Dispers√Ķes de velocidades de um aglomerado de estrelas

Com o curioso t√≠tulo acima, este artigo tenta analisar o que seria do recorde ol√≠mpico dos 100m rasos, de 9,69 segundos, batido pelo Jamaicano Usain Bolt se ele n√£o tivesse come√ßado a comemorar mesmo antes de atravessar a linha de chegada. Usando duas hip√≥teses diferentes para os dois √ļltimos segundos da corrida: 1. que Bolt pudesse manter a acelera√ß√£o do segundo colocado Richard Thompson; 2. que Bolt pudesse manter uma acelera√ß√£o 0.5 m/s¬≤ maior que Thompson.

Assim, constataram que o novo recorde seria algo em torno de (9,61 ¬Ī 0,04) segundos para o primeiro caso e (9,55 ¬Ī 0,04) segundos para o segundo caso. A figura a baixo (clique para ampliar) mostra onde Bolt estava/estaria aos 9,5 segundos. √Ä esquerda o Bolt “real” e √† direita a proje√ß√£o para a segunda hip√≥tese.

Modelo Padr√£o de pel√ļcia

Voc√™ sempre quis ter representa√ß√Ķes em pel√ļcia das part√≠culas elementares? Seus problemas acabaram! Todas as esp√©cies do Modelo Padr√£o est√£o √† venda no site Particle Zoo. Os “bichinhos” s√£o inclusive recheados diferentemente de acordo com a massa da part√≠cula representada! Muito legal!

Os que achei mais legais são a, ainda hipotética, partícula de matéria escura

E o estranho Quark Estranho:

Assim que sobrar um dinheirinho, vou commprar uma porção deles.

Via Brontossauros em meu Jardim

Um Cientista na minha vida: Carl Sagan

Como toda criança, sempre fui muito curioso. Procurava saber de tudo um pouco. Mas talvez um pouco diferentemente da maioria, buscava o conhecimento não pelo prazer de obtê-lo mas pela chance de poder em seguida repassá-lo.

Contar para o outros o que aprendia era o que me dava realmente satisfação. Será que eu tenho o gene da Divulgação ao invés do de Pesquisa?

Enfim, cresci sem muitas influências científicas e tentava aprender de tudo sem o menor critério. Isso me fez explorar o insólito terreno das mais variadas e MUCHO LOKAS idéias: ufologia, teorias conspiratórias e outras.

Acontecimentos pessoais me fizeram mudar para uma vis√£o de mundo um pouco mais p√©-no-ch√£o, mas aquelas id√©ias MUCHO LOKAS ainda estavam categorizadas como “n√£o-imposs√≠veis” na minha mente.

E talvez por isso tenha escolhido uma carreira cient√≠fica. Queria aprender algo que me ajudasse a explorar o quanto de verdade havia naquelas id√©ias. A conclus√£o √© “praticamente nada”, mas isso √© outra hist√≥ria (uma raz√£o secund√°ria foi a perspectiva de fama, fortuna e mulheres proporcionada pela carreira de F√≠sico, que no fim tamb√©m foi uma mentira propagada pela m√≠dia, diga-se de passagem…).

Os livros de Carl Sagan foram extremamente importantes nessa mudan√ßa de mentalidade. Primeiro foi “O Mundo Assombrado pelos Dem√īnios”, em seguida “P√°lido Ponto Azul” e “Bilh√Ķes e Bilh√Ķes”. Livros que primavam n√£o s√≥ pela divulga√ß√£o de Ci√™ncia, mas principalmente pela divulga√ß√£o do PENSAMENTO Cient√≠fico.

E √© isso o que passei a considerar o mais importante na Divulga√ß√£o Cient√≠fica: mostrar n√£o O QUE pensar mas COMO pensar. Quando se mostra o funcionamento da Ci√™ncia, seus m√©todos, as armadilhas que nossa mente nos prepara, os erros que cometemos sem perceber, tudo isso atrav√©s de uma linguagem agrad√°vel, por vezes engra√ßada, e de fen√īmenos simples, temos uma divulga√ß√£o muito mais eficiente que escrever livros e mais livros sobre temas extremamente complexos (como parece ser a id√©ia de divulga√ß√£o de um certo cientista ingl√™s…) que acabam alimentando ainda mais as MUCHO LOKICES que propagando o pensamento e o gosto pelas ci√™ncias.

Carl Sagan despertou em mim o prazer pela Divulgação Científica, e a vontade de seguir esta carreira. A Física continua sendo minha paixão, e contaminar outras pessoas com essa mesma paixão é a missão a qual me dedicarei.

