Ópera sobre nascimento da bomba atômica em cartaz em NY

cartaz da ópera Doctor Atomicus

cartaz da ópera Doctyor Atomicus

Estreou dia 13 de outubro no Metropolitan Opera House da cidade de Nova York uma nova montagem da ópera Doctor Atomicus, de 2005, com libreto de Peter Sellars e música de John Adams.

Leia o que meu compositor contemporâneo favorito diz sobre a sua obra, segundo ensaio de Dennis Overbye publicado no The New York Times:

“A bomba é uma constelação de tudo o que a América acredita”, disse recentemente Mr. Adams. Por um lado há a habilidade, o idealismo e a paixão na luta para derrotar o facismo. Por outro lado, há “a onerosa responsabilidade” de ter construido uma arma capaz de destruir toda a vida e então usá-la.

“É ying e yang, escuridão e luz”, ele diz. LINK

Anthony Tommasini afirma em sua resenha para o The New York Times estar impressionado com a complexidade da música:

Seções inteiras de escrita orquestral vibram com cores granulares, sonoridades nubladas e densidade textural. Mr. Gilbert [o maestro Alan Gilbert] expõe detalhes internos e elementos estratificados da música: fraseados obsessivos, acordes em aglomerados pungentemente dissonantes, linhas instrumentais solo elegíacas que vagam de maneira extrema por cima de ornamentações orquestrais nervosas e agitadas. Embora realçando as complexidades, ele nunca atrapalha a forma orgânica da música e seu impulso a frente. A tensão aumenta à medida que Mr. Adams empilha uma barulheira de ritmos imbatíveis e métricas fraturadas, com os acordes da orquestra explodindo em cacos de escombros harmônicos: chame isso de Minimalismo Atômico. LINK

Outras músicas de John Adams que adoro: Nixon in China, Harmonielehre , The Chairman Dances, Tromba Lontana, Short Ride in a Fast Machine, Fearful Symmetries, Lollapalooza , Violin ConcertoNaive  and Sentimental Music.

Adams escreveu uma autobiografia, resenhada recentemente no New York Times.

Richard Preston fala de jornalismo científico como literatura

Tapeçaria “O Unicórnio em Cativeiro”, 1495-1505, da coleção The Cloisters, Nova YorkTapeçaria "O Unicórnio em Cativeiro", 1495-1505, da coleção The Cloisters, Nova York

Uma aula para o escritor iniciante interessado em ciência é a entrevista que Richard Preston concedeu a Carl Zimmer. Confira na íntegra, no blog de Zimmer, The Loom.

Preston coemça dizendo que o que o interessa na ciência e o que ele precebe que também move os cientistas com quem conversou não é a mera compilação de fatos e teorias sobre o mundo. “Ciência tem haver a ver com mistério, com portas que nunca foram abertas e coisas que nunca foram antes vistas.”

Na marca dos 19 minutos de conversa, mais ou menos, Zimmer comenta que o novo livro de Preston, Panic Level 4, além de ser uma compilação de textos publicados originalmente na revista The New Yorker, pode ser lido como “o retrato de um escritor de ciência”. Zimmer então pergunta à Preston como ele se interessou por escrever sobre ciência. Preston conta que, enquanto completava seu doutorado em literatura na Universidade de Princeton, resolveu assitir ao curso de graduação “A Literatura do Fato”, ministrado por John McPhee. Preston se apaixonou pela própria noção de nonfiction writing, e percebeu o potencial de explorar por meio desse gênero literário os recantos mais obscuros e profundos da existência humana. Resolveu também dar vazão a sua antiga paixão pela ciência, escolhendo assuntos científicos.

Aos 26 minutos, Preston explica como a partir de suas entrevistas consegue construir uma narrativa no estilo dos diálogos interiores de James Joyce. Zimmer quer saber qual é o segredo para penetrar tão profundamente na mente dos entrevistados. “Carl, eu sou que nem a KGB, sem a tortura física. É uma questão de entrevistar, re-entrevistar e re-entrevistar…”

Zimmer e Preston se queixam da indisposição de muitos cientistas em falar sobre experiências pessoais, mesmo com relação ao trabalho.

