Nojo, moralidade e preconceito

O que nojo tem a ver com moralidade?

Se voc√™ sentir um cheiro forte de fezes logo ap√≥s entrar em um banheiro p√ļblico, voc√™ provavelmente sentir√° nojo. De maneira semelhante, se voc√™ ouvir uma hist√≥ria sobre um caso de pedofilia, √© prov√°vel que voc√™ tamb√©m sinta, em algum n√≠vel, nojo. Esta emo√ß√£o poderia eliciar em voc√™ um padr√£o de express√£o facial muito parecido com o que a maioria das pessoas ao redor do mundo exibiria: seu l√°bio superior levantaria, seu nariz se¬†enrugaria, suas p√°lpebras levantariam e suas sobrancelhas abaixariam [1] – a famosa “cara de nojinho.” Em sua forma mais aguda, este estado mental de nojo poderia vir acompanhado de n√°useas e v√īmitos.

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Compreendo, logo, posso admirar mais

Um beija-flor

Quem nunca ouviu, depois de dar uma explica√ß√£o cient√≠fica sobre algo na natureza para algu√©m, um coment√°rio como “ah, mas assim voc√™ est√° tirando a magia da coisa, seu chato!” √Č como se, para muitas pessoas, a contempla√ß√£o desinformada fosse¬†um pressuposto para que possa haver prazer na admira√ß√£o de algo. Sem o mist√©rio, parece que nada restaria para eliciar o prazer.¬†Neste texto, eu tentarei compartilhar um pouco do porque eu acho que a compreens√£o de algo na natureza pode, pelo contr√°rio, torn√°-la mais bonita, j√° que pode nos oferecer uma dimens√£o da grandeza ainda maior que h√° naquilo que estamos olhando.

Um ótimo exemplo do que estou falando é o pássaro na imagem acima Рo famoso beija-flor. Quem nunca  perdeu alguns segundos admirado ao observar como este pássaro se move de maneira tão habilidosa, precisa e rápida? Se você nunca fez isso, eu recomendo que faça, é realmente absurdo. Ele consegue ficar numa posição quase estática no ar diante de uma flor, enquanto estica a sua língua para alcançar o néctar no interior das flores.

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Estudo inteligente: Aproveite ao m√°ximo o seu tempo de estudo com essas dicas tiradas de pesquisas

Fonte: gradPSYCH Magazine*
Autor: Lea Winerman
Tradutor: André Rabelo

Dicas de como estudar tiradas da psicologia cognitiva

Você provavelmente pensa que sabe como estudar.

Afinal de contas, você chegou ao ensino superior. Você entregou com sucesso tarefas de casa e passou em exames por pelo menos 16 anos. E existe uma grande chance de que você tenha um conjunto de rotinas de estudo, quer seja um copo de chá e o seus livros-texto na cama ou um canto em uma biblioteca calma que você alegou ser seu.

Mas pode ser que os hábitos de estudo que você desenvolveu por uma década ou duas não estejam te servindo tão bem quanto você pensa que eles estão.

Pesquisas t√™m mostrado que algumas t√©cnicas de estudo do “senso comum”¬†‚ÄĒ como sempre ler no mesmo local calmo ou gastar horas em um momento de concentra√ß√£o em um assunto¬†‚ÄĒ n√£o promovem aprendizagem de longo prazo. E alguns h√°bitos que voc√™ deve suspeitar n√£o s√£o t√£o bons, como o estudo de √ļltimos minutos antes de exames, podem at√© ser pior do que voc√™ pensou.

Nós sumarizamos três princípios, tirados a partir de décadas de pesquisa na psicologia cognitiva, para te ajudar a aproveitar o máximo das suas horas de estudo (continua depois do parágrafo abaixo).

* Este material originalmente apareceu em inglês como [Winerman, L. (2011, November). Study Smart. gradPSYCH. Retrieved from http://www.apa.org/gradpsych/2011/11/study-smart.aspx]. Copyright © 2011 pela American Psychological Association. Traduzido e reproduzido com permissão. A American Psychological Association não é responsável pela precisão desta tradução. Esta tradução não pode ser reproduzida ou distribuída adiante sem uma permissão prévia escrita da APA.

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Replicação e publicação: A atual tentativa de auto-correção na psicologia

Cientistas como Brian Nosek estão empenhados na valorização da replicação

Um antigo problema tem direcionado os holofotes da mídia para a psicologia atualmente: o da replicabilidade. Replicar um estudo significa que outros pesquisadores são capazes de reproduzir o procedimento de um estudo publicado e encontrar resultados semelhantes. A replicação é muito importante na ciência. Ela pode funcionar como um filtro da própria comunidade, pois os colegas de área de um pesquisador podem averiguar se o efeito relatado em um estudo é reproduzível, generalizável ou se é limitado. O problema da replicação na psicologia, e em outras áreas da ciência, não é novo, mas tem chamado a atenção atualmente os esforços de diversos cientistas para priorizá-la.

A inquieta√ß√£o na comunidade foi se agravando na medida em que diversos pesquisadores, como o professor Brian Nosek da Universidade da Virginia (na imagem acima), um importante pesquisador na √°rea de cogni√ß√£o social, n√£o conseguiam obter, em seus pr√≥prios laborat√≥rios, os efeitos relatados nos artigos de seus colegas, e como n√£o tinham para onde mandar estes dados, eles eram engavetados [1]. A este problema, t√™m sido dado o nome de The¬†File Drawer Problem (o problema da gaveta de arquivo). Isto pode representar um consider√°vel problema para uma √°rea da ci√™ncia, principalmente se o que voc√™ est√° tentando fazer √© uma ci√™ncia que produza conhecimentos que possam se embasar em estudos anteriores e aprimorar sucessivamente a compreens√£o de um fen√īmeno, ou seja, uma ci√™ncia cumulativa. Muitos psic√≥logos t√™m promovido cada vez mais iniciativas visando uma auto-corre√ß√£o em rela√ß√£o a diversos problemas da √°rea relacionados √† replicabilidade, √†s pol√≠ticas editoriais das revistas cient√≠ficas e aos incentivos de ag√™ncias de financiamento.

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