Competi√ß√Ķes de Biotecnologia e os novos Rituais de um Fazer Ci√™ncia Marginal

Vários meses treinando. Às vezes anos. Tudo pra chegar nas Olimpíadas e ganhar um pedaço de metal que nem de longe paga o custo e esforço para chegar até ali naquele momento. A pessoa toda abandonada, sem dinheiro, sem apoio  Рaquela que vira o alvo preferido doa jornalistas quando ganha alguma coisa Рfaz tudo isso só por causa dessas benditas medalhas. Pra que todo esse esforço, não é mesmo?

Rio 2016 - Jud√ī

Mas v√° l√° e pergunte pro Diego Hyp√≥lito se ele pararia com isso. Ou se a Rafaela Silva desistiria¬†do jud√ī. At√© mesmo quem s√≥ assiste tudo de longe consegue sentir o qu√£o aquilo tudo √© emocionante – a n√£o ser que voc√™ tenha o cora√ß√£o de pedra, a√≠ voc√™ n√£o vai sentir nada mesmo. A quest√£o √© que essas pessoas e as competi√ß√Ķes que elas vivem s√£o reflexos de coisas muito mais antigas que as pr√≥prias Olimp√≠adas: os rituais do caminho do her√≥i; do caminho do indiv√≠duo ef√™mero na Terra. Em um dos seus livros mais famosos (O Her√≥i de Mil Faces), o mit√≥logo Joseph Campbell aponta como os rituais s√£o importantes no caminho do “her√≥i”. Essa figura √© presente em v√°rios contos, hist√≥rias e mitos de diversas culturas de diversas √©pocas e lugares do mundo, √© no fundo uma tradu√ß√£o cultural de coisas inexor√°veis na vida de todos: nascimento, morte, crescimento, separa√ß√£o, d√ļvida, medo, sexo… Os rituais seriam ent√£o muito importantes no desenvolvimento da percep√ß√£o e verdadeira viv√™ncia das diferentes fases da vida. N√≥s precisamos de rituais para viver, somos o her√≥i que precisa fazer suas passagens e travessias para salvar o mundo e a si mesmo. A aus√™ncia de rituais geraria portanto uma estagna√ß√£o, um sentimento de que as coisas n√£o acabaram quando deveriam – por isso, √† grosso modo, velamos nossos mortos, mudamos de corte de cabelo, arrumamos a casa, mudamos de endere√ßo. Segundo Campbell, na nossa sociedade contempor√Ęnea esses rituais tornam-se mais ausentes e a falta deles √© o que contribui para o desenvolvimento de transtornos da mente. Ent√£o, de certo modo, vivenciamos esse rituais como podemos. As competi√ß√Ķes, sejam elas quais forem, s√£o perfeitas para isso.

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Capa da primeira edi√ß√£o do “O Her√≥i de Mil Faces”

O Fazer cient√≠fico talvez seja um conjunto de rituais muito mais expl√≠cito que a maioria dos esportes. A situa√ß√£o pelo menos √© a mesma: pouco dinheiro, pouco apoio, falta de compreens√£o, reconhecimento como objetivo principal de carreira… A carreira cient√≠fica inclusive √© uma competi√ß√£o (para muitos). Os ritos s√£o ali√°s muito mais frequentes e expl√≠citos; pense na express√£o “inicia√ß√£o cient√≠fica”, nas roupas cerimoniais de formatura, nos chap√©us engra√ßados, nas cabe√ßas raspadas, “prova”, “defesa” de tese, na maneira como s√£o dadas as palavras e proferidos os juramentos – finja que voc√™ n√£o sabe o que √© a academia e tudo vai parecer uma seita muito bizarra. E tudo isso fica inclusive marcado em todo processo cient√≠fico, como por exemplo, a quem √© permitido (ou esperado) fazer determinados tipos de questionamentos, a quem pertence a fala, as decis√Ķes – tudo passa por um ritual de valida√ß√£o que transforma o “her√≥i” para capacit√°-lo a “ser”. Pelas ideias de Campbell, a academia seria excelente para preencher o vazio de rituais de passagem no nosso mundo contempor√Ęneo. S√≥ que n√£o. N√£o √© isso que acontece. Essa seita bizarra est√° mais para uma… uma gangue de drogas, dizem alguns. A forma n√£o est√° mais junta de significado, n√£o h√° her√≥i nem transforma√ß√£o modificadora de verdade nesses rituais. A n√£o ser no aspecto menos formal (e um tanto negligenciado) da universidade: a extens√£o.

Desde 2012 o Clube de Biologia Sint√©tica da USP √© o projeto de extens√£o brasileiro que mais gerou equipes para a competi√ß√£o internacional de m√°quinas geneticamente modificadas, o iGEM. Assim como o Diego Hyp√≥lito ou a Rafaela Silva, um monte de pessoas vieram e v√™m participar do Clube de Biologia Sint√©tica e vivenciam, talvez da maneira mais intensa que se pode, a jornada ritual√≠stica do her√≥i dentro do caminho da ci√™ncia que os empolgam: a biotecnologia. Essa ter√ßa-feira foi o √ļltimo dia para documentar todo o trabalho feito pelos times brasileiros da USP de Lorena, USP de S√£o Paulo¬†e pela Federal do Amazonas¬†em suas wikis, e √© √©poca perfeita para se olhar para tr√°s e se perguntar o que tudo isso significa – j√° que semana que vem todos est√£o embarcando para os EUA. Depois de participar de tr√™s iGEMs e um BIOMOD¬†posso dizer que o significado de fazer isso tudo √© exatamente por TER significado, coisa que os antigos rituais acad√™micos j√° n√£o fazem mais – novos e “verdadeiros” rituais s√£o uma necessidade para seguir em frente. Pensar o pr√≥prio projeto coletivamente e interdisciplinarmente “do zero”, buscar apoio, financiamento e espa√ßo; protagonismo, autonomia, trabalhar em equipe, organizar experimentos, resolver problemas experimentais inesperados, fazer a wiki, barganhar interesses, colaborar com outras equipes, viajar para Boston e ainda publicar os projetos em revistas cient√≠ficas! Todas essas prova√ß√Ķes e rituais tamb√©m refletem novas formas de se fazer ci√™ncia, questionando a quem pertence a capacidade de fazer perguntas, a quem deveria pertencer o poder de respond√™-las e quais s√£o as perguntas podem/deveriam ser feitas – n√£o √© √† toa que o movimento “DIYbio” ou biohacking e iniciativas de ci√™ncia cidad√£ ganharam mais for√ßa em boa parte √† partir de grupos ex-iGEMers¬†(o Clube de Synbio √© um exemplo vivo disso).

As minas do synbio extraindo uns DNAs, checando uns protocolos e conversando sobre technoporn no Garoa Hacker Clube.

As minas do synbio extraindo uns DNAs, checando uns protocolos e conversando sobre technoporn no Garoa Hacker Clube.

Mas a¬† ainda talvez demore alguns anos para a biotecnologia, que existe a d√©cadas, deixar de ser encarada como coisa de fic√ß√£o cient√≠fica, n√£o pertencida √† pessoas. Enquanto isso o que est√° em disputa s√£o diferentes formas de se fazer biotecnologia, cada uma com sua dial√©tica pr√≥pria e diferentes n√≠veis de consci√™ncia pol√≠tica. Mas quem sabe um dia, quando uma bact√©ria fluorescente n√£o for mais m√°gica do que um mini computador de bolso (vulgo celular), equipes do iGEM n√£o precisem mais passar t√£o batidas depois de tanto ralar para se fazer projetos de biotecnologia “marginais” na academia – e que conseguir apoio para esses projetos n√£o precise mais ser “parte do m√©rito”, como uma drama ol√≠mpico for√ßado do atleta que sofreu prova√ß√Ķes (vendendo mi√ßangas, por exemplo) antes do p√≥dio. At√© l√°, seguimos tumultuando tudo, passando batido e sendo uns mlks muito liso.

O Brasil no iGEM América Latina 2013

E lá fomos nós de novo viajar em nome do futuro da Biotecnologia do Brasil. Não só a gente, Manaus e Minas estavam lá junto , e nós junto com eles, é claro. Para começar a contar como tudo rolou, vamos começar falando da gente, os brazucas:

Os Brazucas

Os Brazucas todos juntos.

Minas, Manaus e São Paulo em um só lugar.

Foi muito legal ver times do iGEM surgindo pelo Brasil. Bonito em dois sentidos: em rela√ß√£o √† UFMG que surgiu com um time quase que espont√Ęneamente, e em rela√ß√£o √† UFAM e cia, onde mant√≠nhamos contatos a tempos com o professor Carlos Gustavo, com quem pudemos ajudar e inspirar de alguma forma a criar uma iniciativa firme e forte l√° na regi√£o ainda bem florestada do pa√≠s.

O Pedr√£o e o Grande Carlos.

O Pedr√£o e o Grande Carlos.

Eu gostaria de escrever uma b√≠blia aqui sobre os projetos de cada um dos Brazucas, mas para o bem do leitor eu vou dar uma “resumida” (a minha “resumida”):

Manaus

Como j√° disse antes, n√≥s j√° √©ramos amigos deles bem antes de n√≥s todos os conhecermos pessoalmente. Al√©m de uma conversa antiga com o Instructor deles, o Marcelo Boreto desfrutou das del√≠cias de ser um f√≠sico manjador de modelagem de sistemas biol√≥gicos e ganhou uma viagem l√° para Manaus para dar um workshop de modelagem para o iGEM, comer doces de cupua√ßu e fazer amizade √† moda antiga (na “RL”) com pessoas e outras criaturas, como a Costinha, a pregui√ßa de Lab – as piadas e trocadilhos ficam a cargo do leitor.

