Paradoxo de sexta (29 1/2)

Bom, como eu já havia confessado, o da semana passada não tem uma solução clara. Aparentemente, parece óbvio que o lógico é pegar apenas a caixa com R$ 1 milhão. O computador teria previsto isso, e tudo bem. Mas: (a) não há garantias de que o computador é infalível (ele pode ser apenas muito bom); e (b) se já há R$ 1 milhão garantido numa caixa, por que não pegar ambas?
Por outro lado, se ele previu que você pegaria ambas e você pegar só uma, você caba com um sapato velho e mais nada!
Mais do que um paradoxo da previsão, esse parece ser um paradoxo da causação reversa — como se a decisão que você vai tomar agora pudesse causar algo nos sistemas do computador, uma semana atrás.
Se não há causação reversa, não há como a decisão que você vai tomar agora afetar o que o computador previu. Na verdade, o que ele previu é independente da sua decisão. Logo, o melhor é pegar as duas caixas.
Supor que, em vez de um computador, a prêmio tenha sido definido por um ser sobrenatural perfeitamente onisciente muda alguma coisa? A onisciência parece substituir a causação reversa por causação futura — você não tem escolha a não ser ser como o ser onsiciente previu (do contrário, ele deixará de ser onisciente). Mas esse tipo de causação estrita nega a possibilidade de livre arbítrio. Ou não?
E aqui fica o paradoxo desta semana (que chamei de 29 1/2 porque ele deriva do da semana passada), o Paradoxo do Compatibilsimo: Se o estado do universo neste instante é uma consequência do — isto é, foi causado pelo — estado do universo no instante anterior, como pode existir liberdade?

Discussão - 1 comentário

  1. Kitagawa disse:

    Talvez essa seja a questão mais assombrosa a que temos que encarar como humanos. Se temos livre arbítrio como acreditamos isso quer dizer que podemos manipular as leis da física, pois mudamos o curso natural das coisas segundo nossas vontades, somos como deusinhos.
    Se não temos esse poder, isso quer dizer que tudo já está pré determinado e o livre arbítrio é uma ilusão.
    Fico mais com a segunda opção, as coisas acontecem como devem acontecer, não há alternativas, todo instante está pre determinado pelo instante anterior. Mas o fato das coisas serem pré determinadas não quer dizer que todas as coisas podem ser previstas. É impossível haver um meio para nos humanos de prever nossas prórpias atitudes, pois esse meio também estaria inserido na nossa realidade e seria tão somente uma das peças a sererm consideradas para que se faça qualquer previsão. Enfim, sempre haverá incertezas, felizmente. É como gravar um jogo pra ver mais tarde sem saber o resultado. O resultado do jogo já está definido, mas nada impede de sentirmos a emoção do não saber ao assistir o video tape.

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