O Brasil no iGEM América Latina 2013

E lá fomos nós de novo viajar em nome do futuro da Biotecnologia do Brasil. Não só a gente, Manaus e Minas estavam lá junto , e nós junto com eles, é claro. Para começar a contar como tudo rolou, vamos começar falando da gente, os brazucas:

Os Brazucas

Os Brazucas todos juntos.

Minas, Manaus e São Paulo em um só lugar.

Foi muito legal ver times do iGEM surgindo pelo Brasil. Bonito em dois sentidos: em rela√ß√£o √† UFMG que surgiu com um time quase que espont√Ęneamente, e em rela√ß√£o √† UFAM e cia, onde mant√≠nhamos contatos a tempos com o professor Carlos Gustavo, com quem pudemos ajudar e inspirar de alguma forma a criar uma iniciativa firme e forte l√° na regi√£o ainda bem florestada do pa√≠s.

O Pedr√£o e o Grande Carlos.

O Pedr√£o e o Grande Carlos.

Eu gostaria de escrever uma b√≠blia aqui sobre os projetos de cada um dos Brazucas, mas para o bem do leitor eu vou dar uma “resumida” (a minha “resumida”):

Manaus

Como j√° disse antes, n√≥s j√° √©ramos amigos deles bem antes de n√≥s todos os conhecermos pessoalmente. Al√©m de uma conversa antiga com o Instructor deles, o Marcelo Boreto desfrutou das del√≠cias de ser um f√≠sico manjador de modelagem de sistemas biol√≥gicos e ganhou uma viagem l√° para Manaus para dar um workshop de modelagem para o iGEM, comer doces de cupua√ßu e fazer amizade √† moda antiga (na “RL”) com pessoas e outras criaturas, como a Costinha, a pregui√ßa de Lab – as piadas e trocadilhos ficam a cargo do leitor.

Marcelo e Preguiça

O Marcelo num dia que tava com preguiça

A grande ideia do time amazonense foi bem interessante. Eles usaram duas grandes coisas em seu projeto:

  1. o fato de que o chassi Shewanella putrefaciens consegue transportar elétrons (de uma maneira ainda não bem descrita, diga-se de passagem Рia escrever um post sobre isso outro dia) para o meio externo de maneira a gerar eletricidade (esse time alemão do iGEM se deu muito bem com esse tema),
  1. e a ideia de que a fonte desses elétrons poderia vir da degradação de lipídeos, mais especificamente de óleo de cozinha usado.

A grande tarefa deles foi tentar reprimir um inidor da via metabólica de degradação de lipídeos que a torna não-constitutiva e superexpressar genes relacionados ao transporte de lipídeos para a célula. Bem esperto. Levaram bronze medal pra casa e de quebra o prêmio de best presentation, dá um orgulho que só desse povo de Manaus! Veja a wiki deles aqui.

UFMG

O time de minas foi o mais “brasileiro”dos brasileiros, na minha opini√£o – e n√£o, n√£o √© porque nosso time da USP tem estrangeiros. Foi o mais brasileiro porque surgiu do nada, na ra√ßa, na gana, sem desistir nunca, e conseguiu o que precisava para ir pra final bem melhor do que n√≥s: que √© ter resultados concretos da caracteriza√ß√£o dos BioBricks. Tamb√©m foi time mais emocionante que foi pra final, o da comemora√ß√£o mais intensa. Sim, eu vi l√°grimas em alguns olhos mineiros ap√≥s a divulga√ß√£o dos finalistas. Fiquei genuinamente feliz por eles, senti o Brasil representado ali, principalmente com aquele jeitinho mineiro “comequieto” de ser.

Lembrando ainda que deve ser dado a C√©sar o que √© de C√©sar: conhecendo o time mais de perto como pude, consegui perceber o papel crucial e integrativo de cada membro da equipe (principalmente com os que conversei: Mariana, Carlos, J√ļlio – esse √ļltimo, grande companheiro dos rol√™s chilenos), mas gostaria de fazer jus principalmente ao comedido Lucas, que pelo o que senti, com toda sua mineirice, foi um dos grandes basti√Ķes que deu “liga” ao grupo (n√£o √© a t√īa que ele √© um dos idealizadores da Liga M√©dia, h√°!) e eu acho que todo mundo deve saber disso – a n√£o ser que ele me censure aqui, hahaha.