Na coletânea Panic Level 4 há duas reportagens disponíveis para ler de graça no site da revista The New Yorker.

A mais recente, de 2005, “Capturing the Unicorn”,conta a história da restauração e documentação fotográfica da tapeçaria Unicórnio em Cativeiro. Para juntar corretamente o mosaico de fotos digitais de alta reolução da tapeçaria, os curadores do museu procuram os irmãos Chudnovsky, um par de gênios matemáticos que usa seu supercomputador para reconstituir a estrutura tridimensional do entrelaçamento dos fios da tapeçaria. Ao entrelaçar narrativas, descrições e explicações científicas, Preston provoca ressonâncias de emoções, sensações, idéias e símbolos por todo o texto, fazendo dele mesmo uma intrincada tapeçaria.

Os irmãos Chudnovsky foram também os protagonistas da reportagem “Mountains of Pi“, publicada em 1992. Embora não ache a forma do texto tão envolvente quanto a do Unicórnio, que escritor não venderia a alma para começar uma reportagem com a frase “Gregory Volfovich Chudnovsky recently built a supercomputer in his apartment from mail-order parts.“?

Acompanhando a história dos irmãos matemáticos que calculam dois bilhões de algarismos do número pi em um computador na sala de estar, conhecemos os personagens e o cenário da história em primeira mão. Posso ver o corredor escuro da casa de Gregory Chudnovsky, sem uma foto sequer ilustrando o artigo, e, em seguida, aprender mais sobre números transcendentais do que me ensinaram na graduação em física na USP.

A história dos irmãos Chudnovsky inspirou o excelente filme Pi, de Darren Aronofsky.

Buracos Negros, do PP ao XG

A capa da Science News desta semana é uma longa reportagem de Charles Petit sobre o trabalho da astrofísica Priyamvada Natarajan, da Universidade de Yale, que propõe um limite para a massa dos buracos negros do Universo. Se a análise controversa de Natarajan estiver correta, os buracos negros não conseguem comer matéria suficiente para engordar mais do que algumas dezenas de bilhões de massas solares.

Petit reporta que atualmente os astrofísicos consideram os buracos negros essenciais para entender a evolução das galáxias:

(…)Um novo paradigma em construção é que os buracos negros–em uma dança de auto-regulação mútua–podem influenciar quase tudo sobre a origem, forma e o destino final das galáxias. Por razões ainda não completamente compreendidas, parece que os tamanhos dos buracos negros centrais e as massas das suas galáxias, especialmente os bojos centrais, estão quase perfeitamente em compasso.

Assim como as peças de roupa, parecem existir apenas alguns tamanhos de buracos negros:

  • Buracos negros de massa estelar–entre 5 e 10 massa solares, formados do colapso de estrelas massivas. Tamanho aproximado de 30 km.
  • Buracos negros de massa intermediária–entre 100 e um milhão de massas solares, se formam supostamente da colisão e fusão de estrelas em aglomerados estelares densos. Tamanho aprox. de 60.000 km.

  • Buracos negros supermassivos–entre um milhão e alguns bilhões de massas solares, formados no centro das galáxias pela acresção de gás e pela colisão com buracos negros no centro de outras galáxias que colidem com sua galáxia hospedeira. Tamanho aprox. de 25 milhões de km.

  • Buracos negros ultramassivos–no máximo algumas dezenas de bilhões de massas solares, se formam da mesma maneira que os buracos negros supermassivos. Tamanho de aprox. de 60 bilhões de km.

Quando os buracos negros gigantes sugam o gás da galáxia, esse gás se aquece durante o processo. A teoria de Natajaran é que o gás de uma galáxia abrigando um buraco negro ultramassivo em seu centro pode ficar tão quente a ponto da sua agitação térmica impedir que ele caia dentro do buraco. A própria glutonaria do buraco impõe o fim de sua dieta.

