Einstein e o astrônomo do Vaticano

Eis um caso de sincronicidade jungiana (ou mera coincidência interessante: como já disse alguém, se Jung entendesse de estatística, jamais teria inventado a sincronicidade..): descoberta uma carta em que Albert Eisntein afirma, com todas as letras, que religiões só fazem perpetuar “superstições infantis”, e o astrônomo do Vaticano vem a público defender a convergência entre a existência de extraterrestres e a fé cristã.

Quanto à parte de Eisntein, nenhuma grande novidade. O desprezo do grande cientista por conceitos como imortalidade da alma ou o poder das orações já era bem documentado:

“I cannot conceive of a God who rewards and punishes his creatures, or has a will of the kind that we experience in ourselves. Neither can I nor would I want to conceive of an individual that survives his physical death; let feeble souls, from fear or absurd egoism, cherish such thoughts. I am satisfied with the mystery of the eternity of life and with the awareness and a glimpse of the marvelous structure of the existing world, together with the devoted striving to comprehend a portion, be it ever so tiny, of the Reason that manifests itself in nature.” [Albert Einstein, The World as I See It American Institute of Physics Online]

A nova carta é apenas o glacê do bolo.

Quanto às declarações do astrônomo-padre José Gabriel Funes – e que, aliás, não têm valor de doutrina, já que ele é apenas um padre dando uma entrevista, não um papa emitindo uma bula ou encíclica – bom, primeiro, é uma pena que ela não tenha chegado a tempo de salvar Giordano Bruno da fogueira.

Segundo, vamos notar a intolerável arrogância que surge do choque entre a idéia de um Deus preocupado em cometer suicídio para “salvar” a humanidade de Si mesmo e o conceito de inteligência extraterrestre: Ao ser perguntado sobre se a redenção também serve para esses “irmãos extraterrestres”, Funes afirmou que Jesus encarnou uma vez e que a encarnação é um evento único e não repetível (EFE).

Ergo, enviemos missionários às galáxias. James Blish tratou bem do assunto em seu livro Um Caso de Consciência.

Discussão - 3 comentários

  1. Celso Renato disse:

    Sabe Moc… O pior é que infelizmente muitas pessoas, por falat de informação adequada, insistem em dizer que Einstein era um crente fervoroso, por só conhecerem algumas citações suas fora de contexto… Até uma revista de divulgação científica ajudou, recentemente, a divulgar essa besteira.

  2. Moc disse:

    O problema, creio, é que “deus” é uma palavra elástica pra burro. Eisntein a usava como metáfora para o conjunto das leis da natureza, para a coerência inrterna do universo, mas vai explicar isso aí pros crentes…

  3. Celso Renato disse:

    Falou tudo… Concordo 100%…

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