Eu N√£o Morri!

Amigos leitores. Sim, sim, vocês seis.

Saibam que ainda n√£o foi dessa vez que parti dessa para nenhuma. S√≥ estou um pouco ocupado. Fim de semestre e tal. 

Espero que os chefes n√£o me excluam da participa√ß√£o na domina√ß√£o mundial por n√£o ter escrito nada que preste nos √ļltimos dias (ou desde sempre =/).

Fiquem com Calvin:

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Wolfgang Pauli, o fanfarr√£o

Se lhes faltava motivo para achar Pauli fant√°stico, eis mais um:

Em 1930, aconteceria em T√ľbingen, Alemanha, uma confer√™ncia de F√≠sicos Nucleares. √Ä √©poca, um dos problemas da F√≠sica Nuclear era a explica√ß√£o para o espectro cont√≠nuo de energia dos el√©trons emitidos no decaimento beta. Pauli achava ter encontrado um solu√ß√£o para o problema propondo que uma terceira part√≠cula, que conhecemos hoje como Neutrino [1], era emitida no processo mas n√£o era detectada.

Incerto sobre se publicaria ou n√£o essa id√©ia, Pauli quis ter a opini√£o dos F√≠sicos reunidos em T√ľbingen. Mandou ent√£o a seguinte carta:

Dear Radioactive Ladies and Gentlemen,

As the bearer of these lines, to whom I graciously ask you to listen, will explain to you in more detail, because of the “wrong” statistics of the N- and Li-6 nuclei and the continuous beta spectrum, I have hit upon a desperate remedy to save the “exchange theorem” (1) of statistics and the law of conservation of energy. Namely, the possibility that in the nuclei there could exist electrically neutral particles, which I will call neutrons, that have spin 1/2 and obey the exclusion principle and that further differ from light quanta in that they do not travel with the velocity of light. The mass of the neutrons should be of the same order of magnitude as the electron mass and in any event not larger than 0.01 proton mass. – The continuous beta spectrum would then make sense with the assumption that in beta decay, in addition to the electron, a neutron is emitted such that the sum of the energies of neutron and electron is constant.

Now it is also a question of which forces act upon neutrons. For me, the most likely model for the neutron seems to be, for wave-mechanical reasons (the bearer of these lines knows more), that the neutron at rest is a magnetic dipole with a certain moment őľ. The experiments seem to require that the ionizing effect of such a neutron can not be bigger than the one of a gamma-ray, and then őľ is probably not allowed to be larger than e ‚ÄĘ (10-13cm).

But so far I do not dare to publish anything about this idea, and trustfully turn first to you, dear radioactive people, with the question of how likely it is to find experimental evidence for such a neutron if it would have the same or perhaps a 10 times larger ability to get through [material] than a gamma-ray.

I admit that my remedy may seem almost improbable because one probably would have seen those neutrons, if they exist, for a long time. But nothing ventured, nothing gained, and the seriousness of the situation, due to the continuous structure of the beta spectrum, is illuminated by a remark of my honored predecessor, Mr Debye, who told me recently in Bruxelles: “Oh, It’s better not to think about this at all, like new taxes.” Therefore one should seriously discuss every way of rescue. Thus, dear radioactive people, scrutinize and judge. – Unfortunately, I cannot personally appear in T√ľbingen since I am indispensable here in Z√ľrich because of a ball on the night from December 6 to 7. With my best regards to you, and also to Mr. Back, your humble servant

W. Pauli

Traduzindo, porcamente, as partes em negrito:

“Prezados(as) Senhores e Senhoras Radioativos(as).”

“Eu cheguei a um rem√©dio desesperado para salvar (…) a lei da conserva√ß√£o da energia.”

“Mas at√© agora n√£o ousei publicar algo sobre essa id√©ia, e confiantemente apresento-a a voc√™s, prezadas pessoas radioativas, com a quest√£o de qu√£o prov√°vel seria encontrar evid√™ncia experimental para tal n√™utron.”

