Psicologia Brazuca: Desbravando a ciência psicológica brasileira

Uma s√©rie de entrevistas com alguns dos maiores nomes da ci√™ncia psicol√≥gica brasileira est√° a caminho! A s√©rie Psicologia Brazuca, uma parceria entre os blogs SocialMente e Cogpsi, tem o objetivo de contribuir para a divulga√ß√£o cient√≠fica das pesquisas de alta qualidade feitas em solo brasileiro por pesquisadores que v√™m se destacando em suas √°reas de atua√ß√£o e promover a discuss√£o dos problemas que enfrentamos no Brasil para fazer ci√™ncia. Estar√£o em pauta diversas quest√Ķes do interesse de profissionais de psicologia e de pessoas interessadas por esta √°rea do conhecimento. A cada m√™s, duas entrevistas ser√£o publicadas, aguardem a primeira que j√° est√° a caminho!¬†

O que religi√£o tem a ver com moralidade?

Religi√£o e moralidade

Para muitos religiosos, a pergunta “O que religi√£o tem a ver com moralidade?” teria uma resposta √≥bvia: “a religi√£o √© a base da moralidade e torna as pessoas moralmente melhores.” Entretanto, para muitos ateus, a resposta seria bem diferente, algo como: “a moralidade independe da religi√£o e a religi√£o torna as pessoas moralmente piores.” Podemos passar horas a fio construindo argumentos contra cada uma destas posi√ß√Ķes, mas melhor do que isso talvez seja analisar o conhecimento emp√≠rico que temos sobre a rela√ß√£o entre ambas. Foi com esse intuito que Paul Bloom, professor na Universidade Yale, publicou recentemente uma revis√£o discutindo a evolu√ß√£o da religi√£o e da moralidade e como estes dois fen√īmenos se relacionam [1]. Trago abaixo uma breve discuss√£o dos principais pontos discutidos por Bloom.

ResearchBlogging.orgA avers√£o que as maiores religi√Ķes do mundo compartilham por aqueles que “n√£o cr√™em,” frequentemente vistos como indiv√≠duos sem moralidade, ilustra a import√Ęncia central que usualmente se d√° √†s cren√ßas religiosas¬†para a moralidade. “Se um indiv√≠duo n√£o compartilha de determinadas cren√ßas religiosas, ele deve possuir uma moralidade menos s√≥lida do que a minha, que acredito”, reza a lenda. Por outro lado, o que um grande corpo de evid√™ncias tem demonstrado nos √ļltimos anos √© que se a religi√£o tem alguma influ√™ncia na moralidade das pessoas, esta influ√™ncia n√£o se deve √†s cren√ßas religiosas, mas √† outros aspectos menos aparentes das religi√Ķes, compartilhados por outros grupos sociais. Como muitas vezes as pesquisas na psicologia e nas ci√™ncias humanas indicam, mesmo intui√ß√Ķes t√£o difundidas , como as que relacionam moralidade com cren√ßas religiosas, podem se mostrar equivocadas a partir de um exame rigoroso.

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Medan: Cirurgia com ultrassom – curando sem cortes

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Curando sem cortes

Yoav Medan e sua equipe vem desenvolvendo uma tecnologia que permite o uso de¬†ultrassom¬†para substituir a necessidade de cirurgias e procedimentos invasivos em alguns quadros, como o do Mal de Alzheimer e o c√Ęncer. O procedimento √© relativamente simples e n√£o causa dor, al√©m de ter um efeito imediato na melhora do paciente, se tudo ocorrer como o esperado.

Dentro de alguns anos, esta tecnologia pode estar dispon√≠vel para o tratamento de diversos quadros e trazer qualidade de vida para milhares de indiv√≠duos. O v√≠deo acima mostra casos reais de pacientes que participaram de testes preliminares e os efeitos observados foram entusiasmantes, apesar de ainda haverem muitas limita√ß√Ķes para que esta tecnologia seja usada adequadamente.¬†Se voc√™ quiser legendas em portugu√™s para ver o v√≠deo, basta ir no v√≠deo no site do TED e selecionar a legenda na parte inferior do v√≠deo.