Os Mineiros e alguns argentinos (créditos portenhos às fotos).

O projeto deles foi interessant√≠ssimo. No iGEM o tipo de projeto que d√° para ser feito no tempo curto da competi√ß√£o sem deixar de atingir bons resultados pr√°ticos √©, sem d√ļvida, envolvendo biodetectores. Com uma excelente escolha de projeto integrando o know-how dos labs dos professores envolvidos e dos alunos (al√©m de ser completamente vi√°vel, diga-se de passagem), a proposta de biodetec√ß√£o foi criar um m√©todo completamente novo de diagn√≥stico de s√≠ndrome coron√°ria aguda (SCA) – que, em outras palavras avacalhadoras, √© praticamente um “pr√©-infarto”. Eles miraram em tr√™s biomarcadores dessa s√≠ndrome: uma albumina¬†modificada que aparece no sangue durante a SCA, um pept√≠deo¬†que em altas concentra√ß√Ķes indica fal√™ncia card√≠aca e um metab√≥lito que recentemente foi comprovado como indicador para ACS. Dentre os tr√™s, o m√©todo de detec√ß√£o mais esperto foi o albumina modificada, em que eles usaram o fato de ela ter uma taxa de liga√ß√£o menor a metais do que a albumina saud√°vel; o metal que “sobra” (que no caso era cobalto) ativa um promotor indicando a presen√ßa do biomarcador. Legal n√©? Vale a pena dar uma olhada na wiki bonitinha deles.

USP

Bem, e a gente? Nós tentamos fazer um biodetector do Metanol seguindo a ideia de uns posts (esse, e esse) que fizemos aqui no blog lá no começo de 2013. Esse ano fizemos um projeto bem mais completo e focado que o ano passado. Produzimos muito mais em diversos pontos que me 2012 tínhamos deixado de lado: biossegurança, a wiki, design, Human Practices e prototipagem. Dê uma olhada na wiki que fizemos, aqui.

√Č n√≥is! Ou melhor, √© metan√≥is!

√Č n√≥is! Ou melhor, √© metan√≥is!

Tivemos muito mais financiamento e apoio por causa dos trabalhos de 2012 e conseguimos nos unir em um coletivo que deu certo (unindo ainda mais gente de mais lugares diferentes da USP). √Č claro que com tudo isso havia a press√£o para que ganh√°ssemos a medalha de ouro para ir pra Boston, e ela foi grande! Muita gente ficou desapontada com a nossa medalha de prata, mas n√£o se deve negar que eles foram incr√≠veis: para caracterizarmos os BioBricks (que fatalmente √© o que d√° a desejada medalha), recebemos a s√≠ntese no come√ßo de agosto para entregar os resultados no final de setembro, e detalhe: ningu√©m do grupo tinha expri√™ncia com Pichia e n√£o t√≠nhamos padronizado a metodologia de utiliza√ß√£o do equipamento medidor de fluoresc√™ncia. Mesmo assim conseguimos levar √† competi√ß√£o pelo menos um resultado de fluoresc√™ncia de uma das linhagens que quer√≠amos testar para a caracateriza√ß√£o das partes, foi uma maratona insana de 2 meses (e inclua a escrita da wiki e a prepara√ß√£o da apresenta√ß√£o e poster nisso).

A cl√°ssica Jamboree picture - um pouco menos verticalizada que o de costume.

A cl√°ssica Jamboree picture – um pouco menos verticalizada que o de costume.

