanismo, eu te digo quem Sylvia Browne é. Ela é uma mentirosa profissional. Das piores. Alega ter poderes psíquicos, se comunicar com mortos e todo esse tipo de coisa.

Aqui vai o trecho mais importante da conversa das duas no programa:

Miller:¬†Voc√™ pode me falar se eles v√£o encontra-la? […]
Browne:¬†[…] Ela n√£o est√° viva, querida. […]

Sylvia Browne afirmou para Louwana Miller que Amanda Berry estava morta. Voc√™ consegue imaginar o que √© isso? Voc√™ est√° procurando sua filha desaparecida, e algu√©m que alega ter superpoderes ps√≠quicos te diz que ela est√° morta…

Segunda, 6 de Maio de 2013, a Polícia de Cleveland encontrou três mulheres que estavam sendo mantidos em cativeiro. Uma delas era Amanda Berry. Viva.

O problema com os enganadores é que quando eles não estão usando alguma técnica pra extrair a informação de você, eles estão simplesmente mentindo. E eles estão por toda parte. Seja em programas de TV, seja nas ruas. As vezes podem até passar despercebidos (o cara é gente boa, só quer ajudar), mas estão ali, vendendo falsas esperanças ou ceifando as verdadeiras. Atingindo o ponto fraco de suas vítimas.

Previs√Ķes do futuro, mensagens dos mortos, curas milagrosas… Combater esse tipo de misticismo n√£o √© uma tarefa f√°cil. S√≥ um charlat√£o venderia uma solu√ß√£o m√°gica para um problema complexo. T√£o importante quanto voc√™ n√£o cair nesse tipo de armadilha, √© educar as pessoas ao seu redor para que elas tamb√©m n√£o caiam.

A prop√≥sito, em 2 de Mar√ßo de 2006, Louwana Miller morreu de ataque card√≠aco tr√™s meses ap√≥s ser internada com pancreatite. Amigos acreditam que a declara√ß√£o de Browne pode ter contribu√≠do para debilitar sua sa√ļde. De qualquer forma, Louwana morreu sem ver Amanda voltar pra casa. E ningu√©m poder√° contar, porque n√£o podemos falar com os mortos.

 

Foto: AP Photo / Tony Dejak

Foto: AP Photo / Tony Dejak

 

Chemtrails x Contrails

Você andando pela rua olha para o céu e vê um OVNI avião comercial.  Você percebe que ele deixa pelo caminho uma espécie de nuvem branca. Você não sabe o que isso é, mas como não pode controlar a curiosidade, ao chegar em casa tenta achar algo sobre isso na Internet. Então, é bastante provável que você acabe lendo algo sobre chemtrails.

Chemtrail (do ingl√™s, trilha qu√≠mica) √© uma teoria conspirat√≥ria, daquelas bizarras. Os adeptos da conspira√ß√£o do chemtrail alegam que avi√Ķes supostamente comerciais s√£o usados para jogar produtos qu√≠micos na atmosfera, com o objetivo de controle clim√°tico e populacional.

Spock não vê lógica nos chemtrails.

N√£o que eu queira tirar o direito de algu√©m pensar que os Illuminatis, a NWO, ou o governo est√£o tentando nos matar. Mas acontece que o que os conspiracionistas chamam de chemtrail √© um fen√īmeno conhecido e um pouco mais inofensivo.

Contrail (do ingl√™s trilho de condensa√ß√£o) √© o nome daquela trilha de “fuma√ßa” branca que acompanha algumas aeronaves em altitude de cruzeiro. √Č uma trilha de condensa√ß√£o deixada pela presen√ßa do g√°s quente da sa√≠do da turbina do avi√£o em contato com a atmosfera fria. Conspiracionistas dir√£o que h√° “diferen√ßa” entre contrails e chemtrails. Dir√£o que os contrails duram poucos segundos, enquanto os chemtrails permaneceriam at√© por horas na atmosfera. Por isso, entender como os contrails podem ser formados √© um passo importante para entender porque os conspiracionistas est√£o errados.

Os dois principais fatores responsáveis pela formação de contrails são a temperatura e a umidade da atmosfera. Veja o gráfico:

 

grafcontrail2

Esse gr√°fico vai nos ajudar a descobrir quando e como um contrail vai se formar. A √°rea azul √© uma regi√£o de condensa√ß√£o (mudan√ßa de gasoso para l√≠quido), ali os trilhos podem ser formados (carinha feliz). A √°rea cinza √© uma regi√£o de forma√ß√£o de gelo, √© o que define a dura√ß√£o do contrail. E a √°rea branca √© uma regi√£o de sublima√ß√£o (mudan√ßa de s√≥lido para gasoso), onde nunca teremos a forma√ß√£o de rastros (carinha triste). O combust√≠vel do avi√£o √© queimado e o escapamento libera o g√°s da combust√£o, quente e √ļmido. Ent√£o colocamos nosso avi√£o no canto superior direito do gr√°fico.

O ponto A no gr√°fico representa a condi√ß√£o atmosf√©rica na altitude de voo da aeronave (temperaturas abaixo de 0 ¬įC). O material liberado vai come√ßar a entrar em equil√≠brio com o ambiente, descendo para o ponto A no gr√°fico.

Três tipos de contrails podem se formar, dependendo da posição do ponto A, e das áreas que o caminho entre o avião e o ponto A cruza.

 

Contrail de vida curta

Contrail de vida curta

 

Esse é um Contrail de vida curta. Ele vai se formar quando a atmosfera estiver seca (o ponto A está na área branca). No gráfico o caminho da temperatura entre o avião e ponto A passa muito pouco por dentro da área azul, passa rapidamente pela área cinza (pelo tempo de duração do contrail) e sai para a área branca, desaparecendo.

 

Contrail persistente

Contrail persistente

 

Em um Contrail Persistente¬†o ponto A est√° exatamente na borda que divide a √°rea cinza da √°rea branca (um pouco √ļmido). No¬†caminho¬†entre o avi√£o e A, h√° um tempo maior dentro da √°rea azul e da √°rea cinza, tornando o rastro vis√≠vel por muito mais tempo.

 

Contrail espalhado

Contrail espalhado

 

Em um Contrail espalhado o ponto A está dentro da área cinza (umidade maior). O gelo não vai sublimar e se espalhará pelo céu com características de uma nuvem do tipo cirrus.

Se o caminho não passar pela região azul, então não serão formados contrails.

E ainda pode ficar mais interessante. Se onde voc√™ mora √© poss√≠vel ver o trafego de aeronaves, voc√™ pode usar o conhecimento sobre os trilhos de condensa√ß√£o para estimar a umidade do ar na altitude de voo em que o avi√£o est√°. Um ar seco n√£o deixar√° rastro, um ar um pouco √ļmido deixar√° um contrail que logo se dissipar√°. Caso o contrail persista, temos um ar √ļmido, e se ele se espalhar pelo c√©u, significa que o ar est√° bastante √ļmido. Fa√ßa o teste, acompanhe os contrails por alguns dias e confira com a meteorologia do local. ūüėČ