Ficção científica antirreligiosa

É muito comum na ficção científica, principalmente na cinematográfica, que o clímax da história envolva algum tipo de afirmação da superioridade do “coração” sobre o “intelecto”: o momento da viória, não raro, é o momento em que o protagonista racionalista-anal-retentivo quebra as amarras da lógica e se deixa levar pela emoção-intuição-wathever.
Uma instância clássica é o final de Guerra nas Estrelas, onde Luke Skywalker desliga o computador de bordo de seu caça e decide deixar-se guiar pela Força (ainda que, se a Força realmente existisse, essa teria sido uma saída racional… ah, os paradoxos dos universos contrafactuais).
Um fato relativamente desconhecido, no entanto, é de que esse tipo de desenlace místico-populista não é uma regra fixa do gênero; na verdade, várias obras de grande qualidade apontam na direção oposta e trazem críticas ao apego à intuição e à religião. Alguns clássicos da crítica à religião na ficção científica são: 
 
As Ruas de Áscalon, de Harry Harrison: um padre tenta levar o evangelho a uma população alienígena, com resultados imprevistos.
O papa dos chimpanzés, de Robert Silverberg:um grupo de estudiosos de primatas usa linguagem de sinais para discutir deus e a imortalidade da alma com um grupo de chimpanzés.
A estrela, de Arthur C. Clarke: um jesuíta descobre uma supernova, com implicações profundas para sua fé.
Jesus em Marte, de Philip José Farmer: astronautas encontram uma comunidade cristã em Marte.
Razão, de Isaac Asimov: robôs chegam a concluisões surpeendentes sobre o lugar da inteligência artificial no Universo.

Discussão - 7 comentários

  1. Ou muito me engano,ou Ray Bradbury também tem contos nessa linha misturando fé e ficção científica… Por exemplo, acho que “The fire balloons”, do livro “Crônicas marcianas”, que também aparece em “O homem ilustrado”, é uma crítica à nossa visão – cristã – da religiosidade.
    Um abraço.

  2. João Carlos disse:

    A ficção científica de boa qualidade (não confundir com space operas como Star Wars), quando menos, apresenta uma visão de universo (seja ela religiosa ou ateística) que se afasta muito da concepção paroquiana dos fundamentalistas.
    Quer melhor exemplo do que as obras de Orson Scott Card (que é Mórmon)? Eu recomendo “O Jogo do Exterminador” (“Ender’s Game”) e “A Odisséia de Worthing”. Ambos tratam de questões éticas, sem o ranço do fundamentalismo religioso.

  3. Jorge Oliveira disse:

    Prefiro a poesia de uma nave colhendo matéria solar com uma colher gigante em “Os frutos dourados do Sol” de Robert Heinlein”.
    A poesia substitui perfeitamente o misticismo, para enlevar o pensamento mais concreto à beleza estrutural…

  4. Roberta disse:

    Adoro quando me sugerem livros que criticam uma forma comum de ver o mundo. Se quiser para aumentar a lista de livros, sugiro a trilogia do Philip Pullman, Fronteiras do universo. Linguagem simples, mas repleta de metáforas sutis. E, confiem em mim: não deixem-se levar pelo fiasco do filme “a bússula de ouro” (que é o 1º livro)…

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