Manual do cientista faminto

Vinho de romã, saleiro veleiro, origami de wonton, porta copos que muda de cor e lingerie comestível são as receitas do livro The Hungry Scientist Handbook selecionadas pela revista Wired deste mês:

Acha que sua cozinha é apenas uma estação de preparo e consumo de alimentos? Seu ludita. Equipada com água corrente, chama à gás e uma série versátil de ferramentas e substâncias químicas, ela é o local perfeito para testar suas idéias e montar invenções.LINK

A estréia da antimatéria na ficção científica

Um ensaio na revista Symmetry de setembro conta a história de uma das primeiras aparições da antimatéria em histórias de ficção científica. O físico William Higgins, do Fermilab, explica que o editor da revista Astounding Science Fiction (que ainda existe, chamada de Analog), John Campbell Jr., se interessou em 1941 por uma controvérsia entre cientistas, sobre a possibilidade de existirem asteróides feitos de antimatéria vagando pelo Sistema Solar.

A antimatéria havia acabado de surgir por acaso em uma nova teoria proposta por Paul Dirac, em 1928, para explicar o comportamento dos elétrons próximos à velocidade da luz, e sua existência havia sido recém descoberta por Carl Anderson, em 1932.

Assim como a matéria de que somos feitos, a antimatéria é composta de partículas subatômicas, chamadas de antipartículas. Para cada tipo de partícula, existe um tipo de antipartícula de mesma massa, com as suas características invertidas. Por exemplo, existe o elétron, que tem uma carga elétrica negativa; e existe o antielétron, com massa igual a do elétron e com a mesma carga elétrica, só que positiva. O próprio Paul Dirac imaginou que o antielétron poderia se juntar com um antinúcleo feito de antiquarks para formar antiátomos, que por sua vez se juntariam em antimoléculas, que constituiriam anticriaturas, que viveriam em antiplanetas, em volta de antiestrelas.

Hoje sabemos que o universo inteiro deve ser feito de matéria, enquanto a antimatéria existe apenas em minúsculas quantidades, somente por alguns instantes, durante colisões subatômicas de grande energia. Mas isso não estava claro na época–daí a controvérsia que chamou a atenção de Campbell.

Quando uma partícula colide com uma de suas antipartículas, as duas desaparecem. A energia do seu movimento e de suas massas são transformadas em uma explosão de novas partículas. Pode nascer praticamente qualquer tipo de partícula, desde que a energia da colisão seja suficiente. Partículas mais pesadas requerem mais energia para surgir e tendem a viver por menos tempo, logo se transformando em partículas de massa menor. É por isso que as partículas que mais surgem nessas explosões são as partículas de luz, chamadas de fótons, cuja massa é zero. Quando um fóton colide com outro, também ambos se aniquilam e, se a energia deles for suficiente, surgem pares de partículas e antipartículas.

Campbell pediu ao escritor Jack Williamson (1908-2006) um conto sobre astronautas que arriscavam a vida em órbita de asteróides feitos de antimatéria, para coletar a energia das colisões entre matéria e antimatéria.O resultado foi o conto Collision Orbit, publicado pela Astounding em 1942. Na história, o engenheiro protagonista usa um sistema de imãs que captura antimatéria sem encostar nela, evitando explosões. O mesmo princípio está por trás das atuais armadilhas de Penning, usadas nos laboratórios de partículas elementares para capturar e armazenar antipartículas.

Fiquei sabendo do ensaio via Boing Boing.

Professores de ciência: não percam a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Nesta semana acontecem em todo o Brasil inúmeros eventos de divulgação científica, em mais uma edição da já tradicional Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo governo federal. Confira a programação neste site.
Aqui em São Paulo, uma boa idéia para professores de ciências é levar suas turmas à Praça do Relógio, na Cidade Universitária da USP, onde monitores voluntários de vários institutos da universidade darão palestras e farão demonstrações.
Infelizmente, a própria USP não divulgou o evento. Não achei nada sobre a Semana em destaque no site da USP, nem no site da agência USP de notícias. Tsk, tsk, tsk…

A gravidade dos Thunder-thundercats, ooooooooooooooooh!

