O papa na universidade

Então, parece que estudantes e professores da Universidade La Sapienza, em Roma, conseguiram fazer Joseph Ratzinger (a.k.a. papa Bento XVI) se sentir persona non grata e cancelar uma visita à instituição, fundada, aliás, por um outro papa, há uns 700 anos.

O ponto crítico parece ter sido a memória de um discurso feito por Ratzinger há duas décdas, no qual ele citava, aparentemente em tom de aprovação, um comentário do teórico da ciência Paul Feyerabend sobre o julgamento de Galileu. (Aliás, Ratzinger, o inimigo número 1 dos relativismos, citando Feyerabend, o pai da “anarquia epistemológica“? O que é isso, minha gente?).

Para além da questão do oportunismo retórico de Ratzinger, no entanto, o verdadeiro debate é sobre a questão da liberdade de expressão: teria sido Sua Satidade “censurada” pelo público de La Sapienza, ao se ver constrangido a não comparecer à instituição e não falar para os estudantes?

Existe, aí, uma outra questão, oculta: a da adequação. Digo, um cara da platéia de repente se levantar e começar a cantar pagode no meio de conconcerto de Mozart é uma instância de “liberdade de expressão”, mas altamente inadequada. Eu não classificaria a atitude de mandá-lo calar a boca, ou uma intervenção moderada de leões-de-chácara, como atitude fascista, liberticida ou coisa do gênero.

Minha humilde opinião: um discurso do papa em uma universidade secular só será adequado (a) se ele estiver servindo de cobaia para “scholars” de religião ou (b) no dia em que alguém como Christopher Hitchens for convidado para falar à multidão na Praça de São Pedro.

Discussão - 2 comentários

  1. Daniel disse:

    Mais um exemplo de aliança entre pós-modernismo e religião.

  2. Patola disse:

    Sobre Feyerabend, que em minha opinião foi um obscurantista oportunista que chegou na hora mais crítica possível para proteger os charlatães do ataque do choque com a realidade e que espalhou idéias loucas e sem propósito como a separação entre Ciência e Estado, só posso recomendar a leitura desse texto excelente, em três partes: Ambivalent about method. Ainda pretendo traduzir tudo para português.

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