O Brasil no iGEM América Latina 2013

E lá fomos nós de novo viajar em nome do futuro da Biotecnologia do Brasil. Não só a gente, Manaus e Minas estavam lá junto , e nós junto com eles, é claro. Para começar a contar como tudo rolou, vamos começar falando da gente, os brazucas:

Os Brazucas

Os Brazucas todos juntos.

Minas, Manaus e São Paulo em um só lugar.

Foi muito legal ver times do iGEM surgindo pelo Brasil. Bonito em dois sentidos: em rela√ß√£o √† UFMG que surgiu com um time quase que espont√Ęneamente, e em rela√ß√£o √† UFAM e cia, onde mant√≠nhamos contatos a tempos com o professor Carlos Gustavo, com quem pudemos ajudar e inspirar de alguma forma a criar uma iniciativa firme e forte l√° na regi√£o ainda bem florestada do pa√≠s.

O Pedr√£o e o Grande Carlos.

O Pedr√£o e o Grande Carlos.

Eu gostaria de escrever uma b√≠blia aqui sobre os projetos de cada um dos Brazucas, mas para o bem do leitor eu vou dar uma “resumida” (a minha “resumida”):

Manaus

Como j√° disse antes, n√≥s j√° √©ramos amigos deles bem antes de n√≥s todos os conhecermos pessoalmente. Al√©m de uma conversa antiga com o Instructor deles, o Marcelo Boreto desfrutou das del√≠cias de ser um f√≠sico manjador de modelagem de sistemas biol√≥gicos e ganhou uma viagem l√° para Manaus para dar um workshop de modelagem para o iGEM, comer doces de cupua√ßu e fazer amizade √† moda antiga (na “RL”) com pessoas e outras criaturas, como a Costinha, a pregui√ßa de Lab – as piadas e trocadilhos ficam a cargo do leitor.

Marcelo e Preguiça

O Marcelo num dia que tava com preguiça

A grande ideia do time amazonense foi bem interessante. Eles usaram duas grandes coisas em seu projeto:

  1. o fato de que o chassi Shewanella putrefaciens consegue transportar elétrons (de uma maneira ainda não bem descrita, diga-se de passagem Рia escrever um post sobre isso outro dia) para o meio externo de maneira a gerar eletricidade (esse time alemão do iGEM se deu muito bem com esse tema),
  1. e a ideia de que a fonte desses elétrons poderia vir da degradação de lipídeos, mais especificamente de óleo de cozinha usado.

A grande tarefa deles foi tentar reprimir um inidor da via metabólica de degradação de lipídeos que a torna não-constitutiva e superexpressar genes relacionados ao transporte de lipídeos para a célula. Bem esperto. Levaram bronze medal pra casa e de quebra o prêmio de best presentation, dá um orgulho que só desse povo de Manaus! Veja a wiki deles aqui.

UFMG

O time de minas foi o mais “brasileiro”dos brasileiros, na minha opini√£o – e n√£o, n√£o √© porque nosso time da USP tem estrangeiros. Foi o mais brasileiro porque surgiu do nada, na ra√ßa, na gana, sem desistir nunca, e conseguiu o que precisava para ir pra final bem melhor do que n√≥s: que √© ter resultados concretos da caracteriza√ß√£o dos BioBricks. Tamb√©m foi time mais emocionante que foi pra final, o da comemora√ß√£o mais intensa. Sim, eu vi l√°grimas em alguns olhos mineiros ap√≥s a divulga√ß√£o dos finalistas. Fiquei genuinamente feliz por eles, senti o Brasil representado ali, principalmente com aquele jeitinho mineiro “comequieto” de ser.

Lembrando ainda que deve ser dado a C√©sar o que √© de C√©sar: conhecendo o time mais de perto como pude, consegui perceber o papel crucial e integrativo de cada membro da equipe (principalmente com os que conversei: Mariana, Carlos, J√ļlio – esse √ļltimo, grande companheiro dos rol√™s chilenos), mas gostaria de fazer jus principalmente ao comedido Lucas, que pelo o que senti, com toda sua mineirice, foi um dos grandes basti√Ķes que deu “liga” ao grupo (n√£o √© a t√īa que ele √© um dos idealizadores da Liga M√©dia, h√°!) e eu acho que todo mundo deve saber disso – a n√£o ser que ele me censure aqui, hahaha.

Os Mineiros e alguns argentinos (créditos portenhos às fotos).

O projeto deles foi interessant√≠ssimo. No iGEM o tipo de projeto que d√° para ser feito no tempo curto da competi√ß√£o sem deixar de atingir bons resultados pr√°ticos √©, sem d√ļvida, envolvendo biodetectores. Com uma excelente escolha de projeto integrando o know-how dos labs dos professores envolvidos e dos alunos (al√©m de ser completamente vi√°vel, diga-se de passagem), a proposta de biodetec√ß√£o foi criar um m√©todo completamente novo de diagn√≥stico de s√≠ndrome coron√°ria aguda (SCA) – que, em outras palavras avacalhadoras, √© praticamente um “pr√©-infarto”. Eles miraram em tr√™s biomarcadores dessa s√≠ndrome: uma albumina¬†modificada que aparece no sangue durante a SCA, um pept√≠deo¬†que em altas concentra√ß√Ķes indica fal√™ncia card√≠aca e um metab√≥lito que recentemente foi comprovado como indicador para ACS. Dentre os tr√™s, o m√©todo de detec√ß√£o mais esperto foi o albumina modificada, em que eles usaram o fato de ela ter uma taxa de liga√ß√£o menor a metais do que a albumina saud√°vel; o metal que “sobra” (que no caso era cobalto) ativa um promotor indicando a presen√ßa do biomarcador. Legal n√©? Vale a pena dar uma olhada na wiki bonitinha deles.

USP

Bem, e a gente? Nós tentamos fazer um biodetector do Metanol seguindo a ideia de uns posts (esse, e esse) que fizemos aqui no blog lá no começo de 2013. Esse ano fizemos um projeto bem mais completo e focado que o ano passado. Produzimos muito mais em diversos pontos que me 2012 tínhamos deixado de lado: biossegurança, a wiki, design, Human Practices e prototipagem. Dê uma olhada na wiki que fizemos, aqui.

√Č n√≥is! Ou melhor, √© metan√≥is!

√Č n√≥is! Ou melhor, √© metan√≥is!