Hoje vou forçar a barra para divulgar um abaixo assinado que os fãs de Thundercats vão gostar.

É uma petição para que a Warner Bros. lançe em CD a trilha sonora original dos Thundercats, composta por Bernard Hoffer. Quem quiser participar, clique aqui.

Na mesma página da petição, dá para baixar uma versão completa do tema da Cheetara, gravada no lado B de um mini-disco de vinil lançado na França, nos anos 1980. O lado A desse disco é o tema de abertura do desenho, cantado em francês (baixe aqui).

Agora, com vocês, a forçada de barra: vamos a algumas considerações científicas sobre Thundercats.

Vocês sabiam que o compositor da trilha sonora dos Thundercats, conforme este artigo, é filho de Max Hoffer (1907-1983), químico que trabalhou durante décadas para o laboratório Hoffmann-LaRoche? Segundo obituário do NYT, o Dr. Hoffer detinha 35 patentes, entre elas a de um quimioterápico do tipo “sulfa”, a gantrisina, usado no tratamento de infecções, antes da chegada às farmácias da penicilina.

Meus colegas blogueiros mais versados em farmacêutica talvez possam comentar mais a respeito do uso indiscriminado de sulfas e dos eventos que levaram, nos anos 1930, à criação do órgão de regulamentação de remédios e alimentos dos EUA, o FDA.

Como ex-estudante de gravitação, meu dever é comentar um erro horrendo dos roteiristas dos Thundercats, cometido no episódio “Mandora e os Piratas”.

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Conheça os não ganhadores do Nobel deste ano

O anúncio dos ganhadores do Prêmio Nobel de 2008 coincidiu com minha última semana cobrindo férias na editoria de ciência da Folha de S.Paulo. Confesso que nunca liguei para a cerimônia, embora saiba que o Nobel tem um prestígio enorme fora da academia, junto ao grande público, e que o sonho de ganhar o prêmio mexe com alguns cientistas, a ponto de se tornarem obcecados pela honraria.

Pelo fato dos cientistas merecedores serem tantos e os critérios para selecionar os ganhadores sejam um pouco arbitrários (in)justiças históricas são cometidas com frequência pelo Nobel.

Vejam só, os casos de excluidos deste ano, que acompanhei escrevendo para a Folha. O Nobel de Medicina, por exemplo:

