Bact√©rias na guerra contra o c√Ęncer

safe_imageVimos num post anterior, que bact√©rias id√™nticas em seu DNA podem tomar diferentes decis√Ķes quando est√£o sobre stress tais como escassez de alimento.¬†Diversas estrat√©gias tais como ficar dormentes (esporula√ß√£o), entrar em compet√™ncia ou at√© mesmo canibalismo s√£o utilizadas para aumentar as chances de sobreviv√™ncia da col√īnia.¬†Nos √ļltimos anos, tem aumentado o n√ļmero de evid√™ncias de que c√©lulas cancer√≠genas agem de maneira bastante semelhante. Utilizando um avan√ßado sistema de coopera√ß√£o e comunica√ß√£o celular, estas c√©lulas s√£o capazes de se espalhar pelo corpo colonizando novos √≥rg√£os (met√°stase) ou resistir a a√ß√Ķes cl√≠nicas tais como quimioterapia. Uma das maneiras de resistir a quimioterapia, por exemplo, √© pela estrat√©gia de tornar-se “dormente” adotada por algumas das c√©lulas do tumor, processo an√°logo a esporula√ß√£o das bact√©rias.

Atualmente, desvendar o sistema de comunica√ß√£o utilizado por c√©lulas cancer√≠genas tem sido foco de in√ļmeras pesquisas. Como em qualquer guerra moderna, destruir o sistema de comunica√ß√£o inimigo pode causar grandes danos. E na guerra contra o c√Ęncer provavelmente n√£o ser√° diferente. Impedir as c√©lulas de se comunicarem pode evitar que elas adotem estrat√©gias inteligentes tais como ficarem dormentes durante quimioterapia ou at√© mesmo matar c√©lulas irm√£s para obten√ß√£o de alimento. Uma vez entendido a linguagem utilizada por estas c√©lulas, podemos utilizar isto ao nosso favor, interferindo nas mensagens e fazendo com que c√©lulas dormentes sejam acordadas durante a quimioterapia ou at√© mesmo induzir as c√©lulas cancer√≠genas a matarem umas as outras.

Finalmente, uma poss√≠vel estrat√©gia futura seria recrutar bact√©rias para derrotar o c√Ęncer. Elas poderiam ser utilizadas para “ensinar” as c√©lulas do sistema imunol√≥gico a reconhecer e matar as c√©lulas cancer√≠genas. √Č importante ressaltar que ainda compreendemos muito pouco sobre os mecanismos envolvidos no c√Ęncer e novas abordagens s√£o necess√°rias para super√°-lo. Entretanto, quem sabe num futuro pr√≥ximo, estaremos¬†em uma era de guerra cibern√©tica biol√≥gica onde bact√©rias ser√£o inteligentemente projetadas para derrotar o c√Ęncer.¬†

Referências:

¬†‚ÄúBacterial survival strategies suggest rethinking cancer cooperativity‚Ä̬†Eshel Ben-Jacob, Donald S. Coffey, Herbert Levine. Trends in Microbiology. 2012.¬†

‚ÄúBacterial linguistic communication and social intelligence‚Ä̬†Eshel Ben-Jacob, Israela Becker, Yoash Shapira, Herbert Levine. Trends in Microbiology. 2004

Transposons: pedaços de DNA que mudam de endereço no genoma.

Mudança no padrão das cores do milho devido a interação entre os genes responsáveis pelo pigmento e elementos transponíveis.

Voc√™ sabia que alguns trechos de DNA t√™m a capacidade de mover-se no genoma, saindo de um cromossomo e se inserindo em outro? Pois √©, e esta descoberta foi feita h√° muito tempo atr√°s por uma brilhante cientista, antes mesmo da descoberta da estrutura do DNA por¬†Watson¬†e¬†Crick. Barbara¬†McClintock¬†ao observar a rela√ß√£o entre os padr√Ķes das cores do milho e algumas quebras¬†cromossomais, percebeu que algumas destas quebras ocorriam com uma freq√ľ√™ncia muito mais alta do que o esperado e, surpreendente, sempre no mesmo cromossomo. Ap√≥s uma s√©rie de experimentos, a cientista percebeu que esta quebra ocorria devido a inser√ß√£o de peda√ßos de DNA vindos de outros cromossomos que alteravam a express√£o dos genes de pigmento. Confiante nos seus experimentos, Barbara ent√£o prop√īs que havia elementos transpon√≠veis no genoma, ou seja, os genes n√£o tinham um endere√ßo fixo, mas tinham um mecanismo para movimentar-se dentro do genoma.