O que ficou engasgado mesmo √© que no evento dever√≠amos ter levado o best model. A argumenta√ß√£o usada pelo Ju√≠z, de que “um bom modelo deve usar dados experimentais”, apesar de ser verdadeira n√£o deveria valer para a premia√ß√£o espec√≠fica da modelagem. Afinal o que sendo est√° avaliado? O Modelo trabalhando nas hip√≥teses fixadas ou os resultados? Dessa maneira, um grupo de modelagem poderia elaborar o modelo mais inteligente e inovador da competi√ß√£o e mesmo assim n√£o ser premiado se seus dados experimentais forem insuficientes.

Conversando com os Ju√≠zes ap√≥s a competi√ß√£o, nos contaram que ficamos em segundo lugar para os “Best Prizes” em bastante coisa (best p√īster, best natural part, best modelling). O que explica isso √© a grande met√°fora da galinhada: preparamos aquele banquete super organizado, lindo e completo, mas faltou matar a galinha – e a galinha √© caracterizar o BioBrick.

Os HighLights Latinos do Jamboree

Aquele momento em que você acha que está dando highlights demais.

Aquele momento em que você acha que está dando highlights demais.

O Jamboree foi excelente. Principalmente porque dessa vez providenciaram mais oxig√™nio no ar colocando o evento em Santiago (e n√£o a algumas dezenas de centenas de metros acima do n√≠vel do mar). Essa cidade √© maravilhosa, √© tudo lindo, bonito e bem organizado. O tr√Ęnsito √© bem diferente de Bogot√°; fiquei com a impress√£o de que √© um tr√Ęnsito que funciona, sabe!? D√° vontade de fugir do Brasil e morar l√°, ainda mais sabendo que h√° um grande incentivo para empreendedores estrangeiros por parte do governo chileno, com inclusive brasileiros j√° espertos disso.

Todos devidamente abastecidos com produtos derivados de "l√£-de-lhama" (ou seria alpaca?).

Todos devidamente abastecidos com produtos derivados de “l√£-de-lhama” (ou seria alpaca?).

Os outros times do iGEM mandaram muito bem, o nível dos resultados atingidos pelas equipes realmente melhorou bastante Рainda há uma estrada levando além do horizonte que distancia os resultados que os times do hemisfério norte  e sul conseguem obter, mas isso fica pra um post futuro. Os grandes highlights latinos que precisamos fazer são:

  • Equipe UC Chile: Escolheram um tema de projeto bastante ambicioso e muito interessante, o de microcompartimentos bacterianos gen√©ricos para realiza√ß√£o de rea√ß√Ķes “localizadas”, assim como um vac√ļolo (em “plantinhas”), peroxissomo e lipossomo – da√≠ o nome do projeto deles “whateverisisome”. Al√©m disso, criaram tamb√©m um jogo (s√≥ que n√£o de cartas) como Human Prcatices. A wiki deles ficou muito linda, veja s√≥.
  • Equipe colombiana Uniandes: A equipe latinoamericana mais experiente no iGEM veio com dois projetos para o Jamboree: um sensor de glucocortic√≥ides que poderia ser um “sensor de stress” e um sistema de absor√ß√£o de n√≠quel que poderia ser usado para biorremedia√ß√£o. O highlight aqui √© a movimenta√ß√£o eficiente das c√©lulas do chassi que eles usaram em dire√ß√£o a um campo magn√©tico relativamente fraco. A wiki deles est√° muito legal tamb√©m, d√™ uma olhada. Sinceramente: eu pensei que eles seriam finalistas.
  • Equipe de Buenos Aires: Apesar de a wiki deles¬†aparentemente n√£o ter sido terminada a tempo, esse foi o projeto mais bem ranqueado no evento. A apresenta√ß√£o deles foi sensacional e envolvente. Conseguiram caracterizar otimamente os promotores sens√≠veis a ars√™nico que usaram para propor um biodetector desse contaminante na √°gua. O highlight aqui foi a colabora√ß√£o do time mexicano da TecMonterrey e o prot√≥tipo que eles proporam para um biodetector comercial.
  • Equipe mexicana de TecMonterrey: O projeto desse time¬†era sobre a biodetec√ß√£o e tratamento de c√Ęncer. Os grandes highlights s√£o a caracteriza√ß√£o conjunta de algumas partes para o time argentino – fazendo com que eles detectassem uma concentra√ß√£o absurda de ars√™nico em um dos rios de Monterey e fossem reconhecidos pelo governo de l√° por isso – e uma Human Practices genial: al√©m de workshops e eventos promovidos pelo grupo (que incluem um TEDx), eles traduziram um manual para auto-examina√ß√£o de c√Ęncer de mama para dois mais falados dialetos ind√≠genas no pa√≠s – Otom√≠ e Zapoteco. Muit√≠ssimo legal!

