Guia da Prática Impostora, Lição 001: Os Princípios da Impostura

Seja bem vindo, caro leitor.

Esta é a primeira de muitas lições que trarão para mais perto do leigo, e do impostor iniciante, toda a glória, fama e fortura do mundo da impostura. A partir do momento em que por em prática as lições deste guia seus livros venderão mais, você será convidado para mais programas de TV e sua conta bancária será muito mais recheada. Seu sucesso como impostor depende totalmente disso.

As lições deste guia trazem o SEGREDO que todos os grandes impostores guardam a sete chaves.

Como todo bom livro deve primeiro introduzir devidamente o assunto, iniciaremos nossas lições mostrando os PRINCÍPIOS que todo impostor deve ter em mente no desenvolvimento de sua prática.

A idéia mais fundamental da impostura é a que segue:

Axioma Fundamental da Factualidade: Toda Impostura é Factual. Todo o Universo funciona exatamente como ela o descreve. Não é aproximativa, mas exata.

Parece um pouco forte? Pois é. Afirmações categóricas são sempre mais fáceis de serem confrontadas, então, como não queremos que os céticos chatos nos persigam, o Axioma acima pede o teorema:

Teorema da Pseudo-Factualidade: O número de afirmações factuais de uma impostura é inversamente proporcional ao número de dados que a contradigam.

Ou seja, quando confrontada com informações que a provam falsa, uma afirmação impostora deve passar imediatamente de Factual a Metafórica.

E é como base no Teorema acima que podemos postular o:

Princípio da Complitude e Não-Refutabilidade: Toda Impostura é Completa. Não há necessidade de modificação do Núcleo da teoria frente a novos dados e novos dados não são capazes de refutá-la. Todo novo dado pode ser torcido até ser encaixado na impostura.

Então não devemos temer novos fenômenos. O princípio acima nos garante que temos sempre meios de desvirtuar novos dados a nosso favor. Como o princípio acima segue do Teorema da Pseudo-Factualidade, modificações no caráter das afirmações (de factual a metafórico) não são consideradas modificações no núcleo da teoria, e assim podemos sempre argumentar que nossa impostura é válida por ser extremamente antiga ou por ter se mantido a mesma por tanto tempo, o que garante credibilidade do ponto de vista do leigo.

Além disso, como o princípio acima nos garante que qualquer dado pode ser explicado à luz da impostura, seguem as seguinte consequências:

(1) Oni-Aplicabilidade: Uma Impostura é aplicável a qualquer fenômeno e situação.

(2) Não-Contradição: Nenhuma Impostura entra em contradição com qualquer outra.

A consequência (1) nos mostra que para qualquer fenômeno há pelo menos UMA impostura que pode explicá-lo. Essa consequência é de fácil demonstração nos termos dos argumentos anteriores, deixamos então como exercício ao leitor.

Nos sobra então a consequência (2), que pode ser provada com base no seguinte argumento:

Sejam duas imposturas A e B. Suponha que A faça a afirmação A¹ sobre um fenômeno X. A Afirmação A¹ é a priori Factual, Completa e Não-Refutável. Tome agora uma afirmação B¹ de B também sobre X. B¹ também é a priori Factual, Completa e Não-Refutável. A¹ e B¹ seriam então necessariamente contraditórias, e umas delas deveria ser refutada pela outra, o que é absurdo. Entretanto, o Teorema da Pseudo-Factualidade nos garante que sempre podemos mudar o status de uma afirmação. Então, se fazemos A¹ e B¹ tal que sejam Metafóricas garantimos que elas não apresentarão contradição entre si, mantendo válido o Princípio da Complitude e Não-Refutabilidade. E portanto a consequência (2) está provada.

Segue então o:

Teorema da Complementaridade: Dado que toda Impostura é Oni-Aplicável e Não-Contraditória, todas as Imposturas são complementares entre si e aplicáveis simultaneamente a qualquer fenômeno.

Que é uma conclusão evidente do desenvolvimento que seguimos até aqui. Dado um fenômeno X qualquer e um conjunto de N imposturas, o Teorema acima nos garante que todas as N são aplicáveis simultaneamente a X.

O leitor perspicaz já deve ter percebido que chegamos a uma conclusão estranha. Se todas as imposturas são Completas, Não-Refutáveis, Oni-Aplicáveis, Não-Contraditórias e Complementares, então sempre podemos reduzí-las a uma única Impostura!

Princípio da Unificação das Imposturas: Dado um conjunto de N imposturas, é sempre possível, sem perda de generalidade, ignorar as características individuais em prol das características de seu comportamento unificado.

À primeira vista, o princípio acima parece prejudicar toda a prática impostora, não é? Pois o caso é exatamente o oposto. É uma consequência da Unificação das Imposturas o:

Teorema da Escolha: Não importa qual impostura escolhamos para exercer, há sempre uma chance não-nula de que ela seja bem sucedida devido às características do comportamento unificado. Assim como podemos substituir a prática de uma impostura por outra sem qualquer perda.

São as caracteristicas do comportamento unificado que tornam uma impostura bem sucedida, não suas caracteristicas individuais.

Podemos ainda identificar as características do comportamento unificado como sendo o Núcleo da impostura citado pelo Princípio da Complitude e Não-Refutabilidade. E vemos assim porque não podemos modificá-lo. Se o fizermos, perdemos a garantia de sucesso da impostura escolhida.

Neste guia apresentaremos essas características unificadas de forma clara e didática, facilitando a tarefa do aspirante a impostor que poderá escolher uma impostura entre as dezenas de exemplos que traremos ou mesmo criar sua própria.

Aproveitem as lições já publicadas e até a próxima.

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