É hoje!

Chegamos, então, os 40 anos do primeiro dos seis (únicos) pousos tripulados sobre a superfície de algum corpo celeste que não a Terra. Uma reflexão interessante de se fazer é: por que a humanidade não ficou por lá? Por que recuamos?
Como em todo evento complexo, a explicação se dá em camadas. A mais evidente é a constatação de que o Programa Apollo era, ao fim e ao cabo, um programa de relações públicas — de resgate do orgulho nacional americano, após o Sputnik e Gagárin — e, uma vez tendo cumprido seu objetivo, acabou.
Mas, embutida nesta explicação há outras duas que vale a pena destacar, porque talvez tenham algo a nos ensinar quanto a oportunidades futuras:
1. Ciência não é motivação suficiente: A colonização do Novo Mundo pelos europeus foi, proporcionalmente, mais perigosa e mais cara (em dinheiro e vidas) e eticamente muito mais questionável do que seria o estabelecimento de uma cidade permanente na Lua. Mas o Novo Mundo foi conquistado para produzir lucro e para aliviar tensões populacionais e sociais da Europa. A cidade lunar teria como objetivo principal fazer ciência.
Esta é uma lição importante: em toda grande iniciativa de exploração de um novo território, a ciência vem a reboque de fatores econômicos e sociais. A Lua teria sido o primeiro caso do contrário acontecendo. E não aconteceu.
2. A vida na Lua não é sustentável: Um astro que dá a volta em torno do próprio eixo a cada 29 dias não é exatamente um bom lugar para atividade agrícola. Ainda mais se toda água, fertilizante, CO2 e oxigênio têm de ser lançados a partir das profundezas um fosso de gravidade a quase 400 mil quilômetros dali, ao custo de milhares de dólares o quilo. E não se sabe se abelhas e outros polizinadores iriam funcionar bem a um sexto da gravidade terrestre.
Há uma módica bibliografia dando conta de planos para tornar a Lua economicamente viável, mas a maioria deles depende de (a) avanços enormes na tecnologia da fusão nuclear — caso em que um tipo especial de átomo depositado pelo Sol na superfície lunar, o hélio-3, passaria a ser um recurso valiosíssimo, o “novo petróleo” — ou (b) de investimentos pesados na ocupação de outros, ahn, espaços do espaço, como os pontos de estabilidade entre a Terra e a Lua e entre a Terra e o Sol.
O que gera a questão, e por que catzo as pessoas iriam querer investir nesses pontos?
Marte, por sua vez, tem um perfil de sustentabilidade melhor. Mas fica muito mais longe. Mas, de novo, falha no ponto 1, motivação. De novo, há alguns livros até que bem persuasivos sugerindo que Marte pode dar lucro. Até agora, no entanto, ninguém quis pagar para ver.

Discussão - 3 comentários

  1. André Souza disse:

    Acho que cai no mesmo comentário de que as pessoas pensavam em 69 que no ano 2000 teríamos carros voadores…Simplesmente não os temos pq não é mais necessário, tlvz devido aos avanços nas telecomunicações.
    Seria realmente necessário enviar e montar uma colônia na Lua?
    Já em Marte, se formos explorar minérios, o cinturão de asteróides é “logo ali”

  2. João Carlos disse:

    Existe um dado econômico mais difícil de enxergar a princípio. A Lua, por si só, não é economicamente compensadora… mas é como base de lançamento. A gravidade reduzida tornaria financeiramente viável a exploração de recursos do Sistema Solar. O problema é o de sempre: é um investimento altíssimo, que só um governo nacional do porte de super-potência pode fazer… e o retorno tem um prazo muito maior do que os mandatos eletivos.
    A comparação com a colonização européia das américas não cabe, porque a emigração de miseráveis era até bem recebida pela população das “metrópoles”. No caso da colonização espacial, seria exatamente o inverso: os “colonos” seriam escolhidos a dedo. (Não dá para imaginar alguém sendo “degredado” na Lua…)

  3. Wendell disse:

    Opa, em relação à essa módica bilbiografia (tanto da lua quanto de Marte), você poderia citar? Há algum tempo venho buscando por esse tipo de literatura 🙂
    Grato.

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