Esta Linha Não Cruzarás!

Quando desenvolveu sua Teoria da Evolução, Charles Darwin introduziu o conceito de Seleção Natural como o principal motor do surgimento e sucessão dos seres vivos, apesar disso não considerava que este fosse o único mecanismo. Já Wallace, contemporâneo de Darwin e “quase-co-criador” independente da Teoria da Evolução, era um “hiperselecionista”: a Seleção Natural era o único mecanismo diretor da evolução dos seres vivos.

Ora, naquela época já era um desafio explicar a origem do intelecto humano. Por vias das Seleção Natural inclusive. Isso não era um problema para Darwin, já que para ele poderiam existir outros processos ainda não conhecidos que resolvessem o problema. Para Wallace, por outro lado, o intelecto humano gerava um problema sério. Por sua incapacidade de explicá-lo através da Seleção Natural e por sua postura hiperselecionista, acabou obrigado a postular um intervenção divina sobre o ser humano para responder pelo surgimento de nosso intelecto.

Ainda hoje, podemos perceber alguma hesitação ao tratar do ser humano, da mente humana e de sua origem e desenvolvimento. Por mais que saibamos do funcionamento (agora muito melhor que à epoca de Darwin) da Evolução e da origens das espécies, inclusive do homem, a mente ainda parece ser um tabu para a maioria das pessoas.

Muitos postulam, assim como Wallace (mas por motivos diferentes), algum tipo de característica sobrenatural exclusiva do ser humano e que seria concedida por um ser superior: a alma. Nossos sentimentos e raciocínio diferenciados dos demais animais seriam devido a esta alma.

Os católicos e outros grupos religiosos moderados, que tipicamente aceitam a Teoria da Evolução, impõem que Deus (ou ser equivalente) tenha intervindo diretamente com seu sopro de vida e inserido a alma no momento do surgimento do Homo sapiens sapiens, ou mesmo em algum ancestral. Isto, obviamente, é uma atitude anticientífica e não soluciona a questão.

De outro lado, no meio científico, há aqueles que simplesmente repudiam qualquer tentativa de abordagem simples da mente. Preferem nenhuma resposta, ou uma resposta complexa e inverificável, a qualquer esboço de resposta simples.

Enquanto Psicólogos Behavioristas utilizam a Teoria Behaviorista para descrever e analizar algumas facetas do comportamento dos seres humanos e outros animais evitando focar nos processos mentais precipitadamente, o que poderia causar a inclusão de elementos inveríficáveis, Psicólogos de outras escolas a consideram simplista demais para abordar a mente humana, ignoram-na (apesar de alguns de seus méritos), preferindo postular mecanismos fantásticos, que até são boas explicações eventualmente, mas completamente inverificáveis.

Cientistas Sociais têm ataques histéricos quando neurocientistas tentam encontrar origens genéticas e na arquitetura do cérebro para comportamentos violentos, preferindo uma origem únicamente social. Algo como uma atualização do mito do Bom Selvagem.

Quando são encontrados genes que controlariam, ou ao menos influenciariam, Generosidade, Felicidade e outros sentimentos vemos ondas de acusações de “Reducionismo“. Seja lá o que isso for.

Ao mesmo tempo em que deseja-se as respostas para A Vida, O Universo e tudo mais (que por acaso é 42) parece existir algum tipo de preconceito pelas respostas simples, mesmo que possam estar corretas.

Seria isso algum resquício do pensamento mágico (wishful thinking) religioso que espera respostas grandiosas (Deus, Thor, Shiva, Chacras, Milagres e tudo mais) para perguntas gradiosas? Ou é algum medo de que as perguntas não sejam, elas mesmas, tão grandiosas assim, e os mistérios não tão misteriosos?

O que faz com que, quando tratamos de problemas científicos fundamentais, encontremos uma placa escrita “Esta Linha Não Cruzarás” com o subtítulo “A não ser com uma resposta complexa e que seja satisfatória ao ego humano“?

Discussão - 1 comentário

  1. Hélio bandeira disse:

    Se para muitos a religião não explica a origem da vida, muito menos a evolução para muitissimos.

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