Tivemos muito mais financiamento e apoio por causa dos trabalhos de 2012 e conseguimos nos unir em um coletivo que deu certo (unindo ainda mais gente de mais lugares diferentes da USP). √Č claro que com tudo isso havia a press√£o para que ganh√°ssemos a medalha de ouro para ir pra Boston, e ela foi grande! Muita gente ficou desapontada com a nossa medalha de prata, mas n√£o se deve negar que eles foram incr√≠veis: para caracterizarmos os BioBricks (que fatalmente √© o que d√° a desejada medalha), recebemos a s√≠ntese no come√ßo de agosto para entregar os resultados no final de setembro, e detalhe: ningu√©m do grupo tinha expri√™ncia com Pichia e n√£o t√≠nhamos padronizado a metodologia de utiliza√ß√£o do equipamento medidor de fluoresc√™ncia. Mesmo assim conseguimos levar √† competi√ß√£o pelo menos um resultado de fluoresc√™ncia de uma das linhagens que quer√≠amos testar para a caracateriza√ß√£o das partes, foi uma maratona insana de 2 meses (e inclua a escrita da wiki e a prepara√ß√£o da apresenta√ß√£o e poster nisso).

A cl√°ssica Jamboree picture - um pouco menos verticalizada que o de costume.

A cl√°ssica Jamboree picture – um pouco menos verticalizada que o de costume.

O que ficou engasgado mesmo √© que no evento dever√≠amos ter levado o best model. A argumenta√ß√£o usada pelo Ju√≠z, de que “um bom modelo deve usar dados experimentais”, apesar de ser verdadeira n√£o deveria valer para a premia√ß√£o espec√≠fica da modelagem. Afinal o que sendo est√° avaliado? O Modelo trabalhando nas hip√≥teses fixadas ou os resultados? Dessa maneira, um grupo de modelagem poderia elaborar o modelo mais inteligente e inovador da competi√ß√£o e mesmo assim n√£o ser premiado se seus dados experimentais forem insuficientes.

Conversando com os Ju√≠zes ap√≥s a competi√ß√£o, nos contaram que ficamos em segundo lugar para os “Best Prizes” em bastante coisa (best p√īster, best natural part, best modelling). O que explica isso √© a grande met√°fora da galinhada: preparamos aquele banquete super organizado, lindo e completo, mas faltou matar a galinha – e a galinha √© caracterizar o BioBrick.

Os HighLights Latinos do Jamboree

Aquele momento em que você acha que está dando highlights demais.

Aquele momento em que você acha que está dando highlights demais.

O Jamboree foi excelente. Principalmente porque dessa vez providenciaram mais oxig√™nio no ar colocando o evento em Santiago (e n√£o a algumas dezenas de centenas de metros acima do n√≠vel do mar). Essa cidade √© maravilhosa, √© tudo lindo, bonito e bem organizado. O tr√Ęnsito √© bem diferente de Bogot√°; fiquei com a impress√£o de que √© um tr√Ęnsito que funciona, sabe!? D√° vontade de fugir do Brasil e morar l√°, ainda mais sabendo que h√° um grande incentivo para empreendedores estrangeiros por parte do governo chileno, com inclusive brasileiros j√° espertos disso.

Todos devidamente abastecidos com produtos derivados de "l√£-de-lhama" (ou seria alpaca?).

Todos devidamente abastecidos com produtos derivados de “l√£-de-lhama” (ou seria alpaca?).

Os outros times do iGEM mandaram muito bem, o nível dos resultados atingidos pelas equipes realmente melhorou bastante Рainda há uma estrada levando além do horizonte que distancia os resultados que os times do hemisfério norte  e sul conseguem obter, mas isso fica pra um post futuro. Os grandes highlights latinos que precisamos fazer são:

  • Equipe UC Chile: Escolheram um tema de projeto bastante ambicioso e muito interessante, o de microcompartimentos bacterianos gen√©ricos para realiza√ß√£o de rea√ß√Ķes “localizadas”, assim como um vac√ļolo (em “plantinhas”), peroxissomo e lipossomo – da√≠ o nome do projeto deles “whateverisisome”. Al√©m disso, criaram tamb√©m um jogo (s√≥ que n√£o de cartas) como Human Prcatices. A wiki deles ficou muito linda, veja s√≥.
  • Equipe colombiana Uniandes: A equipe latinoamericana mais experiente no iGEM veio com dois projetos para o Jamboree: um sensor de glucocortic√≥ides que poderia ser um “sensor de stress” e um sistema de absor√ß√£o de n√≠quel que poderia ser usado para biorremedia√ß√£o. O highlight aqui √© a movimenta√ß√£o eficiente das c√©lulas do chassi que eles usaram em dire√ß√£o a um campo magn√©tico relativamente fraco. A wiki deles est√° muito legal tamb√©m, d√™ uma olhada. Sinceramente: eu pensei que eles seriam finalistas.
  • Equipe de Buenos Aires: Apesar de a wiki deles¬†aparentemente n√£o ter sido terminada a tempo, esse foi o projeto mais bem ranqueado no evento. A apresenta√ß√£o deles foi sensacional e envolvente. Conseguiram caracterizar otimamente os promotores sens√≠veis a ars√™nico que usaram para propor um biodetector desse contaminante na √°gua. O highlight aqui foi a colabora√ß√£o do time mexicano da TecMonterrey e o prot√≥tipo que eles proporam para um biodetector comercial.
  • Equipe mexicana de TecMonterrey: O projeto desse time¬†era sobre a biodetec√ß√£o e tratamento de c√Ęncer. Os grandes highlights s√£o a caracteriza√ß√£o conjunta de algumas partes para o time argentino – fazendo com que eles detectassem uma concentra√ß√£o absurda de ars√™nico em um dos rios de Monterey e fossem reconhecidos pelo governo de l√° por isso – e uma Human Practices genial: al√©m de workshops e eventos promovidos pelo grupo (que incluem um TEDx), eles traduziram um manual para auto-examina√ß√£o de c√Ęncer de mama para dois mais falados dialetos ind√≠genas no pa√≠s – Otom√≠ e Zapoteco. Muit√≠ssimo legal!

√Č l√≥gico que houveram outros resultados muito legais que estou me controlando pra n√£o mencionar. Mas highlights s√£o highlights e n√£o d√° pra destacar tudo sen√£o acaba a tinta da minha marca-texto mental.

The Good Fight

Enfim. Após esse ano cheio de altos e baixos como todo bom ano deve ser, estamos satisfeitos. Apesar de não termos correspondido às expectativas pressurizantes de alguns, conseguimos fazer muito bem aquilo que é mais importante: estimular as pessoas a criarem, saírem da ordem natural da academia e quebrar as paredes dos silos que contém (sim, contém, e não contêm!) a interdisciplinariedade efetiva. E também, é claro, estimular esse tipo de iniciativa por aí, papel do synbiobrasil que foi devidamente reconhecido conversando com o juízes. E é extamente isso que estamos fazendo agora: queremos espalhar essa experiência para outros campus da USP e outras universidades, bem como em nos formalizar institucionalmente aqui no campus da capital como uma organização devidamente reconhecida.

