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Sobre Fresia Soledad Ricardi Torres Branco

Possui graduação em Geografia - Facultad de Ciencias Forestales, Escuela de Geográfia (1988), mestrado em Geociências (Geologia Sedimentar) pela Universidade de São Paulo (1994), doutorado em Geociências (Geologia Sedimentar) pela Universidade de São Paulo (1998), pós-doutorado no Laboratório de Geofísica Aplicada, I. Geociências, Universidade de Brasília (2008) e Livre Docência em 2013. Atualmente é professor associado do Instituto de Geociências, Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência na área de Geociências, desenvolve pesquisas em Tafonomia de vegetais, floras fanerozoicas da América do Sul, novas metodologias para analises paleontológicas e bioclastos associados a carbonatos.

Rodólitos: bolas fósseis, embora não de futebol

Esta semana lembrei do meu aluno que passou um bom tempo estudando comigo os organismos e minerais associados aos Rod√≥litos… ser√° que ainda lembra deles? Tamb√©m lembrei da vez em que tentei brincar com um rod√≥lito na aula de Paleontologia acerca de recifes e, como n√£o consegui pegar de volta na m√£o, um belo exemplar se espatifou no ch√£o, e a√≠ a turma toda parou para rir. Mas o que s√£o os rod√≥litos? S√£o algas vermelhas (Corallinales, Rhodophyta) calc√°rias, n√£o articuladas, que habitam os mares do nosso planeta de forma extensiva desde as latitudes equatoriais at√© as polares, ocorrendo a partir das zonas de mar√©s, at√© profundidades de 268 m. Uma das tantas curiosidades dessas estruturas √© que as algas vermelhas possuem uma maior quantidade de carotenoides, que permitem utilizar mais intensamente a radia√ß√£o azul para realizar a fotoss√≠ntese. Esta caracter√≠stica √© importante porque a radia√ß√£o azul penetra mais profundamente na √°gua, permitindo que essas algas fa√ßam fotoss√≠ntese a profundidades maiores. Uma vez que os carotenoides refletem a radia√ß√£o vermelha, essas algas possuem colora√ß√£o avermelhada, diferente das plantas verdes que habitam a superf√≠cie que utilizam tamb√©m a radia√ß√£o vermelha para realizar a fotoss√≠ntese, refletindo a radia√ß√£o verde.

Rodólito coletado na Ilha de Itaparica, BH. Barra de escala = 1 cm

O que poucos sabem é que na costa brasileira está localizado o mais extenso e contínuo banco de rodólitos do mundo, com cerca de 4.000 km, indo do Maranhão até Rio de Janeiro. Desse banco de rodólitos faz parte o arquipélago de Abrolhos, no litoral sul da Bahia, o qual eu quero muito conhecer já faz um bom tempo. Com relação à espessura desse enorme banco, ela geralmente varia entre 10 e 26 cm, chegando até 1 m de espessura em alguns locais. Na costa brasileira são encontrados verdadeiros mantos de rodólitos no topo e na margem de recifes e em depósitos isolados no fundo não consolidado.

Bancos como esses podem gerar rochas reservatório de petróleo, além de ser uma enorme fonte de calcário (CaCO3) e, portanto, um importante agente de sequestro de carbono na crosta terrestre.

Além de tudo isso, esses bancos são um paraíso de diversidade marinha, pois eles são constituídos por várias espécies de algas calcárias, que estão entremeadas em camadas juntamente com outros organismos incrustantes (p. ex. foraminíferos, poliquetas, etc.).

Rodólito
coletado na Praia de Maragoji, Alagoas. Barra de escala = 1 cm

As algas calc√°rias vermelhas, ao constitu√≠rem os rod√≥litos, podem modificar fisicamente o ambiente, pois s√£o capazes de transformar o sedimento de fundo n√£o consolidado em substrato duro e heterog√™neo, produzindo um substrato firme sobre o qual outros organismos podem vir a se fixar. Seu registro geol√≥gico √© continuo e bastante abundante a partir do Paleoceno (60 milh√Ķes de anos atr√°s), e seus f√≥sseis podem ser encontrados em todos os continentes, embora eles n√£o sejam t√£o famosos como os dos dinossauros e, portanto, desconhecido.

Uma vez que um mesmo rod√≥lito por alcan√ßar di√Ęmetros semelhantes ao de uma bola de futebol, e que por apresentar crescimento continuo, por√©m lento (1 mm/ano), o mesmo exemplar pode sofrer a agrega√ß√£o de algas calc√°rias, al√©m de outros organismos e sedimentos minerais ao longo de um s√©culo, compondo verdadeiros livros abertos ao estudo das mudan√ßas ocorridas nos mares, pois camadas ou mantos de rod√≥litos possuem registros das varia√ß√Ķes clim√°ticas ocorridas durante o seu desenvolvimento, j√° que mudan√ßas de distribui√ß√£o de luz, temperatura, turbidez, salinidade, pH, nutrientes, soterramento, etc. influenciam diretamente no seu crescimento. Dessa forma, per√≠odos com temperaturas mais altas das √°guas marinhas induzem a maior precipita√ß√£o de carbonatos e, portanto, um aumento sens√≠vel na sua espessura. Uma vez que seu desenvolvimento acontece de forma conc√™ntrica, as camadas mais internas podem ser consideradas mais antigas e externas mais recentes, o que faz poss√≠vel realizar data√ß√Ķes utilizando m√©todos como C14 pelo menos at√© 60.000 anos atr√°s.

Mas como achar uma estrutura dessas? Com certeza quem já foi na praia no Brasil, já topou, ou quem sabe até chutou uma estrutura dessas. Elas muitas vezes são encontradas nas praias, pois como não se fixam ao substrato, podem ser facilmente transportadas pelas correntezas marinhas até a praia, de onde podem novamente ir para no fundo do mar.

 

 

ARANHAS, ESCORPI√ēES, BARATAS PR√ďXIMOS DO INFINITO E TAMB√ČM DE UMA CHINELADA!

Existem informa√ß√Ķes que escutamos numa palestra e nunca mais esquecemos. Um tempo atr√°s estava eu participando do Congresso de Paleontologia, assistindo as exposi√ß√Ķes orais, e entre elas uma me chamou particularmente a aten√ß√£o. Se tratava da apresenta√ß√£o de um colega paleont√≥logo que estuda f√≥sseis de insetos e ele falou que se n√≥s v√≠ssemos uma barata do Carbon√≠fero andando por a√≠ agora …teria chinelada na hora…ou seja, elas eram muito semelhantes as atuais e com certeza ainda existir√£o por um longo tempo. Quando pensamos em f√≥sseis, n√£o imaginamos nem de longe a diversidade deles, na verdade at√© se poderia falar que os dinossauros s√£o a ponta do iceberg, e com certeza, existiam muitas baratas e outros insetos, al√©m de aranhas e escorpi√Ķes, durante o tempo dos dinossauros.