Este artigo faz parte da Blogagem Coletiva proposta pelo √Ātila (do Rainha de Copas) e o Carlos (do Brontossauros em meu jardim)

Do Higgs e de quando a tradução caga tudo

Volta e meia v√™-se a m√≠dia em l√≠ngua portuguesa fazendo refer√™ncias ao B√≥son de Higgs como a “Part√≠cula de Deus“. Algumas pessoas MUCHO LOKAS em seguida podem concluir que os F√≠sicos consideram a exist√™ncia dessa part√≠cula como prova da exist√™ncia de um ser super-fod√°stico que se preocupa com se comemos porco aos s√°bados ou n√£o ou algumas outras coisas MUCHO mais LOKAS ainda.

O equ√≠voco √© at√© certo ponto compreens√≠vel j√° que uma r√°pida pesquisa pode nos levar ao livro The God Particle: If the Universe is the Answer, What is the Question?” de Leon M. Lederman. O t√≠tulo do livro pode dar a no√ß√£o de que Lederman pense que o Higgs seja algum tipo de chave para se entender, ou provar, a exist√™ncia de alguma divindade.

O Livro trata, na verdade, da hist√≥ria da F√≠sica de Part√≠culas Elementares de forma bem humorada, e o t√≠tulo vem do entusiasmo do autor (como afirma no pref√°cio das edi√ß√Ķes seguintes) com as perspectivas das futuras descobertas que seriam feitas no SSC (Superconducting Super Collider – acelerador de part√≠culas que seria construido nos EUA). O colisor, no entanto, foi cancelado logo ap√≥s o lan√ßamento do livro, deixando o t√≠tulo fora de lugar. Desnecess√°rio dizer que Lederman n√£o pretendia imprimir qualquer conota√ß√£o religiosa no t√≠tulo, apenas deixar claro (talvez claro demais) a import√Ęncia que a Part√≠cula teria para a F√≠sica de Part√≠culas (import√Ęncia que n√£o √© un√Ęnime deve-se dizer).

A M√≠dia, no entanto, comprou a id√©ia de que o Higgs teria import√Ęncia quase religiosa e n√£o perdeu tempo em fazer o termo God Particle praticamente onipresente nas reportagens sobre o assunto, n√£o s√≥ causando problemas com o significado do “apelido” mas tamb√©m com o exagero da import√Ęncia desse B√≥son. E a MERDA s√≥ aumentou com a tradu√ß√£o do termo para o portugu√™s. No lugar de “A Part√≠cula Deus” o nome que colou foi o “A Part√≠cula de Deus”, simplesmente piorando o mal entendido.

Digamos que o ele seja encontrado e que a m√≠dia noticie a descoberta da “Part√≠cula de Deus”, qual n√£o vai ser o tamanho do barulho religioso em torno disso? “Oh, os cientistas provaram a exist√™ncia de deus. Toma essa ateu feioso”. Desfazer a confus√£o pode levar bastante tempo.

Mas pior ser√° se o Higgs n√£o for encontrado e a teoria em torno dele for abandonada. Por qu√™? Ora, “A Part√≠cula de Deus” foi t√£o absorvida pelas camadas MUCHO LOKAS da sociedade que se for noticiada o abandono do Higgs ser√£o imediatas as manifesta√ß√Ķes de como a “Ci√™ncia Materialista” (como se houvesse outra) est√° jogando deus para escanteio e bl√° bl√° bl√°, dificultando ainda mais a populariaza√ß√£o da F√≠sica.

As conseq√ľ√™ncias acima podem at√© ser exageradas, mas mostram o quanto √© importante que os Cientistas sejam bastante cuidadosos com suas met√°foras (que podem se voltar contra eles facilmente), e que os Jornalistas evitem propagar termos que n√£o s√£o unanimidade entre os cientistas (NENHUM f√≠sico usa “Part√≠cula de Deus” e mesmo assim as reportagens afirmam “o B√≥son de Higgs, ou a Part√≠cula de Deus como chamam os cientistas”) s√≥ para gerar manchetes atrativas.

Einstein e a Religi√£o

Muitos religiosos ADORAM citar Einstein (“A Religi√£o sem a Ci√™ncia √© cega, a Ci√™ncia sem a Religi√£o √© aleijada“) como apoio √† mitologia judaico-crist√£. Essa cita√ß√£o est√° obviamente fora de contexto e o trecho original mostra praticamente o contr√°rio daquilo para o qual √© usado.