“Sr. Debye disse-me recentemente em Bruxelas:’Oh, √© melhor nem pensar sobre isso [o problema do espectro cont√≠nuo], assim como sobre novos impostos'”.

“Infelizmente, n√£o posso aparecer pessoalmente em T√ľbingen j√° que sou indispens√°vel aqui em Zurich por causa de um Baile na noite do dia 6 para o dia 7 de Dezembro.”

“(…) seu humilde servi√ßal, W. Pauli”.

Aqueles que n√£o entenderam a gra√ßa que vi nessa carta saibam que Pauli tinha fama de ser extremamente arrogante. A posi√ß√£o assumida acima, se n√£o de humildade, √© de um Pauli deliciosamente sarc√°stico. Fico imaginando como os “senhores radioativos” n√£o o mandaram √† Hure que o pariu.

[1]: Pauli nomeou-a N√™utron, mas, dois anos mais tarde, Chadwick roubou o termo para nomear a part√≠cula que hoje conhecemos como N√™utron. Foi Fermi que mais tarde batizou a part√≠cula como Neutrino. 

[2]: Topei com um trecho da carta num artigo. Encontrei o restante através deste artigo da Symmetry.

Físico, Profissão Perigo

Pouqu√≠ssimos F√≠sicos se encaixariam no estere√≥tipo de algu√©m recluso numa sala empoeirada com pilhas de livros e pap√©is espalhados por todo canto. Principalmente quando falamos de F√≠sicos experimentais, e mais ainda quando pensamos a “√©poca de ouro” da F√≠sica no in√≠cio do s√©culo passado. Sem a automa√ß√£o proporcionada pelos computadores e outras m√°quinas sofisticadas, n√£o era op√ß√£o fazer um experimento sem colocar as m√£os, p√©s e talvez a cabe√ßa na massa.

Os estudiosos de Raios Cósmicos que o digam. Subir a grandes altitudes com a aparelhagem para uma melhor obtenção de dados não era tarefa para qualquer um. E o pioneiro foi certamente Victor Hess.

No in√≠cio do S√©culo 20, havia d√ļvidas sobre a origem da radia√ß√£o ionizante que permeava a atmosfera. Muitos consideravam que viriam do decaimento radioativo de n√ļcleos inst√°veis na superf√≠cie, mas havia alguma indica√ß√£o, talvez por problemas no equipamento, que a radia√ß√£o aumentaria com a altitude ao inv√©s de diminuir.

Hess aprimorou os equipamentos de medi√ß√£o e, audaciosamente indo onde nenhum F√≠sico jamais foi, subiu √† altitude de 5 km em um Bal√£o, tanto durante o dia quanto √† noite, para verificar tais hip√≥teses. Me permitam repetir: ele subiu num Bal√£o √† 5km para medir a ioniza√ß√£o da atmosfera. NUM BAL√ÉO!! O qu√£o badass foi esse cara?  

victor_hess.jpg

Foram v√°rios v√īos entre 1911 e 1912, em que Hess p√īde verificar que, a partir de 1 km de altitude, a ioniza√ß√£o come√ßava a aumentar e √† 5km j√° era o dobro do n√≠vel do mar.

Hess concluiu que a radiação ionizante só poderia vir do espaço exterior, e Robert Millikan, mais tarde, chamou-a de Radiação Cósmica.

Desculpem a falta de postagens durante a semana. Aqueles que se sentirem inspirados podem legendar a foto de Hess acima, já que até isso eu me esqueci de postar. =P

A maldição das leis de Newton!

Cyanide and Happiness, a daily webcomic

Cyanide & Happiness @ Explosm.net

Por favor, por favor, por favor! Alguém FAÇA esse filme!
Se as leis de Newton começarem a ser obedecidas nos filmes de ação, o tempo de vida médio dos mocinhos cairia para 15 minutos. E todos seriam mais felizes =P

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