Criacionsimo põe as manguinhas de fora…

Seguindo, ainda que de modo menos estridente, a onda criacionista americana, várias instituições de ensino de inspiração cristã-protestante no brasil se lançam ao esforço de revestir o criacionsimo de um verniz de respeitabilidade intelectual.
A última tentativa nesse sentido foi da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que trouxe ao Brasil o matemático John Lennox, da Universidade de Oxford.
O Estadão publica neste domingo uma extensa entrevista com Lennox e, na edição online, um “rebuttal” do biólogo Diogo Meyer, da USP.

Discussão - 5 comentários

  1. Atila disse:

    Vi o John Lennox na mesa redonda do Mackenzie. Fiquei impressionado com o quanto ele abre mão da lógica, da realidade e do que mais for no debate sobre criacionismo.
    Me deu vergonha alheia.

  2. Roberto disse:

    Caro Atila,
    Os argumentos que se buscam para sustentar o criacionismo e suas variações, como o design inteligente, são todos desprovidos de lógica, realidade e critério.
    Lennox deveria ler o livro “Irreligion”, escrito pelo seu colega matemático John Allen Paulos (Hill and Wang, 2008), o qual lança a seguinte questão para ser discutida no seu livro: Quais são os argumentos lógicos que derrubam as sequências de afirmativas abaixo?
    Sequência 1:
    a) Tudo tem uma causa, ou talvez muitas causas.
    b) Nada pode ser sua própria causa.
    c) Cadeias causais não se perpetuam.
    d) Logo, deve existir uma causa primeira
    e) Esta causa primeira é Deus que, portanto, existe.
    Sequência 2:
    a) Várias coisas – seres vivos, as estrelas, ou o universo – são muito complexas (ou perfeitas) para terem surgido de maneira aleatória ou acidentalmente.
    b) Logo, estas coisas devem ter sido fruto de um criador.
    c) Portanto Deus, o criador, existe.
    Sequência 3:
    a) Os valores das constantes físicas que descrevem o universo, o balanço matéria/antimatéria, e várias outras leis da física são necessárias para a existência dos seres humanos.
    b) Seres humanos existem.
    c) Logo, as constantes físicas e as leis físicas devem ter sido “ajustadas” para que nossa existência fosse possível.
    d) Logo, o ser supremo que “ajustou” as constantes físicas, Deus, existe.
    Sequência 4:
    a) Deus é um ser maior do que tudo e todas as coisas.
    b) Entendemos a noção de Deus e de sua existência.
    c) Todavia, vamos assumir que Deus NÃO exista.
    d) Se entendemos a noção de um ser positivo e que este ser existe, logo este ser é maior do que seria se entendêssemos somente sua noção.
    e) Destas afirmativas, concluímos que, se Deus não existe, podemos conceber um ser maior do que Deus (tal como Deus, porém existente). Esta é uma contradição, já que Deus é a maior noção existente.
    f) Logo, Deus existe.
    Sequencia 5:
    Considere os seguintes eventos matemáticos: o atentado de 11 de setembro (11/9) é escrito em inglês como 9/11, que é o telefone para emergências nos EUA (911). Além disso, a soma dos dígitos 9+1+1 = 11. 11 de setembro é o 254o dia do ano. A soma dos dígitos 2+5+4 = 11. Depois do dia 11 de setembro restam 111 dias para o ano terminar. As torres gêmeas que foram atacadas no dia 11/9 pareciam um número 11, duas torres I I. O número do primeiro vôo da United Airlines que atingiu as torres gêmeas era 11. As palavras “New York City”, Afghanistan” e “the Pentagon”, tem 11 caracteres.
    a) Todas estas coincidências não podem ser um acidente.
    b) Deve existir uma razão para estas coincidências.
    c) Esta razão é Deus.
    d) Logo, Deus existe.
    Sequência 6:
    a) Quando um livro sagrado (seja a Bíblia, o Alcorão, etc.) mostra sua narrativa, pressupõe a existência de Deus.
    b) As pessoas lêem este livro a aceitam esta narrativa.
    c) A narrativa deve ser verdadeira.
    d) Logo, Deus existe.
    Sequência 7:
    a) A teoria da evolução e a ciência constituem nada mais do que uma maneira de ver o mundo. De maneira similar, o criacionismo e a Bíblia constituem uma outra maneira de ver o mundo.
    b) Estas duas maneiras de ver o mundo são equivalentes, aceitáveis e verdadeiras.
    c) A visão da Bíblia implica na existência de Deus.
    d) Logo, Deus existe.
    Sequencia 8:
    a) Deus é isto, é aquilo, e tudo o mais.
    b) A existência disto, daquilo e de tudo o mais é muito plausível, se não óbvio.
    c) Logo, Deus existe.
    Sequência 9:
    a) O mundo é complexo demais.
    b) Coisas semelhantes causam coisas semelhantes.
    c) Logo, somente algo muito complexo pode ter causado o mundo
    d) Esta causa é Deus que, portanto, existe.

  3. João disse:

    Estou esperando, para a semana que vem, uma página inteira do Estadão dedicada à defesa da tese de que a terra é chata. A coerência exige, e exige também que defendam a teoria dos humores na medicina, a astrologia e a homeopatia.

  4. Nichollas disse:

    Henry Margenau e Roy Abraham Varghese, editores do livro Cosmos, Bios, Theos, que foi produzido juntamente com outros 60 cientistas, 24 dos quais receberam um prêmio Nobel, confirmam a estrutura consistente da lógica e da analogia da ciência criacionista afirmando que “… só há uma resposta convincente para explicar a enorme complexidade e as leis do Unvierso – a criação por um Deus onisciente e onipotente.” (“The Laws of Nature Are Created by God” em Cosmos, Bios, Theos (LaSalle, IL: Open Court, 1992), p. 61).
    Além do mais quem é esse tal Diogo Meyer …

  5. cretinas disse:

    Nichollas, obrigado pela indicação bibliográfica. Mas a última linha de seu comentário ficou um tanto desnecessária, não? Diogo Meyer é um importante biólogo brasileiro; mesmo se não fosse, o que importam são os argumentos que ele oferece, não a autoridade que o nome traz à questão. Afinal, autoridade por autoridade, até ganhadores do Nobel falam abobrinha de vez em quando…

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