Exemplares de Trigonotarbida do Devoniano silicificados, Rhynie Chert, Escossia, UK

Os primeiros animais a pisar fora d‚Äô√°gua, h√° uns 420 Ma, foram parentes pr√≥ximos dos escorpi√Ķes e aranhas. Os mais antigos registros desses primeiros habitantes do continente foram os Trigonotarbida, similares com aracn√≠deos, mas de uma ordem hoje desaparecida. O que permitiu a esses ancestrais dos escorpi√Ķes e aranhas sobrevir no meio seco foi o fato de terem ap√™ndices motores (‚Äúpernas‚ÄĚ) e de poderem respirar oxig√™nio diretamente da atmosfera, duas caracter√≠sticas ou pr√©-adapta√ß√Ķes fundamentais para sobreviver fora da √°gua… A partir desse momento come√ßou a se diversificar o enorme grupo dos insetos, que hoje representa o grupo mais exitoso dos animais do planeta Terra, com uma diversidade ‚Äúpr√≥xima do infinito‚ÄĚ. J√° no Carbon√≠fero, uns 50 milh√Ķes de anos depois, os registros f√≥sseis mostram que os insetos foram maiores em tamanho do que os de hoje em dia (como as lib√©lulas e baratas). S√£o conhecidos, por exemplo, f√≥sseis de lib√©lulas de 50 cm e baratas, bom… d√° para imaginar …. Mas por que ser√° que eram t√£o grandes naquela √©poca? Uma coisa que se sabe √© que durante o Carbon√≠fero a atmosfera continha muito mais oxig√™nio do que hoje em dia. Para explicar como uma maior quantidade de O2 influenciou o tamanho dos insetos, h√° duas hip√≥teses: uma diz que com mais oxig√™nio o metabolismo dos insetos poderia suprir corpos maiores; e a outra, que seria uma defesa da fase larval contra o poss√≠vel envenenamento por excesso de oxig√™nio. Baratas com mais de 100 exemplares coletados, denominadas como Anthracoblattina mendesi Pinto & Sedor, foram recentemente encontradas no munic√≠pio de Mafra, Estado de Santa Catarina, em camadas de rochas do Grupo Itarar√© (Permiano). Baratas semelhantes a estas tamb√©m foram comuns na Am√©rica do Norte no mesmo per√≠odo.

Reprodução 3D de um Trigobotarbida devoniano coletado no Rhynie Chert, Escossia, UK . Barra de Escala = 1cm

Embora no Carbonífero existam registros diferentes de insetos voadores, esses ainda não conseguiam dobrar as assas como as borboletas e pernilongos, que vieram a surgir posteriormente, durante a Era Mesozoica.

Enfim, o registro f√≥ssil de insetos √© muito rico e variado. Inclusive sabemos do enorme n√ļmero deles n√£o s√≥ por seus f√≥sseis corporais e ecdises (trocas do exoesqueleto, conhecido popularmente como ‚Äúmuda‚ÄĚ) se n√£o tamb√©m por seus icnof√≥sseis, como mordidas em folhas, galhas, minas, fezes etc. muitas vezes observadas em folhas, frutos e troncos. No Brasil, um dos locais com uma enorme quantidade de registros de insetos √© a Chapada do Araripe, que fica nos estados do Cear√°, Pernambuco e Piau√≠, onde existem fosseis de abelhas, moscas etc. al√©m dos muito conhecidos f√≥sseis de vertebrados e plantas que datam de mais ou menos 110 milh√Ķes de anos atr√°s, no per√≠odo conhecido como Cret√°ceo. Constru√ß√Ķes associadas com insetos sociais j√° foram descritas para o estado de Minas Gerais, em solos f√≥sseis (ou paleossolos) da Forma√ß√£o Mar√≠lia, com idade entre 100 e 72 milh√Ķes de anos atr√°s. Pertinho de Campinas, na Bacia de Taubat√© (datada de aproximadamente 50 milh√Ķes de anos atr√°s) tamb√©m podem ser encontrados f√≥sseis de insetos, mas desta vez, apenas dos vest√≠gios (icnof√≥sseis) que eles deixaram em folhas de angiospermas, e como tem muitos icnof√≥sseis mesmo, essas folhas deviam ser muito gostosas! No Estado de Minas Gerais, na bacia de Fonseca, que tem idade semelhante √† da Bacia Taubat√©, foram registrados mais de 48 esp√©cimes de insetos das ordens Hem√≠ptera, Cole√≥ptera, D√≠ptera, Hymen√≥ptera, Is√≥ptera, entre outros, que demostram a riqueza de insetos que habitavam a regi√£o naquela √©poca.

Outra forma de preserva√ß√£o de insetos dependendo, √© claro, do seu tamanho, √© no √Ęmbar. Eu j√° vi abelhas, pernilongos, borboletas e outros insetos mumificados at√© com as asas abertas dentro de √Ęmbar, dando a impress√£o de que a qualquer momento bateriam as asas.

Voltando aos escorpi√Ķes, os mais antigos que se conhecem datam de 435 Milh√Ķes de anos atr√°s, e j√° eram bastante assustadores com a sua cauda caracter√≠stica terminada em ferr√£o. Agora, chinelos f√≥sseis ainda n√£o foram encontrados… logo podemos deduzir que os dinossauros n√£o conseguiam se livrar facilmente das baratas e outros insetos que voavam ao seu redor.

 

Referências para consulta

Nascimento, D.L.;¬†Batezelli, A.; Ladeira, F.S.B. 2017. First record of lobed trace fossils in Brazil’s Upper Cretaceous paleosols: Rhizoliths or evidence of insects and their social behavior? JOURNAL OF SOUTH AMERICAN EARTH SCIENCES, v. 79, p. 364-376.

Ricetti, J. H. Z.; Schneider,¬† J.W.; Iannuzzi, .R.;¬† Weinsch√ľtz, L.C. 2016. Anthracoblattina mendesi Pinto et Sedor (blattodea, phyloblattidae): the most completely preserved South American Palaeozoic Cockroach I.¬† Rev. bras. paleontol. 19(2):181-194. doi: 10.4072/rbp.2016.2.03

Raoni de Castro Barbosa. 2010. Tafonomia dos Insetos Fósseis da Bacia de Fonseca, Eoceno Paleógeno de Minas Gerais. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduação em Ciências biológicas) РUniversidade Estadual da Paraíba. Orientador: Prof. Dr. Marcio Mendes.

As renas e os cervos surgiram em qual estação do ano?

Na √©poca de mudan√ßa de uma esta√ß√£o do ano para outra temos uma ideia de como seria uma mudan√ßa clim√°tica. A que neste blog nos interessa aconteceu h√° uns 20 milh√Ķes de anos no passado e foi devastadora para muitas esp√©cies. Contudo, gra√ßas a ela surgiu um importante grupo de mam√≠feros, que se diversificou e espalhou por todo o nosso planeta: s√£o os ruminantes, que pertencem ao grupo dos artiod√°ctilos. Entre eles temos as vacas, porcos, hipop√≥tamos, cabritos, girafas, ovelhas, camelos, al√©m de, √© claro, as renas e os cervos, que como outros cervos formam parte da fam√≠lia Cervidae. Mas n√£o os cavalos, os rinocerontes e as zebras, que s√£o perissod√°ctilos (dedos √≠mpares). Os artiod√°ctilos s√£o caracterizados por apresentar, entre outras coisas, patas com n√ļmero par de dedos e uma inova√ß√£o no sistema digestivo que permitiu que muitos deles pudessem comer capim, ou seja poder extrair carboidratos a partir da celulose que forma parte do corpo das plantas, por possuir associa√ß√£o com bact√©rias e protozo√°rios especializados que auxiliam na digest√£o. Dessa forma, se voc√™ observar uma vaca ou uma lhama ela est√° o tempo todo mastigando ou ruminando o capim para poder moer as folhas em pequenos peda√ßos e ajudar as bact√©rias no processamento da mat√©ria vegetal. Inclusive, pelas evid√™ncias f√≥sseis, as baleias e os artiod√°ctilos compartiriam um mesmo ancestral.

Cervo do Pantanal

Voltando √† influ√™ncia das mudan√ßas clim√°ticas para o surgimento das renas, ent√£o h√° uns 45 milh√Ķes de anos, o nosso planeta experimentou climas muito √ļmidos e quentes que permitiram que grandes e densas florestas tropicais se desenvolvessem at√© na Ant√°rtica, e no Norte do Canad√°, como j√° expliquei em outro post. Esse apogeu no mundo vegetal provocou a deposi√ß√£o de um grande volume de biomassa vegetal que foi soterrada e convertida em camadas de carv√£o, nas quais uma enorme quantidade de carbono ficou sequestrada, n√£o retornando √† atmosfera e, por conseguinte, reduzindo a quantidade do nosso principal g√°s estufa, o CO2. Al√©m disso, ocorreram mudan√ßas importantes na distribui√ß√£o dos continentes, com as quais a geografia ficou mais parecida com a atual, com o surgimento de grandes cadeias de montanhas como os Andes, o Plat√ī do Tibet (ap√≥s a √ćndia bater com a China), etc. Todos esses fatos juntos provocaram um desequil√≠brio que levou ao surgimento de uma tend√™ncia √† diminui√ß√£o das temperaturas e, por conseguinte, de climas mais secos. Com isso, as densas florestas tropicais se reduziram em tamanho, e um novo tipo de vegeta√ß√£o come√ßou a surgir, uma vegeta√ß√£o mas aberta e composta por variados tipos de capins, onde os artiod√°ctilos passaram a pastar e ruminar calmamente, al√©m de crescerem em tamanho e correr quando necess√°rio.

Voltando √†s renas e cervos e por tanto a fam√≠lia Cervidae, essa √ļltima possui um extenso, rico e cont√≠nuo registro f√≥ssil a partir do Mioceno (~ 20 milh√Ķes de anos) at√© o presente. Os f√≥sseis mais antigos foram encontrados na Eur√°sia (massa continental que engloba a Europa e a √Āsia), na qual possivelmente tenham sido originados, e com o tempo migrado para o resto do planeta.

J√° para o Pleistoceno (2 milh√Ķes de anos – 10.000 anos atr√°s) s√£o reportados f√≥sseis de renas gigantes na Europa e na Am√©rica do Norte. Essas evid√™ncias s√£o especialmente baseadas em dentes e chifres, quem sabe os ancestrais das renas do tren√≥ do Papai Noel, pois √© no Pleistoceno que aconteceram os intervalos glaciais do Quatern√°rio e o hemisf√©rio norte foi muito afetado por esses per√≠odos frios, chegando a ficar com grandes extens√Ķes do seu territ√≥rio cobertas por glaciares continentais.

Deusa Diana www.fanpage.it

Aqui na Am√©rica do Sul, os cervos chegaram ap√≥s o surgimento do Istmo de Panam√°. H√° alguns milh√Ķes de anos eles vieram em v√°rias ondas junto com outros migrantes do norte (como j√° comentamos em alguns texto anteriores). E se deram muito bem, atualmente temos no nosso continente pelo menos 17 esp√©cies que habitam desde os ambientes costeiros at√© as alturas da cordilheira dos Andes. Nas f√©rias de janeiro fomos para o Pantanal do Mato Grosso do Sul, um passeio que recomendo. Por l√° vimos lindos e numerosos exemplares dos cervos pantaneiros (Blastocerus dichotomus), que alcan√ßam grande porte, chegando a pesar at√© 120 quilos e ter uma altura que varia entre 1,10 a 1,20 m, pelo que s√£o considerados os maiores cervos da Am√©rica do Sul, e s√£o adaptados para viver em √°reas alagadas e at√© cruzarem rios a nado.¬†Tamb√©m foi poss√≠vel apreciar junto aos cervos outros descentes da fauna que veio do hemisf√©rio norte como as on√ßas, al√©m de outras esp√©cies remanescentes da megafauna pleistoc√™nica da Am√©rica do Sul, como pregui√ßas e capivaras. Bom, quem sabe no pr√≥ximo natal ou na pr√≥xima primavera, ao inv√©s de colocar renas na decora√ß√£o de natal ou a Deusa Diana estar acompanhada de um cervo da Europa, poder√£o trocar por um cervo pantaneiro.

Rena na Suecia (Ragifer farandus). http://www.essaseoutras.com.br

O ANIVERS√ĀRIO DE ALFRED WEGENER E A FLORA DE GLOSSOPTERIS: IDEIAS QUE LITERALMENTE MUDAM O PLANETA.

Sob a denomina√ß√£o de Flora de Glossopteris, ou Prov√≠ncia Flor√≠stica do Gondwana, s√£o reunidos todos os registros de plantas, sejam eles folhas, caules, sementes, lenhos, p√≥lens, charcoals, etc. que apresentam similitudes morfol√≥gicas e aparecem no meio das rochas sedimentares de idade permiana (298 – 252 Ma) que s√£o encontradas na por√ß√£o sul da √Āfrica e Am√©rica do Sul, bem como na Austr√°lia, Antartica, Nova Zel√Ęndia e a √ćndia. Todos esses continentes hoje se encontram separados por oceanos, mas durante muitos milh√Ķes de anos, aproximadamente de 500 at√© 160 Ma ficaram unidos formando um grande paleocontinente denominado como Gondwana. O nome foi inspirado no local da India onde os primeiros ind√≠cios do paleocontinente foram encontrados, entre eles a Flora de Glossopteris.

Figura 1. Compara√ß√£o entre as geografias de hoje e do Permiano, com Am√©rica do Sul, √Āfrica, Austr√°lia, √ćndia, Ant√°rtica reunidas no Gondwana

Na Figura 1 podemos observar os locais onde hoje est√£o localizados os registros das floresta permianas da Flora de Glossopteris. Logicamente parece meio dif√≠cil acreditar que a presen√ßa de f√≥sseis vegetais com morfologias semelhantes em regi√Ķes t√£o distantes se deva somente uma coincid√™ncia. Mas sensato √© pensar que possivelmente todos esses locais hoje distantes poderiam ter formado parte do mesmo continente, onde as migra√ß√Ķes de plantas e animais foram poss√≠veis, favorecidas por se tratar de uma mesma massa continental.

Fragmento de folha de Glossopteris, coletada na Bacia do Paran√°, Brasil. Barra de escala: 5 cm.

Dentro da denomina√ß√£o de Flora de Glossopteris s√£o reunidos v√°rios grupos vegetais, entre eles samambaias e plantas com sementes, como as glossopter√≠deas (que s√≥ ocorrem no Gondwana e apenas durante o Permiano) e outras gimnospermas (vegetais com sementes, mas sem flores) como con√≠feras, ginkgoales, entre outras. A Flora de Glossopteris re√ļne os v√°rios tipos de floresta que se sucederam durante o per√≠odo Permiano e que experimentaram varia√ß√Ķes clim√°ticas severas. Essas florestas surgiram em climas temperados frios e sobreviveram em climas cada vez mais quentes at√© semi-√°ridos pr√≥ximos ao final do Permiano, quando desapareceram devido a uma grande extin√ß√£o em massa. Assim, no in√≠cio do Tri√°ssico, apesar de ainda o paleocontinente Gondwana continuar existindo, a vegeta√ß√£o muda bastante na sua composi√ß√£o.

Umas das primeiras Glosspteris conhecidas para o Brasil foi descrita por David White no ano de 1908, em fragmentos de rochas provenientes das minas de carv√£o de Crici√ļma, em Santa Catarina. Hoje sabemos que as jazidas de carv√£o do sul do Brasil, foram formadas gra√ßas ao ac√ļmulo de plantas em locais pr√≥ximos √† costa, onde essa biomassa (o corpo das plantas) foi sendo soterrada e amadurecida at√© se transformar em carv√£o. Sabe-se tamb√©m que os bosques da √©poca formavam parte da vegeta√ß√£o que cobria pelo menos a por√ß√£o Sul do Gondwana durante o Permiano.

Folhas de Glossopteris, coletadas na Bacia de Sidney na Austr√°lia. Barra de escala: 5 cm

Em particular, o g√™nero Glossopteris re√ļne folhas de formato ovalado (em forma de l√≠ngua), de margens retas e caracterizadas por uma venac√£o distinta, em formato de malha, sulcada por uma s√©rie de feixes longitudinais ou nervura central, como pode ser observado nas figuras dessas folhas.

No dia 1¬ļ de novembro deste ano, Alfred Wegener celebraria o seu 137¬ļ anivers√°rio. Wegener, juntamente com Eduard Suess e Alexander Du Toit, formaram parte do grupo de cientistas que desde o final do s√©culo 19 vinham considerando seriamente a possibilidade dos continentes antes mencionados terem estado juntos, formando um grande paleocontinente no hemisf√©rio Sul, e uma das evid√™ncias mais importantes dessa uni√£o s√£o precisamente os registros das folhas de Glossopteris. A teoria de uma geografia diferente a atual, na qual os continentes estaria reunidos de forma diferente, foi publicada por Wegener em 1915, mas n√£o teve √™xito. Uma enorme quantidade de evid√™ncias vem sendo acumulada desde ent√£o a favor da exist√™ncia do Gondwana, sendo hoje um fato amplamente aceito sobre a evolu√ß√£o do nosso planeta.

Folha de Glossopteris, ilustrada por Feistmantel na sua publica√ß√£o de 1889, acerca dos f√≥sseis da Bacia do Karoo na √Āfrica do Sul.

Uma vez que no Brasil tamb√©m tem aumentado o conhecimento do registro f√≥ssil do Permiano, hoje em dia existem descritas muitas esp√©cies de Glossopteris, n√£o s√≥ para Santa Catarina, mas tamb√©m no Rio Grande do Sul, Paran√° e estado de S√£o Paulo. Quem sabe se voc√™ j√° n√£o viu uma linda folha de Glossopteris no seu quintal….

Referências

Feistmantel, O.1889. √úbersichtliche Darstellung der geologisch-palaeontologischen Verh√§ltnisse S√ľd-Afrikas. Th 1: die Karroo-Formation und die dieselbe unterlagernden Schichten Abh. K. B√∂hmischen. Ges. Wiss., 7, 1-89

Veevers, J.J. 2004. Gondwanaland from 650‚Äď500 Ma through 320 Ma merger in Pangea to 185‚Äď100 Ma breakup: supercontinental tectonics via stratigraphy and radiometric dating. Earth-Science Review, 68, 1‚Äď132.

White, D. 1908. Relat√≥rio sobre as ‚ÄúCoal Measures‚ÄĚ e rochas associadas do sul do Brazil. Rio de Janeiro, p.2-300. (Relat√≥rio Final da Comiss√£o de Estudos das Minas de Carv√£o de Pedra do Brazil parte I).

 

Meu primeiro fóssil, o pai de todos.

Quando eu tinha uns 16 ou 17 anos e ainda morava na Venezuela, nas f√©rias fomos com a minha fam√≠lia para a cidade de Cucuta na Col√īmbia, que fica pr√≥xima √† fronteira. Nessas f√©rias meu pai me presenteou com um f√≥ssil de uma concha. Algum tempo depois descobri que se tratava de uma concre√ß√£o de um ammonite que viveu no Cret√°ceo da Col√īmbia, na famosa localidade de Villa de Leyva.

Ammonite, Villa de Leyva
Meu fóssil mais antigo

Na √©poca estava quase terminando o colegial, teria que ir para universidade e tinha aquele grande dilema: o que ser√° eu vou ser? Enfim, achei muito legal o presente do f√≥ssil. Na realidade, era um dos primeiros que via na minha frente e n√£o em imagens dos livros, cinema, tv… O primeiro que era tang√≠vel e era meu. Penso que esse ammonite selou a minha escolha:

Рpai quem estuda os fósseis?

РAh, são os paleontólogos.

– Bom, ent√£o j√° sei o que vou ser… (como fazer para me tornar um … isto levou mais tempo, como a Carolina j√° contou, num post).

Lembrei de toda essa história esta semana, quando estava dando a aula prática dos ammonites. Tenho um carinho especial por eles, pois graças a eles descobri muita coisa, embora nunca os tenha estudo de fato.

Mas n√£o fui s√≥ eu que fiquei maravilhada com esses f√≥sseis, eles vem encantando a humanidade desde os tempos dos eg√≠pcios. O motivo √© que o seu registro √© bem abundante ao redor do planeta, sempre associados a rochas sedimentares que se formaram em ambientes marinhos. Na verdade, foram um grupo de moluscos cefal√≥podes, hoje extinto mas muito exitoso na sua √©poca, que habitou nos mares. Eles surgiram no Per√≠odo Devoniano (400 – 360 milh√Ķes de anos atr√°s) e desapareceram junto com os dinossauros, na grande extin√ß√£o do final do Cret√°ceo (h√° 65 milh√Ķes de anos), aquela do meteorito que eu j√° comentei aqui.

Os ammonites formam um grupo de cefal√≥podes que possu√≠ram no in√≠cio uma concha plano espiral, e que com o passar do tempo modificaram o formato da concha para formas espiraladas, retas, etc. Alcan√ßaram tamanhos de poucos cent√≠metros at√© quase dois metros de di√Ęmetro, nas formas planoespirais. Eles receberam esse nome, porque os f√≥sseis das suas conchas lembram chifres enrolados, que na √©poca do imp√©rio eg√≠pcio foram atribu√≠dos ao deus Ammon e que, ali√°s, eram considerados provas irrefut√°veis da passagem dessa divindade pela terra, segundo conta Her√≥doto nas suas cr√īnicas acerca do Egipto que foram escritas 500 anos antes de Cristo.

Os Ammonoides podiam nadar livremente e controlavam com grande precis√£o a profundidade na qual habitavam nos mares, pois as suas conchas foram divididas internamente em c√Ęmaras que se comunicavam umas com outras por meio de um canal interno, de modo que o animal conseguia encher com l√≠quido ou gases as diferentes c√Ęmaras e, por conseguinte, subir ou descer na coluna de √°gua, calcula-se que at√© uns 500 metros de profundidade ou mais. O corpo do animal ocupava a √ļltima c√Ęmara, que sempre era a de maior tamanho. Os ammonites foram predadores ativos e o seus corpo possivelmente foi semelhante ou lembrava ao dos polvos e lulas atuais.

Por serem muito abundantes, eles s√£o utilizados para data√ß√£o relativa de camadas de rochas, pois apresentam diferen√ßas muito evidentes e f√°ceis de observar a olho nu entre os primeiros do Devoniano e os √ļltimos do Cret√°ceo. A fei√ß√£o morfol√≥gica que permite organiz√°-los em categorias temporais √© a sutura interna que ser forma no local em que a parede (septos) que divide as c√Ęmeras se une √† parede interna da concha. Esta fei√ß√£o recebe o nome de sutura, e vai evoluindo de uma sutura sinuosa a uma sutura sumamente complexa, formada por um padr√£o de lobos dentados. Assim, com base nas suturas se conhecem tr√™s grupos principais de Ammonoides: (1) Goniatites (sutura simples com algumas ondula√ß√Ķes), que viveram do Devoniano ao Permiano; Ceratites (sutura na qual come√ßam a se definir lobos) encontrada do Permiano ao Tri√°ssico; e por fim, a mais complexa ou Ammonitica, que √© encontrada nos exemplares do Jur√°ssico ao final do Cret√°ceo. A sutura √© bem f√°cil de ver em f√≥sseis onde se observe o molde interno da concha, ou seja, naqueles em que a concha foi preenchida e a parte externa foi dissolvida total ou parcialmente.

Embora no meu ammonite não seja possível ver as suturas, pelos fósseis que também são encontrados associados eu soube que ele data do Cretáceo, mas isso eu descobri um longo tempo depois de ganhar meu primeiro fóssil.

O QUE TEM A VER: O MEU CAF√Č DA MANH√É, O P√ÉO DA POMP√ČIA E OS FUNGOS PRIMORDIAIS?

De manh√£ uma coisa muito boa √© tomar um caf√© com um p√£o quentinho rec√©m-sa√≠do do formo. Esse pequeno prazer vem desde h√° muito tempo. Existem registros de que os romanos que habitavam a cidade de Pompeia (localizada ao Sul de It√°lia, pr√≥xima da N√°poles) j√° disfrutavam dele. Pomp√©ia √© umas das cidades do mundo antigo mais famosas por ter sido soterrada durante a erup√ß√£o do vulc√£o Ves√ļvio no m√™s de agosto do ano de 79 antes de Cristo. Como sei que os habitantes de Pomp√©ia gostavam de p√£o quente? Porque toda a cidade ficou soterrada por uma camada rocha (o nome dessa rocha √© lapilli) de 7 a 8 metros de espessura. Dessa forma, dentro de um forno de umas das padarias da cidade ficou preservado um p√£o que chegou at√© os dias de hoje, podemos dizer que, ‚Äúfossilizado‚ÄĚ. Esse p√£o foi estudado por pesquisadores ingleses, que descobriram a receita e hoje em dia √© poss√≠vel fazer p√£o em casa √† moda de Pomp√©ia e desfrutar do prazer do p√£o quente. N√≥s, em casa, j√° fizemos v√°rias vezes seguindo as instru√ß√Ķes do mestre Johannes que pode ser vista no seu blog http://massamadreblog.com.br/postagem/pao-de-pompeia.

P√ÉO DE POMP√ČIA.
A. P√£o encontrado nas escava√ß√Ķes de Pomp√©ia; B. Forno de uma padaria de Pomp√©ia e C. P√£o na moda de Pomp√©ia feito em casa

Fora os p√£es ‚Äúf√≥sseis‚ÄĚ de Pomp√©ia s√£o conhecidos os moldes dos moderadores, cachorros, gatos etc, que ficaram preservados e tiveram uma morte r√°pida embora terr√≠vel, pois o vulc√£o Ves√ļvio, fica a 7 km da cidade. Essa trag√©dia aconteceu primeiro com uma enorme coluna de fuma√ßa e cinzas sendo expelida pelo vulc√£o e espalhada. A seguir os piroclastos (ou ‚Äúbombas‚ÄĚ, que s√£o fragmentos de rocha expelidos durante a erup√ß√£o) causaram o maior dano. Em Pompeia, a queda maci√ßa de cinzas causou a queda de muitos telhados e durante a segunda fase, pessoas e animais foram mortos por ficarem expostos √†s altas temperaturas da lava, mesmo que distante, ou por serem sufocados pelas cinzas, enfim um final tr√°gico para uma cidade e para muitos dos seus 12.000 habitantes.

Vulc√£o Ves√ļvio visto do porto de N√°poles (A) , vulc√£o visto das ru√≠nas de Pomp√©ia (B) ¬†e um molde de uma vitima (C). A seta vermelha em (A) e (B) indica o vulc√£o Ves√ļvio.

Os corpos dos habitantes, na verdade, n√£o podem ser considerados f√≥sseis, pois o que voc√™ v√™ s√£o os moldes feitos pelos arque√≥logos nos espa√ßos que os tecidos moles dos corpos deixaram ao se decompor. Essas camadas, por serem constitu√≠das de um material fino (como argila), permitiram que os ossos permaneceram no local, e na verdade at√© a express√Ķes dos seus rostos ficaram registradas em negativo. Assim, ao se moldar esses corpos preenchendo o molde original de cinza com resina produz-se um molde em positivo, que permite visualizar os corpos claramente, e que √© facilmente retirado uma vez endurecida a resina.

Molde de um morador morto durante a erup√ß√£o do Ves√ļvio em 79 antes de Cristo.

Enfim, voltando ao pão de Pompeia, foi possível descobrir que era utilizada uma forma de levedo que se conhece como o nome de massa madre. Essa massa se produz expondo uma mistura de água e farinha integral, em partes iguais, ao meio ambiente por algumas horas ou dias, para que os esporos de fungos (neste caso leveduras) que estão flutuando no ar caiam na mistura e auxiliem no crescimento da massa. Hoje em dia, o que se utiliza como fermento são tipos de leveduras mais selecionadas e mais efetivas.

Cabe comentar que a origem dos fungos se remonta √† Era Paleoproterozoica, ou seja, os vest√≠gios mais antigos de estruturas que podem ser atribu√≠das a fungos datam de 2.000 a 1.800 milh√Ķes de anos atr√°s e foram encontrados em camadas de rocha da Sib√©ria, pr√≥ximas ao lago Baikal. Contudo, h√° suspeitas de que fei√ß√Ķes descritas recentemente para o Cr√°ton da √Āfrica do Sul possam ser filamentos de fungos, o que remontaria a presen√ßa de fungos a 2.400 milh√Ķes de anos atr√°s.

Evid√™ncias mais seguras de fungos s√£o conhecidas para o Per√≠odo Cambriano (540 milh√Ķes de anos atr√°s). A partir do Devoniano, fungos associados a ra√≠zes, denominados micorrizas, s√£o encontrados junto √†s primeiras evid√™ncias de plantas, que por sinal est√£o belamente perseveradas silicificadas em camadas de s√≠lex na Esc√≥cia. Na bacia do Paran√° no estado de S√£o Paulo tamb√©m detectamos fungos f√≥sseis em troncos permineralizados por s√≠lica ou silicificados, neste caso, mais jovens. Outra pesquisa desenvolvida no nosso laborat√≥rio descreveu fungos epif√≠licos associados a folhas de angiospermas coletado em folhelhos da Forma√ß√£o Fonseca (a Bacia de Fonseca, estado de Minas Gerais, sudeste do Brasil) com idade ao redor de 30 milh√Ķes de anos atr√°s. Assim, vemos que os fungos t√™m um longo passado f√≥ssil, e utiliz√°-los para fazer crescer a massa do p√£o deve ter sido uma pr√°tica comum desde que o home come√ßou a fazer p√£o, ou seja o prazer de comer p√£o quentinho na primeira refei√ß√£o do dia deve ser bem antigo.

√Āgua de coco desde o Cret√°ceo acalmando a sede?

http://www.vix.com/pt/bdm

Na semana passada estive estudando fósseis no Ceará e estava quente, mas nada que uma refrescante água de coco gelada não ajudasse a acalmar, como no verão de Campinas quando, em janeiro, a temperatura chega próximo aos 40oC. Assim, enquanto bebia minha água de coco em Fortaleza, fiquei pensando na origem das palmeiras: quando foi mesmo que elas surgiram? Será que tem fósseis de coco da Bahia? Onde?

Ap√≥s pesquisar descobri, que os registros mais antigos de palmeiras datam do per√≠odo Cret√°ceo. S√£o gr√£os de p√≥len sulcados, com uma ou mais aberturas longitudinais (por exemplo Mauritiidites), como os hoje encontrados na Fam√≠lia Arecaceae, √† qual pertencem todas as palmeiras. Atualmente esta fam√≠lia possui uma distribui√ß√£o cosmopolita, com aproximadamente 2.000 esp√©cies agrupadas em 90 g√™neros, dentro dos quais se destacam √°rvores, ervas com rizomas e alguns cip√≥s. A maioria das Arecaceae hoje habita em regi√Ķes quentes e √ļmidas do planeta. No final do Cret√°ceo (70 milh√Ķes de anos no passado) eram plantas muito comuns nos hemisf√©rios norte e sul, tanto que seus p√≥lens s√£o os elementos caracter√≠sticos da ‚ÄúProv√≠ncia Flor√≠stica Palmae‚ÄĚ, constituindo um 50% dos p√≥lens encontrados nas assembleias. Assim, as palmeiras est√£o entre as monocotiled√īneas mais antigas conhecidas. Os dom√≠nios da Prov√≠ncia Palmae se estendiam desde o Sul da Argentina (d√° para imaginar a Patag√īnia com um clima quente?) at√© o norte da Am√©rica do Sul (hoje a Venezuela) e por grande parte da √Āfrica, √ćndia (que no Cret√°ceo estava pr√≥xima do leste da √Āfrica), e as costas do Mediterr√Ęneo.

Pólen atual de uma palmeira.

Esta Prov√≠ncia era caracterizada por uma vegeta√ß√£o diversificada e tropical. Al√©m de p√≥lens de palmeiras tamb√©m foram encontrados folhas, frutos, folhas, lenhos e at√© flores. Como exemplo de fruto, foi descrito um exemplar de coco no estado de Pernambuco, encontrado associado com rochas da Forma√ß√£o Maria Farinha do Paleoceno. Outros cocos f√≥sseis foram descritos nessa mesma idade na √ćndia, Argentina e Col√īmbia.

J√° no in√≠cio do Paleoceno (65 a 55 milh√Ķes de anos no passado) os f√≥sseis de palmeiras s√£o encontrados por todo o planeta. Eles s√£o uma das evid√™ncias de que durante esse per√≠odo do tempo geol√≥gico a Terra experimentou um regime clim√°tico quente e √ļmido, conhecido como √ďtimo Termal, pois as palmeiras s√≥ podem habitar em climas onde a temperatura do m√™s mais frio n√£o cai abaixo dos 5 a 7oC. Por exemplo, para Alberta, no oeste do Canad√°, foram descritas grandes folhas de palmeiras que poderiam ter habitado em um clima mais ameno que o hoje encontrado nessa regi√£o do planeta. Dessa forma, acredita-se que durante o Paleoceno a temperatura ca√≠a pouco at√© os 50¬ļ de latitude.

Sim, como voc√™s est√£o pensando, as palmeiras foram contempor√Ęneas dos dinossauros, inclusive tem sido encontrados locais nos quais foram preservados pequenos coquinhos associados a ossos desarticulados de dinossauros ceratops√≠deos. Assim, vemos que as palmeiras sobreviveram a uma das maiores extin√ß√Ķes do planeta Terra (aquela do limite Cret√°ceo ‚Äď Pale√≥geno) e chegaram at√© os dias de hoje, ajudando a acalmar a sede… ser√° que o mesmo aconteceu com os dinossauros ou com os mam√≠feros que surgiram no Pale√≥geno?

A emoção da Montanha Russa: respire fundo e um passo à frente

Oba, oba, oba que felicidade: a not√≠cia que finalmente o artigo no qual trabalhamos nos √ļltimos anos foi aceito para ser publicado finalmente, depois de idas e vindas!