E √© isso a√≠. Let’s keep fighting the good fight. ūüôā

No pr√≥ximo post (que ser√° depois de um descanso merecido de final de ano), vamos come√ßar a contar como foi incr√≠vel evento mundial nos EUA com os “enviados especiais” (aka. penetras) que mandamos pra l√°, inflitrados no time mineiro. E esperamos j√° poder fazer isso vestindo o site novo com esses textos!

As Incr√≠veis Novas Reuni√Ķes do Clube de Biologia Sint√©tica

bem vindo ao clube

√Č isso a√≠!¬†Depois de um sil√™ncio sepulcral no blog, uma medalha de prata no iGEM regional e mil projetos em andamento, retomamos oficialmente as reuni√Ķes do, agora “Incr√≠vel Novo Clube de Biologia Sint√©tica”.

“Mas, Otto, porque ele agora √© ‘Incr√≠vel’?”

Bem, na verdade eu n√£o sei. Sugiro que voc√™ compare√ßa para descobrirmos juntos. Mas eu juro de p√©s juntos que eu espero que seja incr√≠vel. Sabe porque? Porque vamos fazer tudo em um novo formato bem menos chato, mais participativo e… Com as transmiss√Ķes por YouTube funcionando!

As reuni√Ķes ter√£o duas partes: 20-30 minutos de uma apresenta√ß√£o tem√°tica pr√©-estabelecida e mais meia hora de reuni√£o aberta para qualquer um levantar uma discuss√£o, apresentar algo interessante que leu em algum lugar, divulgar uma ideia, dar not√≠cias de projetos ou propor um novo tema para as pr√≥ximas reuni√Ķes.

N√≥s at√© imprimimos cartazes lind√Ķes e espalhamos pela USP, olha s√≥:

fotos vivi cartaz

A nossa filosofia de grupo também ficou mais definida e coesa: não, não somos um bando de alunos que fica fazendo times para o iGEM, somos um bando de alunos que forma bandos de alunos que discutem biotecnologia Рe nesse processo, formamos espontaneamente equipes e grupos para diversas oportunidades (inclusive o iGEM).

Sobre o que de fato vocês planejam discutir?

Bem, at√© hoje discutimos projetos de bioengenharia, ou seja, envolvendo microrganismos geneticamente “engenheirados”. De novo: microrganismos, n√£o Beagles ou ratinhos! (At√© agora… Haha, BRINKS!)

Seguimos a abordagem da Biologia Sint√©tica nisso tudo, que √© tentar gerar metodologias e equipamentos mais baratos, r√°pidos e ainda precisos para fazer diversas coisas em biotecnologia, aplicando camadas de abstra√ß√£o (essa √© pra voc√™s, exatas) para desenvolvimento de ideias. E tudo se preocupando com as quest√Ķes √©ticas e, como costumamos chamar, de “Pr√°ticas Humanas”, envolvendo educa√ß√£o e informa√ß√£o sobre biotecnologia.

Portanto, estamos abertos a todos que querem fazer da Biologia uma ciência exata, na medida do possível Рsem deixar de se preocupar em como isso impactará a sociedade.

“Eu n√£o manjo nada de Bio. N√£o sei se vou aproveitar…”

Vai aproveitar sim! Somos um grupo interdisciplinar e vai ter muita gente que sabe o que você não sabe mas também você vai saber alguma coisa muito melhor do que muita gente também. Os conceitos de Biologia Molecular serão introduzidos durante os processos de discussão e nos preocuparemos que todos que não são da área possam entender Рda mesma maneira que, o Marcelo (também escritor do blog), fez esse semestre um minicurso de modelagem matemática de sistemas biológicos para quem é de biológicas entender modelagem. O importante é aprender fazendo!

Quem pode participar?

Você é de exatas e quer aprender mais de biotecnologia? Pode vir!

Voc√™ √© de biol√≥gicas e quer trabalhar de maneira “mais exata”? Venham a√≠!

Voc√™ √© de humanas? Venha tamb√©m pra colocar ju√≠zo e cr√≠tica nas nossas discuss√Ķes!

Enfim: todos interessados podem participar! Principalmente se voc√™ acha que pode fazer mais com sua criatividade e iniciativa. Traga suas ideias, projetos e discuss√Ķes!

O principal objetivo de tudo é: que seja divertido.

E também que todos aprendam nesse processo, é claro.

Quando e Onde!?

As reuni√Ķes ser√£o todas as quartas feiras, come√ßando nessa quarta, dia 30 de Outubro, das 18:30 √†s 19:30.

Tudo acontecerá, a priori, sempre na Biblioteca das Químicas, no campus da USP do Butantan, aqui:

Exibir mapa ampliado

E o resto?

Bem, ainda devemos divulgar muitas notícias (motivo pelo qual estivemos ocupados a ponto de deixar o blog paradão), dentre elas:

  • Teremos um site lindo e maravilhoso! N√£o seremos mais um blog que quer ser um site, mas um site que que tem um blog! (Ainda estaremos na plataforma do SBBr!)
  • Estamos discutindo oportunidades dentro da USP para maior apoio e formaliza√ß√£o da iniciativa. Divulgaremos em breve, caso tudo d√™ certo.
  • Sim, fomos no iGEM regional de novo esse ano! Levamos prata outra vez, mas ficamos felic√≠ssimos (t√°, muito felizes, felic√≠ssimos seria se f√īssemos todos pra Boston tamb√©m) com nosso trabalho, e principalmente, com o time brazuca da UFMG que emplacou o Brasil l√° em Boston esse ano! B√£o demais esse pessoal, seu!
  • Fizemos um jogo de cartas de biotecnologia envolvendo BioBricks! Ficou muito legal, deem uma olhada num preview das cartas:

pesquisador_fujita

Ainda estamos devendo um post bonitinho da experiência no iGEM deste ano, além de outros posts para ajudarem as outras iniciativas brasileiras que estão nascendo. Paciência, chegaremos lá, prometo!

Ent√£o, venham praticar uma desobedi√™ncia tecnol√≥gica e criativa, pessoal! Aqui vai ter gente boa igual a voc√™ pra se divertir com ci√™ncia, empreendedorismo e interdisciplinariedade. ūüôā

Jamboré Brasil!

Jamboré

Quem diria. A um ano atrás estávamos nós fazendo vaquinha virtual pra levar o Brasil para a competição internacional de máquinas geneticamente modificadas e hoje, ainda na luta, podemos compartilhar o fardo herdado da Unicamp de representar a ciência tupiniquim no iGEM. Que lindo isso.