Mas se eles n√£o estiverem satisfeitos com a falta de apoio de Einstein √†s religi√Ķes institucionalizadas, e ainda acharem que Einstein apoiaria seus conceitos infantis de divindade, talvez devam tomar notas dos seguintes trechos de uma cole√ß√£o de cartas que est√£o indo a leil√£o:

“The word god is for me nothing more than the expression and product of human weaknesses, the Bible a collection of honourable, but still primitive legends which are nevertheless pretty childish. No interpretation no matter how subtle can (for me) change this.”

Ou:

A palavra deus para mim é nada mais que uma expressão das fraquezas humana, a Bíblia uma coleção de honráveis, mas primitivas lendas que são bastante infantis. Nenhuma interpretação, não importa o quão sutil, pode (para mim) mudar isso.

E ainda:

“For me the Jewish religion like all others is an incarnation of the most childish superstitions. And the Jewish people to whom I gladly belong and with whose mentality I have a deep affinity have no different quality for me than all other people. As far as my experience goes, they are no better than other human groups, although they are protected from the worst cancers by a lack of power. Otherwise I cannot see anything ‘chosen’ about them.”

Ou:

Para mim, a religi√£o Jud√°ica, como todas as outras, √© uma incarna√ß√£o das mais infantis supersti√ß√Ķes. E o povo Judeu, ao qual eu prazerosamente perten√ßo e com cuja mentalidade eu tenho uma profunda afinidade, n√£o tem qualquer qualidade diferente de outras pessoas. E at√© onde vai minha experi√™ncia, eles n√£o s√£o melhores que nenhum outro grupo humano, apesar de estarem protegidos dos piores canceres devido √† falta de poder. De outra forma, eu n√£o consigo ver nada de “escolhido” sobre eles.

Essas cita√ß√Ķes devem deixar claras as opini√Ķes de Einstein. Mas segurem seus cavalos! Ele tampouco advogava pelo Ate√≠smo, suas vis√Ķes eram muito mais sutis que os simples Sim ou N√£o.

Apesar de tudo isso, fica a lição que é uma completa tolice tentar justificar suas próprias crenças (ou descrenças) pela palavra de outrem. E ainda mais tolo usar a palavra deste como argumento para a conversão dos que pensam diferentemente.

Via Pharyngula

PS: Favor notificar problemas na tradu√ß√£o das cita√ß√Ķes.

Pequenos Erros, Grandes Confus√Ķes

Abra qualquer livro didático de Ensino Fundamental, ou mesmo de Ensino Médio, e será grande a probabilidade de se encontrar uma imagem esquemática muito semelhante a esta:

O que ela quer dizer? Que a órbita, o caminho percorrido pela Terra, ao redor do Sol Рlinha preta Рé elíptica e que o Sol não está no centro, mas sim em um dos focos da Elipse.

De fato, √ďrbita √Č el√≠ptica e o Sol EST√Ā em um dos focos. Mas ser√° que essa figura representa o que realmente se passa? N√£o exatamente. A excentricidade da √≥rbita da Terra √© muito pequena de forma que se assemelha muito a uma circunfer√™ncia. Os focos ficam muito pr√≥ximos uns dos outros e o Sol fica aproximadamente no centro da √≥rbita.

O leitor pode considerar que tais diverg√™ncias n√£o possuem muita import√Ęncia, afinal os fatos est√£o sendo apresentados apesar da representa√ß√£o n√£o ser a mais correta. Eu poderia concordar com o leitor se as conseq√ľ√™ncias parassem por a√≠. Mas n√£o √© isso que acontece.

Em primeiro lugar, cabe-se criticar o uso de linhas cont√≠nuas para a representar-se as √≥rbitas. Pode parecer engra√ßado, mas n√£o √© raro que as crian√ßas pensem que essas linhas est√£o realmente l√° “segurando os planetas”, principalmente quando n√£o s√£o alertadas pelos professores que s√£o linhas imagin√°rias.

Outra confus√£o √© aquela relacionada √† origem das esta√ß√Ķes do ano. Devido √† utiliza√ß√£o de diagramas semelhantes ao mostrado acima, os alunos (e MUITOS professores!) concluem que elas s√£o conseq√ľ√™ncia da varia√ß√£o da dist√Ęncia entre a Terra e o Sol no decorrer do ano (quando a Terra est√° mais perto Sol √© Ver√£o, e quando est√° mais longe √© Inverno) quando na verdade √© a inclina√ß√£o do eixo de rota√ß√£o da Terra que provoca a altern√Ęncia das esta√ß√Ķes.