Fonte: alearned.com/roller-coasters/ e MiNiBuDa/montaa-rusa

Neste texto quero falar acerca de uma das partes mais delicadas de trabalhar com pesquisa: publicar a nossa pesquisa ou conseguir publicar, pois existem as duas caras dessa atividade. Nem todos os artigos pelos quais trabalhei, pesquisei, dei o melhor de mim, foram aceitos para serem publicados e menos ainda aceitos sem corre√ß√Ķes, sugest√Ķes e at√© devolvidos com coment√°rios terr√≠veis. Outros em contrapartida, ap√≥s algumas idas e vindas, foram aceitos com muitos elogios. Quem n√£o passou por isso?. Contudo, meu sonho continua sendo ter um artigo aceito sem nenhuma corre√ß√£o ou sugest√£o de mudan√ßa. Como √© esse processo? Na minha opini√£o poderia ser mais simples. Come√ßa, claro, quando voc√™ tem uma ideia ou uma inquietude acerca de um f√≥ssil ou um conjunto deles e a sua pesquisa se inicia. Pode ser necess√°rio ir ao campo e procurar, coletar, descrever, fotografar, desenhar… voltar novamente ao local, verificar os seus dados de campo, ir com as suas amostras e exemplares ao laborat√≥rio, prepar√°-los, descrever de novo, interpretar e por fim produzir um dado e sua interpreta√ß√£o e come√ßar a escrever…pensar….pensar…escrever, ler artigos relacionados ou n√£o…discutir com um colega, alunos, acordar a noite e ficar pensando…matutando e ter a ideia de como explicar! Mudar o que se escreveu para melhor ou pior, tentar e tentar e no fim chegar a um texto que descreva o que voc√™ pensou e que transmita a sua Ideia para outras pessoas. Claro, n√£o √© s√≥ texto nas pesquisas em paleontologia em geral os artigos tem umas figuras muito lindas e bem feitas do seu material, ali√°s, esta √© uma das partes mais importantes do texto: as prova do que voc√™ est√° falando. Figuras feias s√£o um passo para o abismo, texto confuso √© o pr√≥ximo. Mas com todo o seu esfor√ßo por fazer o melhor poss√≠vel, o sucesso n√£o √© garantido. N√£o tem, para mim, coisa mais dif√≠cil que abrir aquela mensagem da revista cient√≠fica, em resposta ao artigo que voc√™ enviou h√° alguns meses e no qual trabalhou por alguns anos. Ler a mensagem do editor, que n√£o tem como saber quais foram as dificuldades, problemas, etc. e ter seu artigo avaliado por relatores an√īnimos, que podem ou n√£o acabar com todo esse esfor√ßo… o sistema de avalia√ß√£o por pares. V√™m os coment√°rios e o veredito, que voc√™ l√™ com o cora√ß√£o saindo pela boca e batendo acelerado, como ir a uma montanha russa a toda velocidade, e que fala: ‚Äúaceito‚ÄĚ, ‚Äúnegado‚ÄĚ, ‚Äúpode ser aceito caso voc√™ mude‚ÄĚ, ‚Äúnem mudando daria para aceitar‚ÄĚ ou ‚Äúque artigo mais legal, contudo voc√™ ainda n√£o chegou l√°‚ÄĚ, ‚Äútemos o prazer de informar que seu artigo est√° aceito‚ÄĚ, etc. Um conhecido meu falava que √†s vezes, ap√≥s algumas idas e vindas, voc√™ n√£o quer nem escutar falar mais do seu artigo, ou em outras vezes, at√© tem vontade de emoldurar. Pois bem, n√£o √© f√°cil trabalhar com ci√™ncias; tem que estar preparado para ser constantemente questionado, arguido e n√£o tem como escapar. Mas ainda assim, na maioria das vezes quando estudo f√≥sseis, penso que n√£o gostaria estar fazendo outra coisa nesse momento e que afortunada que sou por poder trabalhar com um desafio constante que me estimula e faz ter uma vida pouco rotineira, onde posso ajudar a outros a descobrir essa maravilha e a desfrutar do seu trabalho.

N√£o acredito que tenha colegas que nunca tiveram um artigo negado como eu, inclusive at√© grandes cientistas j√° tiveram as suas maiores contribui√ß√Ķes n√£o publicadas em v√°rias ocasi√Ķes. Pelo menos n√£o estou sozinha. O que fazer quando seu esfor√ßo n√£o tem √™xito? Quando a sua decep√ß√£o ficar menor, pegue os coment√°rios, leia, pense, mude o que achar que deve, defenda o que n√£o √© razo√°vel e submeta de novo, e de novo, e de novo… Embora n√£o seja f√°cil, pense que em cada retomada fica melhor, ou parta para outra pesquisa e experimente o infinito, pode ser que esta vez o sucesso seja seu e, quem sabe, ent√£o pegue seu artigo rejeitado mexa nele mais uma vez e submeta a outro peri√≥dico e ele seja aceito e se torne a sua melhor contribui√ß√£o. Vai ver que o mundo ainda n√£o estava pronto para ele..

As árvores mitológicas, filogenéticas, tentadoras: quando surgiram?

Ainda valem como obras que dão sentido a uma vida plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho? A figura de uma árvore é realmente muito poderosa. Eu, particularmente, sempre gostei das árvores gorduchas do Rembrandt que me proporcionam uma incrível sensação de aconchego. Mas quando apareceram as árvores dominando a paisagem do nosso planeta? Qual a sua influência, a partir de então, nos ecossistemas terrestres? Pelo menos até agora não temos evidências, ainda, de árvores extraterrestres.

A ponte de pedra. √ďleo sobre tela 29,5 x 42,3¬† cm. Rembrandt
Rijksmuseum, Amsterdam. (http://www.rembrandtpainting.net/complete_catalogue/landscape/bridge.htm)

Bom, os mais antigos vegetais f√≥sseis que conseguiram sobreviver no continente foram, ao que parece pelas evidencias, musgos e a partir desse momento surgiram outros vegetais mais adaptados a viverem no meio seco e nos quais a parte vegetativa tinha uma vida mais longa (espor√≥fito) al√©m de ser de maior em tamanho, enquanto que a parte reprodutora passou a ser menor e com uma vida mais curta (gamet√≥fito). Todas essas adapta√ß√Ķes aconteceram no transcurso da Era Paleozoica. Mas o que caracteriza uma √°rvore? Seu tamanho? Ou possuir um lenho com crescimento secund√°rio, ou seja, no qual se formam an√©is de crescimento com o passar do tempo? Se for pelo tamanho, as primeiras √°rvores apresentavam um formato que lembra as palmeiras de hoje, sendo inclu√≠das dentro dos g√™neros Gilboaphyton e Eospermatopteris, cujos f√≥sseis s√£o encontrados perto de Nova Iorque, nos Estados Unidos e no norte da Venezuela, na cordilheira de Perij√°. O surgimento da possibilidade de ramifica√ß√£o abriu novas possibilidades, assim como o desenvolvimento de sistemas radicular e vascular mais eficientes. Tudo isso aconteceu, pelo registro que se tem, durante o transcurso da segunda metade do per√≠odo Devoniano, entre 398 e 385 milh√Ķes de anos atr√°s. O desenvolvimento desse novo tipo de vegetais, as √°rvores, trouxe profundas mudan√ßas aos ecossistemas continentais, tanto pelo surgimento das florestas e com elas novas possibilidades a vida, quanto para o ciclo do carbono, intemperismo das rochas, estabiliza√ß√£o da eros√£o, balan√ßo do CO2 e consequentemente do clima. As primeiras florestas possivelmente viviam pr√≥ximo aos cursos de √°gua, de forma semelhante √†s florestas ciliares que hoje em dia acompanham o curso dos rios.

Contudo, e apesar dessa restri√ß√£o na sua distribui√ß√£o, uma das mais importantes mudan√ßas dentre as acima comentadas foi introduzida pelos sistemas radiculares (ra√≠zes) que se tornaram mais efetivos, complexos e profundos. Esses avan√ßos trouxeram como consequ√™ncia o desenvolvimento de solos com conte√ļdo org√Ęnico, bem como a intensifica√ß√£o do intemperismo qu√≠mico do entorno abi√≥tico que rodeava as ra√≠zes. Por sua vez, as ra√≠zes desde o inicio j√° apresentavam uma associa√ß√£o com uma classe especial de fungos denominada como micorrizas, hoje presentes em 90% dos vegetais, e que auxiliam na obten√ß√£o de nutrientes do solo e, portanto, na altera√ß√£o qu√≠mica das rochas. Outra ventagem do advento de sistemas radiculares maiores foi a diminui√ß√£o da eros√£o e como consequ√™ncia, da quantidade de sedimentos que era incorporada aos sistemas fluviais e costeiros.

