Bacará

Hoje em dia James Bond vai ao Cassino Royale jogar pôquer, mas em tempos menos plebeus (mais exatamente, nos anos 50, quando Ian Fleming escreveu Cassino Royale, o romance), ele jogava uma coisa muito mais chique, baccarat chemin de fer.
Simplificando ao máximo, o bacará e um jogo parecido com o 21, ou blackjack (segundo alguns cálculos de probabilidade, o blackjack é o único jogo de azar onde o apostador tem chance real de bater o cassino no longo prazo, escapando portanto do teorema da ruína do jogador. Mas não vá a Las Vegas contando com isso). Só que, em vez de fazer 21, no bacará o jogador deve fazer 9.
As cartas são contadas assim: o dez e as figuras valem zero (ou, no jargão do jogo, baccarat). As demais cartas valem o valor de face (o ás corresponde ao 1).
Matematicamente, o bacará é interessante porque, em vez de simplesmente “estourar”, como no caso do 21, o jogador que obtém uma mão maior que 9 passa a ter seus pontos contados “módulo 10”.
Dizer que um número A corresponde a B módulo C significa que a divisão de B por C produz resto A. Por exemplo, 2 corresponde a 14 módulo 12, porque 14/12 deixa resto 2. da mesma forma, 3 equivale a 15 módulo 12. Perceba que, num relógio de ponteiros, todos os horários da 1 da tarde até a meia-noite são lidos exatamente como se fossem números em módulo 12. E 12 módulo 12 é zero, o que pode ser interpretado como a zero hora do dia seguinte.
(Eu também poderia ter dito que no bacará, quando um total de pontos é igual ou maior que 10, só se considera o segundo dígito, mas qual seria a graça disso?)
Outro toque interessante do bacará é que ele transforma as probabilidades em questão de boas maneiras. Todo jogador começa recebendo duas cartas, com a opção de pedir uma terceira.
É considerado de bom tom o jogador abrir o jogo se totalizar 8 ou 9 nas duas cartas iniciais, pedir uma nova carta em totais de zero a quatro e não pedir nenhuma em totais de 6 ou 7 (mas manter a mão oculta, esperando o fim da rodada para revelar-se).
Apenas num total de 5 o jogador pode escolher livremente se quer ou não a terceira carta sem chocar os demais.

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