Arquivo mensais:setembro 2017

F√≥sseis e fotografia… fale-me o que voc√™ sabe sobre

Fotografia e fósseis. Tem relação?

CLICK! e pronto, temos uma imagem digital gravada no celular. As resolu√ß√Ķes variam de aparelho para aparelho (o tamanho do sensor faz muita diferen√ßa!); a maioria das pessoas nem pensa mais em imprimir as imagens para montar um √°lbum f√≠sico. Muitos jovens nunca tiveram que esperar para ter seu filme de 36 poses revelado. O mundo digital nos rodeia, n√£o √©? mas isso nem sempre foi assim…

Imaginem a revolução que foi, lá pelo final do séc. XVIII, quando a fotografia (o processo era chamado na época de daguerreotipia) foi inventada.

(PAUSA)

Vamos lá, pegue seu celular e abra seu álbum de fotos. Você fotografa o quê? Acredito que a maioria de nós fotografe momentos que consideramos importantes. Que desejamos que sejam guardados por mais tempo. Possivelmente para contarmos uma história, mesmo que seja só para nós mesmos.

(RETORNO)

O surgimento da fotografia n√£o foi diferente. Seu uso e aplica√ß√£o, na √©poca, teve muita rela√ß√£o com a possibilidade de reproduzirmos a natureza que nos rodeia, de modo fiel. Em coment√°rio sobre a obra de Talbot, primeiro fot√≥grafo a publicar um livro com fotografias, o artigo traz que …“a fotografia de Talbot nos possibilita legar √†s gera√ß√Ķes futuras a luz do sol do passado” (Hacking, 2012).

A luz do sol do passado! Filosófico, não?

História, passado, (re)produção da natureza. Só eu pensei em fósseis?

√Č claro que, hoje, a fotografia possui muitas vertentes e nem sempre √© exatamente, ou tem como este fim, o retrato da realidade (na arte, por exemplo, isso nem sempre √© verdadeiro). Mas imaginem que quando ela foi criada as pessoas se viram maravilhadas com os seguintes fatos:

– ter cole√ß√Ķes de museus guardadas em imagens, e que estas poderiam ser trocadas entre diferentes centros de pesquisa, com fins cient√≠ficos e de divulga√ß√£o;

– ter acesso a estas imagens sem o risco de estragar os exemplares originais de amostras de qualquer coisa que fosse, sendo um cientista ou n√£o.

Isso √© basicamente o que estamos vendo hoje com a revolu√ß√£o das impressoras 3D, n√£o √©? Possibilidades imensas de divulga√ß√£o de acervos de f√≥sseis ou artefatos humanos, por exemplo, antes restritos aos sal√Ķes dos mais renomados museus, e aos olhos de poucos estudiosos. Hoje n√£o basta mais ter duas dimens√Ķes. Agora precisamos ter 3 e sair imprimindo por a√≠ (hehe…). Mas os objetivos s√£o os mesmos!

Sim, fotografia e fósseis andam juntos desde o início dos tempos, ambos contando sua própria história, (re)produzindo a natureza e maravilhando a todos nós!

 

Referência

Hacking, J. Tudo sobre fotografia. Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2012.

Carlotta Joaquina Maury, Princesa dos fósseis do Brazil

Carlotta Joaquina Maury (1874-1938), paleontóloga americana;

Seguir uma carreira cientifica sempre foi um desafio  para as mulheres. Ter uma carreira cientifica é só o primeiro passo. Nossas colegas sofrem problemas de aceitação pelos colegas homens, via de regra são preterida para cargos mais importantes, e em geral possuem remuneração menor.

Ser pioneira numa carreira cientifica, portanto, ¬†sempre foi um grande desafio. ¬†√Č necess√°rio muitas vezes mais trabalho e mais atitude que o normal para conseguir a mesma coisa que um colega homem. As pioneiras n√£o tem vida f√°cil.

