O fetiche do sofrimento

Religiões em geral, e o cristianismo em particular, com sua ênfase em sacrifício e a assimilação do estoicismo helênico pelos pais da igreja, cumprem uma função histórica de conciliar duas emoções antagônicas do ser humano — a sensação de impotência perante o sofrimento e a fome de relevância pessoal desencadeada pelo narcisismo.

Essa conciliação se dá quando se empresta ao sofrimento um sentido: nenhuma dor é gratuita; sofrer é bom para você; sua penúria será recompensada no além; a tragédia faz parte de um plano cósmico.

Não devemos nos apressar em condenar esse tipo de placebo psicológico. Afinal, durante milênios, tratou-se do único analgésico disponível.

Mas, com o surgimento dos antibióticos, da anestesia, da psicologia e psiquiatria, a situação tornou-se insustentável. A religião se transformou numa espécie de repartição pública sem função, lutando furiosamente para não ser fechada na próxima reestruturação do serviço.

Os pastores protestantes que atribuíram terremotos e incêndios à disseminação de vacinas e pára-raios estavam, ao menos, sendo coerentes: o cristianismo é, ao fim e ao cabo, o culto de um deus sádico, que cria seres imperfeitos apenas para obrigá-los a sofrer a fim de expiar pecados que não tinham como evitar cometer.

Daí, não há nada de surpreendente na evidente crueldade da oposição religiosa aos estudos com células-tronco embrionárias, mesmo se feitos a partir de embriões congelados e já inviáveis.

O dia em que o mundo não for mais um vale de lágrimas, o crsitianismo estará emparedado.

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