Mais lindo ainda √© que as equipes de Manaus, Belo Horizonte e S√£o Paulo s√£o amiguinhas! Numa das competi√ß√Ķes mais bizarras do mundo (o iGEM) o conceito de competi√ß√£o tamb√©m √© “distorcido”: ganha mais quem colabora mais – o “distorcido” deveria ser exatamente o contr√°rio na ci√™ncia mundial hoje em dia, mas deixa pra l√°! E √© por isso que n√≥s vamos nos reunir no primeiro encontro nacional de equipes do iGEM: para trocar experi√™ncias, fazer networking, se conhecer melhor e conversar bastante sobre coisas nerds, como Biologia Sint√©tica, √© claro. Afinal, a gente faz o que a gente ama, n√£o √© mesmo!?

Enfim! N√≥s das equipes do Brasil, que estamos aqui na ra√ßa, na gana, na teimosia pra fazer um Brasil e, “de tabela”, um mundo melhor, abrimos esse encontro de jovens interdisciplinares e amantes de biotecnologia para todo mundo! Sim, aqui na USP, em S√£o Paulo! √Č o “Jambor√©”! Porque Jamboree √© “nas gringa” [fora do pa√≠s], aqui √© Jambor√©!

Local e Data

Tudo vai acontecer neste s√°bado, dia 17 de Agosto, no Instituto de Qu√≠mica, no famigerado “Queijinho” (ou, Complexo Ana Rosa Kucinski, como foi rebatizado recentemente), sala A2. Veja o mapa aqui:

Visualizar Jamboré! em um mapa maior

Cronograma

As atividades v√£o ser de manh√£ e a tarde. Atividades infinitas!

Hor√°rio Atividade
10H – 10:30H Abertura: “Biologia Sint√©tica, iGEM e Brasil”
10:30 Р12:00 Apresentação dos projetos brasileiros no iGEM 2013
12H Р14H Almoço
14H Р15:30H Play-teste de Jogo de Cartas sobre Biologia Sintética
15:30H – 15:50H Coffee-Break
15:50H Р17H Mesa Redonda sobre a formação das equipes do iGEM no Brasil

 

Pessoas de todas as √°reas s√£o bem vindas. Aqui interdisciplinariedade (e discuss√Ķes estranhas) s√£o nossa especialidade. N√£o esperamos que voc√™ saiba nada de Biologia Molecular ou modelagem matem√°tica, para qualquer d√ļvida n√≥s vamos estar ali para ajudar. Ou a piorar. Depende do ponto de vista.

O evento é aberto a todos fora e dentro da comunidade USP. Então se quiser um programa nerd de qualidade esse final de semana, venha para a Cidade Universitária!

iGEM 2012 Latin America: Estivemos L√°!

√Č verdade que estivemos l√° mesmo. Pode acreditar!

USP &Unesp iGEM 2012 team

USP &Unesp iGEM 2012 team

Esse ano foi a primeira vez que houve um evento genuinamente da América Latina. A primeira divisão da competição em Jamborees regionais aconteceu no ano passado, durante a segunda participação brasileira pela Unicamp, mas as regionais para os latinos foram realizadas em Indianápoles, nos EUA.

Se voc√™ criar uma conta no Registry of parts, √© poss√≠vel ter acesso ao f√≥rum onde foi discutida onde seria a sede do evento regional na Am√©rica Latina em 2012. O Brasil at√© se ofereceu na √©poca atrav√©s das meninas do time da Unicamp de 2011, mas um time Panamenho e Colombiano j√° chegaram “com tudo”, apresentando propostas para tornar suas universidades sede do evento juntamente com uma an√°lise do transporte e hotelaria da regi√£o.

Bogot√°

Foi meio peculiar a sensa√ß√£o de explicar para as pessoas que encontr√°vamos na viagem que est√°vamos indo para a fase regional da “competi√ß√£o internacional de m√°quinas geneticamente modificadas”. Mas mais peculiar ainda foi a impress√£o de Bogot√°: uma metr√≥pole pouco vertical, com √īnibus engra√ßados, extremamente militarizada e com supermercados com produtos bem americanos (coisas grandes). Ah! E tem mais uma coisa que fomos perceber s√≥ depois de algum tempo: como motoristas colombianos curtem uma buzina!

Em Bogot√° quase todos os √īnibus t√™m uma cara bem maluca.

Em Bogot√° quase todos os √īnibus t√™m uma cara bem maluca.

Acreditem ou n√£o, o sistema de √īnibus de Bogot√° √© inspirado no de Curitiba. A grande diferen√ßa √© que em Curitiba aparentemente o neg√≥cio funciona, em Bogot√° n√£o – fiquei com saudade dos √īnibus e metr√īs de S√£o Paulo (menos da esta√ß√£o pra√ßa da S√©/Luz em hor√°rio de pico).

Fomos o √ļnico time a n√£o ficar no hotel recomendado pelos organizadores. Esse hotel cuidaria do nosso transporte at√© √† Universidade dos Andes, onde o evento aconteceu. Portanto, para eviar √°gio dos taxistas por causa da nossa cara de turista, usamos o sistema de √īnibus inspirado no an√°logo curitibano, o Transmil√™nio. S√≥ conseguimos sobreviver por l√° gra√ßas a nossa l√≠der de log√≠stica e tradutora Macarena – a chilena mais brasileira do iGEM.

Inscrição

O evento foi sediado na Univerdidade dos Andes, uma universidade particular com uma infra-estrutura sensacional (em alguns quesitos ganhava de “lavada” na USP), sendo uma das maiores universidades Colombianas.

U de Andes - terraço ecológico

Terraço ecológico da Universidade dos Andes. A infra-estrutura de lá é sensacional Рsó não é de graça!

Antes do evento em si, t√≠nhamos que fazer o check in da inscri√ß√£o para ganhar os cacarecos tradicionais de congressos. Foi o nosso primeiro contato com os outros times e tamb√©m quando caiu a ficha de muita gente: “caramba, √© o iGEM!”.

