Um por Todos e Todos por Um! Agradecimentos à Multidão que Faz Acontecer!

Acho que conseguimos fazer algo sensacional. E aparentemente inédito também. Eu já disse em outro post o quão somos todos poderosos com a internet, e foi com esse incrível poder Рquase utópico Рque conseguimos ser (pelo o que tudo indica) o primeiro projeto de ciência brasileiro a ser financiado com sucesso por crowdfunding, com incríveis 109% financiados.

At√© agora n√£o caiu a ficha que conseguimos quase cerca de 6000 reais em um m√™s e meio. Me lembro do dia em que cheguei no meu apartamento e disse aos meus colegas: “Cara, eu preciso de 2700 d√≥lares nos pr√≥ximos dois meses!” (antes de me explicar acharam que estava envolvido com algum tipo de m√°fia de agiotas).
Eu n√£o fazia a m√≠nima ideia de como arrumar esse dinheiro. Parecia imposs√≠vel. T√≠nhamos ca√≠do em uma grande “sinuca financeira” ao tentar pedir financiamento pela universidade para um projeto que n√£o se encaixa direito em quase nenhum dos programas de apoio que ela oferece. Essa √© a sina da inova√ß√£o: n√£o existe nada pr√©-definido para aquilo que √© novo. Bem, como est√°vamos fazendo algo novo, porque ent√£o n√£o sair do √≥bvio? Porque esperar sempre apoio das mesmas fontes de financiamento que ditam o que pode e o que n√£o pode ser feito? Foi a√≠ que o Hotta¬†me veio com a intrigante ideia: “Porque voc√™s n√£o tentam financiamento por esse site aqui?”. Desde ent√£o descobri que al√©m de algo chamado crowsourcing, existe algo t√£o velho quanto o imposto de renda (s√≥ que um pouco diferente) chamado crowdfunding, o financiamento pela multid√£o.

Sem saber a dificuldade de tal tarefa, simplesmente criei uma p√°gina de financiamento no RocketHub (o site de crowdfunding que usamos) para um projeto brasileiro de Biologia Sint√©tica. De novo: brasileiro e em algo chamado Biologia Sint√©tica. Como fazer a multid√£o se interessar por esse projeto dentre v√°rios outros bem mais atrativos envolvendo m√ļsica, filmes, arte e etc? Estereotipando, √©ramos um projetinho latinoamericano nerd junto de v√°rios outros gringos, super chamativos e descolados. Eu n√£o sabia em que estava me metendo. Talvez seja por isso que a ficha ainda n√£o caiu depois que tudo deu certo. Voc√™ tab√©m n√£o iria acreditar na quantidade de pessoas que existem a√≠ fora dispostas a apoiar suas ideias.

Seguimos √† risca as recomenda√ß√Ķes que o site d√° para conseguir os projetos financiados: entrar em contato primeiro um c√≠rculo de pessoas diretamente relacionadas conosco e depois com um c√≠rculo de pessoas desconhecidas. O engra√ßado √© que ficou tudo misturado. Ao mesmo tempo que apareciam pessoas totalmente n√£o-relacionadas com qualquer pessoa do grupo, apareciam amigos e parentes dando uma engordada na vaquinha online.

Em cada email que recebia com uma quantia de dinheiro, independente da quantia que fosse, era como um pequeno presente de natal fora de √©poca. Mais do que pessoas dando dinheiro a n√≥s, t√≠nhamos pessoas acreditando no nosso projeto, acreditando em n√≥s. √Č aquele tipo de coisa que os cart√Ķes de cr√©dito nos ensinaram muito bem que n√£o tem pre√ßo. √Č principalmente por isso que por mais que eu escreva, n√£o vou encontrar palavras para agradecer esse apoio de todos deram, seja de amigo, parente, professor, blogueiro, empresa, escritor, entusiasta e parceiro do grupo. Fomos muito al√©m da expectativa mais otimista que t√≠nhamos. Estamos muito mais motivados, felizes e com certeza de toda a responsabilidade que temos agora, que al√©m de representar nosso pa√≠s na maior competi√ß√£o de Biologia Sint√©tica do mundo, √© fazer todos os apoiadores tamb√©m merecedores (al√©m dos rewards, √© claro) do sucesso que tivermos. Mas por enquanto gostar√≠amos muito de dizer:

