Empreendedorismo, Inovação e Biologia Síntetica

 

Escrito por: Mira Melke
empreendendo em biologia sintética

A princípio, traçar um paralelo entre empreendedorismo e biologia sintética pode ser um pouco complicado, principalmente se pensarmos em complexidades de projetos e na falta de investimento em pesquisa que  temos aqui no Brasil advinda da iniciativa privada.

A¬† vis√£o de n√£o investir em pesquisa e inova√ß√£o est√° se alterando e hoje grandes empresas j√° olham para as universidades como fontes¬† de tesouros ‚Äď gera√ß√£o de conhecimento e m√£o-de-obra especializada. Mas n√£o s√£o apenas as grandes empresas que podem se beneficiar desse crescimento da pesquisa. Universit√°rios com boas ideias e atitudes empreendedoras est√£o mostrando que inovar √© o primeiro grande passo para o sucesso. Com aux√≠lio de incubadoras ou investidores muitos jovens das forma√ß√Ķes mais distintas levantam-se dos bancos das salas de aulas e laborat√≥rios e assumem um novo posto: o de empres√°rio.

A biologia sint√©tica surge como uma ferramenta muito interessante para aqueles que gostam de inovar e tem boas ideias. Apesar da aparente complexidade, os processos laborat√≥rias est√£o cada dia mais baratos e ‚Äúautomatizados‚ÄĚ permitindo que sejam desenvolvidos processos metab√≥licos em organismos como se desenvolve uma linha de produ√ß√£o numa empresa. Saber usar a¬†maquinaria¬†celular (enzimas, por exemplo) ao nosso favor pode ser a diferen√ßa entre processos qu√≠micos demorados e caros ou uma s√≠ntese biol√≥gica com baixo custo, alta produtividade, pureza e rapidez.

Muitas √°reas diferentes podem se beneficiar do estudo da biologia molecular de forma automatizada e muitos exemplos da aplica√ß√£o de¬†microrganismos¬†podem ser citadas: alimentos, combust√≠veis, f√°rmacos at√© mesmo circuitos el√©tricos j√° receberam suas contribui√ß√Ķes dos organismos geneticamente modificados. Apesar de pensar que a biologia sint√©tica pode transformar o mundo, podemos come√ßar transformando nossas vidas com¬†ideias simples mas lucrativas, como fez o grupo vencedor do iGEM de 2012 que desenvolveu um¬†detector para carne em decomposi√ß√£o¬†e como fizemos ao desenvolver o¬†plasm√≠deo plug and play¬†e como pretendemos fazer agora em 2013 com os projetos que estamos come√ßando a desenvolver.

Para ajudar a ilustrar, vou dar um exemplo, mas sem nome de pessoas ou compostos. (rs) ¬†O laborat√≥rio de um dos meus professores encontrou uma bact√©ria capaz de produzir uma subst√Ęncia antioxidante que acreditava-se ser produzida apenas por plantas. O custo de planta√ß√£o, extra√ß√£o e purifica√ß√£o da subst√Ęncia √© bastante alto e isso faz com que o valor de mercado dessa tal subst√Ęncia seja muito elevado. Identificar, isolar e manipular os genes respons√°veis por essa propriedade t√£o √ļnica da bact√©ria e transferi-los para um organismo mais conhecido e manipul√°vel, como a E.coli pode significar uma grande economia para produ√ß√£o, uma patente e um lucro gigantesco para aquele que conseguir produzir em um frasco num shaker quantidade similar do composto que √© produzida por uma fazenda inteira.

E aí? Vamos ficar ricos com a Biologia Sintética? Não sei, mas essa já é uma boa ideia.