Experiência em Biologia Sintética РMonique Gasparoto

Entrevista feita por Mira Melke.

A Biologia Sintética é extremamente motivadora. Para provar isso e para mostrar o quão importante e distinta pode ser uma experiência em Biologia Sintética acima do equador convidei uma amiga, companheira dos tempo de Biomol (Ciências Físicas e Biomoleculares) para escrever um pouquinho para a gente. 

Quem fala agora é a Monique:

Monique

Biologia sintética: impossível não se apaixonar!

Minha hist√≥ria com a Biologia Sint√©tica come√ßou como toda hist√≥ria de amor, umas paquerinhas para c√°, um google search para l√°, mas nada muito s√©rio. A primeira vez que ouvi falar da √°rea foi em 2009, quando nem havia descri√ß√Ķes em portugu√™s. O amor adormeceu enquanto eu me desdobrava para ser aprovada em todas as disciplinas do curso de Ci√™ncias F√≠sicas e Biomoleculares da USP de S√£o Carlos, do qual atualmente sou aluna do √ļltimo ano. Envolvi-me em outra √°rea de pesquisa, o mundo continuou a andar, mas quando eu menos esperava fui me reencontrar com minha paixonite dos tempos de caloura.

Como bolsista do programa Ci√™ncias sem Fronteiras, passei um ano na Boston University e al√©m da incr√≠vel experi√™ncia de interc√Ęmbio, tive a oportunidade de trabalhar no laborat√≥rio do professor Doug Densmore (CIDAR) e fazer parte do time do iGEM da Boston University. Eu n√£o poderia sonhar em um lugar mais incr√≠vel para me aproximar da Synbio: estar em Boston onde as primeiras bases da √°rea foram lan√ßadas, fazer pesquisa em um laborat√≥rio exclusivamente de Biologia Sint√©tica – em que todo mundo tem o site do Registry nos favoritos(!), assistir a palestras e semin√°rios dos pesquisadores refer√™ncia da √°rea, como o Jim Collins, com quem divid√≠amos espa√ßo de laborat√≥rio , visitar o Headquarters do iGEM e muitos outros aspectos me fizeram ter a certeza de que a Synbio veio para ficar n√£o s√≥ na minha vida, mas certamente na de todos os que a conhecem.

O projeto que desenvolvemos para a competi√ß√£o trabalhava os tr√™s pilares do iGEM: constru√ß√£o, caracteriza√ß√£o e compartilhamento das informa√ß√Ķes do Registry. Para isso introduzimos na competi√ß√£o o m√©todo de Clonagem Modular (MoClo) descrita por Weber et al, propusemos um protocolo de caracteriza√ß√£o padr√£o para circuitos com prote√≠nas fluorescentes usando citometria de fluxo e esbo√ßamos uma p√°gina comum a ser usada no Registry em que as¬† informa√ß√£o sobre as partes poderiam ser geradas automaticamente a partir do Clotho, uma plataforma para Biologia Sint√©tica desenvolvida pelo meu orientador, Doug Densmore.¬† Mais detalhes voc√™s podem conferir na nossa Wiki.

Foi um per√≠odo de aprendizado intenso, porque era a primeira vez que o Densmore Lab apoiava um time de WetLab, a tradi√ß√£o dos anos anteriores era o time de software. √Čramos dois alunos de gradua√ß√£o orientados por tr√™s alunos de doutorado e uma p√≥s-doc, e nunca imaginei participar de um ambiente t√£o colaborativo e estimulante. √Č claro que parte disso √© devido √† excelente estrutura do laborat√≥rio e √†s facilidades dos meios de pesquisa, quem n√£o ficaria feliz e contente com sequenciamentos de DNA que ficam prontos no mesmo dia e enzimas que chegam ao laborat√≥rio em no m√°ximo 48h ap√≥s a encomenda!? Mas o diferencial dessa experi√™ncia veio da oportunidade de vivenciar um ambiente de apaixonados por Biologia Sint√©tica e perceber como eles desenvolvem suas pesquisas: com muita compet√™ncia, muito estudo e muita motiva√ß√£o!

O que mais me cativa nessa √°rea da ci√™ncia que agrega √† biologia molecular conceitos e ferramentas da engenharia √© que t√£o importante quanto o conhecimento t√©cnico, √© a inova√ß√£o e a criatividade. Caracter√≠sticas que eu pude testemunhar de perto em todos aqueles que participaram do iGEM, e que ficaram ainda mais n√≠tidas quando na fase final da competi√ß√£o em Boston, times do mundo inteiro, desde do Leste Asi√°tico at√© a Am√©rica do Sul se reuniram para sonhar, discutir e compartilhar suas propostas para tornar o mundo melhor, ‚Äúone part at a time‚ÄĚ.

Talvez n√£o haja outro grupo de (malucos) cientistas que acredite tanto que seus projetos e conhecimentos podem mudar o mundo. A√≠ est√° o brilho da Synbio, que uniu pesquisadores de fronteira que n√£o queriam mais ficar confinados √†s suas especialidades, mas decidiram sair de sua zona de conforto e ousar e empreender em grupos multidisciplinares. ¬†A ousadia desses bi√≥logos sint√©ticos √© t√£o grande que s√£o capazes de investir cifr√Ķes de patroc√≠nio e meses de trabalho em uma competi√ß√£o em que o grande pr√™mio, aos olhos dos mais c√©ticos, √© somente um BioBrick gigante. √Č como dizem por a√≠, a biologia sint√©tica tem raz√Ķes que a pr√≥pria raz√£o desconhece.

iGEM Videos

Antes do segundo post da s√©rie “Inside iGEM” que vem por a√≠ no blog, nada melhor do que ouvir os pr√≥prios estudantes dos times participantes para¬†descobrir como foram algumas das edi√ß√Ķes passadas. E o melhor, em v√≠deos feitos por eles mesmos!

Talvez o que mais mostre a experiência do que foi ter participado na elaboração de um projeto para a competição, no melhor espírito que os alunos de Graduação especialmente têm, seja o do time da Universidade de Southtampton de 2009.

The iGEM experience:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=13SVRfxGZko]
(Repare de 1:50 a 2:10!)

√Č claro que quando se encabe√ßa um projeto, deve-se saber como “vender o pr√≥prio peixe”. H√° v√°rios v√≠deos extremamente bem explicativos no YouTube, al√©m da pr√≥pria wiki dos times, que explicam o que √© o projeto e mostram sua aplicabilidade (veja alguns links no final do post), mas particularmente, o da Universidade de Edinburgo, com as suas E.Coli’s “MineBusters”, √© o mais original j√° feito (at√© agora) para o iGEM. D√™em uma olhada:

The MineBusters:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=QLsmjL3RIKw]

Al√©m da concep√ß√£o do projeto, a criatividade e bom humor (sem falar no talento) fazem parte de muitos times da competi√ß√£o. Outro v√≠deo musical, feito pelo time de Cambridge de 2010, mostra o drama da inser√ß√£o de genes em um vetor (um plasm√≠deo) solucionado atrav√©s do uso da t√©cnica de Gibson Assembly (T√©cnica que une dois fragmentos de DNA, not√°vel pelo n√ļmero e tamanho de fragmentos que pode associar com apenas uma √ļnica rea√ß√£o). Uma √≥tima can√ß√£o para voc√™ cantar aos seus colegas de laborat√≥rio (mas s√≥ se voc√™ cantar bem como a garota do v√≠deo!).

The Gibson Assembly Song:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=WCWjJFU1be8&feature=related]

Links para outros vídeos interessantes: