Ribossomos e o ‘mundo real’

Estava eu a comentar com uma colega de redação o Nobel de Química para os cientistas que obtiveram sucesso na cristalografia do ribossomo, e eis que ouço a pergunta (feita num tom entre a exasperação e o desinteresse puro e simples): “Tá, mas qual é o ‘mundo real’ disso?”
A pergunta me deixou meio abestalhado por alguns instantes. Minha primeira reação foi pensar em dizer algo como, “você, eu, a madeira da mesa, a carne que você comeu no almoço”.
Em vez disso, disse: “Ajuda a criar novos antibióticos”. Ao que ouvi: “Ah, tá”.
Juro que me senti como um daqueles sobrevencialistas americanos, que acham um absurdo as pessoas não saberem matar e esfolar um coelho, ou reconhecer ervas comestíveis no mato. Afinal, um dia sua vida pode depender disso… Só que senti não como se as pessoas tivessem perdido o contato com as bases da sobrevivência individual, e sim com as bases da sobrevivência da civilização.
O que é o ribossomo para o “mundo real”? Muito mais que qualquer um de nós, pô.

Discussão - 5 comentários

  1. Caro(a),
    Acredito que a enorme maioria das pessoas pensa que a ciência só é válida se servir para alguma coisa. Uma visão bem utilitarista. Além da total desinformação do que são ribossomos, claro.
    cordialmente,
    Roberto

  2. Joey Salgado disse:

    Hehe, fique feliz que pelo menos ela sabia o que é um ribossomo. Mas, de fato, é comum isso de as pessoas acharem que a inovação científica tem que virar tecnologia, para se vender na Amazon com 30% de desconto.
    Inté!

  3. Tiago Almeida disse:

    Olá.
    Como é meu primeiro comentário em seu blog, apesar de leitor assíduo, não posso deixar de elogiar seus textos e suas ideias, por mais “cretinas” que sejam.
    Quanto ao post: atrelar a sobrevivência da civilização ao conhecimento científico me parece interessante do ponto de vista analítico, só isso; saber a importância de um ribossomo vai nesse mesmo sentido. Dizer que conhecer um ribossomo seja fundamental para a realidade de todo e qualquer indivíduo me parece arriscado, pois subestima a visão de mundo alheia. Só quero dizer que há pessoas que vivem ou sobrevivem sem esse tipo de conhecimento, talvez até sem depender dele.
    Um abraço

  4. cretinas disse:

    Oi, Tiago! O que me espantou, mesmo, não foi nem o desprezo pelo ribossomo “em si” , mas o desprezo pelo valor intrínseco do conhecimento, que a um certo tipo de senso comum só se materializa quando surgem as tecnologias derivadas.

  5. Migosrs disse:

    Eu diria que pior que não conhecer (ou não querer conhecer) o ribossomo é como uma reportagem foi abordada, em um jornal da noite, de certa emissora carioca. Por eles, o ribossomo é a estrutura mais importante da célula. Isso lembra aquela piada entre o cérebro, coração e outros órgãos do corpo humano decidindo sobre quem é mais importante. Devemos dar graças ao Nobel por divulgar a existência do ribossomo. Complexo de Golgi, chegará tua vez.

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