Marcelo e Preguiça

O Marcelo num dia que tava com preguiça

A grande ideia do time amazonense foi bem interessante. Eles usaram duas grandes coisas em seu projeto:

  1. o fato de que o chassi Shewanella putrefaciens consegue transportar elétrons (de uma maneira ainda não bem descrita, diga-se de passagem Рia escrever um post sobre isso outro dia) para o meio externo de maneira a gerar eletricidade (esse time alemão do iGEM se deu muito bem com esse tema),
  1. e a ideia de que a fonte desses elétrons poderia vir da degradação de lipídeos, mais especificamente de óleo de cozinha usado.

A grande tarefa deles foi tentar reprimir um inidor da via metabólica de degradação de lipídeos que a torna não-constitutiva e superexpressar genes relacionados ao transporte de lipídeos para a célula. Bem esperto. Levaram bronze medal pra casa e de quebra o prêmio de best presentation, dá um orgulho que só desse povo de Manaus! Veja a wiki deles aqui.

UFMG

O time de minas foi o mais “brasileiro”dos brasileiros, na minha opini√£o – e n√£o, n√£o √© porque nosso time da USP tem estrangeiros. Foi o mais brasileiro porque surgiu do nada, na ra√ßa, na gana, sem desistir nunca, e conseguiu o que precisava para ir pra final bem melhor do que n√≥s: que √© ter resultados concretos da caracteriza√ß√£o dos BioBricks. Tamb√©m foi time mais emocionante que foi pra final, o da comemora√ß√£o mais intensa. Sim, eu vi l√°grimas em alguns olhos mineiros ap√≥s a divulga√ß√£o dos finalistas. Fiquei genuinamente feliz por eles, senti o Brasil representado ali, principalmente com aquele jeitinho mineiro “comequieto” de ser.

Lembrando ainda que deve ser dado a C√©sar o que √© de C√©sar: conhecendo o time mais de perto como pude, consegui perceber o papel crucial e integrativo de cada membro da equipe (principalmente com os que conversei: Mariana, Carlos, J√ļlio – esse √ļltimo, grande companheiro dos rol√™s chilenos), mas gostaria de fazer jus principalmente ao comedido Lucas, que pelo o que senti, com toda sua mineirice, foi um dos grandes basti√Ķes que deu “liga” ao grupo (n√£o √© a t√īa que ele √© um dos idealizadores da Liga M√©dia, h√°!) e eu acho que todo mundo deve saber disso – a n√£o ser que ele me censure aqui, hahaha.

Os Mineiros e alguns argentinos (créditos portenhos às fotos).

O projeto deles foi interessant√≠ssimo. No iGEM o tipo de projeto que d√° para ser feito no tempo curto da competi√ß√£o sem deixar de atingir bons resultados pr√°ticos √©, sem d√ļvida, envolvendo biodetectores. Com uma excelente escolha de projeto integrando o know-how dos labs dos professores envolvidos e dos alunos (al√©m de ser completamente vi√°vel, diga-se de passagem), a proposta de biodetec√ß√£o foi criar um m√©todo completamente novo de diagn√≥stico de s√≠ndrome coron√°ria aguda (SCA) – que, em outras palavras avacalhadoras, √© praticamente um “pr√©-infarto”. Eles miraram em tr√™s biomarcadores dessa s√≠ndrome: uma albumina¬†modificada que aparece no sangue durante a SCA, um pept√≠deo¬†que em altas concentra√ß√Ķes indica fal√™ncia card√≠aca e um metab√≥lito que recentemente foi comprovado como indicador para ACS. Dentre os tr√™s, o m√©todo de detec√ß√£o mais esperto foi o albumina modificada, em que eles usaram o fato de ela ter uma taxa de liga√ß√£o menor a metais do que a albumina saud√°vel; o metal que “sobra” (que no caso era cobalto) ativa um promotor indicando a presen√ßa do biomarcador. Legal n√©? Vale a pena dar uma olhada na wiki bonitinha deles.

USP

Bem, e a gente? Nós tentamos fazer um biodetector do Metanol seguindo a ideia de uns posts (esse, e esse) que fizemos aqui no blog lá no começo de 2013. Esse ano fizemos um projeto bem mais completo e focado que o ano passado. Produzimos muito mais em diversos pontos que me 2012 tínhamos deixado de lado: biossegurança, a wiki, design, Human Practices e prototipagem. Dê uma olhada na wiki que fizemos, aqui.

√Č n√≥is! Ou melhor, √© metan√≥is!

√Č n√≥is! Ou melhor, √© metan√≥is!

Tivemos muito mais financiamento e apoio por causa dos trabalhos de 2012 e conseguimos nos unir em um coletivo que deu certo (unindo ainda mais gente de mais lugares diferentes da USP). √Č claro que com tudo isso havia a press√£o para que ganh√°ssemos a medalha de ouro para ir pra Boston, e ela foi grande! Muita gente ficou desapontada com a nossa medalha de prata, mas n√£o se deve negar que eles foram incr√≠veis: para caracterizarmos os BioBricks (que fatalmente √© o que d√° a desejada medalha), recebemos a s√≠ntese no come√ßo de agosto para entregar os resultados no final de setembro, e detalhe: ningu√©m do grupo tinha expri√™ncia com Pichia e n√£o t√≠nhamos padronizado a metodologia de utiliza√ß√£o do equipamento medidor de fluoresc√™ncia. Mesmo assim conseguimos levar √† competi√ß√£o pelo menos um resultado de fluoresc√™ncia de uma das linhagens que quer√≠amos testar para a caracateriza√ß√£o das partes, foi uma maratona insana de 2 meses (e inclua a escrita da wiki e a prepara√ß√£o da apresenta√ß√£o e poster nisso).

A cl√°ssica Jamboree picture - um pouco menos verticalizada que o de costume.

A cl√°ssica Jamboree picture – um pouco menos verticalizada que o de costume.

O que ficou engasgado mesmo √© que no evento dever√≠amos ter levado o best model. A argumenta√ß√£o usada pelo Ju√≠z, de que “um bom modelo deve usar dados experimentais”, apesar de ser verdadeira n√£o deveria valer para a premia√ß√£o espec√≠fica da modelagem. Afinal o que sendo est√° avaliado? O Modelo trabalhando nas hip√≥teses fixadas ou os resultados? Dessa maneira, um grupo de modelagem poderia elaborar o modelo mais inteligente e inovador da competi√ß√£o e mesmo assim n√£o ser premiado se seus dados experimentais forem insuficientes.

Conversando com os Ju√≠zes ap√≥s a competi√ß√£o, nos contaram que ficamos em segundo lugar para os “Best Prizes” em bastante coisa (best p√īster, best natural part, best modelling). O que explica isso √© a grande met√°fora da galinhada: preparamos aquele banquete super organizado, lindo e completo, mas faltou matar a galinha – e a galinha √© caracterizar o BioBrick.

Os HighLights Latinos do Jamboree

Aquele momento em que você acha que está dando highlights demais.

Aquele momento em que você acha que está dando highlights demais.

O Jamboree foi excelente. Principalmente porque dessa vez providenciaram mais oxig√™nio no ar colocando o evento em Santiago (e n√£o a algumas dezenas de centenas de metros acima do n√≠vel do mar). Essa cidade √© maravilhosa, √© tudo lindo, bonito e bem organizado. O tr√Ęnsito √© bem diferente de Bogot√°; fiquei com a impress√£o de que √© um tr√Ęnsito que funciona, sabe!? D√° vontade de fugir do Brasil e morar l√°, ainda mais sabendo que h√° um grande incentivo para empreendedores estrangeiros por parte do governo chileno, com inclusive brasileiros j√° espertos disso.

Todos devidamente abastecidos com produtos derivados de "l√£-de-lhama" (ou seria alpaca?).

Todos devidamente abastecidos com produtos derivados de “l√£-de-lhama” (ou seria alpaca?).

Os outros times do iGEM mandaram muito bem, o nível dos resultados atingidos pelas equipes realmente melhorou bastante Рainda há uma estrada levando além do horizonte que distancia os resultados que os times do hemisfério norte  e sul conseguem obter, mas isso fica pra um post futuro. Os grandes highlights latinos que precisamos fazer são:

  • Equipe UC Chile: Escolheram um tema de projeto bastante ambicioso e muito interessante, o de microcompartimentos bacterianos gen√©ricos para realiza√ß√£o de rea√ß√Ķes “localizadas”, assim como um vac√ļolo (em “plantinhas”), peroxissomo e lipossomo – da√≠ o nome do projeto deles “whateverisisome”. Al√©m disso, criaram tamb√©m um jogo (s√≥ que n√£o de cartas) como Human Prcatices. A wiki deles ficou muito linda, veja s√≥.
  • Equipe colombiana Uniandes: A equipe latinoamericana mais experiente no iGEM veio com dois projetos para o Jamboree: um sensor de glucocortic√≥ides que poderia ser um “sensor de stress” e um sistema de absor√ß√£o de n√≠quel que poderia ser usado para biorremedia√ß√£o. O highlight aqui √© a movimenta√ß√£o eficiente das c√©lulas do chassi que eles usaram em dire√ß√£o a um campo magn√©tico relativamente fraco. A wiki deles est√° muito legal tamb√©m, d√™ uma olhada. Sinceramente: eu pensei que eles seriam finalistas.
  • Equipe de Buenos Aires: Apesar de a wiki deles¬†aparentemente n√£o ter sido terminada a tempo, esse foi o projeto mais bem ranqueado no evento. A apresenta√ß√£o deles foi sensacional e envolvente. Conseguiram caracterizar otimamente os promotores sens√≠veis a ars√™nico que usaram para propor um biodetector desse contaminante na √°gua. O highlight aqui foi a colabora√ß√£o do time mexicano da TecMonterrey e o prot√≥tipo que eles proporam para um biodetector comercial.
  • Equipe mexicana de TecMonterrey: O projeto desse time¬†era sobre a biodetec√ß√£o e tratamento de c√Ęncer. Os grandes highlights s√£o a caracteriza√ß√£o conjunta de algumas partes para o time argentino – fazendo com que eles detectassem uma concentra√ß√£o absurda de ars√™nico em um dos rios de Monterey e fossem reconhecidos pelo governo de l√° por isso – e uma Human Practices genial: al√©m de workshops e eventos promovidos pelo grupo (que incluem um TEDx), eles traduziram um manual para auto-examina√ß√£o de c√Ęncer de mama para dois mais falados dialetos ind√≠genas no pa√≠s – Otom√≠ e Zapoteco. Muit√≠ssimo legal!

