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Micro/Macro: a união faz a força!

Imagem de micro e macro-organismos do quadrinho “Mikromakro” de Jens Harder

Com um telesc√≥pio n√≥s conseguimos observar corpos celestes imensos que est√£o muito distantes, mas que mesmo assim nos causam assombro. J√° com um microsc√≥pio √© poss√≠vel observar a -abundante- vida min√ļscula que nos cerca, mas que passa despercebida pela maioria de n√≥s…

Escalas.

Para quem viaja: a escala é um ponto de parada.

Na m√ļsica: √© um grupo de notas musicais.

Na matem√°tica: √© uma raz√£o entre grandezas que permitem uma compara√ß√£o; e √© exatamente esse conceito, matem√°tico, que iremos usar neste post. Isso porque vamos falar de organismos que, se tivessem lemas, seriam: ‚Äútamanho n√£o √© documento‚ÄĚ e “a uni√£o faz a for√ßa”, uma vez que seu tamanho √© insignificante perto da dimens√£o do planeta Terra (comparando os tamanhos estamos usando o conceito matem√°tico!), e que unidos eles s√£o extremamente imporntantes para a manuten√ß√£o de ciclos globais .

Imagem de bact√©rias do quadrinho “Mikromakro” de Jens Harder

Micro-organismos. Apesar de serem pequenos (menores que 1-2 mm), s√£o muito abundantes. Abund√Ęncia aqui significa que temos muitos indiv√≠duos, do mesmo tipo de organismo (em biologia existe uma grande diferen√ßa entre abund√Ęncia e diversidade. Mas esse √© um tema para um pr√≥ximo post.) E √© a abund√Ęncia que os torna extremamente significativo¬†na manuten√ß√£o de diversos ciclos do nosso planeta, como o ciclo do Carbono, por exemplo. N√£o faz muito tempo se dizia, inadvertidamente, que a Floresta Amaz√īnica era o pulm√£o do planeta; j√° ouviu isso alguma vez? Pois √©, e deve ter ouvido tamb√©m que n√£o √© bem assim que a coisa funciona… que a raz√£o O2/CO2 √© mais controlada por micro-organismos fotossintetizantes extremamente abundantes que vivem nas √°guas do mar (lembrando que o mar recobre cerca de 70%¬†da superf√≠cie do nosso planeta, o que sugere que estes organismos min√ļsculos tem um ambiente ‚Äďbastante‚Äď espa√ßoso para viver) e que o CO2 produzido na Amaz√īnia tamb√©m √© consumido por ali mesmo, n√£o tendo tanto efeito mundial quanto se pensava.

Bom, por mais que eles sejam pequenos, eles est√£o sujeitos aos mesmos processos sofridos por¬†qualquer outro organismo na superf√≠cie terrestre, o que significa que a maioria, ao completar seu ciclo de vida, √© decomposta e seus constituintes retornam ao sistema, como aquela famosa frase de Lavoisier (1743-1794): ‚Äúna natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma‚ÄĚ. Mas, claro, alguns acabam escapando a esta norma, passam por processos f√≠sicos e qu√≠micos que os preservam nas rochas e formam o que chamamos de microf√≥sseis. Os microf√≥sseis podem ser organismos inteiros de tamanho diminuto (como foramin√≠feros, radiol√°rios, dinoflagelados, algas), ou ent√£o, s√£o partes pequenas de organismos maiores. Para exemplificar este √ļltimo caso, pense que o p√≥len (micro) produzido por algumas plantas (macro) s√£o partes pequenas (c√©lulas reprodutivas) delas. P√≥lens f√≥sseis s√£o extremamente comuns no registro (de determinado per√≠odo em diante, neste caso do Devoniano¬†at√© os dias atuais) e seu estudo se chama paleopalinologia.

Você pode pensar que achar microfósseis deve ser extremamente difícil pois eles são muito pequenos. Mas, na realidade, como são -em geral- abundantes, os paleontólogos que trabalham com microfósseis são muito sortudos e não precisam levar grandes quantidades de rochas para o laboratório. Um pouco só (algumas gramas) já é o suficiente para se observar algumas centenas de indivíduos, utilizando um microscópio, claro.

Bem, j√° falamos que os micro-organismos s√£o importantes pois s√£o abundantes e que podem gerar f√≥sseis. Pense sobre essas duas propriedades (abund√Ęncia + f√≥sseis) e misture-as com o tempo geol√≥gico: milhares de micro-organismos ao longo de centenas de ambientes diferentes que se sucederam ao longo das centenas de milhares de anos do tempo geol√≥gico. Pronto. √Č bastante material¬†para que os micropaleont√≥logos trabalhem, n√©? As varia√ß√Ķes ambientais ocorridas ao longo do tempo podem ser detectadas pelo estudo de microf√≥sseis, cada grupo estudado fornecendo um dado importante sobre o paleoambiente em que viveu.

Vamos aproveitar que este é o primeiro post de 2017 e aplicar o lema dos microfósseis em nossos dias daqui pra frente... a união faz a força! 
Que consigamos nos unir para melhorar nosso país; cada um fazendo a sua parte, para o bem de todos. E que a ciência no Brasil não esmoreça. Feliz 2017!