Post Lens culinaris, ergo propter Lens culinaris

Já arranjou uma simpatia para a virada do ano? Já se preparou para pular as 7 lentilhas e comer as 7 ondas? Não?? Que bom. Eu também não entendo todo esse monte de tolices que as pessoas fazem no final do ano. Quando posso, faço questão que virar o ano vestido de preto e comendo frango e tudo continua na mais pura normalidade.

O R√©veillon deve ser o dia de celebra√ß√£o da fal√°cia favorita de dez entre dez seres humanos. Se eu fiz aquela montuera de rituais e simpatias no fim do ano passado e este ano foi √≥timo, ora, √© √ďBVIO que foi por causa das simpatias! Isso √© EVIDENTE!

Post hoc, ergo propter hoc. Depois disso, logo por causa disso.

√Č claro que, caso o ano tenha sido uma bosta, voc√™ ir√° prontamente ignorar que fez tais simpatias e vai faz√™-las novamente, porque, ora bolas, todo mundo diz que d√£o sorte n√£o √©? Por via das d√ļvidas, n√£o custa arriscar.

√Č esse “por via das d√ļvidas” o que mais me irrita.

Ningu√©m se mantem sempre amarrado a um poste, por via das d√ļvidas, caso a gravidade “se desligue” de repente, n√£o √©? Ou faz seguro por morte devida ao decaimento simult√Ęneo de todos os pr√≥tons de seu corpo s√≥ para garantir?

Mas, por via das d√ļvidas, repete-se gestos arbitr√°rios e in√≥cuos para “atrair boa sorte”. V√° entender esse humanos…

Apesar dessas reclama√ß√Ķes rabugentas, desejo a todos uma boa celebra√ß√£o do dia arbitr√°rio para a mudan√ßa de numera√ß√£o arbitr√°ria de um Per√≠odo do movimento da Terra em torno do Sol e um feliz Per√≠odo subseq√ľente. Ou mais compactamente: Feliz Ano Novo a todos!

Físico(a) de Sexta 5

O Físico dessa semana está bem fácil. Eu poderia até não dar dica alguma, mas para manter a tradição:

[1]: Unificação

Resposta:

O físico é James Clerk Maxwell. Parabéns ao Ernane pela resposta.

O trabalho de Maxwell sobre Eletromagnetismo √© com certeza o mais conhecido. Ali√°s, se h√° o nome Eletromagnetismo √© por que Maxwell promoveu a unifica√ß√£o dos fen√īmenos el√©tricos e magn√©ticos, antes vistos como coisas completamente distintas. As chamadas Equa√ß√Ķes de Maxwell (que, verdade seja dita, de Maxwell s√≥ h√° um termo em uma delas) descrevem o comportamento dos campos El√©trico e Magn√©tico e as rela√ß√Ķes entre os dois. Entre outras coisas, atrav√©s dessas equa√ß√Ķes mostra-se tamb√©m que a luz √© uma onda eletromagn√©tica.

Quem s√£o os cientistas brasileiros?

No √ļltimo “F√≠sico(a) de Sexta“, coloquei a foto do F√≠sico brasileiro Jos√© Leite Lopes para que os leitores adivinhassem seu nome. Como eu j√° esperava, esse foi o que mais demorou para ser adivinhado. Todos os outros foram descobertos ainda na sexta-feira, enquanto Leite Lopes teve que esperar at√© a segunda-feira. Outro leitor, Felipe, chegou a comentar:

Momento de reflexão: O brasileiro foi o mais difícil até agora.

Obviamente, uma coisa é conhecer um cientista brasileiro, outra é identificar o sujeito numa foto. Entretanto, não saber sequer o nome de um cientista é a situação da maioria dos brasileiros. Segundo uma pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia realizada em 2007, com 2004 participantes, constatou que 86% não conheciam cientistas brasileiros.

OITENTA E SEIS PORCENTO!!!

Se houvesse alguma pesquisa sobre qualquer bizarrice, tipo “Voc√™ conhece algu√©m que beba refrigerante pelo nariz?”, eu apostaria uma perna que o resultado do “n√£o” seria menor!

A t√≠tulo de curiosidade, 13% das pessoas citaram como cientistas brasileiros: Oswaldo Cruz (36 cita√ß√Ķes), Santos Dumont (32), Carlos Chagas (8), Cesar Lattes (4), Elsimar Coutinho (3), Vital Brazil (3), Marcelo Gleiser (3) e outros com apenas uma cita√ß√£o cada.

Por que isso acontece? E como melhorar essa situação?

Físico(a) de Sexta 4

Espero que o Jo√£o Carlos ache o F√≠sico desta semana desafiador o suficiente… hehe

Opa… Esqueci a dica:

[1]: Bósons Vetoriais

Resposta:

O Físico de Sexta é o brasileiro José Leite Lopes. Parabéns ao Ernane Lopes pelo acerto (deve ter acertado por ser parente =P).

Uma das contribui√ß√Ķes de Jos√© Leite Lopes foi a previs√£o de B√≥sons (part√≠culas com spin inteiro)¬† Vetoriais (spin diferente de zero) Neutros (sem carga) como um dos mediadores da for√ßa fraca, o que pavimentou a estrada para os trabalhos de unifica√ß√£o das for√ßas fraca e eletromagn√©tica por Steve Weinberg, Sheldon Glashow e Abdus Salam.

E aí? Esse foi muito difícil?