√Č l√≥gico que houveram outros resultados muito legais que estou me controlando pra n√£o mencionar. Mas highlights s√£o highlights e n√£o d√° pra destacar tudo sen√£o acaba a tinta da minha marca-texto mental.

The Good Fight

Enfim. Após esse ano cheio de altos e baixos como todo bom ano deve ser, estamos satisfeitos. Apesar de não termos correspondido às expectativas pressurizantes de alguns, conseguimos fazer muito bem aquilo que é mais importante: estimular as pessoas a criarem, saírem da ordem natural da academia e quebrar as paredes dos silos que contém (sim, contém, e não contêm!) a interdisciplinariedade efetiva. E também, é claro, estimular esse tipo de iniciativa por aí, papel do synbiobrasil que foi devidamente reconhecido conversando com o juízes. E é extamente isso que estamos fazendo agora: queremos espalhar essa experiência para outros campus da USP e outras universidades, bem como em nos formalizar institucionalmente aqui no campus da capital como uma organização devidamente reconhecida.

E √© isso a√≠. Let’s keep fighting the good fight. ūüôā

No pr√≥ximo post (que ser√° depois de um descanso merecido de final de ano), vamos come√ßar a contar como foi incr√≠vel evento mundial nos EUA com os “enviados especiais” (aka. penetras) que mandamos pra l√°, inflitrados no time mineiro. E esperamos j√° poder fazer isso vestindo o site novo com esses textos!

SynbioBrasil na Campus Party 2013 e no Grok Podcast!

Autores Colaboradores: Cau√£ Westmann e Jo√£o Molino

No dia 29 de janeiro fomos convidados para participar do evento Campus Party, no Parque Anhembi, SP, ‚Äúo maior acontecimento tecnol√≥gico do mundo‚ÄĚ segundo o site (discutiremos isso mais tarde…)! Criada h√° 16 anos na Espanha, ela atrai anualmente geeks, nerds, empreendedores, gamers, cientistas e muitos outros grupos criativos que se re√ļnem para acompanhar centenas de atividades sobre Inova√ß√£o, Ci√™ncia, Cultura e Entretenimento Digital.¬†O evento tem dura√ß√£o de 5 dias e um espa√ßo para acampamento que reuniu cerca de 8.000 ‚Äúcampuseiros‚ÄĚ em barracas.

IMG_1215

Mesa com o Carlos Hotta e o Mateus Lopes na Campus Party Рas pessoas por trás do começo do SynbioBrasil.

Nosso grupo foi convidado para participar de uma apresenta√ß√£o na sess√£o da Galileu (sim, a mesma da revista!), apresentando a Biologia Sint√©tica de forma sucinta e comparando-a com alguns aspectos operacionais da computa√ß√£o, buscando aproximar o p√ļblico com a √°rea. Os palestrantes foram o professor doutor da USP Carlos Hotta (IQ-USP) e o PhD em biotecnologia Mateus Schreiner Garcez Lopes (Brasken), dois grandes ponta de lan√ßa da Biologia Sint√©tica no Brasil que fizeram um √≥timo trabalho!
Bom, a apresenta√ß√£o ocorreu somente √†s 15h45min e como chegamos bem cedo, tivemos tempo suficiente para passear por muitos stands e apresenta√ß√Ķes no local. Grandes empresas patrocinaram o evento e marcaram sua presen√ßa por ali como Microsoft, Intel, IBM, Nvidia, Petrobr√°s, Vivo, Sebrae entre outras. Vimos centenas de computadores tunados, tem√°ticos (veja a foto da CPU mafiosa) e com configura√ß√Ķes de hardware extraordinariamente potentes; impressoras 3D e alas inteiras dedicadas a gamers. Entretanto, apesar dos 76 mil metros quadrados de √°rea dispon√≠vel do Parque Anhembi e do grande montante de investimentos envolvidos, o evento deixou muito a desejar…