O comitê que escolheu a descoberta do HIV como um feito merecedor do Prêmio Nobel de Medicina de 2008 deixou de fora da lista o americano Robert Gallo, da Universidade de Maryland. A decisão deve encerrar uma antiga polêmica, já que Gallo, considerado por alguns cientistas um co-descobridor do vírus, chegou a ser acusado de se apropriar do trabalho de Luc Montagnier, um dos ganhadores da honraria.
O trabalho do americano usou uma amostra de vírus que teria sido retirada do laboratório do francês, no Instituto Pasteur, de Paris. O desvio nunca foi provado, mas um teste mostrou que o material usado por Gallo era geneticamente similar ao de Montagnier.
Da disputa acadêmica derivou um conflito entre ambos pela patente do teste de HIV, pedida por Montagnier e negada nos EUA (que a concederam a Gallo). O impasse foi resolvida por um anúncio conjunto entre o então premiê francês, Jacques Chirac, e Ronald Reagan, presidente dos EUA em 1987. Ambos os cientistas ficaram com os nomes na patente.
Ontem, o chefe do comitê de Medicina do Nobel, Jan Andersson, disse que a demora de 25 anos em dar o prêmio à descoberta do HIV se deveu em parte às dúvidas sobre primazia, já que Gallo publicou seu trabalho depois do rival. “Não nos baseamos só em publicações. Usamos outras fontes para dissecar quem fez o trabalho”, declarou Andersson.
Montagnier, hoje presidente da Fundação Mundial para Pesquisa e Prevenção da Aids, recebeu a notícia do prêmio na Costa do Marfim, onde participa de um congresso. Disse que desejava que o prêmio tivesse ido para Gallo também. “Ele mereceu tanto quanto nós.”
Gallo disse ontem de manhã ter ficado “desapontado”. Mais tarde, emitiu um comunicado se declarando feliz por seu “amigo de longa data, o dr. Luc Montagnier”. “Fiquei grato por ler o gentil comentário do dr. Montangier nesta manhã expressando que eu seria igualmente merecedor [do Nobel].”
Em entrevista concedida a Folha, em novembro de 2007, Gallo reconheceu que a equipe do Instituto Pasteur foi a primeira a descobrir o HIV, mas que teria usado idéias e técnicas desenvolvidas por ele.
“Se o Gallo tivesse ganho [o Nobel], eu ficaria desiludido”, comentou o virólogo Paolo Zanotto, da USP. “A comissão do Nobel fez muito bem em não premiar um biopirata.”
Munido de informações de bastidor, Zanotto acredita que Gallo tenha recorrido a um estudante seu em estágio no Pasteur para roubar amostras. Os testes genéticos bastam, para ele, como prova da apropriação.
“O HIV sofre mutações muito rápido. O vírus já é diferente dentro de um indivíduo, imagine em lugares diferentes do mundo”, explica Zanotto.
Segundo o jornalista John Crewdson, que investigou a disputa acadêmica para seu livro “Science Fictions” (2002), falhas no trabalho de Gallo custaram vidas. O teste criado inicialmente por Gallo, diz o livro, não era confiável. Sangue saudável para doação acabou descartado como material contaminado, diz, e pessoas infectadas receberam alta.

O Nobel de Física também causou polêmica:

A escolha do prêmio Nobel de física de 2008 foi mal recebida na Itália.
O físico Roberto Petronzio, diretor do Instituto Nacional de Física Nuclear da Itália, afirmou ao jornal romano “La Republica”: “Não posso negar que essa atribuição particular me enche de amargura: Kobayashi e Maskawa têm como único mérito a generalização, de outra forma simples, de uma idéia central cuja paternidade é do físico italiano Nicola Cabibbo”.
Realmente, os livros de física de partículas elementares costumam chamar a teoria premiada pelo Nobel de 2008 de “matriz de Cabibbo-Kobayashi-Maskawa”. O documento do comitê do Nobel que justifica a premiação menciona que o trabalho dos japoneses de fato começou com uma generalização de um estudo de Cabibbo, publicado em 1963.
Os físicos ouvidos pela Folha, porém, concordam que a generalização feita pelos japoneses e a conclusão de que ela implicava a existência de novos quarks e explicava a diferenças entre matéria e antimatéria foi longe de ser trivial.
“Prefiro não comentar o assunto”, disse à Folha Cabibbo, atualmente presidente da Academia de Ciências do Vaticano.

E a história do excluído do Nobel de Química é mais incrível ainda, como relata o Marcelo Leite em seu blog. Um repórter da rádio pública nacional dos EUA entrevistou dois dos ganhadores do Nobel de Química, Roger Tsien e Martin Chalfie:

O repórter ouviu de Tsien e Chalfie que não teriam feito seu trabalho sem a colaboração de Douglas Prasher, do mesmo MBL de Shimomura, que havia clonado o gene da GFP. “Clonar” um gene quer dizer localizar e reproduzir a seqüência específica de DNA com o conteúdo necessário para especificar uma determinada proteína, ou seja, o trecho sem o qual a célula não consegue produzir a proteína em questão.