O pessoal do nosso time fez me sentir meio POP por me dizerem que haviam duas pessoas me procurando l√° j√° de cara. Minha rea√ß√£o mental habitual j√° engatilhou um “N√£o fui eu!”, mas descobri que se tratava da querida Meagan Lizarazzo (organiza√ß√£o do MIT) falando sobre minha inscri√ß√£o que ainda n√£o havia sido paga e do professor de Eng. Gen√©tica da Federal de Manaus, prof. Carlos Nunes, com quem trocava emails h√° tempos sobre Biologia Sint√©tica. O prof. Carlos Nunes acabou sendo o nosso “orientador posti√ßo” l√°. Ele deu um √≥timo apoio psicol√≥gico e acad√™mico durante todo o evento. Conversamos sobre projetos, ideias e principalmente sobre o futuro time da federal de Manaus no iGEM de 2013! √Č realmente uma honra enorme poder ter feito parte do est√≠mulo para o nascimento dessa nova iniciativa brasileira na competi√ß√£o. ūüôā

Times Participantes

A regional latina √© a menor das regionais. Nesse ano, apenas 13 times da regi√£o centro-sul (incuindo o m√©xico) da Am√©rica se inscreveram na competi√ß√£o. Em compara√ß√£o com o resto do mundo, houveram 60 times norte-americanos, 51 times asi√°ticos e 49 times europeus. A maioria dos times latinos era mexicano: 6 times; seguindo o retrospecto de tradi√ß√£o desse pa√≠s no iGEM, um dos primeiros da Am√©rica Latina a fazer parte de um dos eventos. Esse ano foi o de estr√©ia de outros dois pa√≠ses na cometi√ß√£o tamb√©m: Chile (que chegou “metendo-o-p√©-na-porta” no iGEM) e Argentina.

Após a inscrição, nos disponibilizaram uma sala e pizzas para treinarmos nossa apresentação. Ainda estávamos treinando  para falar tudo no tempo de 20 minutos de apresentação que taríamos Рnos treinos ainda estávamos estourando uns 5 minutos. Nesse momento o Carlos sacou seu celular e fez um pequeno registro do momento Рquando ainda estávamos decidindo como íamos dividir as tarefas e ensaiar a apresentação.

[youtube_sc url=http://www.youtube.com/watch?v=z7ucqWT28YM]

Diferenças Culturais

Foi muito interessante observar o quanto n√≥s √©ramos culturalmente “isolados” do resto dos times participantes. V√≠amos uma integra√ß√£o cultural muito grande entre os outros pa√≠ses da Am√©rica Latina. Al√©m do fato de falarem a mesma l√≠ngua, eles compartilhavam gostos musicais parecidos e habilidades que n√≥s brasileiros n√£o temos, como dan√ßar mambo e todos aqueles g√™neros musicais tipicamente estereotipados como “latinos”, isso sem falar no “fen√≥tipo m√©dio” deles: n√≥s t√≠nhamos muita “cara de gringo” comparado com eles. Talvez o √ļnico outro time que compartilhava uma boa diferen√ßa cultural com os amigos andino-caribenhos foi o dos argentinos – com tamb√©m “cara de gringo” que n√£o manja dos mambos.

Conversei bastante com o time panamenho, um da universidade de Monterrey e com o time argentino. Aliás, o time argentino tinha um projeto (veja aqui, na wiki deles) com a mesma aplicabilidade que o nosso de Redes de Memória Associativa. Basicamente o nosso projeto era algo lindo e abrangente na teoria mas ambicioso demais na prática, o deles ela lindo e factível na prática, mas limitado na teoria (e portanto com uma abrangência de aplicabilidade menor).

Os abstracts que recebemos de todos os projetos do evento podem ser baixados aqui.

Apresenta√ß√Ķes que Assistimos

As apresenta√ß√Ķes dos trabalhos foram divididas em duas salas com duas comiss√Ķes julgadoras diferentes, fomos os terceiros a apresentar (veja o cronograma do evento).

UANL Mty-Mexico

A primeira apresenta√ß√£o foi de um dos times mexicanos. Foi a grande “injusti√ßa” do iGEM regional. Eles vieram com um projeto lindo e extremamente completo, mas n√£o puderam medalhar porque um de seus instructors n√£o preencheu corretamente os formul√°rios online – segundo o que os pr√≥prios membros do time mexicano nos disseram, ao encontr√°-los no aeroporto. √Č daqui que vem uma das “coisas que aprendemos” que listei no post anterior. Se eu tivesse feito parte desse time estaria chorando l√°grimas de sangue.

Foto da UANL apresentando sob nossa perspectiva.

Foto da UANL apresentando sob nossa perspectiva.

Apesar da ideia do projeto n√£o ser in√©dita, eles criaram um detector de ars√™nico com um design muito inteligente (para os ir√īnicos de plant√£o: isso n√£o √© um trocadilho), indo al√©m do simples sensor feito em 2006 pelo time de Edinburgo. Eles criram um sistema de segrega√ß√£o do ars√™nico com uma metaloprote√≠na¬†humana (rhMT) bem melhor que o time de Edinburgo de 2006 (que usava o fator de transcri√ß√£o ArsR), pois a rhMT se liga a seis mol√©culas de ars√™nico, enquanto o ArsR se liga apenas a uma. Otimizaram tamb√©m a internaliza√ß√£o de ars√™nico pelas c√©lulas expressando a porina¬†GlpF, que al√©m de facilitar o transporte de glicerol (qualidade por qual √© mais conhecida), tamb√©m importa ars√™nico (e antim√īnio! Mas isso n√£o vem ao caso). E para coroar (o que eu acho que foi o mais interessante),¬† eles criaram um sistema de recovery das bact√©rias com o ars√™nico captado: expressaram a prote√≠na ribossomal L2 nas membranas das E.coli, essa prote√≠na se adere fortemente √† superf√≠cies de s√≠lica; assim, as bact√©rias poderiam ser retiradas do meio por beads de s√≠lica¬†ou qualquer outra coisa de mesmo material! Vale a pena dar uma olhada na wiki deles¬†(que ali√°s, est√° complet√≠ssima e muito bonita) para tamb√©m saber mais dos sistemas de express√£o de prote√≠nas de membrana. E s√≥ para finalizar, eles ainda fizeram uma Human Practices “monstruosa”: criaram workshops de Biologia Sint√©tica e Modelagem de Sistemas Biol√≥gicos, deram confer√™ncias, organizaram palestras, foram a umas 5 High Schools, criaram um evento que uniu outros times do iGEM, chamado “Synthetic Rally“;¬† criaram outro evento chamado “T√ļnel da Biologia Sint√©tica“… Enfim: fizeram tudo e “um pouco mais” que podiam fazer em Human Practices. Deu d√≥ eles n√£o terem levado medalha por causa de uma bobeira – com certeza eles iriam para Boston e se dariam muito bem por l√°.

Panama INDICASAT

O projeto deles tinha uma aplicação importante, mas que também já não era tão novidade assim no iGEM: em 2007 o time Southern Utah fez exatamente a mesma coisa e ainda levou ouro!

Apresentação das simpáticas meninas panamenhas.

Apresentação de uma das simpáticas meninas panamenhas.