IMG_1126

N√£o, n√£o √© uma m√°quina de doces do Scarface. √Č um CPU.

Primeira grande pisada de bola: n√£o havia uma rede de Wi-fi livre! √Č dif√≠cil de acreditar que um evento voltado para inova√ß√£o e tecnologia n√£o forne√ßa conex√Ķes sem fio abertas. Pois bem, s√≥ estavam disponibilizados cabos para conectar o computador √† rede, mas ¬†em uma era na qual tablets e outros port√°teis s√£o cada vez mais comuns, a aus√™ncia do Wi-fi prejudicou bastante nossas atividade e, principalmente, cobertura do evento! O Synbio Brasil que n√£o p√īde twittar nada durante o evento em decorr√™ncia disso. #chateado

Segundo, o espa√ßo foi subutilizado. Grandes √°reas eram destinadas a computadores que ficaram vazios na maior parte do tempo ou a grandes tel√Ķes que mostravam apenas as express√Ķes faciais de jogadores que competiam no evento. Al√©m disso, muitos dos stands apresentavam pouqu√≠ssimo conte√ļdo, ocupando seu espa√ßo com arcades, video-games, pinballs e m√°quinas de pegar bonequinhos de pel√ļcia. At√© um enorme espa√ßo reservado para um sorteio de autom√≥vel havia ali.
Por √ļltimo, houve certa desorganiza√ß√£o operacional, principalmente no que tange √† mobilidade do p√ļblico dentro do Parque. Havia uma divis√≥ria entre os setores que apresentava seguran√ßas e detectores de metais totalmente necess√°rios, mas com apenas uma passagem estreita para quem ia e vinha em sentidos opostos, gerando grandes filas desnecess√°rias.

IMG_1139

Pedro #chatiado por causa do wi-fi e de alguns estandes bobinhos. #GrumpyPedro

√Č claro que houve v√°rias atividades legais, como a palestra do 2¬į homem a pisar na lua, o ex-astronauta Edwin Buzz Aldrin,¬† e outros eventos com temas diversos sobre tecnologia, inova√ß√£o e empreendedorismo e tudo isso foi muito v√°lido. Muitas pessoas levaram suas ideias, produtos, computadores tunados, monitores triplos, jogos e programas e se beneficiaram muito da troca de experi√™ncias com os outros participantes. Ponto positivo novamente. Al√©m disso, √© importante ressaltar que ficamos apenas um dia no local e, por isso, opinamos sobre o que vimos apenas neste per√≠odo de tempo, n√£o conseguindo fazer um review sobre o evento como um todo.

O grande ponto forte da Campus Party desse ano foi promover o contato de milhares de pessoas para trocarem informa√ß√Ķes e experi√™ncias sobre os mais diversos assuntos e esse √© um caminho importante para o desenvolvimento educacional, cultural e tecnol√≥gico do pa√≠s. No entanto, senti que esse di√°logo t√£o enriquecedor foi bastante fraco quanto √† rela√ß√£o entre o p√ļblico e √†s empresas presentes.

Faltou algum elemento de coes√£o… A ideia de que os participantes seriam atra√≠dos apenas por brindes e entretenimento eletr√īnico foi um grande equ√≠voco. L√° n√£o estavam consumidores da velha defini√ß√£o capitalista, mas sim, felizmente, consumidores de ideias, pessoas inquisitivas e cheias de novas perspectivas. E para atender √†s suas demandas a log√≠stica claramente precisa se atualizar. Mas palma, palma, n√£o criemos cani√ßo (Chapolin et al, 1973)! N√£o h√° evento melhor do que a Campus Party para promover essa atualiza√ß√£o do sistema!