Mas talvez ainda mais importante que os dois erros anteriores seja a quest√£o da escala dos corpos na figura. Os tamanhos relativos entre Terra e Sol s√£o absurdamente diferentes da forma apresentada acima. Evidentemente que a criei nessas propor√ß√Ķes para ressaltar o erro, mas, na melhor das hip√≥teses, o que o livro did√°tico demonstrar√° √© uma diferen√ßa um pouco maior entre eles.

N√£o espero que os esquemas mostrados nos livros estejam perfeitamente em escala, j√° que o espa√ßo necess√°rio para isso pode ser proibitivo. Por outro lado, espero que os livros tragam, ao menos, informa√ß√Ķes que comparem os tamanhos dos planetas e do Sol com objetos do cotidiano.

Assim, alunos e professores (√© incr√≠vel o n√ļmero de professores que se impressionam quando v√™em um esquema em escala, feito de isopor por exemplo, comparando Terra e Sol) poder√£o ter melhor no√ß√£o dos tamanhos e dist√Ęncias dos componentes do Sistema Solar, e, juntamente com esquemas mais precisos, tamb√©m de seus movimentos.

Isso não é ensinar Física!

Considere a associação de resistores ao lado, onde todos os resistores possuem resistência R, e calcule a resistência equivalente entre os pontos A e B.

Agora considere o quanto tal exerc√≠cio √© irrelevante para a compreens√£o do fen√īmeno da resist√™ncia el√©trica j√° que n√£o passa de um quebra-cabe√ßa l√≥gico que n√£o envolve sen√£o perifericamente o conceito f√≠sico.

E pergunte-se por que se perde tempo das aulas, e espa√ßo nos livros, de F√≠sica tentando fazer os alunos resolverem tais associa√ß√Ķes bizarras de resistores quando mal devem ter entendido a origem e as conseq√ľ√™ncias da resist√™ncia el√©trica.

Esse tipo de situa√ß√£o ilustra como a F√≠sica ensinada nas escolas est√° longe do que deveria ser efetivamente ensinado. No lugar de aprender-se a investigar os fen√īmenos naturais de forma cr√≠tica, aprende-se a resolver centenas de exerc√≠cios que, na maioria das vezes, n√£o possuem qualquer conex√£o com o universo real. Em vez de ensinar-se os modelos que tentam explicar diversos fen√īmenos do cotidiano, ensina-se frases e m√ļsicas para se decorar equa√ß√Ķes. E ainda perguntam o porqu√™ de os alunos terem tanta repulsa pela disciplina…

Antes de outra coisa quero ressaltar que s√£o importantes a resolu√ß√£o de exerc√≠cios e a abordagem matem√°tica dos fen√īmenos. Minha cr√≠tica aqui n√£o √© em defesa de um ensino de F√≠sica apenas Qualitativo, mas sim de que os professores observem melhor aquilo que ensinam. Perde-se muito tempo com o irrelevante, para depois ensinar-se “nas cochas”, ou nem ensinar, conceitos important√≠ssimos!

Quantos não devem ser os professores que passam meses e mais meses ensinando Movimento Retilíneo Uniforme ou mesmo, num surto de eficiência, Uniformemente Variado, para depois nem passar perto de Conservação de Energia e Momento?

Quanto tempo √© perdido calculando-se a for√ßa resultante de diversas configura√ß√Ķes de carga el√©trica quando o aluno n√£o deveria sair do Ensino M√©dio sem conhecer os fen√īmenos eletromagn√©ticos, como a transmiss√£o de ondas de r√°dio, e que acabam negligenciados?

O que √© mais importante nos dois casos anteriores? Os primeiros ou os √ļltimos?

Al√©m disso, quanto tempo n√£o poderia ser usado proveitosamente para se ensinar rudimentos de F√≠sica Moderna para que os alunos possam, no m√≠nimo, n√£o serem enganados pelos “misticismos qu√Ęnticos” vendidos por a√≠?

E vocês, leitores, o que pensam sobre isso?

O best-of de colis√£o entre Gal√°xias

Foram liberadas novas imagens de colis√Ķes entre gal√°xias obtidas pelo Telesc√≥pio Espacial Hubble. A palavra Colis√£o pode ser um pouco enganadora j√° que dif√≠cilmente os objetos que formam cada uma colidem entre si, apesar de, devido √† “bagun√ßa” gravitacional da intera√ß√£o, estrelas e planetas possam ser atirados para longe de suas gal√°xias de origem. Entretanto, a intera√ß√£o entre os gases que as formam desencadeia intensa forma√ß√£o de estrelas. E no fim dessas intera√ß√Ķes, como √© atualmente aceito, ser√£o formadas (ou se formaram, dada a dist√Ęncia no tempo em que as colis√Ķes come√ßaram) Gal√°xias do tipo Eliptica.