O desenvolvimento de um sensor r√°pido, barato e n√£o-t√≥xico de cianeto √© bem interessante para detec√ß√£o desse veneno. Aparentemente eles n√£o conseguiram chegar a resultados que pudessem ir al√©m de acrescentar informa√ß√Ķes √†s partes j√° existentes no Registry of Parts. Eles mostraram todos seus resultados na apresenta√ß√£o, uma vez que a wiki deles¬†n√£o tem informa√ß√£o nenhuma sobre os resultados do projeto. Levaram bronze!

Tec-Monterrey

O Instituto Tecnol√≥gico de Monterrey j√° tem tradi√ß√£o no iGEM. Esse ano veio com dois times, os quais conseguimos assistir ambas as apresenta√ß√Ķes. O primeiro que assistimos – o Tec-Monterrey EKAM – n√£o veio com muitas coisas novas, al√©m de ter uma wiki e apresenta√ß√£o um pouco “quadradinhas” demais, meio enroladas, sem ir muito direto ao ponto (bem diferente do time da UANL). A grande ideia do projeto desse time √© basicamente produzir terpen√≥ides¬†em levedura, aproveitando a via do Mevalonato existente em Pichia pastoris (uma esp√©cie de levedura), que produz os precursores necess√°rios para a s√≠ntese dos terpen√≥ides, veja a wiki desse time aqui. Ganharam silver medal!

Tec Monterrey wiki image

Wiki do time Tec-Monterrey (e n√£o do Tec-Monterrey EKAM!).

O outro time de Monterrey foi bem mais interessante. Apesar de terem atrasado muito na apresenta√ß√£o e precisarem dar um sprint no final para n√£o estourarem o tempo, o projeto deles foi muito interessante. Mesmo tendo sido em parte outro “repost” no iGEM – o time de Yale em 2011 trabalhou com a mesma coisa. Assim como n√≥s, eles levaram dois projetos diferentes. O “repost” em quest√£o √© a tentativa de produ√ß√£o de uma linhagem de E.coli que resista √† v√°rios ciclos de congelamento (usando a mesma prote√≠na usada pelo time de Yale), j√° o projeto original foi a produ√ß√£o de v√°rios al√©rgenos¬†em levedura para serem extra√≠dos e serem usados como um kit de detec√ß√£o de alergias. O sangue seria pingado em uma superf√≠cie com os al√©rgenos e em resposta haveria fluoresc√™ncia verde caso haja resposta al√©rgica – feito atrav√©s de uma GFP fusionada ao al√©rgeno. Legal n√©!? D√™ uma checada na wiki deles aqui. Assim como n√≥s, levaram classifica√ß√£o de prata.

Mas o mais legal mesmo foi poder conhecer a Anita Sifuentes, uma mexicana super simp√°tica que ficou respons√°vel pelo design da wiki do time de Monterrey (o segundo mencionado). Ano que vem ela estar√° aqui no Brasil e esperamos poder trabalhar com ela! (Tomara que sim!)

No pr√≥ximo post vou contar um pouco de como foi nossa apresenta√ß√£o e falar dos dois outros times que assistimos depois de apresentarmos. Os v√≠deos, apresenta√ß√Ķes e p√īsteres da fase regional ainda n√£o est√£o online, mas os fase mundial j√° est√£o. Voc√™ pode dar uma checada neles na p√°gina do evento!

iGEM 2012 Latin America: Nossos Projetos

animação total

Alguns meses a menos de vida para cada um dos dois

Depois de dias no laborat√≥rio, noites mal dormidas (vide foto acima), muita teimosia, discuss√Ķes (construtivas e n√£o construtivas)¬† e principalmente com um pequeno “salto de f√©”, n√≥s conseguimos representar o Brasil na competi√ß√£o internacional de m√°quinas geneticamente modificadas de 2012 (para saber mais do iGEM, veja esse post¬†e esse outro aqui)!

no bolt

The crew

Antes de falar como foi a experi√™ncia, a viagem e tudo mais (pr√≥ximo post!), vamos falar nesse post sobre o que diabos fomos apresentar l√° na Col√īmbia , como √© o julgamento dos projetos e o que n√≥s conseguimos/esper√°vamos conseguir.

Projetos

Fomos para a competi√ß√£o com dois projetos¬† (o que pode ser entendido desde como algo “arriscado” ou “ousado”, at√© a “completamente insano”) que j√° haviamos comentado no blog¬†bem antes mesmo de colocarmos a “m√£o na massa” em laborat√≥rio. A grande estrat√©gia foi ter um dos projetos bem fact√≠vel, que nos daria uma maior certeza de resultados positivos, e um projeto mais ambicioso, que nos destacaria entre os demais por sua inova√ß√£o e criatividade – mas que a chance de dar certo n√£o era l√° assim t√£o boa quanto a do outro projeto.

Levamos para o Jamboree (palavra em ingl√™s que significa algo como “reuni√£o de celebra√ß√£o”) o projeto “Plam√≠deo Plug’nPlay” – o fact√≠vel – e o “Rede de Mem√≥ria Associativa usando Bact√©rias” – o ambicioso.

Plug’nPlay

Basicamente, o Plasm√≠deo Plug’nPlay √© uma maneira mais espertinha de se pegar um gene qualquer e coloc√°-lo para ser expresso dentro de uma bact√©ria. Para quem entende melhor do assunto, ao se explicar o projeto o nome de outros sistemas comerciais podem vir √† cabe√ßa – como o m√©todo Gateway, TOPO¬†e o In-Fusion¬†– mas a grande ideia √©: se voc√™ tem um gene que quer clonar (ser expresso em algum ser vivo), basta fazer um PCR dele (milh√Ķes de c√≥pias do dito cujo) e seguir o protocolo de transforma√ß√£o, como se os pequenos peda√ßos de DNA lineares fossem um plasm√≠deo. O plasm√≠deo Plug’nPlay (j√° presente dentro da bact√©ria) cria uma maquinaria para reconhecer esse produto de PCR e inseri-lo no pr√≥prio vetor. A grande vantagem desse m√©todo √© que n√£o existem certos passos que consomem um tempo desnecess√°rio, como certas rea√ß√Ķes in vitro presentes nos tr√™s m√©todos citados anteriormente. A E.coli faz tudo isso por voc√™!

Explicação do Plug&Play

Quando j√° est√°vamos come√ßando a fazer os experimentos, descobrimos um m√©todo lan√ßado recentemente pela empresa GenTarget, o m√©todo Eco PCR, que faz EXATAMENTE a mesma coisa: PCR e transforma√ß√£o – dois passos: “Plug” e “Play”. Contudo, existem duas diferen√ßas entre o Plug’nPlay e o Eco:

  • o Plasm√≠deo Plug’nPlay usa uma recombinase, enquanto o Eco PCR usa recombina√ß√£o hom√≥loga;
  • o Plug’nPlay √© Open Source!