√Č l√≥gico que houveram outros resultados muito legais que estou me controlando pra n√£o mencionar. Mas highlights s√£o highlights e n√£o d√° pra destacar tudo sen√£o acaba a tinta da minha marca-texto mental.

The Good Fight

Enfim. Após esse ano cheio de altos e baixos como todo bom ano deve ser, estamos satisfeitos. Apesar de não termos correspondido às expectativas pressurizantes de alguns, conseguimos fazer muito bem aquilo que é mais importante: estimular as pessoas a criarem, saírem da ordem natural da academia e quebrar as paredes dos silos que contém (sim, contém, e não contêm!) a interdisciplinariedade efetiva. E também, é claro, estimular esse tipo de iniciativa por aí, papel do synbiobrasil que foi devidamente reconhecido conversando com o juízes. E é extamente isso que estamos fazendo agora: queremos espalhar essa experiência para outros campus da USP e outras universidades, bem como em nos formalizar institucionalmente aqui no campus da capital como uma organização devidamente reconhecida.

E √© isso a√≠. Let’s keep fighting the good fight. ūüôā

No pr√≥ximo post (que ser√° depois de um descanso merecido de final de ano), vamos come√ßar a contar como foi incr√≠vel evento mundial nos EUA com os “enviados especiais” (aka. penetras) que mandamos pra l√°, inflitrados no time mineiro. E esperamos j√° poder fazer isso vestindo o site novo com esses textos!

As Incr√≠veis Novas Reuni√Ķes do Clube de Biologia Sint√©tica

bem vindo ao clube

√Č isso a√≠!¬†Depois de um sil√™ncio sepulcral no blog, uma medalha de prata no iGEM regional e mil projetos em andamento, retomamos oficialmente as reuni√Ķes do, agora “Incr√≠vel Novo Clube de Biologia Sint√©tica”.

“Mas, Otto, porque ele agora √© ‘Incr√≠vel’?”

Bem, na verdade eu n√£o sei. Sugiro que voc√™ compare√ßa para descobrirmos juntos. Mas eu juro de p√©s juntos que eu espero que seja incr√≠vel. Sabe porque? Porque vamos fazer tudo em um novo formato bem menos chato, mais participativo e… Com as transmiss√Ķes por YouTube funcionando!

As reuni√Ķes ter√£o duas partes: 20-30 minutos de uma apresenta√ß√£o tem√°tica pr√©-estabelecida e mais meia hora de reuni√£o aberta para qualquer um levantar uma discuss√£o, apresentar algo interessante que leu em algum lugar, divulgar uma ideia, dar not√≠cias de projetos ou propor um novo tema para as pr√≥ximas reuni√Ķes.

N√≥s at√© imprimimos cartazes lind√Ķes e espalhamos pela USP, olha s√≥:

fotos vivi cartaz

A nossa filosofia de grupo também ficou mais definida e coesa: não, não somos um bando de alunos que fica fazendo times para o iGEM, somos um bando de alunos que forma bandos de alunos que discutem biotecnologia Рe nesse processo, formamos espontaneamente equipes e grupos para diversas oportunidades (inclusive o iGEM).

Sobre o que de fato vocês planejam discutir?

Bem, at√© hoje discutimos projetos de bioengenharia, ou seja, envolvendo microrganismos geneticamente “engenheirados”. De novo: microrganismos, n√£o Beagles ou ratinhos! (At√© agora… Haha, BRINKS!)

Seguimos a abordagem da Biologia Sint√©tica nisso tudo, que √© tentar gerar metodologias e equipamentos mais baratos, r√°pidos e ainda precisos para fazer diversas coisas em biotecnologia, aplicando camadas de abstra√ß√£o (essa √© pra voc√™s, exatas) para desenvolvimento de ideias. E tudo se preocupando com as quest√Ķes √©ticas e, como costumamos chamar, de “Pr√°ticas Humanas”, envolvendo educa√ß√£o e informa√ß√£o sobre biotecnologia.

Portanto, estamos abertos a todos que querem fazer da Biologia uma ciência exata, na medida do possível Рsem deixar de se preocupar em como isso impactará a sociedade.

“Eu n√£o manjo nada de Bio. N√£o sei se vou aproveitar…”

Vai aproveitar sim! Somos um grupo interdisciplinar e vai ter muita gente que sabe o que você não sabe mas também você vai saber alguma coisa muito melhor do que muita gente também. Os conceitos de Biologia Molecular serão introduzidos durante os processos de discussão e nos preocuparemos que todos que não são da área possam entender Рda mesma maneira que, o Marcelo (também escritor do blog), fez esse semestre um minicurso de modelagem matemática de sistemas biológicos para quem é de biológicas entender modelagem. O importante é aprender fazendo!

Quem pode participar?

Você é de exatas e quer aprender mais de biotecnologia? Pode vir!

Voc√™ √© de biol√≥gicas e quer trabalhar de maneira “mais exata”? Venham a√≠!

Voc√™ √© de humanas? Venha tamb√©m pra colocar ju√≠zo e cr√≠tica nas nossas discuss√Ķes!

Enfim: todos interessados podem participar! Principalmente se voc√™ acha que pode fazer mais com sua criatividade e iniciativa. Traga suas ideias, projetos e discuss√Ķes!

O principal objetivo de tudo é: que seja divertido.

E também que todos aprendam nesse processo, é claro.

Quando e Onde!?

As reuni√Ķes ser√£o todas as quartas feiras, come√ßando nessa quarta, dia 30 de Outubro, das 18:30 √†s 19:30.

Tudo acontecerá, a priori, sempre na Biblioteca das Químicas, no campus da USP do Butantan, aqui:

Exibir mapa ampliado

E o resto?

Bem, ainda devemos divulgar muitas notícias (motivo pelo qual estivemos ocupados a ponto de deixar o blog paradão), dentre elas:

  • Teremos um site lindo e maravilhoso! N√£o seremos mais um blog que quer ser um site, mas um site que que tem um blog! (Ainda estaremos na plataforma do SBBr!)
  • Estamos discutindo oportunidades dentro da USP para maior apoio e formaliza√ß√£o da iniciativa. Divulgaremos em breve, caso tudo d√™ certo.
  • Sim, fomos no iGEM regional de novo esse ano! Levamos prata outra vez, mas ficamos felic√≠ssimos (t√°, muito felizes, felic√≠ssimos seria se f√īssemos todos pra Boston tamb√©m) com nosso trabalho, e principalmente, com o time brazuca da UFMG que emplacou o Brasil l√° em Boston esse ano! B√£o demais esse pessoal, seu!
  • Fizemos um jogo de cartas de biotecnologia envolvendo BioBricks! Ficou muito legal, deem uma olhada num preview das cartas:

pesquisador_fujita

Ainda estamos devendo um post bonitinho da experiência no iGEM deste ano, além de outros posts para ajudarem as outras iniciativas brasileiras que estão nascendo. Paciência, chegaremos lá, prometo!

Ent√£o, venham praticar uma desobedi√™ncia tecnol√≥gica e criativa, pessoal! Aqui vai ter gente boa igual a voc√™ pra se divertir com ci√™ncia, empreendedorismo e interdisciplinariedade. ūüôā

Jamboré Brasil!

Jamboré

Quem diria. A um ano atrás estávamos nós fazendo vaquinha virtual pra levar o Brasil para a competição internacional de máquinas geneticamente modificadas e hoje, ainda na luta, podemos compartilhar o fardo herdado da Unicamp de representar a ciência tupiniquim no iGEM. Que lindo isso.

Mais lindo ainda √© que as equipes de Manaus, Belo Horizonte e S√£o Paulo s√£o amiguinhas! Numa das competi√ß√Ķes mais bizarras do mundo (o iGEM) o conceito de competi√ß√£o tamb√©m √© “distorcido”: ganha mais quem colabora mais – o “distorcido” deveria ser exatamente o contr√°rio na ci√™ncia mundial hoje em dia, mas deixa pra l√°! E √© por isso que n√≥s vamos nos reunir no primeiro encontro nacional de equipes do iGEM: para trocar experi√™ncias, fazer networking, se conhecer melhor e conversar bastante sobre coisas nerds, como Biologia Sint√©tica, √© claro. Afinal, a gente faz o que a gente ama, n√£o √© mesmo!?

Enfim! N√≥s das equipes do Brasil, que estamos aqui na ra√ßa, na gana, na teimosia pra fazer um Brasil e, “de tabela”, um mundo melhor, abrimos esse encontro de jovens interdisciplinares e amantes de biotecnologia para todo mundo! Sim, aqui na USP, em S√£o Paulo! √Č o “Jambor√©”! Porque Jamboree √© “nas gringa” [fora do pa√≠s], aqui √© Jambor√©!

Local e Data

Tudo vai acontecer neste s√°bado, dia 17 de Agosto, no Instituto de Qu√≠mica, no famigerado “Queijinho” (ou, Complexo Ana Rosa Kucinski, como foi rebatizado recentemente), sala A2. Veja o mapa aqui:

Visualizar Jamboré! em um mapa maior

Cronograma

As atividades v√£o ser de manh√£ e a tarde. Atividades infinitas!