Sistemas radiculares maiores e mais complexos, juntamente com o surgimento de um sistema vascular formado por tubos ou traque√≠des com paredes agora lignificadas e provistas de perfura√ß√Ķes para auxiliar na melhorar a circula√ß√£o de √°gua e nutrientes por todo o corpo do vegetal, permitiram tamb√©m a sustenta√ß√£o de uma por√ß√£o a√©rea maior em altura e com maior √°rea de copa. Essas melhorias permitiram que os vegetais alcan√ßassem v√°rios metros de altura e aumentassem consideravelmente o seu tempo de vida, abrindo um novo cap√≠tulo nos ecossistemas terrestres e oferecendo prote√ß√£o dos raios solares e mais umidade.

Registros de paleosolos devonianos que se desenvolveram em ambientes costeiros e fluviais são uma das evidências acerca do desenvolvimento e sofisticação dos sistemas radiculares, pois neles foram preservados moldes das raízes ou raízes permineralizadas junto com as micorrizas.

Mas calma: essas primeiras árvores ainda não possuam uma reprodução por meio de sementes e, portanto, grandes áreas no interior dos continentes ainda continuavam a desabitadas. As primeiras sementes surgiram no período seguinte, conhecido como Carbonífero, e com elas a possibilidade das florestas cobrirem as terras emersas até hoje.

Paisagem com √°rvores, constru√ß√Ķes da fazenda e uma torre. Rembrandt Harmensz. van Rijn (1606‚Äď1669) Gravura, 123 x 319 mm St√§del Museum, Frankfurt am Main Photo: St√§del Museum, Frankfurt am Main (http://www.themorgan.org/rembrandt/print/179857)

Grandes Extin√ß√Ķes: um dia da ca√ßa, outro do ca√ßador

 

Algumas das mas famosas vitimas das extin√ß√Ķes, trilobitas, ammoide, nautiloide reto e bivalve.

Extin√ß√£o √© para sempre, como casar pela igreja … mas no √ļltimo caso, os interessados combinam a hora, dia, m√™s e ano. Mas no caso das extin√ß√Ķes, o processo precisa da conjun√ß√£o de v√°rios fatores e os principais envolvidos … bom… n√£o est√£o assim muito felizes!

O que define uma extin√ß√£o em massa? Pelo geral, o desaparecimento de pelo menos 50% das esp√©cies continentais e marinhas conhecidas, deve se tratar de um evento cosmopolita e pode acontecer somente num pulso ou em v√°rios est√°gios. N√≥s estamos aqui gra√ßas √† √ļltima das extin√ß√Ķes em massa, que aconteceu h√° 66 Ma e os nichos diurnos ficaram dispon√≠veis aos mam√≠feros at√© ent√£o mais restritos √† noite.

Nos √ļltimos 540 Ma da hist√≥ria da vida no nosso planeta acredita-se, por enquanto, que aconteceram pelo menos cinco extin√ß√Ķes em massa e 15 intervalos de extin√ß√Ķes menores. Ent√£o extin√ß√Ķes n√£o s√£o fatos isolados na hist√≥ria da vida! As cinco maiores aconteceram, da mais antiga √† mais recente, na seguinte ordem:

Рpróxima do limite entre os períodos Ordoviciano-Siluriano (443 Ma). Nesse evento, segundo evidências do registro fóssil, desapareceram 85% da fauna marinha (ainda não existia vida nos continentes) especialmente invertebrados (trilobitas, graptozoários, braquiópodes, moluscos, etc.);

Рfinal do período Devoniano (359 Ma). Aqui, 75% da vida desaparece, incluindo formas de vida marinhas e continentais;

– limite entre as eras Paleozoica e Mesozoica ou extin√ß√£o do Permiano-Tri√°ssico (240 Ma). Tamb√©m conhecida como m√£e de todas as extin√ß√Ķes, pois com ela 95% de todas das formas de vida desaparecem (entre eles muitos invertebrados como corais, crinoides, al√©m de vegetais etc.). Contudo, o evento foi menos severo para os tetr√°podes e como consequ√™ncia os amniotas vir√£o se tornar dominantes;

– pr√≥xima do limite Tri√°ssico- Jur√°ssico. Acredita-se que foram v√°rios pulsos de extin√ß√Ķes que transcorrem durante 18 Ma;

– e por fim, o √ļltimo grande evento de extin√ß√£o aconteceu no limite entre as eras Mesozoica e Cenozoica, mais conhecido como extin√ß√£o do Cret√°ceo-Pale√≥geno. Neste evento 70% da vida se extinguiu.

O que produz um evento de extin√ß√Ķes em massa? Existem v√°rias causas, entre elas vulcanismo, impacto de asteroides, mudan√ßas clim√°ticas dr√°sticas, deriva continental, anoxia (falta de oxig√™nio) generalizada nos mares, ou todas elas juntas. Como atuam essas causas? Podemos tomar como exemplo a extin√ß√£o do Cret√°ceo-Pale√≥geno, que teve como causa culminante a queda de um asteroide. Pelas evid√™ncias, quando o asteroide atingiu o planeta foi liberada uma energia equivalente a 10 bilh√Ķes de bombas como a de Hiroshima. O local da queda √© hoje conhecido como a cratera de Chicxulub e fica no golfo de Yucatan, M√©xico. A cratera tem aproximadamente 200 km de di√Ęmetro e uma profundidade de 30 km, pelo que se calcula que o asteroide teria ao redor de 15 km de di√Ęmetro. Hoje em dia, a cratera na sua maior parte se encontra emersa e recoberta por mais de 600 m de sedimentos. A por√ß√£o que se encontra em terra est√° recoberta por rocha calc√°ria, mas seu contorno ainda pode ser devidamente tra√ßado.

No final do Cret√°ceo o local da queda era ocupado por um mar pouco profundo e quente, rico em recifes de corais, no qual ocorria a deposi√ß√£o de evaporitos como o gesso ‚Äď gipsita, Ca(SO4) ‚Äď rico em sulfeto. Como consequ√™ncia da queda, as √°guas desse mar foram vaporizadas e em consequ√™ncia, toneladas de enxofre foram para a atmosfera, propiciando chuva √°cida ao redor do planeta. Como se fosse pouco, com a libera√ß√£o de semelhantes quantidades de energia tamb√©m surgiram grandes ondas (tsunamis), cujos registros s√£o atualmente encontrados em locais distantes como a costa da Venezuela. Al√©m do impacto desse asteroide, o final do Cret√°ceo tamb√©m foi marcado por intensas erup√ß√Ķes vulc√Ęnicas na √ćndia as quais se calcula que tenham liberado de 100 a 1.000 bilh√Ķes de toneladas de cinzas, que perduraram de 100 a 1.000 anos na atmosfera superior. Tamb√©m a separa√ß√£o entre a √Āfrica e a Am√©rica do Sul trouxe a abertura do oceano Atl√Ęntico Sul teve como consequ√™ncia a queda no n√≠vel dos mares e, por consequ√™ncia, uma mudan√ßa nas correntes oce√Ęnicas com a queda das temperaturas. Assim, a soma desses fatores ‚Äúfavoreceu‚ÄĚ a extin√ß√£o em massa.

No evento do Pint of Science

Minha palestra no evento Pint of Science –¬†Campinas no dia 16/05/2017 foi relativa a esse tema.¬†Obrigada por me convidar foi √≥timo.