Joana Guiro, Tania, Douglas Domingues, Cristiano Breuel, Kathleen Raven, Elias de A. Rodrigues, Renilda Souza, Roseane Souza, Adriana Marcelino Escarabichi, Regivaldo, Bruno Vellutini, Cleandho, Cristina Caldas, Luis Brudna, Daniel Ariano, Bernardo Lemos, Silv√©rio Flora Filho, Alex Gorshkov, Shridhar Jayanthi, Carlos Gustavo, Marcus Nunes, Carlos Hotta, Gilberto, Andr√©s Ochoa, Blog Blabos de Blebe, Mateus Schriener G. Lopes, Mariana Machado de Paula Albuquerque, Jean Marcel Duvoisin Schmidt, D√©bora Pimentel, Andre Pimenta Freire, Rafael Calsaverini, Bruno de Medeiros, Integrated DNA Technologies (IDT), Felipe (phi!), Carolina Carrijo, Rafael Tuma Guariento, F√°bio Cespedes, Carolina Menezes Silverio, Konrad F√∂rstner, Francisco Camargo (Chico!), Cl√°udia Chow, Roberto Takata, e o Instituto de Pesquisas Sociais, Pol√≠ticas e Econ√īmicas…

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H√° ainda muito trabalho pela frente e v√°rios outros desafios a serem encarados, mas esse nosso primeiro sucesso tang√≠vel j√° est√° ganhando repercuss√£o em alguns lugares, como no blog sobre ci√™ncia da revista piau√≠ (“De gr√£o em gr√£o“) e no blog do pr√≥prio RocketHub (“Brazilian Science Dreams Comes Alive” e “A RocketHub Story: Dreamers Don’t Blink“). Espero que essa moda gringa pegue por aqui, e que ainda possamos ver no Brasil v√°rios projetos cient√≠ficos criativos mais livres, abertos e poss√≠veis com crowdfunding, sem depender muito dos programas pr√©-formatados de apoio √† pesquisa e desenvolvimento. Afinal, como j√° disse no nosso v√≠deo promocial: “Because when you help science, you help everyone!”.

OBS: agora eu tenho uma exclusiva “Wings Badge” no RocketHub! A melhor badge que j√° ganhei! ūüėÄ

Crowdfunding: o “fa√ßa voc√™ mesmo” do financiamento

O movimento DIY (Do It Yourself) √© lindo. √Č quase uma coisa ut√≥pica: voc√™ quer fazer alguma coisa? Aprende, vai l√° e faz, oras! Basta ter aquela ideia que n√£o te deixa dormir, ficar obcecado por ela, ser um pouco otimista e deixar a pregui√ßa de lado. Perfeito, mas… Onde arrumar a grana para seus planos?

Regras do Jogo

Tudo bem, as coisas n√£o s√£o t√£o f√°ceis assim. Vivemos¬† num mundo capitalista e as regras do jogo te impedem de colocar uma bela ideia em pr√°tica se voc√™ n√£o tiver dinheiro. O grande problema na maioria das vezes √© justamente esse: o capital inicial. Muitas ideias legais e empreendimentos n√£o saem do papel porque o suporte para esse tipo de coisa n√£o √© algo trivial de se conseguir e os riscos s√£o altos dependendo do caso. Por exemplo, um dos grandes problemas que enfrentamos para arranjar financiamento para a participa√ß√£o do iGEM foi a falta de apoio p√ļblico √† iniciativas tecnol√≥gicas de pequeno porte (talvez seria mais correto chamar de “mini porte”): ou as chamadas de projeto davam dinheiro demais ou n√£o davam dinheiro nenhum. Se f√īssemos uma empresa, n√£o nos encaixar√≠amos em nenhuma categoria de investimento, o que n√£o significaria que a empresa poderia gerar menos ou mais retornos que as de categorias de investimento maiores.

Mas a√≠ voc√™ pode perguntar: “Ent√£o porque voc√™s n√£o pediram dinheiro a mais mesmo?”. √Č porque esse tipo de apoio deve ter todos seus gastos todos justificados, afinal √© um investimento! Se seu empreendimento n√£o demanda¬† coisas o suficiente ele acaba morrendo de fome.

“Toc-Toc”-“Ol√° senhor, gostaria de investir no meu empreendimento?”

Mas calma l√° tamb√©m, isso n√£o significa que para colocar sua ideia em pr√°tica ser√° preciso ser um mission√°rio do empreendedorismo e bater de porta em porta pedindo financiamento… √Č quase isso.

A diferen√ßa √© que, se quiser fazer um belo DIY,¬† ter√° que bater na porta de fundos de investimento privados. Eles s√£o menos inflex√≠veis que os fundos p√ļblicos (como o BNDES, FINEP e etc) em termos de linhas de financiamento, contudo s√£o um pouco mais sisudos: esses fundos s√£o controlados pelo mercado e o grande objetivo √© o retorno do investimento, sem envolver quest√Ķes sociais e culturais do projeto; a n√£o ser que voc√™ encontre um fundo supimpa que se preocupe com isso. Se voc√™ conseguir conquistar os empres√°rios, eles deixar√£o o jogo mais f√°cil para voc√™ colocar seu sonho em pr√°tica.