Se nos dias de hoje esta¬†ideia¬†parece bastante surpreendente, imagine como foi a recep√ß√£o desta ousada¬†ideia¬†no come√ßo da d√©cada de 50, quando a cientista come√ßou a publicar seus resultados. Eles foram ignorados e ridicularizados pelos seus contempor√Ęneos, levando a cientista a parar de publicar suas descobertas sobre o tema. Somente no in√≠cio da d√©cada de 70 alguns elementos transpon√≠veis foram identificados em bact√©ria validando assim a teoria de Barbara. Entretanto, o reconhecimento completo de uma das mais importantes descobertas da biologia somente aconteceu no in√≠cio da d√©cada de 80, quando a cientista foi homenageada com o pr√™mio Nobel.

Atualmente v√°rios estudos j√° relacionaram os elementos transpon√≠veis, chamados de¬†transposons, a uma s√©rie de doen√ßas e como grande fonte de variabilidade gen√©tica. Hoje sabe-se que boa parte do genoma √© composto destes elementos e dois mecanismos principais j√° foram identificados. O primeiro deles √© um mecanismo de¬†recortar-e-colar, onde alguns peda√ßos do DNA simplesmente saem de um lugar e movem-se para outra parte do genoma. O outro mecanismo √© do tipo¬†cortar-e-colar, gerando mais de uma c√≥pia no genoma. Este √ļltimo mecanismo √© chamado de¬†retrotransposons¬†e consiste em quase metade do genoma humano e ser√° tema de um pr√≥ximo¬†post.

 

FAQ #8 Como ver se a transformação gênica deu certo?

FAQ da Bioengenharia 8

Já colocamos nossos plasmídeos nos bichinhos, mas ainda não acabou. Essa é a hora de saber se tudo que fizemos até aqui deu certo!

Primeiro, colocamos eles na placa de seleção com antibiótico e só aqueles que realmente incorporaram o plasmídeo vão sobreviver porque ganharam um gene amigo de resistência ao antibiótico. Agora pegamos uma parte das células sobreviventes e fazemos um teste usando a PCR (você lembra dessa técnica, né?).
Como testar com a PCR?! Roubamos os plasmídeos dessas células e tentamos multiplicar o pedaço de DNA que foi grudado nele adicionando primers, nucleotídeos e enzimas sob aquecimento e desaquecimento. Se o nosso plasmídeo modificado tiver sido incorporado pelos micro-organismos haverá a multiplicação do pedacinho e podemos vê-los em uma eletroforese. Caso contrário, nada foi copiado e nada vai aparecer na eletroforese. Então temos o sinal de que alguma coisa não deu certo por aqui e as chances de erros deste teste são bem pequenas.

Depois vamos para um teste melhor ainda, o sequenciamento. Este teste diz exatamente qual √© a sequ√™ncia de pares de base da mol√©cula do plasm√≠deo e acabam de vez suas d√ļvidas se a transforma√ß√£o deu certo ou n√£o! O sequenciamento come√ßa parecendo um processo de duplica√ß√£o normal de DNA. Mas al√©m de cadeias molde, enzimas e nucleot√≠deos normais, h√° nucleot√≠deos especiais sintetizados (ddNTP’s) que possuem duas boas propriedades: emitem luz e interrompem o prologamento da cadeia a partir de onde foram adicionados. Ent√£o, imagine uma mol√©cula de DNA que possui um par de base A-T em um determinado comprimento e considere que a base A pertence √† cadeia molde e a base T √† cadeia complementar. Se esta base T for um nucleot√≠deo especial temos como identificar “quem √©” e “qual sua posi√ß√£o” na cadeia, pois ele emitir√° uma cor espec√≠fica para Timina e o comprimento de sua cadeia est√° interrompido na posi√ß√£o exata (n¬ļ 2 em verde).¬†Sequenciamento de DNAPodemos detectar a cor emitida atrav√©s de um espectr√≥grafo e a posi√ß√£o pelo tamanho revelado na eletroforese em gel (o sequenciador √© basicamente a uni√£o dos dois). Ou detectar o tipo de nucleot√≠deo presente n√£o pela cor, mas colocando os filamentos “lavados” por cada tipo de nucleot√≠deo em po√ßos diferentes do gel e interpretando a sequ√™ncia a olho nu/manualmente.¬†Depois de identificado o nucleot√≠deo da cadeia complementar √© poss√≠vel saber quem ocupa a mesma posi√ß√£o na cadeia molde, no caso citado √© a base Adenina.¬†Expanda esse racioc√≠nio para todas as outras bases da mol√©cula, com uma amostra grande teremos cadeias de todos os comprimentos poss√≠veis, interrompidas por um dos 4 tipos de nucleot√≠deos especiais (A, T, C, G), e assim √© poss√≠vel sequenciar toda a mol√©cula de DNA!

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Para saber mais sobre sequenciamento genético, clique aqui.

Por Otto Heringer e Viviane Siratuti.

 

FAQ #7 Como enfiar o plasmídeo nas células?

FAQ da Bioengenharia 7

Dar e receber plasmídeos não é nenhuma novidade para algumas células!

As bact√©rias costumam trocar informa√ß√Ķes gen√©ticas assim e esse processo √© chamado de conjuga√ß√£o, portanto elas j√° possuem toda maquinaria necess√°ria pra isso! Desse jeito elas aumentam muito a variabilidade e as chances de sobreviv√™ncia da popula√ß√£o.

Podemos usar esse mecanismo natural  para enfiar os plasmídeos, mas na maioria das vezes damos uma ajudinha usando choques térmicos ou elétricos.

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Para entender o choque térmico, assista o vídeo do JOVE aqui. E do choque elétrico, aqui.

Por Otto Heringer e Viviane Siratuti.

 

FAQ #6 Como ver se nossos plasmídeos incorporaram os pedacinhos de DNA?

FAQ da Bioengenharia 6

Sabendo o tamanho do plasmídeo e dos pedacinhos estimamos um tamanho para nosso novo plasmídeo e agora é só conferir se estão como esperado!

Para isso, existe uma t√©cnica de separa√ß√£o chamada eletroforese em gel, onde as mol√©culas s√£o ‚Äúpeneiradas‚ÄĚ por algum pol√≠mero (gel de poliacrilamida ou de agarose) quando se movimentam atra√≠das ou repulsadas pelos eletrodos de cargas opostas que s√£o colocados nas extremidades do gel. Ou seja, uma mol√©cula com carga negativa caminha para o eletrodo de carga positiva e vice-versa. E as mol√©culas de mesma carga correm de maneiras diferentes pelo gel de acordo com seus pesos moleculares e tamanhos, as menores e mais ‚Äúleves‚ÄĚ passam com mais facilidade pelo gel enquanto as maiores e mais ‚Äúpesadas‚ÄĚ ficam mais retidas.¬†No final, temos as mol√©culas separadas ao longo do gel e podemos comparar com a ladder (uma ‚Äúr√©gua‚ÄĚ feita de mol√©culas com pesos e tamanhos j√° conhecidos) para saber se nossos plasm√≠deos est√£o no tamanho esperado.

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Depois de confirmar pela eletroforese que nossos¬†plasm√≠deos foram modificados, precisamos ‚Äúsalv√°-los‚ÄĚ do gel para colocar nas c√©lulas. Basicamente, cortamos o peda√ßo de gel que est√° com nossos plasm√≠deos e colocamos em tubinhos com uma pequena coluna de s√≠lica dentro (imagem a√≠ embaixo). Ent√£o as mol√©culas de DNA se ligam √† coluna, fazemos uma lavagem para tirar o gel e depois dilu√≠mos o DNA para retir√°-lo da coluna!

 

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Para saber mais sobre eletroforese, assista o v√≠deo do JOVE Science¬†aqui¬†e purifica√ß√£o¬†aqui.¬†ūüôā

Por Otto Heringer e Viviane Siratuti.

FAQ #4 Onde colocar esses pedaços de DNA?

FAQ da Bioengenharia 4

‚ÄúNo genoma, n√©, d√™r!‚ÄĚ. Certo, mas como? E ser√° que o genoma √© o √ļnico lugar que podemos colocar esse novo pedacinho de DNA no micro-organismo que queremos modificar? N√£o! Existe outro lugar tamb√©m e ele se chama plasm√≠deo (quem j√° jogou BioShock vai soltar umas sinapses a mais agora).

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O plasm√≠deo √© um DNA circular presente em v√°rias esp√©cies de seres vivos e √© respons√°vel por conter informa√ß√Ķes valiosas envolvendo a sobreviv√™ncia do organismo a fatores externos (como por exemplo sua resist√™ncia a um antibi√≥tico), al√©m de ser o principal ator da transfer√™ncia horizontal de informa√ß√£o gen√©tica, ou seja, a passagem de um DNA funcional de um ser vivo para outro sem haver hereditariedade (√© a√≠ que o jogo BioShock extrapola isso para seres humanos).¬†Adivinha de onde veio a ideia de usar o plasm√≠deo como transmissor – “vetor” – de informa√ß√£o gen√©tica para modificar as c√©lulas? Veio exatamente desse mecanismo natural de realizar transfer√™ncia horizontal de genes que v√°rios micro-organismos possuem, ent√£o aproveitamos para fazer a transfer√™ncia das informa√ß√Ķes gen√©ticas que n√≥s queremos!

E se vamos usar plasm√≠deos √© preciso extra√≠-los tamb√©m!¬†Os plasm√≠deos s√£o mol√©culas de DNA assim como os pedacinhos obtidos a partir de um genoma, e multiplicados pela PCR, que vamos introduzir no microorganismo, mas aqui h√° uma etapa importante durante a¬†extra√ß√£o de DNA¬†onde √© feita a separa√ß√£o do conte√ļdo plasmidial do gen√īmico.

O vídeozinho abaixo tem uma animação no ínicio e depois mostra o procedimento do isolamento do plasmídeo em lab!

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=8xEDEJ0DHFA”]

Por Otto Heringer e Viviane Siratuti.

FAQ #3 Como copiar o código em laboratório?

FAQ da Bioengenharia 3

Ah√°! Essa √© a pergunta que mudou a biotecnologia. At√© conseguirmos fazer isso, n√≥s (i.e. humanidade) passamos por um caminho bem interessante¬†envolvendo pr√™mios nobel e momentos epif√Ęnicos. O videozinho¬†explica muito melhor do que esse texto corrido como funciona a metodologia pra se fazer isso, a Rea√ß√£o em Cadeia da Polimerase (Polimerase Chain Reaction), o t√£o amado e odiado (quando simplesmente n√£o funciona) PCR!

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=vmlLj1aLZ7s”]

Encurtando a hist√≥ria: usando uma enzima que trabalha ‚Äúsentando‚ÄĚ no molde de uma fita √ļnica de DNA, aquecimento e desaquecimento (para ‚Äúligar‚ÄĚ e ‚Äúdesligar‚ÄĚ essa enzima) e pedacinhos de nucleot√≠deo, conseguimos fazer milh√Ķes de c√≥pias de apenas uma √ļnica mol√©cula de DNA – √© por isso que o pessoal do CSI (o seriado) consegue uma grande informa√ß√£o gen√©tica usando apenas res√≠duos quase desprez√≠veis de material biol√≥gico.

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Por Otto Heringer e Viviane Siratuti.

FAQ #2 Como extrair um pedaço de DNA desejado?

FAQ da Bioengenharia 2

Queremos pegar um pedacinho codificante de DNA (respons√°vel por alguma caracter√≠stica no organismo) de um outro peda√ßo maior de DNA. OK, mas onde fica esse outro peda√ßo? Bem, existem peda√ßos disso praticamente a todo o seu redor. Onde h√° vida, h√° informa√ß√£o gen√©tica que pode ser ‚Äúpega‚ÄĚ. Extra√≠mos ele basicamente fazemos lavagens usando solventes de diferentes ‚Äúafinidades de dissolu√ß√£o‚ÄĚ (a grosso modo) com as biomol√©culas da c√©lula at√© restar o DNA.

Se voc√™ quer saber, existem at√© kits comerciais para se fazer isso (como por exemplo a imagem abaixo), s√£o os famigerados ‚Äúkits de miniprep‚ÄĚ. ‚ÄúMini‚ÄĚ porque em geral s√£o bastante usados kits que trabalham com pequenos volumes (microlitros), mas tamb√©m existem os kits de ‚Äúmidiprep‚ÄĚ e ‚Äúmaxiprep‚ÄĚ, para volumes maiores.

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Assista o vídeo caso você queira saber mais do processo (aviso: a realidade às vezes não é algo tão excitante como você imaginava).

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=P12DPa-g8Ro”]

Aliás, se você ficou com vontade de extrair DNA em casa, é bem simples, clique aqui.

Por Otto Heringer e Viviane Siratuti.

FAQs da Bioengenharia РIntrodução

FAQ da Bioengenharia 1

Preocupados com os novos amantes da biologia sint√©tica, estamos procurando materiais de introdu√ß√£o no assunto e encontramos algumas coisas interessantes! ūüôā

Por isso vamos colocar uma sequ√™ncia de posts explicativos, partindo de uma vis√£o geral e seguindo por perguntas mais espec√≠ficas. √Č um pequeno tutorial-FAQ sobre alguns fundamentos que quando entendidos ajudam bastante a entender algumas de nossas discuss√Ķes e outros posts deste blog. Serve para ajudar principalmente quem n√£o √© da √°rea de biol√≥gicas ou quem ainda n√£o se aprofundou muito neste assunto! Se continuarem com d√ļvidas, perguntem t√°?!

Lembrem-se de ativar as legendas dos vídeos, caso necessitem! Todos possuem legendas originais em inglês e alguns em português. Você pode colocá-las traduzidas quando só houver em inglês (não muito recomendado, rs). Nos vídeos do JOVE existe a opção de colocar os textos em português. Se você não sabia que o YouTube fazia isso por você, dá uma olhada aqui (dica: barrinha inferior do vídeo).

Antes de mais nada, voc√™ sabe o que s√£o e quais as rela√ß√Ķes entre nossas principais mol√©culas org√Ęnicas (DNA, RNA e prote√≠nas), certo? Se sua resposta √© n√£o, assista um desses v√≠deos!

 

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=h3b9ArupXZg#t=0″]

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=tMr9XH64rtM”]

 

Indo além da Estrutura 

OK, agora vamos al√©m desses conceitos b√°sicos dos v√≠deos. Mais que entender a estrutura e a din√Ęmica dessas biom√≥leculas, como os cientistas a alteram? Em linhas gerais, como se faz para modificar geneticamente um organismo?

