Os papéis de Armstrong

Muita gente, incluindo muita gente muito inteligente com quem costumo concordar na maior parte do tempo (por exemplo, Bob Park, o autor da imperdível newsletter What’s New), considera as viagens tripuladas ao espaço uma perda de tempo e de dinheiro.
Já eu acho que o programa espacial tripulado é o que há de mais nobre e importante entre todas as preocupações da humanidade. Acabar com a fome, a pobreza, a diarréia e a aids? Isso pode esperar. As colônias em Marte, não.
Óquei, dizendo assim soa estranho, insensível e irracional, mas o melhor que posso levantar em minha defesa é citar Tsiolkóvski: não se pode viver para sempre no berço. E muitos dos problemas da humanidade contemporânea (incluindo a fome a a diarréia), desconfio, vêm do fato de que já estamos mesmo grandes demais para este berço chamado Terra — o que não é bom nem para nós, nem para ela.
E por que essa introdução toda? Porque chegou a notícia de que Neil Armstrong está doando seus papéis particulares para a Universidde Purdue. Armstrong e cerca de uma dezena de outros homens (e nenhuma mulher) são os únicos seres humanos a já terem pisado na superfície de outro corpo celeste. 
Num mundo massificado, de experiências massificadas, onde nenhuma sensação é impossível para quem estiver disposto a pagar o preço adequado, essa dúzida de homens tem algo em comum apenas uns com os outros, e com ninguém mais. Eles sabem algo que os outros bilhões de seres humanos nunca poderão saber: o que é andar na Lua. 
Que efeito isso teve sobre eles? E sobre Armstrong, o primeiro de todos? Parte da resposta talvez esteja nos papéis doados a Purdue. Mas a resposta completa, só há um jeito de saber: indo até lá.

Discussão - 10 comentários

  1. Juquinha disse:

    Ah, o velho problema do humanitarismo…
    Por que “Deus” não coloca uns “poços de petróleo” e umas “armas biológicas invisíveis” lá nos “países com problemas sociais”, só pra termos um motivo para “derrubar o poder” que impede o desenvolvimento destes países?

  2. João Carlos disse:

    Um tema recorrente na Ficção Científica é que, algum dia, a humanidade vai ter que deixar a Terra (e o Sistema Solar, por falar nisso…) Se a espécie pretende sobreviver ao planeta, é bom começar a tratar disso logo…

  3. Carlos Magno disse:

    O petróleo no mundo está acabando. Há previsões de mais 20 anos. Será?
    Mas suponhamos que acabe, ou se torne de extração insuficiente para produzir combustível em alta escala; como ficariam as viagens espaciais?
    Acho, então, que além dos papéis de Armstrong, será a hora de se rever os papéis de Nicolas Tesla, que dizia existir energia livre, abundante e inextinguível na atmosfera.
    Quem sabe, a partir daí, as naves pesadas de hoje, astronomicamente dispendiosas, e extremamente poluentes, seriam leves, com vôos acima até da velocidade da luz?
    Imaginar e sonhar não custam nada!
    Mas se pudermos chegar a isso, por que não antes matar a fome do mundo e acabar com a diarréia? Sem guerras exterminadoras, claro!

  4. cretinas disse:

    Oi, Magno!
    O petróleo não é um insumo direto dos vôos espaciais; os grandes foguetes usam hidrogênio.
    Quantoa Tesla, a idéia dele não era extrair energia da atmosfera, era transmitir a energia gerada em usinas pela atmosfera, sob a forma de campos magnéticos. Mas se as pessoas já encrencam com a radiação dos celulares, não sei se o processo dele seria bem aceito…

  5. Carlos Magno disse:

    Cretinas:
    Já deu para notar que eu devia ter googado antes de falar de combustíveis usados pela NASA, embora utilizem tanques de combustíveis sólidos.
    Quanto ao Tesla, fala-se muito de suas idéias fantásticas, que ele conhecia um tipo de energia na atmosfera chamada por alguns de Tachyon, definida como partícula subatômica mais rápida do que a velocidade da luz.
    Dizem que em seus experimentos ele conseguiu converter essa energia, antes energia livre. Mas muitos de seus projetos foram confiscados após sua morte. E como eu disse, talvez seja a hora de reestudar seus papéis.

  6. Dimitri disse:

    @Carlos
    Talvez você devesse ter googlado “tachyon” também.

  7. Carlos Magno disse:

    Dimitri:
    Gostaria de chamá-lo mestre, mas ainda não consigo. Explique-me melhor “tachyon”, please!

  8. Dimitri disse:

    Eu também não sei o que é “tachyon”.
    Mas também vou googlar, e vou ler as 10 primeiras páginas que retornar.
    Vejamos…
    Aqui já diz que é uma energia usada para cura espiritual. Bem, isto parece razoavelmente coerente, já que ar em chines é chi, e todos sabemos que chi é energia espiritual. Boa associação ar=chi=tachyon.
    O que mais…
    Em Jornada nas Estrelas, tachyon era uma energia usada para abrir brechas o sub-espaço. Eu não sei direito o que é sub-espaço então passo pro próximo link.
    Wikipedia diz que é uma partícula hipotética, que viaja mais rápido que a luz, e que nunca foi encontrada para ser testada, ou no máximo comprovada.
    Bem, minha conclusão deve ser a mesma sua: Porque físicos de partículas não procuram esses tachions com os médicos espíritas/exotéricos?
    Talvez o google saiba esta resposta!
    Googlando-a…

  9. Carlos Magno disse:

    Dimitri:
    Se você buscasse noutras fontes, que não o razoável, – mas inúmeras vezes somente raso e quebra-galhos, – o “velho” e sempre generoso Google, – quem sabe você chegasse de leve na melhor definição dessa energia, somente na definição. Mas, puxa vida, seria um puta avanço! (desculpe, o calão, eu quis dizer: um grande avanço!).
    Mas acho que para seu espírito crítico o Google está legal, bem ao modelo – no tamanho mais do que justo para teóricos. Mas afinal, quem não é, ou não foi anos a fio somente teórico, não é mesmo? A teoria também é legal, alimenta a imaginação, é estimulante, tem lá seu relativo valor.
    Eu mesmo já fui apaixonado por livros e teorias, até que descobri, pasme prezado Dimitri, a prática nos assuntos aos quais tinha acesso somente pela leitura. É uma diferença abismal. E olhe, amigo, não desejo outra vida! Catarse legal essa, heim?
    Perdoe se as palavras lá em cima (deixe eu localizar para você…humm , ah! achei, ali onde começa com: mas acho que seu espírito…etc) possam até soar como um tolo axioma ou uma ridícula sentença. Perdoe-me, por favor, mas é a força do hábito de inúmeras vezes dialogar com pseudo céticos debochados, – e é sempre bom repetir, – teóricos redundantes, não você, claro!
    Somente uma correção, devido à sua desinformação: exotérico é bem diferente de esotérico. Mas não desanime com essa derrapada, acontece com todos que entram em seara alheia.
    Relaxe, eu não costumo reparar muito nessas coisas, entendo perfeitamente, acho até normal para quem não entende nada do assunto.
    Um grande e sincero abraço.

  10. Dimitri disse:

    Talvez meu ortografia esteja errada, mas existe uma diferença entre as palavras “teoria” e “hipótese”.
    Mas não importa realmente, pois eu não sou cientista, tampouco ateísta, e perdoe-me meu vocabulário, mas estou cagando pra isso tudo.
    Mas foi boa a maneira como você construiu uma imagem sobre minha pessoa. Esclarecedor.

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