Desse modo, a experiência foi muito válida e esperamos estar lá novamente em 2014 com muitas novidades para ver e mostrar!

EDIT: Cheque aqui o vídeo da palestra no evento (Obrigado pelo link Mariana Fioravanti!):
[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=VSvin1OzzIU”]

GrokPodcast

grok

Recentemente, também, eu, Pedro Medeiros, e Otto Heringer pudemos ter a chance de participar do Grok Podcast. A página, sob comando de Carlos Brando e Rafael Rosa Fu, traz podcasts relacionados a tecnologia, principalmente tecnologia da informação, com podcasts nos quais profissionais explicam e discutem um determinado tópico de sua especialidade em uma série de episódios.

O termo Grok tem um significa curioso. De acordo com a pr√≥pria p√°gina ele √© proveniente do livro ‚ÄúUm estranho em uma terra estranha‚ÄĚ, de Robert Heinlein, e que dizer ‚ÄúEntender algo t√£o completa e profundamente que o observador e o objeto observado se tornam um s√≥‚ÄĚ, com certeza uma sensa√ß√£o da qual n√≥s, estudiosos apaixonados de um tema, adoramos estar pr√≥ximos(e um termo que, a partir de agora, passo a adotar)!

Tomei not√≠cia do GrokPodcast ainda em meados de 2012, quando pesquisava assuntos relacionados ao Arduino¬†e, por acaso, noticiei um cap√≠tulo cujo t√≠tulo era ‚ÄúSingularidade e Biologia Sint√©tica‚ÄĚ, na qual dois entusiastas conversavam sobre o tema. Entrei em contato e, depois de algum tempo e algum esfor√ßo t√©cnico, gravamos os epis√≥dios.

Estas foram mais duas a√ß√Ķes com o objetivo de divulgar e informar, gerando material de qualidade (assim espero, haha) em l√≠ngua portuguesa, tarefa na qual n√≥s do SynbioBrasil j√° nos dedicamos.

Abaixo vai o link do primeiro episódio do nosso podcast!

SynbioBrasil no GrokPodcast Parte 1!

Enquete: Qual projeto você acha mais interessante!?

Chegamos ao fim do ano com três projetos bastante interessantes para levarmos ao iGEM e queríamos a opinião de vocês sobre qual deles vocês acham mais legal e o porquê! Deêm uma conferida num resumo super rápido de cada proposta:

Plasmídeo Plug&Play

Cansado de ter que fazer v√°rios passos metodol√≥gicos para transformar microrganismos? Voc√™ adoraria expressar um gene que voc√™ sempre quis em sua bact√©ria de um jeito f√°cil, r√°pido, barato e acess√≠vel? Chegou a solu√ß√£o! Com apenas dois pequenos passos voc√™ tem em m√£os um kit de transforma√ß√£o “fa√ßa-voc√™-mesmo” (DIY), sem precisar de equipamentos e reagentes caros! Basta fazer um PCR e depois a transforma√ß√£o! Esque√ßa outros passos como digest√£o, liga√ß√£o, e v√°rios outros PCRs cansativos! Veja aqui o link de um v√≠deo sobre a proposta.

Rede de Memória Associativa em Bactérias

Imagine se fosse poss√≠vel reproduzir um comportamento cerebral… sem o c√©rebro! Esse √© um tipo de desafio que muitos cientistas da computa√ß√£o e programadores andam trabalhando por a√≠. Na Biologia Sint√©tica tamb√©m! Inspirado em algumas publica√ß√Ķes recentes envolvendo experimentos in vitro¬†de sistemas com comportamento de uma rede neural, queremos criar um modelo in vivo¬†disso, e sem usar neur√īnios: com popula√ß√Ķes de bact√©rias! Elas seriam capazes de reconhecer um padr√£o luminoso incompleto de uma “mem√≥ria” que possuem e depois completar esse padr√£o, dando uma sa√≠da (output) luminosa com o padr√£o mais pr√≥ximo de sua mem√≥ria em rela√ß√£o ao padr√£o inicial dado. J√° escrevemos um post sobre o caminho de liga√ß√Ķes improv√°veis que fizemos para chegar na ideia desse projeto. Veja aqui o link de um v√≠deo sobre a proposta.