Hor√°rio Atividade
10H – 10:30H Abertura: “Biologia Sint√©tica, iGEM e Brasil”
10:30 Р12:00 Apresentação dos projetos brasileiros no iGEM 2013
12H Р14H Almoço
14H Р15:30H Play-teste de Jogo de Cartas sobre Biologia Sintética
15:30H – 15:50H Coffee-Break
15:50H Р17H Mesa Redonda sobre a formação das equipes do iGEM no Brasil

 

Pessoas de todas as √°reas s√£o bem vindas. Aqui interdisciplinariedade (e discuss√Ķes estranhas) s√£o nossa especialidade. N√£o esperamos que voc√™ saiba nada de Biologia Molecular ou modelagem matem√°tica, para qualquer d√ļvida n√≥s vamos estar ali para ajudar. Ou a piorar. Depende do ponto de vista.

O evento é aberto a todos fora e dentro da comunidade USP. Então se quiser um programa nerd de qualidade esse final de semana, venha para a Cidade Universitária!

A biologia sintética pode tornar sua bebida mais segura? Reloaded РParte 2

Como o Pedro disse no v√≠deo publicado no √ļltimo post, eu vou tratar da parte um pouco mais cabeluda de se fazer um projeto: os problemas!
Nesse v√≠deo abaixo (que eu me esforcei para caber em quase 10 min), o meu trabalho foi explorar os outros contaminantes presentes nas bebidas “n√£o comerciais” (ou falsificadas): o carcinog√™nico carbamato de etila e o cobre.

O grande e emocionante desafio dessa parte √© estimar a viabilidade no projeto com base em alguns par√Ęmetros, como pre√ßo das t√©cnicas, acessibilidade a equipamentos, o know-how que temos e principalmente o tempo que tudo isso ir√° tomar at√© setembro (!!).

Com apenas as pesquisas que fizemos, tentei delinear informa√ß√Ķes importantes e determinantes para sabermos se o projeto √© fact√≠vel ou n√£o, com base em questionamentos simples, como: “Se tivermos uma amostra com uma bebida com o m√°ximo de contaminantes permitidos por lei, o sistema ir√° responder com os n√≠veis de atividade g√™nica que temos!?”.

O objetivo do “produto final” n√£o √© ser um detector como um cromat√≥grafo, da mesma maneira que o seu computador pessoal n√£o foi feito com o objetivo de ser um “Pensador Profundo“. A ideia aqui √© explorar √© criar um detector extremamente barato e descart√°vel, sem a necessidade de se encomendar an√°lise ou de comprar aparelhos caros. O “p√ļblico alvo” da tecnologia em pesquisa √© o cidad√£o comum. √Č o “Seu Ant√īnio” da distribidora de bebidas da esquina, que quer avaliar a qualidade de um novo fornecedor; ou at√© mesmo a vigil√Ęncia sanit√°ria de uma cidadezinha de Minas Gerais, que quer avaliar a qualidade das chacha√ßas de um festival regional. Imagine essas pessoas indo no supermercado mais pr√≥ximo comprar um “fermento” que pode fazer essas an√°lises.

Enfim: estamos abrindo esse projeto a ideias, sugest√Ķes e principalmente cr√≠ticas. Estamos precisando daquelas pessoas que nos digam que √© imposs√≠vel, mas que argumentem o melhor poss√≠vel suas opini√Ķes. Ao contr√°rio de muitos alunos de p√≥s-gradua√ß√£o, n√≥s adoramos que “falem mal” das nossas ideia de pesquisa – desde que seja pra gente! Apesar de aparentemente contradit√≥rio, √© assim que os projetos se tornam tang√≠veis.

Assistam o v√≠deo para descobrirem os furos que j√° encontramos da proposta do primeiro v√≠deo e o que estamos fazendo para “tap√°-los”:

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=YkjQHUoDRDU”]

Corre√ß√Ķes e Observa√ß√Ķes do V√≠deo:

A Biologia Sintética pode tornar sua bebida mais segura? РUm possível projeto para o iGEM 2013

Os preparativos para o iGEM 2013 já começaram e os times já avaliam as possibilidades de projetos. Nós, do time da USP, não ficamos para traz e já reunimos algumas boas idéias e começamos a explorá-las para sondarmos suas viabilidades.

Dentre essa id√©ias, apresento agora em uma s√©rie de dois v√≠deos curtos, a possibilidade de detectores de subst√Ęncias nocivas comuns encontradas em bebidas n√£o certificadas baseado em uma levedura. O primeiro v√≠deo traz uma abordagem geral e inicial que fiz do assunto e o segundo v√≠deo, feito por Otto Heringer, explora mais a fundo possibilidades e gargalos deste projeto.

Fiquem portanto com primeiro vídeo da série!

[youtube_sc url=”http://youtu.be/0CWPcHP8jVY”]

iGEM 2012 Latin America: Aquilo que realmente importa

f√ļria de maca

La f√ļria de Macarena en Bogot√°!

Esse √© o quarto e √ļltimo post da minha prolixa descri√ß√£o de como foi a fase da Am√©rica Latina do iGEM de 2012. Quatro posts s√£o at√© pequenos para realmente explicar tudo o que aprendemos e o que √© realmente importante nisso tudo, mas espero que esses posts possam servir como refer√™ncia para futuros times do iGEM na organiza√ß√£o de suas equipes para competi√ß√Ķes futuras – pelo menos eu espero que hajam mais times brasileiros nos iGEMs futuros! Haha!

Os “finalmentes” da Competi√ß√£o

Festa

A organiza√ß√£o colombiana foi realmente muito boa. Al√©m do fato da Universidade dos Andes ter uma das melhores infra-estruturas que j√° vi em uma universidade, a organiza√ß√£o do iGEM latino criou um grupo de volunt√°rios sensacional que possibilitou muitas coisas legais durante o Jamboree. Uma dessas coisas foi uma festa logo ap√≥s a apresenta√ß√£o dos p√īsteres em um dos lugares mais malucos que j√° vimos: o bar/baladinha/restaurante/”campo recreativo”/churrascaria “Andres carne de res“, que fica em Chia, uma cidade perto de Bogot√°.

Mauro A. Fuentes çlvarez

Um exemplo da “maluquice” do Andres carne de res

Esse lugar √© completamente maluco porque parece uma pintura viva de Salvador Dal√≠: cheia de coisas nonsense que ao mesmo tempo pareciam ter um sentido maluco obscuro. As mesas, ao inv√©s de n√ļmeros, t√™m nomes. Os gar√ßons e gar√ßonetes usavam um avental marrom propositalmente remendado que parecia ter sido emprestado de um a√ßougue. E o mais bizarro (e engra√ßado) de tudo: a cada meia hora os banheiros masculino e feminino invertiam a restri√ß√£o de g√™nero; ent√£o se voc√™ foi em um banheiro em um momento e quiser ir de novo depois, √© preciso checar se ele ainda √© masculino/feminino (dependendo do seu sexo, √© claro) antes de entrar. Craziness! Eu poderia fazer um post s√≥ sobre esse lugar! Mas o que realmente importa aqui √© pudemos interagir bem melhor e conhecer mais pessoalmente os outros participantes da Am√©rica latina do iGEM. A organiza√ß√£o acertou em cheio em um lugar para impressionar os estrangeiros.

Cerim√īnia de Premia√ß√£o

Depois de termos feito uma t√≠pica e inc√īmoda barulheira-no-fundo-do-buz√£o brasileira na volta da festa (com direito a “fulano-roubou-p√£o-na-casa-do-jo√£o”), dormimos muito pouco e fomos sonolentos tentar nos orientar no confuso sistema de transporte transmilenio num dia de domingo.

A Universidade dos Andes (assim como provavelmente a maioria das universidades do mundo) estava semi-desértica no domingo. Fiquei preocupado se cairia narcolepticamente em sono pesado durante a premiação, o excelente café colombiano e a animada organização evitaram que isso acontecesse.

Antes de apresentarem os resultados e anunciarem os finalistas, houve uma pequena apresenta√ß√£o de v√≠deos dos projetos do iGEM e depois algo que me foi particularmente constrangedor: cada time escolhia um hombre e uma mujer para ir ao palco dan√ßar um dos ritmos latinos caracter√≠stico da col√īmbia (n√£o sei diferenciar qual porque para mim todos s√£o iguais). Adivinha quem o Brasil escolheu… Por motivos de preserva√ß√£o de imagem, vou me limitar apenas uma foto do ocorrido e n√£o o material de chantagem que meus colegas filmaram.

Baila Macarena!

Baila Macarena!

¬†Ah! S√≥ um detalhe: intencionalmente ou n√£o, eles escolheram um par para dan√ßar justamente de pa√≠ses¬† com praticamente nada a ver com os ritmos que os outros representantes da Am√©rica latina compartilhavam: Brasil e Argentina! Samba e Tango! Nada a ver com “os mambos”! E ainda de pa√≠ses rivais no futebol!

¬†¬†Pois bem. Depois desse pre√Ęmbulo vexaminoso, a organiza√ß√£o (por algum motivo obscuro) ficou adiando constantemente o an√ļncio das medalhas, nos dizendo para termos paci√™ncia e esperarmos um pouco. Isso s√≥ serviu para escancarar a ansiedade nos olhos e nas conversas paralelas do grupo brasileiro. Como eu tinha dito no primeiro post,¬† eu sinceramente n√£o achava que levar√≠amos ouro. Acho que alguns do time tamb√©m n√£o, mas naqueles momentos vivos da cerim√īnia de premia√ß√£o a vontade de querer acreditar que era poss√≠vel se inflava. Eu me controlava para ser racional e me apegar a uma s√©rie de pensamentos que havia tecido em momentos de menor tens√£o. Resolvi me entregar ao esporte de twittar os acontecimentos antes do twitter do iGEM LA o fazer. Na verdade, eu estava mesmo preocupado como seria a rea√ß√£o das outras pessoas do nosso time ao recebermos os resultados.