A Via L√°ctea (a Gal√°xia a qual pertence o Sol) e a Gal√°xia de Andr√īmeda (tamb√©m chamada de M31) est√£o tamb√©m em rota de Colis√£o, que deve acontecer dentro de 3 a 4 bilh√Ķes de anos (n√£o consegui uma boa confirma√ß√£o dessa informa√ß√£o, algu√©m pode ajudar?). Depois da primeira colis√£o, as gal√°xias v√£o atravessar uma a outra, se afastar e voltar√£o a colidir. E assim um bom n√ļmero de vezes at√© que ambas se fundam numa √ļnica Gal√°xia.

Clique nas imagens para obt√™-las em resolu√ß√Ķes maiores.

Mais imagens no Hubblesite

Fractal de Supermercado

Uma estrutura fractal é aquela em que quando tomamos um pequeno segmento obtemos uma figura que possui uma aparência muito semelhante, se não identica, à aparência do todo.

Considere por exemplo a figura abaixo, em que essa propriedade é bastante evidente (clique para ampliar).

Outra estrutura fractal, dessa vez natural, famosa é o Brócolis Romanesco (clique para ampliar):

Mas não foi sem surpresa que li neste site que a utilização de recursibilidade em embalagens de produtos recebe o nome de Efeito Droste. Da mesma forma que nos fractais uma mesma estrutura aparece na figura em diversos níveis de aproximação, podemos observar em algumas embalagens, por exemplo, algum personagem que segura a própria embalagem do produto, embalagem esta que também possui o personagem segurando também o produto e assim sucessivamente e, se não houvesse limitação de resolução, indefinidamente. Por exemplo:

O uso do Efeito Droste parece ter caido em desuso atualmente. Enquanto escrevia não consegui me lembrar de nenhum outro produto comercializado no Brasil que o usasse a não ser o Fermento em Pó Royal. Alguém lembra de algum outro?

Complexidade n√£o implica Profundidade

A tolice ininteligível e vazia abaixo, especialmente a parte que coloquei em negrito, pertence a um marcador de páginas de divulgação de um livro de David Bohm chamado Totalidade e a Ordem Implicada.

Nesta obra cl√°ssica, o professor David Bohm desenvolve uma teoria de fisica qu√Ęntica que trata a totalidade da exist√™ncia como um todo ininterrupto. Escrevendo de modo claro e sem jarg√£o t√©cnico, ele torna id√©ias complexas acess√≠veis a qualquer pessoa interessada na natureza da realidade. O tema central aqui abordado √© a totalidade indivis√≠vel da totalidade da exist√™ncia como um movimento em fluxo indivis√≠vel sem fronteiras. Torna-se claro que a ordem implicada √© particularmente adequada para o entendimento de tal totalidade, tendo em vista que, na ordem implicada, a totalidade da exist√™ncia √© envolvida em cada regi√£o de espa√ßo e tempo. Bohm mostra que qualquer parte, elemento ou aspecto que possamos abstrair no pensamento continua a envolver o todo e est√°, portanto, intrinsecamente relacionado com a totalidade da qual foi abstraido.

David Bohm √© mais conhecido pela descoberta do efeito Aharonov-Bohm e pela sua interpreta√ß√£o de Vari√°veis Ocultas para a Mec√Ęnica Qu√Ęntica (que me parece ser solenemente ignorada atualmente [1]).

J√° o livro citado parece ser um tratado de divulga√ß√£o de sua interpreta√ß√£o, al√©m de outras discuss√Ķes filos√≥ficas relacionadas √† Mec√Ęnica Qu√Ęntica, mas acaba caindo no erro comum de tentar aplicar a MQ para assuntos diversos com a consci√™ncia (ser√° Bohm aquele que iniciou essa mania mistic√≥ide de achar que a MQ explica a consci√™ncia? Grrr ).

Enfim, outros defeitos a parte, duvido muito que Bohm possa ter escrito de forma clara e sem jarg√£o suas id√©ias. Se o resumo, feito por algu√©m que deve ter lido o livro, √© capaz de ser t√£o vazio e inintelig√≠vel n√£o seria isso um simples reflexo do conte√ļdo do livro? Ou talvez seja apenas uma estrat√©gia para atrair certos idiotas certas pessoas altamente espiritualizadas para comprarem o livro pensando que complexidade implica profundidade?

[1]: Imagino que a maioria dos F√≠sicos esteja pouco se lixando para as interpreta√ß√Ķes da MQ, sendo adeptos do “Shut up and Calculate” Feynmaniano (que, ali√°s, talvez nem tenha sido dito por Feynman).

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