Conseguimos resultados bem legais com esse projeto, mostrando uma prova de conceito que indicava a recombina√ß√£o do produto de PCR com o Plasm√≠deo Plug’nPlay! Veja isso na nossa wiki, aqui.

Rede de Memória Associativa

Essa foi a aposta ousada do nosso time. Eufemicamente “ousada”.

Tudo parte de uma pergunta muito provocante: bact√©rias podem se comportar como neur√īnios para manter e lembrar uma mem√≥ria!?

Toda dificuldade em explicar esse projeto est√° em tentar responder essa pergunta. H√° v√°rias “subperguntas” a serem respondidas dentro dessa, como: o que √© (pragmaticamente) um neur√īnio!? O que √© uma mem√≥ria? Como √© armazenada? Como se resgata uma mem√≥ria!?

A mem√≥ria do nosso c√©rebro n√£o existe em “um neur√īnio”, e nem mesmo fica dividida literalmente em pedacinhos dentro de v√°rios neur√īnios (pode at√© ser de fato, dependendo de como voc√™ interpreta “dividir em pedacinhos”). Ela √© “sist√™mica”, o que significa que voc√™ s√≥ consegue alcan√ßar sua mem√≥ria se todo um grupo de neur√īnios se comportar de uma maneira espec√≠fica – ativando e/ou inibindo outros neur√īnios da rede.

esquema compara√ß√£o neur√īnio - pop english
Enfim, essa √© a ideia do projeto: fazer popula√ß√Ķes de bact√©rias se comportarem como um neur√īnio, podendo ser “excitadas” ou “inibidas”, e podendo “excitar” ou “inibir” outras popula√ß√Ķes – igual ao que um neur√īnio faz com outros neur√īnios. A(s) mem√≥ria(s) seria(m) definida(s) quando “program√°ssemos” geneticamente as popula√ß√Ķes para interagir entre si.

Se tiv√©ssemos conseguido produzir isso completamente, ter√≠amos a base para construir uma rede de comunica√ß√£o entre as popula√ß√Ķes de bact√©rias, que seria an√°loga a uma rede de comunica√ß√£o entre neur√īnios. √Ä partir da√≠, seria poss√≠vel criar um sistema que, dado um padr√£o de est√≠mulo de popula√ß√Ķes inicial, poderia associar esse est√≠mulo a uma das mem√≥rias do padr√£o de comunica√ß√£o entre as popula√ß√Ķes, que j√° tinham sido “pr√©-programadas” com a mem√≥ria.

Complicado n√©!? E s√≥ descrevi bem brevemente a ideia. Imagine ter que apresentar toda essa densidade de conte√ļdo em menos de 10 min!? E olha que eu nem mencionei o modelo de Hopfield para redes neurais, o aparato que ter√≠amos que testar para ver o sistema funcionando e muito menos como funciona o sistema de Quorum Sensing. Acho que at√© mesmo Steve Jobs teria dificuldade em vender essa ideia.

Apesar de n√£o termos conseguido finalizar as constru√ß√Ķes para realizar os experimentos, conseguimos fazer uma modelagem interessante do sistema, que mostra que para¬†dois neur√īnios, h√° teoricamente¬†quatro¬†pontos de equil√≠brio do sistema, o que indica ‚Äď pelo menos teoricamente ‚Äď que h√° o armazenamento¬†das quatro¬†mem√≥rias distintas num sistema simplificado. Na verdade, faltou fazer a an√°lise da estabilidade desses pontos de equil√≠brio, mas isso √© outra hist√≥ria.

Se tudo o que planejamos desse hipoteticamente certo, poder√≠amos ter criado a prova de conceito para um sistema de auto-monitoramento de biorreatores, em que quantidades espec√≠ficas de subst√Ęncias seriam mantidas nas devidas propor√ß√Ķes atrav√©s de um sistema de mem√≥ria associativa que reestabeleceria sempre as concentra√ß√Ķes das subst√Ęncias em quest√£o, caso haja alguma altera√ß√£o devido √† fatores aleat√≥rios do cultivo. Veja uma explica√ß√£o melhor do projeto e at√© onde chegamos atrav√©s da nossa wiki.

Resultados

Apesar de n√£o termos chegado a resultados com o projeto de Redes, conseguimos “consertar” um BioBrick com erro e mostramos que o Plug’nPlay funciona, por isso conseguimos levar medalha de prata!

Certificado iGEM 2012

Para o incauto viajante, pode parecer claro que isso n√£o √© um bom resultado. Afinal “merec√≠amos ouro!”, “o time √© da USP!” (ohh!), “a Unicamp foi melhor antes!”…

Particularmente, eu j√° esparava que o ouro fosse pouco prov√°vel. N√£o porque somos ruins, mas porque h√° uma condi√ß√£o necess√°ria para levar o t√≠tulo √°ureo: a melhoria de novas partes e/ou novos devices (que s√£o novas combina√ß√Ķes de BioBricks j√° existentes). A maioria dos times de sucesso (a.k.a. europeus, norte-americanos e chineses) pesquisa os elementos de DNA desejados na literatura e manda sintetiz√°-los, o que agiliza muito o processo de redesign de BioBricks e viabiliza constru√ß√Ķes muito grandes. N√£o t√≠nhamos verba o suficiente para a s√≠ntese, o que dificultava muito a cria√ß√£o de um device novo funcional, que seria constru√≠do no projeto de Mem√≥ria Associativa. √Č l√≥gico que existem outros fatores envolvidos para ganhar a classifica√ß√£o de medalha de ouro, mas escolhendo um como principal – aquele que, se diferente, poderia mudar bastante coisa – acho que seria esse: s√≠ntese de DNA. Infelizmente os devices do Plug’nPlay que constru√≠mos n√£o foram considerados como “improvements”, mas apenas como uma caracteriza√ß√£o funcional de uma nova parte/design. ūüôĀ

Portanto, para mim, a briga estava mesmo se √≠amos levar prata ou bronze, porque ainda precis√°vamos de mais um dado para mostrar com um maior grau de “inequivocidade” que o Plug’nPlay funcionou. Mas parece que conseguimos convencer os ju√≠zes. ūüėÄ

O que aprendemos

A primeria coisa que aprendi nisso tudo foi: não se mede o desenvolvimento e os resultados de um projeto vendo apenas onde se chegou, mas de onde se saiu e até onde se foi.

O que vale mesmo é o Delta!

O que vale mesmo é o Delta!