A paleont√≥loga americana Carlotta Joaquina Maury (1874 ‚Äď 1938) foi uma destas pioneiras. Durante sua carreira, Carlotta fez contribui√ß√Ķes fundamentais na paleontologia e na estratigrafia do Per√≠odo Terci√°rio, trabalhando com moluscos f√≥sseis. Tamb√©m trabalhou com f√≥sseis do Brasil, tendo realizado estudos importantes em diversas bacias sedimentares.

Carlotta era a quarta filha do reverendo Mytton Maury e de Virginia Draper. Carlotta Joaquina recebeu seu nome de sua av√≥ materna, Carlota Joaquina de Paiva Ferreira. Carlota Joaquina Ferreira era ¬†uma dama da corte portuguesa, que casou no Rio de Janeiro com o m√©dico brit√Ęnico Daniel Gardner (Saiba mais aqui).

A fam√≠lia Maury era uma fam√≠lia de cientistas. Um primo de Carlotta, ¬†Matthew Fontaine Maury (1806-1873) foi um importante ge√≥grafo americano. Seu av√ī materno John William Draper (1811-1882) foi um f√≠sico not√°vel, tendo inclusive contribu√≠do com os prim√≥rdios da fotografia. A irm√£ mais velha de Carlotta, Ant√īnia Caetana Maury (1866-1952), foi astr√īnoma, tendo trabalhado com Henry Pickering no grupo de mulheres que identificou cerca de 10.000 estrelas.

O reverendo Maury era tamb√©m um ge√≥grafo amador, tendo publicado a revista ‚ÄúMaury¬īs Geographical Series‚ÄĚ entre 1875 e 1895. Sua m√£e, Virginia Draper, tinha talentos art√≠sticos, e influenciou fortemente os filhos para a carreira cient√≠fica. Carlotta cresceu neste meio, tendo sido natural a sua atra√ß√£o pela paleontologia.

Carlotta estudou no Radcliffe College, na Universidade de Columbia, tendo sido uma das primeiras mulheres a estudar na instituição. Obteve seu PhD em 1902 na Universidade Cornell, em Ithaca, Nova Iorque. Esteve também entre as primeiras mulheres a se tornarem doutoras em Cornell

Logo ap√≥s seu doutorado, Carlotta foi professora em diversas universidades. Entre elas, trabalhou como assistente em Col√ļmbia nos Estados Unidos. Mas sua maior experiencia como professora foi no Huguenotte College e na University of the Cape of Good Hope, na √Āfrica do Sul. Nunca conseguiu trabalhar como professora em Cornell, onde fez seu PhD.

Neste per√≠odo estavam surgindo as primeiras ¬†pesquisas com microf√≥sseis. O estudo destes pequenos organismos, obtidos atrav√©s de sondagens profundas para petr√≥leo, provocou uma verdadeira revolu√ß√£o na paleontologia. Logo que Carlotta come√ßou a trabalhar com microf√≥sseis, ¬†foi convidada para trabalhar como consultora pela ind√ļstria do petr√≥leo. Pelo resto de sua vida, seu trabalho esteve ligado √† pesquisa aplicada para as companhias petrol√≠feras.

Carlotta Maury no Laboratório de Paleontologia em Cornell (NY), data desconhecida (Arnold, 2014)

Em 1911 Carlotta fez parte de uma expedi√ß√£o √† Venezuela, patrocinada pela General Asphalt Company.¬†Em 1916 ela mesmo liderou a sua pr√≥pria expedi√ß√£o para a Rep√ļblica Dominicana. Essa foi uma das primeiras expedi√ß√Ķes cientificas lideradas por mulheres, o que quebrou in√ļmeros paradigmas.

Num período de intensa violência política na ilha caribenha, a expedição cientifica liderada por Carlotta fez um importante trabalho de levantamento e catalogação de fósseis. Este trabalho, publicado em diversos periódicos, tornou-se referência na área de moluscos terciários. Alguns destes trabalhos ainda estão à venda na Amazon (Deixe Jeff Bezos mais rico aqui).

Por volta de 1920,   Carlotta Joaquina Maury começou a sua colaboração com o Serviço Geológico Geológico e Mineralógico do Brasil (SGMB). Sua primeira ligação com o SGMB veio através de seu primeiro diretor, o geólogo americano Orville Derby (1851-1915).  Como Carlotta, Derby também estudou em Cornell, o que também deve ter facilitado o contato entre ambos.