O Nanoempreendedorismo

O movimento DIY n√£o precisa de tanto dinheiro assim para se preocupar com fundos de investimento, a n√£o ser que voc√™ queira deixar a brincadeira do “fa√ßa voc√™ mesmo” mais s√©ria depois. Afinal para fazer um DIY que se preze, os materiais devem ser baratos e f√°ceis de se encontrar. S√≥ que isso gera um problema semelhante a um empreendimento de “mini porte”: voc√™ n√£o vai precisar (provavelmente) e n√£o vai conseguir sozinho 10.000 ou 20.000 d√≥lares; o que voc√™ vai precisar para projetos de garagem √© da ordem de 500 a 2000 d√≥lares. √Č pouco prov√°vel – devido ao porte do empreendimento – que exista um fundo de investimento que se interesse em apoiar (tudo bem, vai que voc√™ consegue!) o seu “fa√ßa voc√™ mesmo” (apesar desses valores ainda serem uma consider√°vel graninha!). Uma categoria de investimento para “nano-empreendedores” seria mais improv√°vel ainda: al√©m de ser uma grande mistura de hobby com neg√≥cios – o que poderia estragar toda a ideia divertida de DIY – os riscos de investimento seriam muito altos (apesar de estar em jogo “pouca” grana).

Crowdfunding: o poder da internet em suas m√£os

Como deu para perceber, apesar do dinheiro ser importante, n√£o diria que ele √© o limitante para sua ideia (apesar de aumentar pra caramba a sua moral e seu respeito social), seria mais um entrave. O essencial mesmo √© conhecer pessoas. Pessoas certas na hora certa principalmente, isso sim √© que √© dif√≠cil. Isso vai economizar muito tempo e sola de sapato. Mas diminuindo ainda mais o tamanho das coisas, pode ser que nem sapatos sejam necess√°rios: apenas uma conex√£o com a internet j√° basta (a internet te d√° super-poderes). √Č assim que funciona o Crowdfunding, o “financiamento pela multid√£o”. √Č o mesmo modelo que a Wikipedia, a Avaaz¬†e v√°rios programas e aplicativos gratuitos que vivem de doa√ß√Ķes usam para conseguir existir.

Como sempre, as coisas legais chegam no Brasil depois de j√° fazerem muito sucesso “l√° fora”, mas j√° existem iniciativas muito legais
como a Crowdfunding Brasil. Contudo, dá para pegar a onda dos gringos através de alguns sites muito legais:

RocketHub

Dispon√≠vel para usu√°rios de¬† todo o mundo. Funciona como todos os outros: voc√™ cria uma p√°gina para as pessoas contribu√≠rem online, estabelece o quanto voc√™ precisa para sua ideia e d√° um prazo para levantar a grana. Ajudando com diferentes valores existem diferentes categorias de “recompensas” que o contribuidor ganha. O que o RocketHub ganha com tudo isso? 4% de tudo arrecadado, para financiamentos dentro do prazo ou n√£o. Eles recomendam essa corre√ß√£o nos valores antes de realizar a campanha.

Kickstarter

Diferentemente do RocketHub, aqui o neg√≥cio √© tudo ou nada: consegiu financiar no prazo? O dinheiro √© seu. N√£o conseguiu? √Č do Kickstarter. √Č o site de Crowdfunding mais famoso, mas por enquanto n√£o √© de acesso mundial.

 

 

IndieGoGo

√Č bem parecido com o RocketHub: tamb√©m √© uma plataforma mundial e cobra 4% de tudo arrecadado. A √ļnica diferen√ßa √© que se voc√™ n√£o conseguir levantar a quantia no prazo, a porcentagem que fica para o site √© maior: 9%.

O √ļnico site de crowdfunding tupiniquim √© o LET’S. Ainda n√£o √© t√£o bombado como os outros, mas com as pol√≠ticas de divula√ß√£o do site e do formato de financiamento de crowdfunding, espera-se que no futuro seja uma op√ß√£o t√£o boa quanto as estrangeiras. A LET’S sempre fica com 5% do valor arrecadado caso o pagamento seja via Paypal.

Existem muitos projetos impressionantes e interessantíssimos nesses sites, com diferentes graus de ambição. Para nossa iniciativa de participação no iGEM 2012, além de corrermos atrás de financiamentos por patrocínios de empresas, criamos um projeto lá no RocketHub! Até o presente momento conseguimos levantar incríveis 385 dólares (uhul! Estamos ricos!). Sinta-se à vontade para olhar nossas recompensas e contribuir como quiser! Conte para todo mundo também!

Enfim: fica aí a dica. Principalmente se você curte DIY Biology e tem ideias bem legais que quer colocar em prática. Só não vai criar um problema de Biossegurança hein!