Special Prizes

Primeiro foram anunciados os ganhadores dos special prizes. Basicamente, o time colombiano e um mexicano levaram quase todos os special prizes. E o best presentation ficou para o time chileno, como j√° esper√°vamos (e que relatei nesse post aqui). Confira os resultado abaixo:

Finalistas

O an√ļncio dos finalistas veio em um slide s√≥ e com todo o sensacionalismo que tem direito: uma anima√ß√£o para cada time sendo mostrado entre as quatro classifica√ß√Ķes poss√≠veis: ouro, prata, bronze e no medal.

Naqueles segundos entre uma revela√ß√£o e outra, o meu c√©rebro fez aquilo que os c√©rebros adoram fazer com os humanos em momentos decisivos: passar um inconveniente filminho de acontecimentos e sensa√ß√Ķes que nos levou at√© ali. Pensei no crowdfunding. Pensei em quando o Mateus teve que deixar o grupo para trabalhar na Braskem. Pensei nas reuni√Ķes quase “miadas” que organizei. Pensei em como eu me agarrei t√£o forte e teimosamente √†quele sonho depois que sa√≠ do Ci√™ncias Moleculares. Pensei nos dias decisivos em que consegui juntar ao barco pessoas important√≠ssimas para o grupo. Pensei nos problemas de laborat√≥rio. Pensei nas discuss√Ķes. Pensei nas jogadas de cintura para resolver os problemas que encontr√°vamos. Pensei nos nossos erros. Pensei em tudo o que tivemos que fazer para conseguir dinheiro para a viagem. Pensei que represent√°vamos universidades cheias de renome. Pensei que represent√°vamos o Brasil. Pensei no que significava estar ali n√£o s√≥ pra mim, mas para todos os outros malucos que foram comigo at√© l√°. Pensei que √©ramos brasileiros.

Enfim. Como vocês devem ter percebido a minha ingênua capacidade de ver os fatos analiticamente e sem emoção foi pra cucuia. Ao vermos o resultado da medalha de prata, fui invadido por uma sensação de trabalho cumprido. Não fiquei triste. Por incrível que pareça, todo aquele turbilhão de pensamentos desaguou na preocupação de como o grupo estava recebendo aquela notícia, e naquele momento, eu vi o quão teimosos e incríveis nós fomos. Nós fomos brasileiros.

Resultados do Jamboree LA

Resultados do Jamboree LA

Pós iGEM

Depois de algumas expectativas confirmadas e outras confrontadas, chegamos a um consenso de que tínhamos mandado bem. Como disse no primeiro post, não se mede o progresso até onde se chegou, mas de onde se saiu até onde se foi. O que importa é a derivada!

Depois da cerim√īnia eu via em muitos rostos aquela caracter√≠stica cara de digest√£o mental de pensamentos. Essa cara s√≥ ganhou outro molde na tradicional foto do Jamboree, onde todos os times posam para uma √ļnica foto.

Jamboree Photo

Jamboree Photo

E ainda pudemos tirar fotos com os times que mais conversamos durante a competição: Panamá, Argentina e um do México.

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Nós e o time panamenho.

Nós e os chilenos e argentinos - viva el Mercosul!

Nós e os chilenos e argentinos Рviva el Mercosul!

Apesar de o Fernando, o nosso representante da Unesp, ter ido embora no mesmo dia, nosso grupo se dividiu entre aqueles mortos de cansaço e aqueles que estavam chutando o balde. Tive meu momento em ambos os grupos.

Antes de podermos descansar, a organização ainda se deu ao agradável trabalho de organizar uma visita ao Museo del Oro e ao centro histórico de Bogotá.

Visitando a praça Simón Bolivar.

Visitando a praça Simón Bolivar.

Nós, colombianos, mexicanos e a profa. Tie.

Nós, colombianos, mexicanos e a profa. Tie.

Durante isso aproveitamos e conversamos bastante com uma ju√≠za brasileira da competi√ß√£o, Tie Koide. Simp√°tica, ela respondeu a todos os questionamentos sobre o julgamento dos times que povoaram a mente do grupo ap√≥s a cerim√īnia de premia√ß√£o. Algumas (n√£o todas) confirma√ß√Ķes de expectativas foram:

  • Sim, a wiki ficou boa – apesar de estar faltando algumas coisas…
  • Sim, os resultados do Plug’nPlay foram convincentes!
  • Sim, aquela pergunta-de-quem-n√£o-entendeu-nada que nos apareceu p√≥s apresenta√ß√£o foi realmente vista como se n√≥s n√£o soub√©ssemos o que est√°vamos fazendo.

J√° algumas coisas que n√£o corresponderam ao que esper√°vamos foram:

  • N√£o, a Human Practices n√£o estava OK. Acho que o que fizemos com o Blog e o Clube de Biologia Sint√©tica foi sensacional nos par√Ęmetros brasileiros, mas se olhando no par√Ęmetro internacional n√£o √© grande coisa. Talvez tenhamos sofrido com um pouco de descontextualiza√ß√£o: um site sobre Biologia Sint√©tica (o synbiobrasil) em um pa√≠s que praticamente n√£o tem nada disso causa bem mais impacto do que um site em um pa√≠s que j√° faz algo do tipo, como nos EUA por exemplo. Apesar disso eu concordo que dever√≠amos ter nos preocupado mais com essa parte.
  • A modelagem ficou OK, mas poderia ser melhor. O que eles est√£o procurando mesmo √© algo al√©m de equa√ß√Ķes diferenciais. N√£o fomos t√£o bem como poder√≠amos por uma certa ingenuidade em n√£o saber ao certo como eles nos iriam avaliar.

No dia seguinte, dia que iríamos embora, aproveitamos e nos encontramos com algumas pessoas da organização com quem fizemos amizade e fomos dar mais uma volta por lugares históricos de Bogotá. Foi ótimo para tirar um pouco o stress.

O que realmente importa

Nos reunimos cerca de uma semana depois na USP para conversarmos sobre o que todos tinham aprendido com aquilo tudo; sobre quem ainda ia continuar na empreitada, o que precisava ser mudado, quais s√£o os novos planos e etc. Uma das coisas que mais me tocou foi saber aquilo que tinha ficado curioso em saber desde o dia da cerim√īnia de premia√ß√£o: o que diabos est√° se passando na cabe√ßa de todos!? Quando perguntei o que significou o iGEM para as pessoas do grupo, algumas pessoas disseram que era essa a √ļnica coisa que ainda a motivava a estar na universidade. Em meio a centenas de aulas meramente contemplativas, inicia√ß√Ķes cient√≠ficas desestimulantes (em que o aluno recebe o projeto pronto e n√£o tem liberdade de criar e fazer algo “seu” – dentro dos limites e a tem√°tica do lab em quest√£o, √© claro) e em um ambiente academicista desetimulador de atividades empreendedoras (pelo menos entre os institutos da maioria das pessoas envolvidas), o iGEM surgiu como a oportunidade dos alunos acharem seu prop√≥sito dentro da faculdade, de estimul√°-los a estudar, a criar, a fazer! Tamb√©m achei interessante que algumas pessoas s√≥ foram realmente entender o que √© o iGEM e todo o seu impacto s√≥ quando estavam l√° em Bogot√°.

O que realmente importa: as pessoas!

O que realmente importa: as pessoas!

Essa reuni√£o foi uma das reuni√Ķes mais importantes do Clube de Biologia Sint√©tica. Nela, ficou bem claro pra mim o que realmente importa – aquilo que √†s vezes se perde em meio ao stress e a prazos apertados. Como o Carlos¬†j√° havia me dito antes (mas s√≥ nesse momento percebi de verdade), a grande ideia do projeto em lab √© fazer as pessoas aprenderem e se desenvolverem como cientistas. O que vier al√©m disso √© lucro. Contudo o essencial √© isso: as pessoas. N√£o importa a medalha, a wiki, a apresenta√ß√£o, os experimentos e tudo mais se o que fazemos n√£o atinge direta ou indiretamente as pessoas, se n√£o √© uma oportunidade de mudar e gerar pessoas com capacidade de mudan√ßa.

Esperamos continuar a ser aquilo que fomos (e tentar melhorar um pouquinho mais!): teimosos, questionadores e pr√≥-ativos. Talvez assim consigamos manter acesa a chama da oportunidade de poder fazer algo diferente na academia, algo “com as pr√≥prias m√£os”, algo em busca de resultados. N√£o sei se vamos conseguir tudo isso, mas com certeza vamos fazer o que realmente importa: criar a oportunidade para pessoas crescerem e se reinventarem. Isso vale mais do que ouro.

iGEM 2012 Latin America: Nossos Projetos

animação total

Alguns meses a menos de vida para cada um dos dois

Depois de dias no laborat√≥rio, noites mal dormidas (vide foto acima), muita teimosia, discuss√Ķes (construtivas e n√£o construtivas)¬† e principalmente com um pequeno “salto de f√©”, n√≥s conseguimos representar o Brasil na competi√ß√£o internacional de m√°quinas geneticamente modificadas de 2012 (para saber mais do iGEM, veja esse post¬†e esse outro aqui)!

no bolt

The crew

Antes de falar como foi a experi√™ncia, a viagem e tudo mais (pr√≥ximo post!), vamos falar nesse post sobre o que diabos fomos apresentar l√° na Col√īmbia , como √© o julgamento dos projetos e o que n√≥s conseguimos/esper√°vamos conseguir.

Projetos

Fomos para a competi√ß√£o com dois projetos¬† (o que pode ser entendido desde como algo “arriscado” ou “ousado”, at√© a “completamente insano”) que j√° haviamos comentado no blog¬†bem antes mesmo de colocarmos a “m√£o na massa” em laborat√≥rio. A grande estrat√©gia foi ter um dos projetos bem fact√≠vel, que nos daria uma maior certeza de resultados positivos, e um projeto mais ambicioso, que nos destacaria entre os demais por sua inova√ß√£o e criatividade – mas que a chance de dar certo n√£o era l√° assim t√£o boa quanto a do outro projeto.