Carlotta Joaquina Maury era uma paleontóloga já bastante reconhecida por seu trabalho com moluscos terciários quando começou a trabalhar com o SGMB. Para o Serviço Geologico, no entanto, a especialização de Carlotta nunca foi considerada.  Seu contato do SGMB, o geólogo Luciano Jacques de Moraes, lhe enviava fósseis de quaisquer tipos e procedências.

Carlotta nunca recusou as encomendas, e obrigou-se a trabalhar com espécimes e idades que lhe eram desconhecidas. Para isso, nunca deixava de recorrer a seus colegas especialistas. Com resultado, ela realizou diferentes trabalho com estratigrafia desde o siluriano até o pleistoceno, trabalhando com faunas as mais diversas possíveis.

A principal contribui√ß√£o de Carlotta Joaquina Maury √† geologia brasileira foi a publica√ß√£o “Fosseis Terciarios do Brazil com Descrip√ß√£o de Novas Formas Cretaceas “(Maury, C. J. 1924‚Äď1925). Neste trabalho, Carlotta relaciona in√ļmeras esp√©cies de moluscos do litoral nordestino, realizando a correla√ß√£o estratigr√°fica destas faunas com faunas similares do Caribe e do Golfo do M√©xico. Para Carlotta, os fosseis terci√°rios brasileiros eram o centro original a partir dos quais deriva a fauna caribenha.

Para explicar a dispers√£o de f√≥sseis em diversos continentes, Carlotta usava a teoria das “Pontes Continentais“. As tais ¬†‚ÄúPontes Continentais‚ÄĚ eram eleva√ß√Ķes do fundo do oceano, altas o suficiente para permitir a passagem de animais e plantas ¬†de um continente para outro. ¬†Antes da aceita√ß√£o da teoria da deriva continental proposta por Alfred Wegener, as “pontes continentais” eram a principal explica√ß√£o para o fen√īmeno.

As pontes continentais eram a explica√ß√£o para a dispers√£o geogr√°fica de especies por oceanos profundos; na figura est√£o representadas as pontes continentais mais aceitas no tempo de Wegener ( e de CJ Maury…)

Carlotta Joaquina Maury foi uma extraordinária paleontóloga e estratígrafa, tendo obtido  reconhecimento e respeito por seus pares. Tinha a reputação de ser extremamente eficiente e enérgica. Em geral, cumpria os prazos que lhe eram dados com presteza e dedicação. Com tudo isso, não é de estranhar que tenha sido uma das primeiras consultoras independentes trabalhando com as empresas petrolíferas.

Capa de uma publicação de CJ Maury sobre os fósseis do Nordeste brasileiro (1934)

Da mesma forma, tinha uma condi√ß√£o econ√īmica privilegiada, o que facilitou as decis√Ķes que tomou ao longo de sua vida.

No entanto, como diversas mulheres cientistas de seu tempo, Carlotta Joaquina Maury precisou abdicar de sua vida pessoal para ter uma carreira cientifica. Para a paleobot√Ęnica americana ¬†Winifred Goldring (1888-1971), as cientistas mulheres podiam combinar vida pessoal e carreira “somente em casos excepcionais“. A irm√£ de Carlotta, Ant√īnia Caetana Maury, influente astr√īnoma, tamb√©m teve uma vida celibat√°ria.

Carlotta também não foi bem sucedida em sua carreira como professora, sempre assumindo papeis subordinados. Nos Estados Unidos, conseguia ser somente assistente. O magistério superior só lhe foi permitido em locais distantes, como a Africa do Sul.

No entanto, sua energia e sua força, aliada a seu grande conhecimento cientifico, lhe trouxe reconhecimento ainda em vida.  O fato de ter se mantido durante tanto tempo sempre com encomendas das companhias petrolíferas e dos Serviços Geológicos mostra isso.