Prasher cedeu o gene para Tsien e Chalfie, como aliás está registrado em material de contextualização preparado pela Academia Real Sueca de Ciências. O repórter da NPR começou a procurar Prasher, “atrás de um boa citação”. Terminou por encontrá-lo em Huntsville, Alabama. Fazendo sabe o quê? Dirigindo uma van para clientes de uma concessionária de veículos. Isso mesmo: trabalhando como motorista. Se entender inglês, não deixe de ouvir a matéria de Charles (o link pode ser encontrado aqui). É uma lição de jornalismo.LINK

Essas histórias do Nobel 2008 não são uma anomalia deste ano, como mostra esta galeria montada pela Scientific American, com os mais famosos não-ganhadores do Nobel.

Nobel, enfim, é como Oscar. Não vou entender nunca porque o compositor de música para filmes John Williams (1932- ) ganha o Oscar de melhor trilha sonora quase todo ano, e outro compositor tão bom, senão melhor que Williams, Jerry Goldsmith, (1929-2004), tenha ganho somente um Oscar, em 1976…

Geladeira “ecológica” de Einstein e suas outras invenções

Desenho da patente de Einstein e Szilard para projeto de geladeira. Crédito: domínio público

Engenheiros britânicos construiram um projeto de geladeira “ecológica” inventado por Albert Einstein . O mecanismo do refrigerador não tem partes móveis, e funciona sem eletricidade (via DiscoBlog).

Malcolm McCulloch, da Universidade de Oxford, construiu o protótipo da geladeira de Einstein como parte de um projeto de pesquisa para desenvolver aparelhos domésticos que não precisam de eletricidade para funcionar. O engenheiro pretende aperfeiçoar o design de Einstein, para torná-lo viável comercialmente. Vai usar gases diferentes do modelo original e painéis coletores de energia solar.

A geladeira é uma invenção de Einstein e de seu amigo, o físico Leo Szilard, patenteada em 1930. Funciona a base amônia, butano (gás de cozinha) e água. De um lado do aparelho fica um reservatório de butano líquido. Quando vapor de amônia entra no reservatório de butano, uma mudança na pressão do ar no reservatório faz com que o butano ferva. Ao fever, o butano extrai calor do ambiente, que esfria. A mistura de vapor de amônia e butano passa por canos contendo água. A amônia se mistura na água e se separa do butano, e logo os gases estão prontos para um novo ciclo. A energia para os ciclos pode vir de qualquer fonte de calor.

A patente da geladeira de Einstein-Szilard chegou a ser comprada pela Electrolux, mas nunca foi construída, porque não é tão eficiente quanto os refrigeradores que funcionam a base de compressão de gases freon, usados atualmente.

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O Mundo visto de cima (e os cortiços de São Paulo…)

Terreno montanhoso próximo a Maelifellssandur, região de Myrdalsjökull , Islândia (63°51’N, 19°18’W). Foto de Yann Arthur-BertrandTerreno montanhoso próximo a  Maelifellssandur, região de Myrdalsjökull , Islândia (63°51'N, 19°18'W). Foto de Yann Arthur-Bertrand

O fotógrafo francês Yann Arthus-Bertrand apresenta as fotos de sua série “Terra vista de cima” em Nova York, segundo o Boston Globe, ( via Seed Daily Zeitgeist).

As fotos maravilhosas podem ser vistas e baixadas no site do fotógrafo. Entre as magníficas fotos da série, que incluem panoramas de savanas, florestas, mares árticos e antárticos, achei duas fotos de de São Paulo, que merecem atenção. Traduzi as legendas originais em inglês. É bom ver o lugar que a gente mora com o olhar de alguém de fora.

