Torturando números e o peso da culpa pelo CO2

Um velho ditado diz que é possível tortura números até que eles digam exatamente o que você quer ouvir. Acho que esbarrei num caso assim: um estudo norueguês que diz que, levando-se em conta o país onde são consumidos os bens, EUA. Austrália a Canadá são, sim, os maiores emissões e gases causadores do efeito estufa do mundo.
Ora, ora, ora.
O raciocínio é o seguinte: a China é o maior emissor. Mas a indústria chinesa emite para produzir bens que serão exportados para os EUA. Logo, se não houvesse a pressão de consumo nos EUA, essas emissões não ocorreriam. Logo, a culpa, no fundo, é dos EUA.
Leia novamente o parágrafo acima. Até o segundo ponto (que vem depois da primeira aparição de “EUA”) tudo o que está escrito são verdades reveladas pelos números. Mas as conclusões (introduzidos por “Logo” e “Logo”) fazem sentido?
Bolas, ninguém encostou um revólver na cabeça do governo chinês e disse “construa a base industrial mais suja e poluidora do mundo”, né? Certamente, os rednecks que lotam os walmarts do Alabama não fizeram isso.
Se os mercados não estivessem abarrotados de tranqueiras chinesas baratinhas feitas por semiescravos com energia suja de carvão, eles estariam abarrotados de alguma outra coisa, e John e Jane Smith estariam gastando suas doletas em outro lugar.
A única conclusão válida que parece emergir do trabalho norueguês é a de que é necessário criar metas de emissão para os países em desenvolvimento também — porque senão o que vai acontecer é uma mera transferência de tecnologia suja do centro para a periferia, sem impacto líquido nas emissões globais, que é o que interessa.

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