Carlotta tamb√©m era uma profissional que n√£o tinha medo de campo. Sempre que poss√≠vel, estava coletando fosseis e fazendo trabalhos de pesquisa longe dos laborat√≥rios. A expedi√ß√£o para S√£o Domingos, que liderou, foi tamb√©m um exemplo. Ela tinha energia e auto-estima para realizar expedi√ß√Ķes sem esperar por autoriza√ß√£o de chefes e colegas.

Moluscos Mesozoicos no livro de Maury (1934)

Quanto ao Brasil, embora nunca tenha estado aqui, Carlotta também deixou sua marca. Seus trabalhos sobre a paleontologia e estratigrafia de diversas bacias sedimentares brasileiras são ainda de grande valor cientifico. Seu trabalho para o SGMB foi sem duvida muito importante.

Sua morte veio em 1938, após uma longa doença que só a abateu nos momentos finais. No ano seguinte, o geólogo C.A. Reeds  publicava o Memorial de Carlotta Joaquina Maury  nos anais da Sociedade Geologica Americana, louvando seu papel como grande conhecedora das faunas terciárias do golfo do México, Venezuela e Brasil.

Apesar de ter nome de rainha, Carlotta foi uma cientista. E das boas. Da mesma forma, embora n√£o tenha nunca ocupado tal papel, seu nome e sua energia nos fazem pensar em Carlotta n√£o como rainha, mas como uma princesa.

Carlotta Joaquina, Princeza dos fósseis do Brazil .

PARA SABER MAIS:

Arnold, Lois. “The Education and Career of Carlotta J. Maury: Part 1.”¬†Earth Sciences History¬†28.2 (2009): 219-244.

Arnold, Lois. “The Education and Career of Carlotta J. Maury: Part 2.”¬†Earth Sciences History¬†29.1 (2010): 52-68.

Aldrich, Michele. “Women in paleontology in the United States 1840-1960.”¬†Earth Sciences History¬†1.1 (1982): 14-22.

O QUE TEM A VER: O MEU CAF√Č DA MANH√É, O P√ÉO DA POMP√ČIA E OS FUNGOS PRIMORDIAIS?

De manh√£ uma coisa muito boa √© tomar um caf√© com um p√£o quentinho rec√©m-sa√≠do do formo. Esse pequeno prazer vem desde h√° muito tempo. Existem registros de que os romanos que habitavam a cidade de Pompeia (localizada ao Sul de It√°lia, pr√≥xima da N√°poles) j√° disfrutavam dele. Pomp√©ia √© umas das cidades do mundo antigo mais famosas por ter sido soterrada durante a erup√ß√£o do vulc√£o Ves√ļvio no m√™s de agosto do ano de 79 antes de Cristo. Como sei que os habitantes de Pomp√©ia gostavam de p√£o quente? Porque toda a cidade ficou soterrada por uma camada rocha (o nome dessa rocha √© lapilli) de 7 a 8 metros de espessura. Dessa forma, dentro de um forno de umas das padarias da cidade ficou preservado um p√£o que chegou at√© os dias de hoje, podemos dizer que, ‚Äúfossilizado‚ÄĚ. Esse p√£o foi estudado por pesquisadores ingleses, que descobriram a receita e hoje em dia √© poss√≠vel fazer p√£o em casa √† moda de Pomp√©ia e desfrutar do prazer do p√£o quente. N√≥s, em casa, j√° fizemos v√°rias vezes seguindo as instru√ß√Ķes do mestre Johannes que pode ser vista no seu blog http://massamadreblog.com.br/postagem/pao-de-pompeia.

P√ÉO DE POMP√ČIA.
A. P√£o encontrado nas escava√ß√Ķes de Pomp√©ia; B. Forno de uma padaria de Pomp√©ia e C. P√£o na moda de Pomp√©ia feito em casa