Sensor de Tens√£o Mec√Ęnica de Membrana

N√≥s temos mecanismos sensoriais bem parecidos dos que existem em microrganismos. Basicamente eles podem ser: metab√≥litos, temperatura, luz, voltagem, e at√© mesmo campos magn√©ticos. Mas e o “tato”!? Aquele tipo de sensor que usamos a todo momento! Como fazer microrganismos traduzirem um contato f√≠sico em uma resposta (igual por exemplo √† essa plantinha aqui)!? √Č o que prop√Ķe a ideia desse projeto. Propor um novo sensor que pretende fazer microrganismos nos contarem que os estamos tocando (atrav√©s desse Biobrick, um “stretch channel”), emitindo luz azul nesse processo (atrav√©s desse Biobrick, Aequorina). No final, podemos aplicar isso igual ao esquema da figura a√≠ em cima. Veja o link de um v√≠deo sobre a proposta aqui¬†(< desatualizado, mas no m√≠nimo d√° pra entender de onde veio o insight da ideia).

E aí!? O que você acha? Dê o seu pitaco!

SynbioBrasil no Science Blogs!

Após passar por um processo de seleção junto à outros ótimos blogs de ciência brasileiros o SynbioBrasil foi convidado a participar da rede ScienceBlogs Brasil (SBBr), uma das mais importantes e influentes comunidades de blogs sobre ciência do Brasil!

Figuram na SBBr grandes blogueiros da ci√™ncia e apoiadores da nossa iniciativa, como √Ātila Iamarino, do blog Rainha Vermelha, e Carlos Hotta, do Brontossauros em Meu Jardim, isso sem falar nos v√°rios outros √≥timos blogs (como o Massa Cr√≠tica; Chap√©u, Chicote e Carbono-14; e Ci√™ncia e Ideias).

Todos nós do time de colaboradores, tanto dos que escrevem no blog, como os que participam da iniciativa para o iGEM 2012, recebemos com grande honra essa oportunidade e esperamos poder continuar nosso trabalho de divulgação científica sobre Biologia Sintética, iGEM e DIY Biology, seguindo nossa filosofia para uma ciência mais aberta, acessível e democrática, que estimule a interdisciplinariedade e integração de universidades, institutos e iniciativas privadas na inovação da pesquisa brasileira através da biologia sintética.

Particularmente, √© muito bonito poder fazer parte dessa nova gera√ß√£o de blogs cient√≠ficos, ainda mais podendo participar da comunidade de blogs que leio desde a adolesc√™ncia e que com certeza influenciou muitas decis√Ķes da minha vida, servindo principalmente para alimentar e incentivar minha curiosidade: um dos bens mais preciosos que algu√©m pode ter! Obrigado! ūüôā

ScienceBlogs! Lá vamos nós!

Canal do SynbioBrasil no LiveStream!

J√° est√° feito o nosso canal para transmiss√£o ao vivo pela internet das reuni√Ķes do Clube de Biologia sint√©tica pelo LiveStream, um site muito legal de streamming ao vivo pela internet que qualquer um pode criar.

Agora com esse novo recurso é possível interagir ao vivo com a apresentação, além de ser possível conferir os vídeos da apresentação depois no próprio canal.

SynbioBrasil no LiveStream!

Confira nosso canal clicando na imagem acima ou na barra aqui à direita com os links do SynbioBrasil.

Veja os hor√°rios das reuni√Ķes na p√°gina do clube de biologia sint√©tica no cabe√ßalho do site para saber quando o canal estar√° online!

Esperamos sua participação por lá! Até!