Levamos para o Jamboree (palavra em ingl√™s que significa algo como “reuni√£o de celebra√ß√£o”) o projeto “Plam√≠deo Plug’nPlay” – o fact√≠vel – e o “Rede de Mem√≥ria Associativa usando Bact√©rias” – o ambicioso.

Plug’nPlay

Basicamente, o Plasm√≠deo Plug’nPlay √© uma maneira mais espertinha de se pegar um gene qualquer e coloc√°-lo para ser expresso dentro de uma bact√©ria. Para quem entende melhor do assunto, ao se explicar o projeto o nome de outros sistemas comerciais podem vir √† cabe√ßa – como o m√©todo Gateway, TOPO¬†e o In-Fusion¬†– mas a grande ideia √©: se voc√™ tem um gene que quer clonar (ser expresso em algum ser vivo), basta fazer um PCR dele (milh√Ķes de c√≥pias do dito cujo) e seguir o protocolo de transforma√ß√£o, como se os pequenos peda√ßos de DNA lineares fossem um plasm√≠deo. O plasm√≠deo Plug’nPlay (j√° presente dentro da bact√©ria) cria uma maquinaria para reconhecer esse produto de PCR e inseri-lo no pr√≥prio vetor. A grande vantagem desse m√©todo √© que n√£o existem certos passos que consomem um tempo desnecess√°rio, como certas rea√ß√Ķes in vitro presentes nos tr√™s m√©todos citados anteriormente. A E.coli faz tudo isso por voc√™!

Explicação do Plug&Play

Quando j√° est√°vamos come√ßando a fazer os experimentos, descobrimos um m√©todo lan√ßado recentemente pela empresa GenTarget, o m√©todo Eco PCR, que faz EXATAMENTE a mesma coisa: PCR e transforma√ß√£o – dois passos: “Plug” e “Play”. Contudo, existem duas diferen√ßas entre o Plug’nPlay e o Eco:

  • o Plasm√≠deo Plug’nPlay usa uma recombinase, enquanto o Eco PCR usa recombina√ß√£o hom√≥loga;
  • o Plug’nPlay √© Open Source!

Conseguimos resultados bem legais com esse projeto, mostrando uma prova de conceito que indicava a recombina√ß√£o do produto de PCR com o Plasm√≠deo Plug’nPlay! Veja isso na nossa wiki, aqui.

Rede de Memória Associativa

Essa foi a aposta ousada do nosso time. Eufemicamente “ousada”.

Tudo parte de uma pergunta muito provocante: bact√©rias podem se comportar como neur√īnios para manter e lembrar uma mem√≥ria!?

Toda dificuldade em explicar esse projeto est√° em tentar responder essa pergunta. H√° v√°rias “subperguntas” a serem respondidas dentro dessa, como: o que √© (pragmaticamente) um neur√īnio!? O que √© uma mem√≥ria? Como √© armazenada? Como se resgata uma mem√≥ria!?

A mem√≥ria do nosso c√©rebro n√£o existe em “um neur√īnio”, e nem mesmo fica dividida literalmente em pedacinhos dentro de v√°rios neur√īnios (pode at√© ser de fato, dependendo de como voc√™ interpreta “dividir em pedacinhos”). Ela √© “sist√™mica”, o que significa que voc√™ s√≥ consegue alcan√ßar sua mem√≥ria se todo um grupo de neur√īnios se comportar de uma maneira espec√≠fica – ativando e/ou inibindo outros neur√īnios da rede.

esquema compara√ß√£o neur√īnio - pop english
Enfim, essa √© a ideia do projeto: fazer popula√ß√Ķes de bact√©rias se comportarem como um neur√īnio, podendo ser “excitadas” ou “inibidas”, e podendo “excitar” ou “inibir” outras popula√ß√Ķes – igual ao que um neur√īnio faz com outros neur√īnios. A(s) mem√≥ria(s) seria(m) definida(s) quando “program√°ssemos” geneticamente as popula√ß√Ķes para interagir entre si.

Se tiv√©ssemos conseguido produzir isso completamente, ter√≠amos a base para construir uma rede de comunica√ß√£o entre as popula√ß√Ķes de bact√©rias, que seria an√°loga a uma rede de comunica√ß√£o entre neur√īnios. √Ä partir da√≠, seria poss√≠vel criar um sistema que, dado um padr√£o de est√≠mulo de popula√ß√Ķes inicial, poderia associar esse est√≠mulo a uma das mem√≥rias do padr√£o de comunica√ß√£o entre as popula√ß√Ķes, que j√° tinham sido “pr√©-programadas” com a mem√≥ria.

Complicado n√©!? E s√≥ descrevi bem brevemente a ideia. Imagine ter que apresentar toda essa densidade de conte√ļdo em menos de 10 min!? E olha que eu nem mencionei o modelo de Hopfield para redes neurais, o aparato que ter√≠amos que testar para ver o sistema funcionando e muito menos como funciona o sistema de Quorum Sensing. Acho que at√© mesmo Steve Jobs teria dificuldade em vender essa ideia.

Apesar de n√£o termos conseguido finalizar as constru√ß√Ķes para realizar os experimentos, conseguimos fazer uma modelagem interessante do sistema, que mostra que para¬†dois neur√īnios, h√° teoricamente¬†quatro¬†pontos de equil√≠brio do sistema, o que indica ‚Äď pelo menos teoricamente ‚Äď que h√° o armazenamento¬†das quatro¬†mem√≥rias distintas num sistema simplificado. Na verdade, faltou fazer a an√°lise da estabilidade desses pontos de equil√≠brio, mas isso √© outra hist√≥ria.

Se tudo o que planejamos desse hipoteticamente certo, poder√≠amos ter criado a prova de conceito para um sistema de auto-monitoramento de biorreatores, em que quantidades espec√≠ficas de subst√Ęncias seriam mantidas nas devidas propor√ß√Ķes atrav√©s de um sistema de mem√≥ria associativa que reestabeleceria sempre as concentra√ß√Ķes das subst√Ęncias em quest√£o, caso haja alguma altera√ß√£o devido √† fatores aleat√≥rios do cultivo. Veja uma explica√ß√£o melhor do projeto e at√© onde chegamos atrav√©s da nossa wiki.

Resultados

Apesar de n√£o termos chegado a resultados com o projeto de Redes, conseguimos “consertar” um BioBrick com erro e mostramos que o Plug’nPlay funciona, por isso conseguimos levar medalha de prata!

Certificado iGEM 2012

Para o incauto viajante, pode parecer claro que isso n√£o √© um bom resultado. Afinal “merec√≠amos ouro!”, “o time √© da USP!” (ohh!), “a Unicamp foi melhor antes!”…

Particularmente, eu j√° esparava que o ouro fosse pouco prov√°vel. N√£o porque somos ruins, mas porque h√° uma condi√ß√£o necess√°ria para levar o t√≠tulo √°ureo: a melhoria de novas partes e/ou novos devices (que s√£o novas combina√ß√Ķes de BioBricks j√° existentes). A maioria dos times de sucesso (a.k.a. europeus, norte-americanos e chineses) pesquisa os elementos de DNA desejados na literatura e manda sintetiz√°-los, o que agiliza muito o processo de redesign de BioBricks e viabiliza constru√ß√Ķes muito grandes. N√£o t√≠nhamos verba o suficiente para a s√≠ntese, o que dificultava muito a cria√ß√£o de um device novo funcional, que seria constru√≠do no projeto de Mem√≥ria Associativa. √Č l√≥gico que existem outros fatores envolvidos para ganhar a classifica√ß√£o de medalha de ouro, mas escolhendo um como principal – aquele que, se diferente, poderia mudar bastante coisa – acho que seria esse: s√≠ntese de DNA. Infelizmente os devices do Plug’nPlay que constru√≠mos n√£o foram considerados como “improvements”, mas apenas como uma caracteriza√ß√£o funcional de uma nova parte/design. ūüôĀ

Portanto, para mim, a briga estava mesmo se √≠amos levar prata ou bronze, porque ainda precis√°vamos de mais um dado para mostrar com um maior grau de “inequivocidade” que o Plug’nPlay funcionou. Mas parece que conseguimos convencer os ju√≠zes. ūüėÄ

O que aprendemos

A primeria coisa que aprendi nisso tudo foi: não se mede o desenvolvimento e os resultados de um projeto vendo apenas onde se chegou, mas de onde se saiu e até onde se foi.

O que vale mesmo é o Delta!

O que vale mesmo é o Delta!

Tudo come√ßou no in√≠cio de 2011, e depois recome√ßou no segundo semestre do mesmo ano √† partir do zero (pra n√£o dizer √† partir do “negativo”). N√£o t√≠nhamos nada al√©m da vontade de fazer acontecer. Conhecemos pessoas, o grupo cresceu e se fortaleceu, discutimos ideias, firmamos parcerias, criamos projetos,¬† arrecadamos verbas, aprendemos uma infinidade de coisas como: design, marketing, gest√£o de pessoas, planejamento, an√°lise de viabilidade de projetos, web design,¬† programa√ß√£o, resolu√ß√£o de problemas do dia-a-dia em laborat√≥rio… Enfim, fizemos muitas coisas que muita gente duvidava no in√≠cio de tudo – acho que at√© eu duvidava!

Outras coisa menos subjetivas que aprendemos principalmente através do feedback que recebemos dos juízes Рe que podem ajudar futuros times brasileiros do iGEM Рforam:

  • Os BioBricks s√£o o foco, o resto do projeto em si √© apenas o complemento da caracteriza√ß√£o deles.
  • Os projetos que v√£o al√©m da mera caracteriza√ß√£o dos BioBricks s√£o os de mais sucesso – parece contradi√ß√£o com a conclus√£o anterior, mas n√£o √©: experimentos de caracteriza√ß√£o e experimentos de funcionalidade de um projeto devem ser complementares; os dois n√£o s√£o sempre necessariamente a mesma coisa.
  • Apresente a apresenta√ß√£o do Jamboree para o maior n√ļmero de pessoas poss√≠vel (de prefer√™ncias professores da √°rea) antes da apresenta√ß√£o fat√≠dica: assim voc√™ consegue imaginar todas as perguntas poss√≠veis que podem fazer para seu projeto – na verdade, isso vale para qualquer apresenta√ß√£o importante na sua vida.
  • Na modelagem: v√° al√©m de equa√ß√Ķes diferenciais.
  • Descreva bem os materiais usados e os protocolos na wiki!
  • Seja criativo e tente criar projetos de impacto no “mundo real”.
  • Tente criar uma Human Practice que tenha contato direto com as pessoas, de uma maneira criativa.
  • Foque nos resultados e em como eles foram feitos.
  • Ajude outro time do iGEM.
  • Fiscalize os outros times latinos para falarem INGL√äS e n√£o ESPANHOL¬† no Jamboree da Am√©rica Latina(importante!) – haha.
  • Nunca, em hipotese alguma, JAMAIS preencha os documentos de inscri√ß√£o/submiss√£o de partes com pressa ou sem aten√ß√£o. Esse ano houve um time mexicano que n√£o medalhou por falhar nesse quesito.

Futuro dos Projetos

Como parte da iniciativa do Clube de Biologia Sint√©tica, queremos estimular a cria√ß√£o de projetos em Biologia Sint√©tica n√£o unicamente para o iGEM, mas para virarem publica√ß√Ķes cient√≠ficas ou empreendimentos mesmo. A competi√ß√£o √© uma √≥tima plataforma para testes piloto de projetos e ideias, principalmente por contar com o acervo dos BioBricks e com a intera√ß√£o da comunidade internacional envolvida na √°rea. Por isso, faz parte do nosso trabalho levar esses projetos al√©m, fazer com que cheguem at√© ao “produto final”.

O plasm√≠deo Plug’nPlay ainda est√° sendo desenvolvido e testado no GaTE Lab¬†visando futuras aplica√ß√Ķes comerciais. O projeto de Redes est√° engavetado at√© definirmos o projeto do iGEM do ano que vem, mas h√° grande interesse de darmos continuidade a ele, principalmente por parte do pessoal da modelagem. Estamos com alguns contatos que podem se interessar em criar oportunidades para fazer essa rede de mem√≥ria associativa com bact√©rias funcionar – muitos acharam interessant√≠ssimo o nosso projeto no Jamboree, foi muito estimulador.

No pr√≥ximo post vou falar de como foi a viagem a Bogot√° e quais foram as impress√Ķes da competi√ß√£o para o √ļnico time tupiniquim deste ano. iGEM 2012 Latin America: Estivemos l√°!

Enquanto isso, vejam nos comentários aí embaixo se meus comapnheiros concordam comigo sobre esse post (não me deixem no vácuo)! Hahaha! Até!

A Incrível Sociedade dos Microrganismos


ResearchBlogging.org√Č bem √≥bvio que um ser humano n√£o existiria sozinho. N√£o s√≥ porque ele n√£o poderia ser gerado, mas porque dificilmente conseguiria sobreviver. J√° reparou na quantidade de pessoas que permitem (e permitiram) que voc√™ tivesse o dia de hoje como voc√™ tem? Cada parafuso, tecido, metal, tijolo e etc que permite voc√™ estudar, trabalhar, andar de autom√≥vel, comer e ler esse texto foram pensados, feitos, montados, transportados e vendidos por algu√©m. N√£o √© poss√≠vel portanto tentar entender os humanos, bem como a maneira com que eles se comunicam, isoladamente. √Č preciso olh√°-los sistemicamente, como seres sociais. As bact√©rias tamb√©m. √Č cada vez mais reconhecido que as bact√©rias n√£o existem como c√©lulas solit√°rias, mas s√£o como um “organismo colonizador” que elabora complexos sistemas de comunica√ß√£o que facilitam a sua adapta√ß√£o √†s recorrentes mudan√ßas ambientais. E elas nascem poliglotas. A sele√ß√£o natural esculpiu em diferentes esp√©cies diversos genes que as permitem se comunicar cooperativamente e repressivamente entre esp√©cies e at√© mesmo entre reinos (como por exemplo em bact√©rias patog√™nicas). Damos √† essa comunica√ß√£o bacteriana o nome de “quorum sensing” (“detec√ß√£o em qu√≥rum” – tradu√ß√£o livre).

Quorum Sensing

O termo “quorum sensing” foi cunhado devido √† habilidade dos microorganismos expressarem ou aumentarem a express√£o de certos genes quando em grande popula√ß√£o, podendo dessa forma monitorar a densidade celular (quantidade de c√©lulas ao seu redor) antes de manifestar algum fen√≥tipo. Um dos exemplos mais ilustrativos disso √© da Dictyostelium discoideum, um protozo√°rio que passa uma das fases do seu ciclo de vida produzindo um corpo multicelular. Tem um v√≠deo bem legal mostrando a forma√ß√£o de um corpo de frutifica√ß√£o atrav√©s de v√°rias c√©lulas individuais de Dictyostelium:

[youtube_sc url=http://www.youtube.com/watch?v=vjRPla0BONA]
Reparem rapidamente em 00:30 min as c√©lulas se locomovendo em “pulsos”, na dire√ß√£o de um local em que todas est√£o se agregando (√© dif√≠cil de perceber!). Esse local inicial √© em geral onde um grupo de bact√©rias encontrou alguma fonte de nutrientes. A “pulsa√ß√£o” da locomo√ß√£o das bact√©rias acontece devido √† subst√Ęncia de quorum sensing que √© difundida pelo espa√ßo vinda das c√©lulas do local de agrega√ß√£o; um pulso inicial provoca – quando em uma popula√ß√£o n√£o muito grande, para ser percept√≠vel – um comportamento oscilat√≥rio de resposta das c√©lulas: quando uma c√©lula recebe um sinal (do tipo “Ei, tem comida aqui!”), ela emite um de volta (como se etivesse gritando “Caramba, tem comida l√°!”), que √© recebido pelas c√©lulas que mandaram o sinal incialmente (o que seria um “√ďtimo! Estou indo pra√≠!”) e por outras ao seu redor, propagando o sinal. Como a transmiss√£o de informa√ß√£o com as subst√Ęncias n√£o √© imediata e nem totalmente cont√≠nua, observa-se os “pulsos”, que s√£o resultado do “gap” entre enviar e receber informa√ß√Ķes pela difus√£o de mol√©culas.

As diferentes Línguas das bactérias

Tabela com exemplos das diferentes fam√≠lias de subst√Ęncias de QS, as diferentes "l√≠nguas" das bact√©rias. Imagem modificada de S. Atkinson e P. Williams (2009) e de Y. He e L. Zhang (2008). Refer√™ncias no final do post.

As “l√≠nguas”, ou simplesmente certas coisas que as bact√©rias querem “dizer” (como “Estou afim de dar uma reproduzida!” ou “Fujam, eles est√£o vindo!”) s√£o “ditas” atrav√©s de diferentes tipos de subst√Ęncias que os microorganismos produzem. No caso da Dictyostelium ali em cima, a subst√Ęncia √© AMP c√≠clico (√© quase um ATP, s√≥ que duas vezes menos fosfatado… e c√≠clico, √© claro), mas se tratando de bact√©rias – que ainda √© a principal plataforma de aplica√ß√£o da Biologia Sint√©tica – existem tr√™s tipos principais de subst√Ęncias de quorum sensing: as acil-homoserinas lactonas (HSL ou AHL), auto-indutores 2 (AI-2) e pequenos √°cidos graxos, chamados de “DSF”s (Diffusible Signal Factor – do ingl√™s: Fator Sinalizador Difus√≠vel). Existem ainda outras fam√≠lias de subst√Ęncias de QS, mas aparentemente menos comuns que essas tr√™s principais.

O Mecanismo Gênico

A ativa√ß√£o dos sistemas de QS s√≥ ocorre em uma alta densidade celular. Isso permite que se chegue uma concentra√ß√£o limiar de subst√Ęncias de QS para express√£o de genes. 1, 2 e 3 s√£o os tr√™s elementos b√°sicos de DNA para se construir um sistema de QS. Imagem modificada de NA. Whitehead et al (2001), refer√™ncia no final do post.

Para um microrganismo ganhar a abilidade de “falar em outra l√≠ngua”, em geral s√£o necess√°rios apenas tr√™s elementos de DNA: um gene que gere uma enzima que produza uma subst√Ęncia de QS, outro gene que produza o “receptor” dessa subst√Ęncia – que em geral √© um fator de transcri√ß√£o – e um promotor, no qual o fator de transcri√ß√£o (ap√≥s se associar √† subst√Ęncia de QS) se liga para controlar a express√£o g√™nica (imagem ao lado).

Se uma bact√©ria (por exemplo) “fala” a mesma “l√≠ngua” que suas companheiras de col√īnia, como ela diferenciaria ent√£o um sinal pr√≥prio (a pr√≥pria subst√Ęncia de QS sendo produzida) de um sinal de outras c√©lulas (subst√Ęncia de QS externa)!? Isso √© importante, porque se a bact√©ria receber o pr√≥prio sinal que envia, ela entrar√° em um processo autocatal√≠tico que resultar√° em uma cont√≠nua auto-ativa√ß√£o da c√©lula independente do sinal das bact√©rias ao seu redor. Acontece que uma bact√©ria n√£o produz n√≠veis suficientes de QS para “se ouvir”. Sem o sinal externo, a transcri√ß√£o de genes pelo sistema de quorum sensing √© fraca e insuficiente para iniciar um feedback positivo; apenas em alta densidade celular se consegue alcan√ßar uma concentra√ß√£o cr√≠tica de subst√Ęncias de QS para estimular a transcri√ß√£o dos genes que o QS controla.

