Homeopatia

Existem, basicamente, duas coisas erradas com a homeopatia:

  1. Ela não tem a menor base científica; e
  2. Ela não funciona.

Explicando uma de cada vez:

A falta de base científica da prática homeopática já foi detalhada em diversos artigos, sendo um dos melhores este aqui. Mas, resumindo, o que ocorre é o seguinte: medicamentos homeopáticos são soluções extremamente diluídas de substâncias que causam o sintoma a ser combatido; tão diluídas, na verdade, que nem uma molécula do princípio ativo permanece em solução. Isso mesmo: a coisa é tão dissolvida, tão dissolvida, que o que fica no vidrinho é apenas água.

Assim, além da lógica absurda do “semelhante cura semelhante” — que validaria, por exemplo, usar cafeína para curar insônia — as produções homeopáticas contêm apenas material inerte. Há diversas tentativas de contornar esse problema, por exemplo, com a afirmação de que a água guarda a “memória” do que foi dissolvido nela, mas essas teorias nunca foram comprovadas.

Claro, isso é apenas um impedimento teórico: o fato de não podermos explicar algo não é prova de que esse algo não funciona. De repente a homeopatia tem virtudes evidentes que a ciência atual é incapaz de explicar… Certo?

Essa possibilidade, no entanto, já foi investigada em diversos estudos e nenhum dos realmente sérios jamais encontrou, na homeopatia, um efeito maior que o chamado “efeito placebo”, que é o que acontece quando uma pessoa se sente melhor apenas porque acredita que está sendo tratada. Esse efeito é tão potente que testes de remédios rotineiramente descontam até 30% dos resultados positivos por conta dele.

Há alguns estudos que parecem indicar que a homeopatia funciona, mas eles geralmente indicam efeitos pequenos, que podem ser causados por coincidências, e não passam pelo teste de ouro da ciência — a reprodutibilidade: cientistas independentes dificilmente conseguem comprová-los.

Então, por que muita gente — incluindo os homeopatas — acredita que homeopatia funciona? Isso tem a ver com o processo natural de cura do organismo e com a tendência que as pessoas têm de atribuir efeitos a causas que podem não estar relacionadas a eles, algo que merecerá um post à parte um dia desses.

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