Tudo come√ßou no in√≠cio de 2011, e depois recome√ßou no segundo semestre do mesmo ano √† partir do zero (pra n√£o dizer √† partir do “negativo”). N√£o t√≠nhamos nada al√©m da vontade de fazer acontecer. Conhecemos pessoas, o grupo cresceu e se fortaleceu, discutimos ideias, firmamos parcerias, criamos projetos,¬† arrecadamos verbas, aprendemos uma infinidade de coisas como: design, marketing, gest√£o de pessoas, planejamento, an√°lise de viabilidade de projetos, web design,¬† programa√ß√£o, resolu√ß√£o de problemas do dia-a-dia em laborat√≥rio… Enfim, fizemos muitas coisas que muita gente duvidava no in√≠cio de tudo – acho que at√© eu duvidava!

Outras coisa menos subjetivas que aprendemos principalmente através do feedback que recebemos dos juízes Рe que podem ajudar futuros times brasileiros do iGEM Рforam:

  • Os BioBricks s√£o o foco, o resto do projeto em si √© apenas o complemento da caracteriza√ß√£o deles.
  • Os projetos que v√£o al√©m da mera caracteriza√ß√£o dos BioBricks s√£o os de mais sucesso – parece contradi√ß√£o com a conclus√£o anterior, mas n√£o √©: experimentos de caracteriza√ß√£o e experimentos de funcionalidade de um projeto devem ser complementares; os dois n√£o s√£o sempre necessariamente a mesma coisa.
  • Apresente a apresenta√ß√£o do Jamboree para o maior n√ļmero de pessoas poss√≠vel (de prefer√™ncias professores da √°rea) antes da apresenta√ß√£o fat√≠dica: assim voc√™ consegue imaginar todas as perguntas poss√≠veis que podem fazer para seu projeto – na verdade, isso vale para qualquer apresenta√ß√£o importante na sua vida.
  • Na modelagem: v√° al√©m de equa√ß√Ķes diferenciais.
  • Descreva bem os materiais usados e os protocolos na wiki!
  • Seja criativo e tente criar projetos de impacto no “mundo real”.
  • Tente criar uma Human Practice que tenha contato direto com as pessoas, de uma maneira criativa.
  • Foque nos resultados e em como eles foram feitos.
  • Ajude outro time do iGEM.
  • Fiscalize os outros times latinos para falarem INGL√äS e n√£o ESPANHOL¬† no Jamboree da Am√©rica Latina(importante!) – haha.
  • Nunca, em hipotese alguma, JAMAIS preencha os documentos de inscri√ß√£o/submiss√£o de partes com pressa ou sem aten√ß√£o. Esse ano houve um time mexicano que n√£o medalhou por falhar nesse quesito.

Futuro dos Projetos

Como parte da iniciativa do Clube de Biologia Sint√©tica, queremos estimular a cria√ß√£o de projetos em Biologia Sint√©tica n√£o unicamente para o iGEM, mas para virarem publica√ß√Ķes cient√≠ficas ou empreendimentos mesmo. A competi√ß√£o √© uma √≥tima plataforma para testes piloto de projetos e ideias, principalmente por contar com o acervo dos BioBricks e com a intera√ß√£o da comunidade internacional envolvida na √°rea. Por isso, faz parte do nosso trabalho levar esses projetos al√©m, fazer com que cheguem at√© ao “produto final”.

O plasm√≠deo Plug’nPlay ainda est√° sendo desenvolvido e testado no GaTE Lab¬†visando futuras aplica√ß√Ķes comerciais. O projeto de Redes est√° engavetado at√© definirmos o projeto do iGEM do ano que vem, mas h√° grande interesse de darmos continuidade a ele, principalmente por parte do pessoal da modelagem. Estamos com alguns contatos que podem se interessar em criar oportunidades para fazer essa rede de mem√≥ria associativa com bact√©rias funcionar – muitos acharam interessant√≠ssimo o nosso projeto no Jamboree, foi muito estimulador.

No pr√≥ximo post vou falar de como foi a viagem a Bogot√° e quais foram as impress√Ķes da competi√ß√£o para o √ļnico time tupiniquim deste ano. iGEM 2012 Latin America: Estivemos l√°!

Enquanto isso, vejam nos comentários aí embaixo se meus comapnheiros concordam comigo sobre esse post (não me deixem no vácuo)! Hahaha! Até!

Clube de Biologia Sintética 2012

Come√ßaremos novamente nesta quarta feira (15 de agosto) as reuni√Ķes do Clube de Biologia Sint√©tica!

Não importa a área: se você se interessar por biotecnologia, pesquisa interdisciplinar, gosta de aprender coisas novas e de resolver desafios, está mais que convidado!

Você de Exatas

No Clube voc√™ pode descobrir um novo mundo para “programar”, modelar e resolver problemas utilizando conceitos de engenharia para se fazer o design de sistemas biol√≥gicos.
NOTA: Nesse ano colocamos um Físico em um laboratório de Biologia Molecular; foi mais ou menos assim:
[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=3drspKkfIyE”]

Você de Biológicas

Nas reuni√Ķes voc√™ pode descobrir que a Biologia pode ser muito mais exata do que voc√™ conhece, e a diferen√ßa √© s√≥ de abordagem.

E qual o Objetivo de Tudo Isso!?

Usar criatividade, interdisciplinariedade e empreendedorismo para esboçar um projeto para a competição internacional de máquinas geneticamente modificadas de 2013! E se divertir no processo, é claro!

A ideia √© gerar propostas para serem apresentadas nas reuni√Ķes √† partir de brainstormmings e refer√™ncias indicadas por qualquer participante do grupo. √Č uma oportunidade de se aprender a como se iniciar um projeto do zero, planejar experimentos, verificar viabilidades, procurar materiais, custos, buscar financiamento, organizar pessoas, tempo e recursos; ou seja: tudo o que voc√™ precisa para se dar bem em qualquer empreendimento.

J√° temos um pequeno cronograma¬†ainda com detalhes a definir, mas com temas j√° escolhidos. Depois disso quem far√° as reuni√Ķes ser√£o os pr√≥prios participantes, convidados a apresentar suas ideias, assuntos interessantes e relevantes de synbio e qualquer outra coisa que se encaixe na reuni√£o.

Nosso projeto para o iGEM 2012 ainda não acabou, mas vamos trazer toda a experiência que estamos acumulando para melhorar ainda mais ano que vem!

Horário: Das 18:30 às 20:00 hrs

Local: Sala “Fava Netto”, do ICB II – USP.

Vamos transmitir a reuni√£o por Livestream. Colocaremos o link no facebook, twitter e aqui no blog quando iniciarmos a transmiss√£o. Fiquem ligados!