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Vamos l√°! Primeiro pegamos um pedacinho codificante de DNA (gene) de outro organismo que tenha certa caracter√≠stica que desejamos. Para isso, extra√≠mos o DNA e depois multiplicamos s√≥ esse peda√ßo que nos interessa atrav√©s de uma t√©cnica chamada PCR (afinal, a efici√™ncia das transforma√ß√Ķes √© pequena e quanto mais material melhor). Precisamos tamb√©m extrair e abrir os plasm√≠deos (DNA circular) do organismo escolhido para receber este gene e assim receber as novas caracter√≠sticas (j√° que¬†o plasm√≠deo √© nosso principal ve√≠culo de introdu√ß√£o dos genes nas c√©lulas). Para abrir estes plasm√≠deos usamos enzimas de restri√ß√£o que cortam as mol√©culas de DNA em lugares espec√≠ficos e chamamos isso de digest√£o. Depois que tivermos v√°rios plasm√≠deos e genes, podemos grud√°-los com a ajuda de enzimas de liga√ß√£o.¬†E ent√£o, para saber se nosso novo plasm√≠deo deu certo usamos uma t√©cnica de separa√ß√£o por carga e tamanho de mol√©cula, a eletroforese em gel. Nela, as mol√©culas se acumulam em certas posi√ß√Ķes que nos dizem seus tamanhos (mergulhadas em um pol√≠mero)¬†e assim podemos identificar aquelas que correspondem ao que estimamos. Al√©m disso, fazemos testes com a t√©cnica PCR e o sequenciamento gen√©tico. Se os testes disserem que tudo que fizemos deu certo, recuperamos o material e colocamos nossos novos plasm√≠deos nos organismos, geralmente utilizando choque t√©rmico ou el√©trico. Esse passo, introdu√ß√£o de plasm√≠deos, √© a chamada transforma√ß√£o. Mas para selecionarmos somente aqueles organismos que realmente foram transformados usamos antibi√≥ticos que matam as c√©lulas que n√£o ganharam os nossos novos plasm√≠deos, j√° que n√£o possuem os genes de resist√™ncia que foram colocados neles. E no final, cada c√©lula que sobreviveu se multiplicar√°, formando col√īnias de organismos geneticamente modificados. Agora d√° uma olhada no esquema de novo e v√™ se entendeu at√© aqui!

Por Otto Heringer e Viviane Siratuti.

iGEM World Jamboree – Parte 1: Overview do Evento

*este post sofreu com o fato do autor ter perdido o cart√£o de mem√≥ria com fotos do evento. Algumas foram recuperadas, embora com qualidade muito pior u.u…. faremos a melhor limonada poss√≠vel dos lim√Ķes recebidos e esperamos que gostem!

Entre os dias 1 e 4 de novembro de 2013 ocorreu a etapa mundial do iGEM, o iGEM World Jamboree, onde equipes selecionadas nas fases regionais do mundo todo re√ļnem-se no MIT (Massachusetts Institute of Technology), em Boston, para apresentarem seus projetos finalizados nesta temporada. Apesar de nosso projeto¬†n√£o ter sido selecionado, ¬†mandamos nossos enviados especiais, Pedro e Danilo, para acompanhar o evento e trazer essa experi√™ncia!

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Dois invasores em frente ao prédio clássico do MIT

O evento apresenta o mesmo formato que as fases regionais, com a diferen√ßa de ser muito maior: s√£o tr√™s salas de apresenta√ß√Ķes simult√Ęneas, nas categorias ‚Äúundergraduate‚ÄĚ e ‚Äúovergraduate‚ÄĚ, e uma sala com a categoria Entrepreneurship e Software. ¬†Ao todo s√£o em m√©dia 80 apresenta√ß√Ķes diferentes durante o evento todo, das quais acompanhamos cerca de 30.

Este √© o primeiro de uma s√©rie de posts originados deste evento, nos quais contaremos as impress√Ķes gerais da experi√™ncia. Nos pr√≥ximos posts iremos abordar os nossos projetos favoritos, as possibilidades brasileiras e latino americanas no evento e como o iGEM se tornou uma m√°quina azeitada de inova√ß√£o (mesmo contando com apenas 7 funcion√°rios).

A cidade, o MIT e tudo mais

O evento não ocorre propriamente em Boston, mas sim em Cambridge, cidade onde estão localizados o MIT e Harvard. Cambridge é uma cidade bonitinha com a estética da Nova Inglaterra: prédios de tijolinhos, esquilos, carvalhos e com aquela beleza clássica de outono do clima temperado totalmente alheia a nós, mas que nos acostumamos a ver nos desenhos da Disney. Fora isso, é a moradia de milhares de estudantes de alto nível do mundo todo que desenvolvem suas atividades nas universidades locais.