Físico(a) de Sexta 3

Vamos ver se o de hoje demora um pouquinho mais para ser adivinhado. ^^

Dica:

[1]: Limite.

Resposta:

Novamente, foi preciso apenas pouco mais de uma hora. Deixem comigo. O pr√≥ximo apenas algu√©m com um √ďtimo Google-fu vai acertar. Bom, eu tenho uma p√©ssima capacidade de memorizar rostos… ent√£o eu sempre acho que adivinhar um √© dif√≠cil… eheh

Enfim, o Físico da Semana é Subrahmanyan Chandrasekhar. Parabéns aos que acertaram, especialmente ao Ernane Lopes que foi o primeiro.

Entre suas contribui√ß√Ķes est√° o “Limite de Chandrasekhar”.

A “vida” de uma estrela pode acabar de v√°rias manerias, uma delas √© a forma√ß√£o de uma An√£ Branca. No fim do processo de evolu√ß√£o de uma estrela de massa entre 0,7 e 10 massas solares, a estrela expulsa suas camadas mais externas, sobrando apenas o n√ļcleo que n√£o √© mais capaz de produzir energia suficiente por fus√£o nuclear para contrabalancear a atra√ß√£o gravitacional. O nucleo colapsa sob a√ß√£o do pr√≥prio peso. Se o n√ļcleo possuir at√© 1,4 massas solares, entretanto, a press√£o de degenera√ß√£o dos el√©trons √© capaz de segurar o colapso. Esse limite de massa √© chamado de “Limite de Chandrasekhar” e o objeto formado √© chamado de An√£ Branca.

Acima desse limite, a press√£o de degenera√ß√£o dos el√©trons n√£o √© capaz de segurar o colapso. Se o n√ļcleo possuir de 1,5 a 3,0 massas solares, a press√£o de degenera√ß√£o dos n√™utrons poder√° segurar o colapso e se formar√° umas estrela de n√™utrons.

Chandrasekhar foi ainda homenageado através do satélite Observatório em Raios-X Chandra.

Um Soneto à Ciência

Science! true daughter of Old Time thou art!
Who alterest all things with thy peering eyes.
Why preyest thou thus upon the poet’s heart,
Vulture, whose wings are dull realities?

How should he love thee? or how deem thee wise?
Who wouldst not leave him in his wandering
To seek for treasure in the jewelled skies,
Albeit he soared with an undaunted wing?

Hast thou not dragged Diana from her car?
And driven the Hamadryad from the wood
To seek a shelter in some happier star?

Hast thou not torn the Naiad from her flood,
The Elfin from the green grass, and from me
The summer dream beneath the tamarind tree?

Edgar Allan Poe

Uma tradução:

CIÊNCIA! Do velho Tempo és filha predileta!
Tudo alteras, com o olhar que tudo inquire e invade!
Por que rasgas assim o coração do poeta,
abutre, que asas tens de triste Realidade?

Poderia ele amar-te, achar sabedoria
em ti, se ousas cortar seu voo errante e ao léu
quando tenta extrair os tesouros do céu,
mesmo que a asa se eleve ind√īmita e bravia?

Não furtaste a Diana o carro? E não forçaste
a Hamadríade do bosque a procurar, fugindo,
estrela mais feliz, que para sempre a esconda?

Não arrancaste à Ninfa as carícias da onda,
e ao Elfo a verde relva? E a mim, n√£o me roubaste
o sonho de verão ao pé do tamarindo?

O Eu-lírico julga que a Ciência tenha acabado com as fantasias do Poeta, e portanto demonstra agressividade contra ela.

Quantas n√£o s√£o as pessoas que pensam, da mesma forma que o poema acima, que saber demais tira a beleza das coisas?

Sobre isso, mais que apropriadamente, escreveu Richard Feynman certa vez:

Poets say science takes away from the beauty of the stars ‚ÄĒ mere globs of gas atoms. Nothing is “mere”. I too can see the stars on a desert night, and feel them. But do I see less or more? The vastness of the heavens stretches my imagination ‚ÄĒ stuck on this carousel my little eye can catch one-million-year-old light. A vast pattern ‚ÄĒ of which I am a part… What is the pattern or the meaning or the why? It does not do harm to the mystery to know a little more about it. For far more marvelous is the truth than any artists of the past imagined it. Why do the poets of the present not speak of it? What men are poets who can speak of Jupiter if he were a man, but if he is an immense spinning sphere of methane and ammonia must be silent?

E traduzindo porcamente:

Poetas dizem que a ci√™ncia tira a beleza das estrelas – meros globos de g√°s. Nada √© “mero”. Eu tamb√©m posso ver as estrelas √† noite e sent√≠-las. Mas eu vejo menos ou mais? A vastid√£o dos c√©us expande minha imagina√ß√£o – preso neste carrossel meu pequeno olho pode captar luz de um milh√£o de anos. Uma estrutura vasta – da qual eu fa√ßo parte… Qual √© a estrutura ou o significado ou o por qu√™? N√£o prejudica o mist√©rio saber um pouco mais sobre ele, porque a verdade √© muito mais maravilhosa do que qualquer artista do passado tenha imaginado. Por que os poetas do presente n√£o falam dela? Que pessoas s√£o os poetas que podem falar de J√ļpiter como se fosse um homem mas que se calam se for uma imensa esfera girante de am√īnia e metano?

E o que vocês acham?

Achei o vídeo no 3 Quarks Daily.

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