Arquivo di√°rios:19 de junho de 2018

Por que os filmes encantam a gente?

Ainda não assisti ao novo filme (Jurassic World), e vocês? Mas, claro, já me falaram muito bem dele.

‘Life cannot be contained. Life breaks free,
life¬†finds a way’

Neste post aqui foi comentado sobre¬† a (im)possibilidade de criarmos um dinossauro a partir de um genoma. Muitos v√≠deos na internet e muitos livros abordam o tema. Do ponto de vista paleontol√≥gico,¬† a preserva√ß√£o de material gen√©tico √© imposs√≠vel. A mol√©cula de DNA √© uma estrutura complexa e delicada, que se destr√≥i rapidamente (j√° falamos aqui sobre o processo de fossiliza√ß√£o). N√£o h√° como manter algo assim preservado numa rocha por milh√Ķes de anos. Ent√£o todo o in√≠cio da s√©rie de filmes Jurassic Park e Jurassic World n√£o √© cientificamente vi√°vel.

Mas n√£o √© por isso que hist√≥rias de fic√ß√£o baseadas em conceitos cient√≠ficos n√£o nos tocam. Conhe√ßo uma gera√ß√£o inteira de paleont√≥logos (vertebrad√≥logos, ou seja, que estudam vertebrados, dentre eles, dinos), que surgiu com o encantamento ocasionado pelo(s) filme(s). No caso da paleontologia, trazer alguns conte√ļdos √† tela foi excepcional.

Existem in√ļmeros posts e livros que podemos citar que debatem as etapas imposs√≠veis que deveriam ser ultrapassadas para criar a situa√ß√£o representada nos filmes, mas, vamos aos pontos positivos?

Jurassic Park trouxe…

1- …talvez pela primeira vez, dinos retratados como animais, n√£o como meros monstros malignos (apesar de eles gostarem de matar despropositadamente, mesmo nas s√©ries Jurassic Park e seguintes);

2- …uma representa√ß√£o muito acurada destes animais vivos. Eles s√£o imensos, desafiam a imagina√ß√£o de qualquer um! de seus restos criamos as lendas de drag√Ķes, deuses, e outros mitos em quase todas as culturas humanas… v√™-los em tamanho real, interagindo com pessoas, numa perspectiva extremamente realista √©, simplesmente, sensacional.

Uma das  críticas mais comuns da exposição de bonecos de dinos que temos atualmente no instituto é o fato de não termos quase nenhum em tamanho real (com exceção do pterossauro que não faz parte da expo em si, e do banner com 3 dinos em tamanho real Рmas não são bonecos, só fotos!);

3- …um pouco de ci√™ncia, no meio de muita fic√ß√£o. Mas √© isso que faz as pessoas se perguntarem:

  • tem gente que trabalha com dinossauros? sim, o paleont√≥logo, ge√≥logo ou bi√≥logo est√£o a√≠ pra isso (dentre outras fun√ß√Ķes)…
  • ser√° que √© poss√≠vel reconstruir um animal desses por um DNA preservado em √Ęmbar? j√° vimos que n√£o, mas…
  • e se tivessem mesmo como reproduzir um animal desses, o que poderia acontecer…? por mais que a hist√≥ria do filme traga muitas situa√ß√Ķes cr√≠ticas, refletir sobre o assunto, por si s√≥ j√° √© interessante;

Trazer as possibilidades à tona instiga as pessoas a saberem mais sobre a ciência; isso, por si só, é muito importante. A beleza da divulgação científica está em despertar o interesse. Plantar a semente.

4- …situa√ß√Ķes cr√≠ticas (ambientais, ecol√≥gicas, biol√≥gicas) num mundo -relativamente- real, com pessoas normais. N√£o s√£o super-her√≥is que lidam com os dinossauros. Em geral, os dinossauros n√£o s√£o monstros com poderes infal√≠veis, existe um certo compromisso com conceitos cient√≠ficos modernos. Essa proximidade conosco instiga nossa imagina√ß√£o e¬† desperta um efeito “wow”. √Č encantamento pelo grande, pelo desconhecido, pelo assutador.

Existem in√ļmeras maneiras de se divulgar ci√™ncia para o grande p√ļblico. Investir milh√Ķes de d√≥lares, em geral, n√£o √© algo dispon√≠vel para quem tem esse objetivo e trabalha na universidade; mas uma s√©rie de filmes como Jurassic Park e Jurassic World traz a oportunidade de debate na paleontologia. Muitas coisas podem estar cientificamente erradas ali. Muitas outras t√™m fundamentos corretos. Quais? Como? Porqu√™?
Leiam, comentem, assistam, debatam!

√Ȭ† assim que a ci√™ncia progride.