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Stata Center, palco de parte das apresenta√ß√Ķes/

Os campi de Harvard e MIT s√£o bem integrados √† cidade. Harvard, apesar de ser cercada de muros, possui os port√Ķes abertos, amplos gramados e um visual cl√°ssico, o movimento de estudantes √© bastante intenso o dia inteiro. O MIT, por sua vez, n√£o possui muros e conta com edifica√ß√Ķes cl√°ssicas e tamb√©m modernas. Percebe-se que a rela√ß√£o com o espa√ßo √© bem diferente do que a que temos no campi da USP, que, apesar de ser de uma universidade p√ļblica, √© bem menos integrado √† cidade do que as universidades citadas acima.

O MIT, em específico, não deve em nada à USP quanto à sinalização dos prédios e ruas: ambos são bastante confusos para um visitante. Fora essa dificuldade, a estrutura é realmente boa: auditórios espaçosos, salas adequadas para conversas, espaços para estudo independente e boa rede wifi formam um ambiente propício para o desenvolvimento de idéias. Com certeza é um lugar onde qualquer desenvolvedor de projetos gostaria de estar.

O evento

O primeiro dia do evento √© apenas para inscri√ß√Ķes e um breve treino. Apesar do clima de excita√ß√£o em meio √† pizza (UHUL!), o ambiente n√£o √© de muita confraterniza√ß√£o. Os times revezam-se nas salas, onde t√™m apenas meia hora para treinar suas apresenta√ß√Ķes (acredite, em meia hora com certeza algu√©m estar√° batendo na sua porta para que voc√™ saia), e podem aproveitar o tempo para escrever o que quiser nas lousas do hall.

No segundo e terceiro dias temos o que realmente interessa. As apresenta√ß√Ķes come√ßam pontualmente e s√£o intercaladas com perguntas dos ju√≠zes e da plat√©ia. Os times possuem 20 minutos para a apresenta√ß√£o e mais 10 para perguntas e n√£o ocorreram problemas nesse sentido: tudo parecia muito bem alinhado e ensaiado (com slides previamente preparados para responder as perguntas que pudessem surgir, inclusive), com algumas excess√Ķes espec√≠ficas. Devo dizer, por√©m, que nem sempre os ju√≠zes faziam perguntas claras e objetivas, ainda mais levando-se em conta que para muitos times o ingl√™s n√£o era a l√≠ngua nativa.

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As lousas duplas que sempre vemos nos filmes. Elas existem!

Ao contr√°rio do evento regional da Am√©rica Latina, os p√īsteres s√£o exibidos em todos os momentos de intervalo e, no nosso caso em espec√≠fico, alguns foram importantes para decidir o que ver√≠amos. Os p√īsteres do iGEM s√£o ligeiramente diferentes do que estamos acostumados, com mais texto e maior preocupa√ß√£o com o design de como as informa√ß√Ķes s√£o apresentadas. ¬†Nesse sentido, ainda n√£o me convenci que o houvesse algum p√īster melhor que o nosso, haha.

Ao fim, dos seis finalistas das duas categorias, Overgraduate e Undergraduate, uma surpresa: Nenhum time americano na final. 5 times europeus, sendo 3 alemães, 1 francês e um inglês, mais um time chinês. (confira!). Os resultados finais, bem como awards estão nesta página. Com destaque para, até onde eu sei, o primeiro award ganho por um time Latino americano: Melhor modelagem para o time de Buenos Aires!
Enfim, nos próximos posts teremos uma seleção dos melhores projetos segundo nós mesmos, bem como relatos da categoria de empreendedorismo e afins!

Até lá!

*Hard Level Bonus Stage: Ache-nos na foto oficial!

Dica: Dois solit√°rios vermelhos.