Mais de 5 milhões de "paulistanos"--residentes de São Paulo, Brasil--vivem em subúrbios de classes trabalhadoras em edifícios lotados conhecidos como "cortiços". Os distritos de trabalhadores ilustram as mudanças que vêm acontecendo em São Paulo desde que a cidade cresceu de 250 mil habitantes em 1900 para 26 milhões hoje. Atualmente o maior centro urbano do Brasil e da América do Sul, essa megalópolis ocupa 8 mil quilômetros quadrados, mais que três vezes o tamanho da grande Paris. É o lar de 41% da indústria brasileira, fornece metade das mercadorias manufaturadas do país, e abriga 45% da força de trabalho brasileira. Mesmo assim, desde 1970 outro tipo de residência tem se espalhado aqui na cidade mais próspera do país: "favelas", que hoje abrigam 20% dos paulistanos. A crescente desigualdade entre ricos e pobres, junto com o atendimento de suas carências sociais, é  um problema em todo o país e o continente inteiro. Crédito: ©2008 yannarthusbertrand2.org

Mais de 5 milhões de “paulistanos”–residentes de São Paulo, Brasil–vivem
em subúrbios de classes trabalhadoras em edifícios lotados conhecidos
como “cortiços”. Os distritos de trabalhadores ilustram as mudanças que
vêm acontecendo em São Paulo desde que a cidade cresceu de 250 mil
habitantes em 1900 para 26 19,9 milhões hoje. Atualmente o maior centro
urbano do Brasil e da América do Sul, essa megalópolis ocupa 8 mil
quilômetros quadrados, mais que três vezes o tamanho da grande Paris. É o
lar de 41% da indústria brasileira, fornece metade das mercadorias
manufaturadas do país, e abriga 45% da força de trabalho brasileira.
Mesmo assim, desde 1970 outro tipo de residência tem se espalhado aqui
na cidade mais próspera do país: “favelas”, que hoje abrigam 20% dos
paulistanos. A crescente desigualdade entre ricos e pobres, junto com o
atendimento de suas carências sociais, é um problema em todo o país e o
continente inteiro. Crédito: ©2008 yannarthusbertrand2.org

Where Jesuits founded a small mission in 1554, there now rises the continent's largest megalopolis, with at least 26 million inhabitants. The city, which already covers 8,000 square kilometers (3,100 square miles)--an area little more than half the size of the state of Connecticut--is growing at the rate of 60 square kilometers (25 square miles) per year. It is growing upwards too, its lower houses having been replaced first by the predio alto (multi-story buildings), then the edificio (towers), and finally the proud arranha ceu (skyscrapers). Inevitably, this concentration of people has brought an influx of cars and traffic jams which, equally inevitably, have worsened air pollution. In this respect the air in São Paulo has become as unbreathable as that in Mexico City, which is vulnerable because of its altitude, and in Athens, where the inversion of air currents causes the toxic greenish  smog to stagnate. In London, the smog which brought with it bronchitis, asthma, and fatal lung diseases disappeared after a law passed in the 1960s made filters in chimneys compulsory. Will anyone ever have the courage to regulate use of the car, the goddess of modern times, and thus dramatically reduce pollution?

Onde os jesuitas fundaram uma pequena missão em 1554, agora se
ergue a maior megalopolis do continente, como pelo menos 26 milhões de
habitantes. A cidade cresce a uma taxa de 60 quilômetros quadrados por
ano. Ela cresce para cima também, suas casas térreas primeiro
substituidas por “prédios altos”, depois por “edifícios” e finalmente
pelos orgulhosos “arranha-céus”. Inevitavelmente, essa concentração de
gente trouxe um influxo de carros e engarrafamentos que, igualmente
inevitáveis, pioraram a poluição do ar. Com respeito a isso, o ar de São
Paulo tem se tornado tão irrespirável quanto o da cidade do México, que
é vulnerável por causa de sua altitude, e o de Atenas, onde a inversão
das correntes de ar faz o smog esverdeado estagnar. Em Londres, o smog
que trazia consigo a broquite, a asma, e doenças fatais do pulmão
desapareceu depois que uma lei aprovada nos anos 1960 tornou os filtros
nos escapamentos obrigatórios. Haverá um dia alguém com a coragem de
regular o uso do carro, a deusa dos tempos modernos, e assim reduzir
dramaticamente a poluição? Crédito: ©2008 yannarthusbertrand2.org

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