A distância que agora nos separa foi outrora irrelevante…

20160902_200334Vou aproveitar o fato de estar participando de um congresso em outro continente (sim, escrevo este post diretamente da África!) para falar um pouco dos motivos que me levaram a participar deste evento, e que, em minha opinião, são bastante importantes na compreensão das relações que paleontólogos e geólogos estão acostumados a trabalhar no dia-a-dia.

Reconstrução do globo para o período Ordoviciano. A estrela marca o sul geográfico.
Reconstrução do globo para o período Ordoviciano. A estrela marca o sul geográfico.

A Table Mountain, atualmente, ponto turístico de alto relevância para quem visita a cidade do Cabo, na África do Sul, tem esse nome basicamente pelo seu formato (de mesa); e apesar de, hoje, ser um lugar em que é preciso subir cerca de 1.100 metros acima do nível do mar para atingir o seu topo (e caminhar sobre ele), há cerca de 460 M.a. (milhões de anos atrás) era uma bacia sendo preenchida por sedimentos sucessivamente marinhos e deltaicos/fluviais. Esta bacia era imensa e abrangia o Brasil também. Não havia, neste tempo, o oceano Atlântico entre a África e a América do Sul (!). E ambos os continentes (junto com a Índia, Antártica e Austrália) formavam um único continente austral, o Gondwana.

Table Mountain, Cidade do Cabo, África do Sul
Table Mountain, Cidade do Cabo, África do Sul

Isso tudo também significa que não é a primeira vez que eu vejo essas rochas na minha vida… apesar de ser a primeira vez que visito a África. Você está conseguindo seguir meu raciocínio? As mesmas rochas que temos em Table Mountain também estão atualmente expostas no Brasil! Não é o máximo?

 

Vim pra cá para, além de participar de um evento, conhecer as rochas e fósseis que ocorrem por aqui. Apesar de serem as mesmas com as quais trabalho no Brasil, as variações ocorrem e tentar compreender estas variações e suas causas, fazem parte de meu trabalho como pesquisadora.

Quais são, então, as relações que mencionei no primeiro parágrafo?

  • tempo profundo,
  • mudanças (paleo)ambientais,
  • tectônica de placas/deriva continental

Voltar ao passado e imaginar os ambientes de deposição dos sedimentos que formam estas (atuais) rochas… estas são algumas das formas de estudo de um geocientista.

 

No meu próximo texto vou falar sobre a contingência do registro fossilífero… mas nas próximas semanas teremos mais posts da Profa. Frésia e da doutoranda Flávia, não deixem de acompanhar; toda terça, um novo paleopost.

Sobre Carolina Zabini

Bióloga formada pela UEPG. Professora Doutora em Ciências, área de concentração em Paleontologia pela UFRGS. Atua com paleontologia de invertebrados (BRACHIOPODA: LINGULIDA) Devonianos da Bacia do Paraná, com ênfase em tafonomia.

6 pensou em “A distância que agora nos separa foi outrora irrelevante…

  1. Muito bacana a iniciativa de vocês de fazer um blog. Gostei do estilo e da linguagem, mas principalmente por vocês estarem combinando talentos para postar diversos olhares sobre a paleontologia, como também por trazerem temas próximos a nós. Sucesso meninas do PaleoMundo!

      1. É arriscado você perguntar se eu tenho sugestões porque tenho ideias demais! rsrsrsrsrs

        Uma primeira sugestão é que vocês podiam criar uma página no Facebook associada ao blog (http://maryqin.com/how-to-create-a-facebook-page/), em que cada post no blog reflita em um post no Facebook. Isso facilitaria às pessoas a seguirem o blog pela página do Facebook, dar likes na página, etc. Os comentários e compartilhamentos também ficariam centralizados.

        Abração,

        André

        1. Olá André, obrigada! é uma ótima sugestão! como estamos no início, por enquanto vamos manter o blog e divulgar novos posts pelo meu face e das outras autoras.
          Mas você pode se inscrever no blog para receber o aviso cada vez que postarmos algo novo.

          Abraços!!
          Carolina

  2. Otimo post, Prof. Carolina! O assunto, por si só, já é interessantíssimo, mas essa sua abordagem investigativa o torna ainda mais instigante! Sem duvida a Paleontologia e Geologia se tornam ainda mais lindas quando abraçam a tarefa de reconstituir os paleoambientes! Muito bom!

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