Arquivo di√°rios:4 de julho de 2017

Como é a vida profissional de um paleontólogo brasileiro?

Ou… os motivos pelos quais, √†s vezes, atrasamos os posts?

Não se trata apenas de esclarecer os motivos pelos quais, às vezes, não conseguimos postar nas terças, ou mesmo que uma semana ou outra o nosso blog não tenha nenhum post novo. A realidade do profissional paleontólogo brasileiro não é simples. E vou lhes explicar o porquê.

Em geral, ao se optar por ser paleont√≥logo no Brasil, se tem tr√™s op√ß√Ķes:

  • Forma√ß√£o em n√≠vel superior em Geologia, Geografia ou Biologia (na realidade n√£o existe uma limita√ß√£o quanto a qual gradua√ß√£o foi cursada; eu mesma conhe√ßo m√©dicos e engenheiros que s√£o paleont√≥logos); aqui temos 4 ou cinco anos de estudo.
  • Cursar p√≥s-gradua√ß√£o em Geologia, Geoci√™ncias ou afins, em que a √°rea de concentra√ß√£o seja Paleontologia. As universidades brasileiras de maior tradi√ß√£o nesta √°rea, na p√≥s, s√£o a UFRGS e a UFRJ.

Depois de defendido o mestrado e/ou o doutorado (que, podem representar cerca de 6 anos de estudos após a graduação, dois anos para o Mestrado e até 4 para o Doutorado), o mercado de trabalho, sob o meu ponto de vista, se resume a:

  • Trabalhar em universidades particulares ou p√ļblicas (o profissional aqui normalmente assume o papel de professor e pesquisador);
  • Trabalhar em museus (nesta categoria eu inclu√≠ paleoartistas, pesquisadores, curadores);
  • Trabalhar em empresas p√ļblicas ou privadas (pesquisadores, consultores). Aqui temos empresas de consultoria, ou mesmo o DNPM, Petrobr√°s, CPRM, por exemplo.

A op√ß√£o 1, provavelmente, √© a que mais emprega os paleont√≥logos brasileiros. Infelizmente eu n√£o tenho dados num√©ricos para mostrar a voc√™s, mas digo isso em fun√ß√£o de que o n√ļmero de museus, no pa√≠s, n√£o √© t√£o grande quanto o de universidades e faculdades. Possuindo ao menos o curso de Biologia dentre as gradua√ß√Ķes, j√° existe a possibilidade de contrata√ß√£o de um paleont√≥logo, pois, de acordo com o CFBio, Geologia e Paleontologia s√£o disciplinas obrigat√≥rias do curso. J√° √≥rg√£os p√ļblicos n√£o abrem muitos concursos na √°rea espec√≠fica de paleontologia, e o n√ļmero de vagas √©, normalmente, bastante restrito. Consultorias em paleontologia s√£o bastante recentes no pa√≠s, e se sustentar trabalhando unicamente nesta √°rea, me parece invi√°vel atualmente.

Tendo experi√™ncia profissional em universidades particulares e p√ļblicas eu posso falar com um pouco mais de detalhe e propriedade sobre as atividades que se assume, quando nestes cargos. O trip√© das universidades √© formado pelo ensino, pesquisa e extens√£o, e s√£o essas (algumas) das √°reas que atuamos.

Ensino РAlém de ser responsável por uma ou mais disciplinas ao longo dos semestres (na graduação e na pós-graduação), nós podemos orientar alunos em diversos níveis de ensino; pode ser iniciação científica em graduação, orientação de mestrado ou doutorado, supervisão de pós-doutorado, ou orientação de monitores que nos acompanham e auxiliam durante as disciplinas, na graduação.

Pesquisa – Sobre a pesquisa, em especial nas universidades p√ļblicas, √© bem comum termos que assumir e desenvolver projetos de pesquisa com a colabora√ß√£o de alunos e colegas (professores e pesquisadores), e tamb√©m captar fundos para desenvolver o projeto e aprimorar as condi√ß√Ķes de trabalho nos laborat√≥rios que usamos. Al√©m disso temos que publicar os resultados das pesquisas na forma de cap√≠tulos de livros, resumos ou artigos cient√≠ficos.

Extens√£o – Envolve a divulga√ß√£o do que fazemos para a comunidade de fora da universidade; isso pode se dar na forma de cursos, exposi√ß√Ķes, livros ou mesmo como este blog.

Outras РAlém disso, eventualmente (com a progressão da carreira docente) temos que assumir cargos administrativos como coordenação da graduação, chefe de laboratório, chefe de departamento, ou mesmo cargos que exigem vasta experiência e atuação no ensino superior, como a diretoria do instituto, ou mesmo a reitoria da universidade.

Em meio a tantas tarefas que se sobrep√Ķem, √© preciso continuar se atualizando, aprendendo e tentando melhorar. Fazemos isso lendo, discutindo com os colegas da √°rea, publicando, participando de congressos e trabalhos de campo, entre outros meios.

Resumidamente, o nosso dia-a-dia é assim. Portanto, perdoem-nos se às vezes acabamos mudando o dia de publicação ou não publicamos o texto. As tarefas se multiplicam, em especial nos finais de semestres letivos!