Fora os p√£es ‚Äúf√≥sseis‚ÄĚ de Pomp√©ia s√£o conhecidos os moldes dos moderadores, cachorros, gatos etc, que ficaram preservados e tiveram uma morte r√°pida embora terr√≠vel, pois o vulc√£o Ves√ļvio, fica a 7 km da cidade. Essa trag√©dia aconteceu primeiro com uma enorme coluna de fuma√ßa e cinzas sendo expelida pelo vulc√£o e espalhada. A seguir os piroclastos (ou ‚Äúbombas‚ÄĚ, que s√£o fragmentos de rocha expelidos durante a erup√ß√£o) causaram o maior dano. Em Pompeia, a queda maci√ßa de cinzas causou a queda de muitos telhados e durante a segunda fase, pessoas e animais foram mortos por ficarem expostos √†s altas temperaturas da lava, mesmo que distante, ou por serem sufocados pelas cinzas, enfim um final tr√°gico para uma cidade e para muitos dos seus 12.000 habitantes.

Vulc√£o Ves√ļvio visto do porto de N√°poles (A) , vulc√£o visto das ru√≠nas de Pomp√©ia (B) ¬†e um molde de uma vitima (C). A seta vermelha em (A) e (B) indica o vulc√£o Ves√ļvio.

Os corpos dos habitantes, na verdade, n√£o podem ser considerados f√≥sseis, pois o que voc√™ v√™ s√£o os moldes feitos pelos arque√≥logos nos espa√ßos que os tecidos moles dos corpos deixaram ao se decompor. Essas camadas, por serem constitu√≠das de um material fino (como argila), permitiram que os ossos permaneceram no local, e na verdade at√© a express√Ķes dos seus rostos ficaram registradas em negativo. Assim, ao se moldar esses corpos preenchendo o molde original de cinza com resina produz-se um molde em positivo, que permite visualizar os corpos claramente, e que √© facilmente retirado uma vez endurecida a resina.

Molde de um morador morto durante a erup√ß√£o do Ves√ļvio em 79 antes de Cristo.

Enfim, voltando ao pão de Pompeia, foi possível descobrir que era utilizada uma forma de levedo que se conhece como o nome de massa madre. Essa massa se produz expondo uma mistura de água e farinha integral, em partes iguais, ao meio ambiente por algumas horas ou dias, para que os esporos de fungos (neste caso leveduras) que estão flutuando no ar caiam na mistura e auxiliem no crescimento da massa. Hoje em dia, o que se utiliza como fermento são tipos de leveduras mais selecionadas e mais efetivas.

Cabe comentar que a origem dos fungos se remonta √† Era Paleoproterozoica, ou seja, os vest√≠gios mais antigos de estruturas que podem ser atribu√≠das a fungos datam de 2.000 a 1.800 milh√Ķes de anos atr√°s e foram encontrados em camadas de rocha da Sib√©ria, pr√≥ximas ao lago Baikal. Contudo, h√° suspeitas de que fei√ß√Ķes descritas recentemente para o Cr√°ton da √Āfrica do Sul possam ser filamentos de fungos, o que remontaria a presen√ßa de fungos a 2.400 milh√Ķes de anos atr√°s.

Evid√™ncias mais seguras de fungos s√£o conhecidas para o Per√≠odo Cambriano (540 milh√Ķes de anos atr√°s). A partir do Devoniano, fungos associados a ra√≠zes, denominados micorrizas, s√£o encontrados junto √†s primeiras evid√™ncias de plantas, que por sinal est√£o belamente perseveradas silicificadas em camadas de s√≠lex na Esc√≥cia. Na bacia do Paran√° no estado de S√£o Paulo tamb√©m detectamos fungos f√≥sseis em troncos permineralizados por s√≠lica ou silicificados, neste caso, mais jovens. Outra pesquisa desenvolvida no nosso laborat√≥rio descreveu fungos epif√≠licos associados a folhas de angiospermas coletado em folhelhos da Forma√ß√£o Fonseca (a Bacia de Fonseca, estado de Minas Gerais, sudeste do Brasil) com idade ao redor de 30 milh√Ķes de anos atr√°s. Assim, vemos que os fungos t√™m um longo passado f√≥ssil, e utiliz√°-los para fazer crescer a massa do p√£o deve ter sido uma pr√°tica comum desde que o home come√ßou a fazer p√£o, ou seja o prazer de comer p√£o quentinho na primeira refei√ß√£o do dia deve ser bem antigo.