Quorum Sensing no iGEM

Apesar de n√£o ser um meio de transmiss√£o de informa√ß√£o t√£o r√°pido e eficiente como o dos light switches, os sistemas de QS s√£o bastante utilizados em dispositivos sint√©ticos devido √† sua especificidade e falta de “falsos sinais” – afinal, √© extremamente f√°cil estimular n√£o-intencionalmente uma c√©lula sens√≠vel √† luz. No Registry of Parts existem cerca de 6 sistemas de QS¬†completos, padronizados e dispon√≠veis para constru√ß√£o, todos usando (em geral) diferentes AHLs, usados tanto na ativa√ß√£o e inibi√ß√£o da express√£o de genes.

Exemplos de utiliza√ß√£o desse sistema de transmiss√£o de informa√ß√£o n√£o faltam no iGEM. J√° tratamos no blog de um dos in√ļmeros projetos do iGEM que utilizam quorum sensing, o da Unicamp de 2009. Em seu projeto, o time brasileiro utilizou sinais de AI-2 como um “sistema de alerta” em bact√©rias produtoras de bioprodutos em um bioreator. Quando um microrganismo contanimante surgisse (produzindo AI-2), o sistema de QS atuaria para comunicar sua presen√ßa a todas as bact√©rias ao redor do organismo invasor, iniciando gatilhos g√™nicos para produ√ß√£o de subst√Ęncias nocivas ao contaminante, afim de extermin√°-lo do bioreator.

Parte do vídeo explicativo do time da Unicamp de 2009. Uma pequena esquematização de como usaram quorum sensing.

Aprender como uma popula√ß√£o de microrganismos de comunica √© extremamente √ļtil para saber como ela se comporta, e no caso da biologia sint√©tica, muito √ļtil para conseguir controlar esse comportamento para transmitir informa√ß√Ķes em um dispositivo g√™nico sint√©tico. Mas √© claro que prever todo um comportamento de um sistema biol√≥gico n√£o √© nada f√°cil. Como j√° salientava Asimov, h√° algo em comum no comportamento de humanos e √°tomos: ambos s√£o muito previs√≠veis singularmente, mas praticamente ca√≥ticos quando em coletivo. Apesar de mais simples, popula√ß√Ķes de microrganismos tamb√©m se comportam assim, o que √© uma das raz√Ķes que tornam o trabalho em laborat√≥rio muitas vezes frustante e cansativo. Um guia nesse caos √© essa compreens√£o sist√™mica da comunica√ß√£o entre bact√©rias (que origina certas resist√™ncias a antibi√≥ticos inesperadas e outras coisas bizarras), que assim como seres humanos, as torna seres mais sociais do que voc√™ possa imaginar.

Referências

  1. Whitehead, N. (2001). Quorum-sensing in Gram-negative bacteria FEMS Microbiology Reviews, 25 (4), 365-404 DOI: 10.1016/S0168-6445(01)00059-6
  2. Atkinson, S., & Williams, P. (2009). Quorum sensing and social networking in the microbial world Journal of The Royal Society Interface, 6 (40), 959-978 DOI: 10.1098/rsif.2009.0203
  3. He YW, & Zhang LH (2008). Quorum sensing and virulence regulation in Xanthomonas campestris. FEMS microbiology reviews, 32 (5), 842-57 PMID: 18557946

 

Um por Todos e Todos por Um! Agradecimentos à Multidão que Faz Acontecer!

Acho que conseguimos fazer algo sensacional. E aparentemente inédito também. Eu já disse em outro post o quão somos todos poderosos com a internet, e foi com esse incrível poder Рquase utópico Рque conseguimos ser (pelo o que tudo indica) o primeiro projeto de ciência brasileiro a ser financiado com sucesso por crowdfunding, com incríveis 109% financiados.

At√© agora n√£o caiu a ficha que conseguimos quase cerca de 6000 reais em um m√™s e meio. Me lembro do dia em que cheguei no meu apartamento e disse aos meus colegas: “Cara, eu preciso de 2700 d√≥lares nos pr√≥ximos dois meses!” (antes de me explicar acharam que estava envolvido com algum tipo de m√°fia de agiotas).
Eu n√£o fazia a m√≠nima ideia de como arrumar esse dinheiro. Parecia imposs√≠vel. T√≠nhamos ca√≠do em uma grande “sinuca financeira” ao tentar pedir financiamento pela universidade para um projeto que n√£o se encaixa direito em quase nenhum dos programas de apoio que ela oferece. Essa √© a sina da inova√ß√£o: n√£o existe nada pr√©-definido para aquilo que √© novo. Bem, como est√°vamos fazendo algo novo, porque ent√£o n√£o sair do √≥bvio? Porque esperar sempre apoio das mesmas fontes de financiamento que ditam o que pode e o que n√£o pode ser feito? Foi a√≠ que o Hotta¬†me veio com a intrigante ideia: “Porque voc√™s n√£o tentam financiamento por esse site aqui?”. Desde ent√£o descobri que al√©m de algo chamado crowsourcing, existe algo t√£o velho quanto o imposto de renda (s√≥ que um pouco diferente) chamado crowdfunding, o financiamento pela multid√£o.

Sem saber a dificuldade de tal tarefa, simplesmente criei uma p√°gina de financiamento no RocketHub (o site de crowdfunding que usamos) para um projeto brasileiro de Biologia Sint√©tica. De novo: brasileiro e em algo chamado Biologia Sint√©tica. Como fazer a multid√£o se interessar por esse projeto dentre v√°rios outros bem mais atrativos envolvendo m√ļsica, filmes, arte e etc? Estereotipando, √©ramos um projetinho latinoamericano nerd junto de v√°rios outros gringos, super chamativos e descolados. Eu n√£o sabia em que estava me metendo. Talvez seja por isso que a ficha ainda n√£o caiu depois que tudo deu certo. Voc√™ tab√©m n√£o iria acreditar na quantidade de pessoas que existem a√≠ fora dispostas a apoiar suas ideias.

Seguimos √† risca as recomenda√ß√Ķes que o site d√° para conseguir os projetos financiados: entrar em contato primeiro um c√≠rculo de pessoas diretamente relacionadas conosco e depois com um c√≠rculo de pessoas desconhecidas. O engra√ßado √© que ficou tudo misturado. Ao mesmo tempo que apareciam pessoas totalmente n√£o-relacionadas com qualquer pessoa do grupo, apareciam amigos e parentes dando uma engordada na vaquinha online.

Em cada email que recebia com uma quantia de dinheiro, independente da quantia que fosse, era como um pequeno presente de natal fora de √©poca. Mais do que pessoas dando dinheiro a n√≥s, t√≠nhamos pessoas acreditando no nosso projeto, acreditando em n√≥s. √Č aquele tipo de coisa que os cart√Ķes de cr√©dito nos ensinaram muito bem que n√£o tem pre√ßo. √Č principalmente por isso que por mais que eu escreva, n√£o vou encontrar palavras para agradecer esse apoio de todos deram, seja de amigo, parente, professor, blogueiro, empresa, escritor, entusiasta e parceiro do grupo. Fomos muito al√©m da expectativa mais otimista que t√≠nhamos. Estamos muito mais motivados, felizes e com certeza de toda a responsabilidade que temos agora, que al√©m de representar nosso pa√≠s na maior competi√ß√£o de Biologia Sint√©tica do mundo, √© fazer todos os apoiadores tamb√©m merecedores (al√©m dos rewards, √© claro) do sucesso que tivermos. Mas por enquanto gostar√≠amos muito de dizer:

Joana Guiro, Tania, Douglas Domingues, Cristiano Breuel, Kathleen Raven, Elias de A. Rodrigues, Renilda Souza, Roseane Souza, Adriana Marcelino Escarabichi, Regivaldo, Bruno Vellutini, Cleandho, Cristina Caldas, Luis Brudna, Daniel Ariano, Bernardo Lemos, Silv√©rio Flora Filho, Alex Gorshkov, Shridhar Jayanthi, Carlos Gustavo, Marcus Nunes, Carlos Hotta, Gilberto, Andr√©s Ochoa, Blog Blabos de Blebe, Mateus Schriener G. Lopes, Mariana Machado de Paula Albuquerque, Jean Marcel Duvoisin Schmidt, D√©bora Pimentel, Andre Pimenta Freire, Rafael Calsaverini, Bruno de Medeiros, Integrated DNA Technologies (IDT), Felipe (phi!), Carolina Carrijo, Rafael Tuma Guariento, F√°bio Cespedes, Carolina Menezes Silverio, Konrad F√∂rstner, Francisco Camargo (Chico!), Cl√°udia Chow, Roberto Takata, e o Instituto de Pesquisas Sociais, Pol√≠ticas e Econ√īmicas…

ūüôā

H√° ainda muito trabalho pela frente e v√°rios outros desafios a serem encarados, mas esse nosso primeiro sucesso tang√≠vel j√° est√° ganhando repercuss√£o em alguns lugares, como no blog sobre ci√™ncia da revista piau√≠ (“De gr√£o em gr√£o“) e no blog do pr√≥prio RocketHub (“Brazilian Science Dreams Comes Alive” e “A RocketHub Story: Dreamers Don’t Blink“). Espero que essa moda gringa pegue por aqui, e que ainda possamos ver no Brasil v√°rios projetos cient√≠ficos criativos mais livres, abertos e poss√≠veis com crowdfunding, sem depender muito dos programas pr√©-formatados de apoio √† pesquisa e desenvolvimento. Afinal, como j√° disse no nosso v√≠deo promocial: “Because when you help science, you help everyone!”.

OBS: agora eu tenho uma exclusiva “Wings Badge” no RocketHub! A melhor badge que j√° ganhei! ūüėÄ