Por que os candidatos são tão parecidos?

Morando no interior e trabalhando em São Paulo, tive uma boa dose de exposição desapaixonada à campanha eleitoral paulistana  — e uma coisa que me surpreendeu um pouco na segunda-feira foi a reação indignada de muitos colegas com a vitória de Gilberto Kassab. Não entendi que diferença fundamental haveria entre ele e Marta Suplicy, com exceção da embalagem, ambos caricatos em seus papéis de Mauricinho e Perua.
Mas isso me fez pensar Harold Hotelling e o problema dos dois carrinhos de sorvete.
Imagine uma praia de 1000 m de comprimento e dois carrinhos de sorvete, de donos diferentes. Do ponto de vsita dos sorveteiros — não dos consumidores — qual a melhor posição para os carrinhos?
A resposta é: no meio. Ou, um exatamente à direita e o outro exatamente à esquerda da linha de 500 metros. Por quê? Bem, imagine que um deles resolva pôr o carrinho na linha dos 250 metros. Se o outro se posicionar nos 251, esse segundo vai atender a todos os cilentes de 251 a 1000, enquanto que o primeiro, apenas aos clientes de zero a 250. Claro, o arranjo dos dois carrinhos na linha de 500 metros é péssimo para os consumidores que estão nos cantos da praia, já que os força a andar meio quilômetro por um picolé, mas que se dane o consumidor…
Tenho a impressão de que um fenômeno parecido está acontecendo na política: todos correndo em direção ao centro, para deixar o mínimo de margem ideológica para o adversário explorar.

Discussão - 3 comentários

  1. Júlio disse:

    Sobre eleições, eu tava pensando num negócio, que faz certo sentido..
    Um dia li em algum lugar que se a maioria dos votos (considerando maioria = 50% dos votos + 1 voto) para um candidato a algum tipo de governo for de votos nulos, a eleição se anula e deve ser feita nova eleição com novos candidatos, o que não consegui confirmar em nenhum lugar oficial, o que torna essa afirmativa falsa.
    Segundo me falaram, e essa afirmativa parece ser correta, para um governante ser eleito, é preciso ter no mínimo 50% + 1 dos votos válidos, ou seja, excluindo votos brancos e nulos.
    Essa afirmativa se mostra coerente para qualquer valor acima de 3 votos, ou seja, pelo menos o próprio candidato e mais 1 votou, contra apenas o voto do candidato adversário.
    Com apenas dois votos válidos, deveria haver algo errado, mas talvez possa valer da lei da maior idade pra decidir qual o melhor candidato [ex: http://g1.globo.com/Eleicoes2008/0,,MUL786383-15693,00-CANDIDATOS+EMPATAM+E+CIDADE+MINEIRA+DEFINE+ELEITO+PELA+IDADE.html].
    Considere, então, a hipotética situação em que até mesmo um dos candidatos votou nulo, havendo no total apenas um voto válido, provavelmente do seu adversário. Se houve somente 1 voto válido, 50% + 1 = 1.5, portanto mesmo com maioria (100%) dos votos válidos o candidato não consegue votação suficiente pra se eleger.
    A pergunta é: o que fazer nesse caso? alguém saberia me dizer?

  2. João Carlos disse:

    A resposta está contida em sua própria pergunta: em primeiro lugar, abandone essas percentagens. A Lei não fala de percentagens: fala de maioria dos votos válidos (e não tem essa de “+1”, tanto que, no caso de empate, em números absolutos, ganha o mais velho, como aconteceu no caso descrito). Nem na hipótese de haver nenhum voto válido, a eleição termina sem vencedor: vai o mais velho.
    É claro que essa Lei é ridícula! (mas foi feita por políticos… 😉 )

  3. João Carlos disse:

    Respondendo à pergunta título do post: a pergunta deveria ser “por que os eleitores são tão trouxas?”… Onças pintadas não perdem as manchas e procuram emprego como vacas-leiteiras. Mas o povo continua fazendo questão em acreditar em “promessas de campanha” (do mesmo jeito que acreditam em “cantadas” evidentemente mentirosas: “Me engana que eu gosto!”…)
    Tome o exemplo do Rio de Janeiro: os dois candidatos ao 2º turno tinham plataformas exatamente iguais. Ganhou ou que mais fez promessas vazias, tipo “vou construir tantas e quantas escolas”, enquanto o outro – menos “político” – não dava números e alertava que, com uma recessão se avizinhando, não dava para fazer esse tipo de promessa…
    Mal comparando… Homens não se casam com mulheres bonitas; se casam com mulheres que dizem que acham eles bonitos (não sei se as mulheres são igualmente trouxas – desconfio que sim… 😀 )

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