O uso de senhas de segurança é sustentável?

Esta não é uma questão ecológica, a menos que se considerem os números inteiros como uma espécie ameaçada (o que seria estranho porque, afinal, eles são infinitos). Mas há algum tempo chegaram aqui em casa novos cartões de crédito, em substituição a alguns que estavam vencendo. Todos com chip e senha.
Somando-se a isso a senha dos cartões de débito, a senha do computador do trabalho, a senha para editar este blog, as senhas das minhas contas de e-mail, do twitter, orkut, scribd… Bom, não dá. Simplesmente, não dá.
Existe um princípio irônico-matemático chamado Lei Forte dos Números Pequenos, que diz que “não existem números pequenos suficientes para dar conta de tudo que se exige deles”.
Essa “lei” foi sugerida originalmente como uma observação do fato de que várias séries numéricas começam da mesma forma (a On-Line Encyclopedia of Integer Sequences registra nada menos que 13.526 séries começando com 1,2,3…), mas ganha um novo significado neste nosso mundo de códigos de acesso. E ela também merece uma generalização, que poderíamos chamar de Lei Forte do Teclado Qwerty: não existem combinações aleatórias suficientes de caracteres arábicos, latinos e especiais para dar conta de tudo o que se exige deles.
Claro, matematicamente falando falando, as combinações possíveis de letras e números superam em muito a população da Terra (são 48 teclas no meu computador, sendo que cada uma delas pode gerar pelo menos dois caracteres, num total de 96. O total de senhas de seis caracteres que isso pode produzir é de 96 à sexta potência, ou quase 800 bilhões), mas na prática é preciso levar em consideração que (a) em várias partes do mundo já temos muito mais de uma senha por habitante e (b) a memória humana é falível, limitada, o que leva as pessoas a criar senhas em torno de padrões pré-estabelecidos ou a andar com os códigos anotados na carteira. O que derrota todo o propósito das senhas, para começo de conversa.
Enquanto a antropometria não chega, eu já tomei uma decisão, duplamente sudável: vou cortar radicalmente o uso de cartões de crédito.

Discussão - 8 comentários

  1. Danilo Guarda disse:

    Uma vez escutei uma coisa interessante sobre senhas e resolvi adotar a valiosa dica para o meu dia a dia.
    Como você… possuo muitas senhas (e-mails, orkuts, twiters…) e a dica era a seguinte. Use um radical fixo para todas as senhas e uma parte variável associada ao serviso que vc está utilizando. Um exemplo disso pode ser: Use as três ultimas letras do nome do serviço e três números fixos. No google sua senha ficaria “gle123”, no yahoo “hoo123” no twitter “ter123”
    Não sei se isso é muito seguro, mas está funcionando!

  2. Aprenda a criar e decorar senhas seguras sem ‘gastar’ o cérebro
    http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1034560-6174,00.html
    —————–
    []s,
    Roberto Takata

  3. cretinas disse:

    Gente, grato pelas dicas! O problema é que elas não resolvem de imediato — embora eu vislumbre uma ou outra adaptação possível — a questão das senhas estritamente numéricas… como a dos &¨%$#* cartões de crédito!!

  4. Igor Santos disse:

    Anote num papel e o prenda na porta da geladeira, onde você verá todos os dias. Eu fiz isso e consegui finalmente decorar as três letrinhas adicionais que o BB nos força a usar.
    Como na minha casa só vai amigo meu, acho que não tem problema, até porque eles não sabem do que se trata, mas uma segurança adicional seria escrever vários papéis com números aleatórios, desde que você consiga lembrar qual o verdadeiro e só olhe para ele todos os dias (o que não deve ser difícil por puro condicionamento), ignorando os outros.

  5. André Souza disse:

    Pq, pra senhas numéricas, vc não pensa em uma série de funções só sua e substitui o valor de n e “x”. Tabela as senhas de todos os lugares pelo valor do n ou de x (ou cria uma regra de parada), mas só memoriza a série e x ou n aplicado…qd vc precisar da senha de algum lugar, vc substitui a variável pela da tabela e calcula a senha…

  6. gabriel-dom disse:

    Eu uso a 3 senhas pra tudo o que faço. as o que importa nao é minha senha e sim a tecnologia usada pelo individuo mal intencionado. a motivaçao do cara tambem conta.
    eu tenho uma senha pra tados minhas contas online e uma senha do banco. Ninguem tem interesse em acessar meu orkut. ninguem quer ler meus e-mais. ninguem quer ver o gps do meu carro.
    isso me mantém seguro.
    se eu fosse o dono de um blog famoso eu me preocuparia mais.

  7. Sibele disse:

    Tb concordo que o uso de senhas está se tornando insustentável. Pelo andar da carruagem, logo, logo, precisaremos de outra alternativa… quem sabe a Infraestrutura de Chaves Públicas (ICP) não seja uma saída?

  8. Sandro disse:

    Isso me lembrou de uma conta bancária antiga, de um banco que nem existe mais… foi privatizado… enfim. Eu não decorei os números da senha, só a posição das teclas… fazia um movimento circular no sentido horário e ia apertando as teclas… funcionava legal até um dia encontrar um caixa eletrônico com as posições das teclas invertidas… hehehe… e não podia errar mais do que três vezes… acertei na terceira com um movimento no sentido anti-horário.

Envie seu comentário

Seu e-mail não será divulgado. (*) Campos obrigatórios.

Categorias

Skip to content

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM