Quebra-pau no Santo Sepulcro

Uma questão que muitos amigos religiosos me fazem é como impedir as pessoas de sair por aí cometendo fraudes e assassinatos, se elas se convencerem de que não são “nada além” do resultado de milênios de evolução por seleção natural — evolução essa que, por sua vez, não seria “nada além” do resultado de bilhões de anos de colisões aleatórias entre partículas no espaço.
Minha resposta geralmente é um tanto quanto complexa, envolvendo a idéia de que, primeiro, esses dois “nada além” não são tão “nada além” assim; segundo, que a ligação entre materialismo e amoralidade é um non sequitur, já que tanto a sociabilidade quanto a afetividade e o senso de certo e errado podem ser vistos como propriedades emergentes produzidas pela evolução; e  mais um monte de outras ponderações do gênero.
Mas notícias assim me fazem pensar que toda essa conversa não passa de uma perda de tempo, e que eu é que deveria estar cobrando argumentos de meus amigos: afinal, onde está a evidência de que a ilusão teleológica (de que a vida tem um sentido metafísico imposto por uma divindade bondosa) representa razão suficiente para levar as pessoas a se comportarem bem?  
Se nem os monges do Santo Sepulcro conseguem evitar cenas ridículas de pugilato…

Discussão - 4 comentários

  1. Carlos Magno disse:

    Verdade verídica, caro Cretinas.
    Passam-se os milênios e os homens de ciências e religiosos detém nas pontas dos cascos o incontido e irracional instinto da auto preservação.
    O ranger de dentes já é o sinal de que o frágil muro que separa o metafórico animal-homem do homem civilizado, romper-se-á a qualquer instante e o fará transgredir os limites do condicionamento. E ele passa a agredir e jogar os valores supostamente conquistados para abaixo da linha da consciência.
    Anos atrás vi cenas de semelhante pugilato entre budistas de diferentes denominações que disputavam um edifício. Foram agressões muito piores.
    Mas, também, ainda hoje horrorizados, lembramos dos hediondos homens mandatários de uma nação, ordenar o lançamento de duas bombas atômicas, – inventadas pelos cérebros cientistas, – sobre duas indefesas cidades, matando milhões.

  2. Igor Santos disse:

    Bombas atômicas em nações estrangeiras são impessoais.
    Já ataques diretos com espadas e pedras são muito mais horríveis e requerem muito mais sangue-frio e falta de decência e caráter, como os perpetrados pelos cruzados em nome da religião.

  3. João Carlos disse:

    O grande erro de todas as religiões é se auto-proclamarem “a única certa”… Mas isso não é um privilégio das religiões: toda vez que um grupo humano qualquer cria a ilusão de que «”nós” somos “melhores” do que os “outros”», lá vem besteira…
    E é sempre bom não esquecer que o racismo da virada do século XIX para XX se valia de conceitos pseudo-evolucionistas para “justificar” a prevalência da cultura européia sobre as demais… Ou seja, não é combatendo a religião que se chega lá: é combatendo a ignorância.

  4. Carlos Magno disse:

    Bem, pelos inacreditáveis argumentos de que bombas atômicas são amenizadas por que a guerra é impessoal e a monstruosa e covarde matança foi de 250.000 impotentes civis (danem-se todas as famílias dos japonas), pelos mesmos motivos analógicos Hitler estaria, senão anistiado, desculpado com tapinhas nas costas.

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