Compreender a sua mente é uma missão crítica

Fonte: Streams of Consciousness / Scientific American*
Autor: Jamil Zaki, autor convidado
Tradutor: André Rabelo

Cortesia da Digital Shotgun via Flickr.

No in√≠cio deste ano, o senador Tom Coburn publicou um relat√≥rio chamado “Sob o Microsc√≥pio“, no qual ele criticou o financiamento de qualquer pesquisa que ele n√£o pudesse imediatamente entender como importante. De valor particularmente duvidoso, na opini√£o de Coburn, s√£o as ci√™ncias comportamentais e sociais‚ÄĒincluindo o meu pr√≥prio campo, a psicologia. Seguindo no seu relat√≥rio, Coburn prop√īs eliminar¬†o financiamento da Funda√ß√£o Nacional de Ci√™ncia para estas ci√™ncias “humanas”, escrevendo: “…alguns destes estudos sociais representam prioridades nacionais √≥bvias que merecem um corte do mesmo bolo que a astronomia, a biologia, a qu√≠mica, a ci√™ncia da terra, a f√≠sica ou a oceanografia?” Mr. Brooks, que ocupa a cadeira de um painel do congresso considerando tais cortes, ecoou esta opini√£o. Brooks explicitamente afirmou que as ci√™ncias humanas ainda t√™m que provar o seu valor.

Considerando que os pensamentos e as escolhas das pessoas, por defini√ß√£o, desempenham o papel mais poderoso na forma√ß√£o da nossa sociedade, porque estudar a mente humana parece um tipo de esfor√ßo dispens√°vel? Uma raz√£o pode ser que frequentemente as pessoas se sentem como se elas j√° compreendessem suas mentes, e que o estudo das pessoas e das culturas¬†n√£o pode revelar nada de novo para elas. T√≥picos como redes sociais, emo√ß√£o, mem√≥ria e rela√ß√Ķes raciais soam menos cient√≠ficos do que o estudo da estrutura celular, forma√ß√£o proteica ou for√ßa eletromagn√©tica. Estes √ļltimos t√≥picos parecem que ir√£o revelar insights inacess√≠veis √†s nossas intui√ß√Ķes, enquanto que as ci√™ncias humanas n√£o poderiam. Isto n√£o poderia estar mais distante da verdade: exames da mente humana frequentemente desenterram grandes surpresas. De fato, uma ampla mensagem emergindo dos √ļltimos 50 anos de pesquisa psicol√≥gica √© que for√ßas al√©m da nossa consci√™ncia guiam muitas das nossas opera√ß√Ķes mentais mais cr√≠ticas‚ÄĒnossos julgamentos morais, prefer√™ncias e opera√ß√Ķes semelhantes. Reconhecendo estas for√ßas e botando elas para trabalhar tem o potencial de mudar‚ÄĒe at√© mesmo salvar‚ÄĒvidas. Aqui est√£o quatro maneiras pelas quais as ci√™ncias humanas podem nos ajudar em uma grande escala, e raz√Ķes porque n√≥s n√£o podemos viver sem a investiga√ß√£o rigorosa das nossas pr√≥prias mentes.

Kahneman: Como ideias vem à mente?

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Thinking: Fast and Slow

No v√≠deo acima, Daniel Kahneman, psic√≥logo laureado com o nobel de economia de 2002 e atualmente professor de psicologia na Universidade de Princeton, fala sobre os dois sistemas de processamento de informa√ß√Ķes discutidos em seu mais recente livro, Thinking, Fast and Slow¬†(Pensamento, R√°pido e Devagar)¬†publicado no final de 2011.

O livro √© certamente uma boa recomenda√ß√£o para quem se interessa ¬†nos processos cognitivos envolvidos na tomada de decis√£o, um tema para o qual Kahneman ofereceu enormes contribui√ß√Ķes com uma linha de pesquisa riqu√≠ssima que extrapolou as vizinhan√ßas da psicologia, ajudando a fundar uma das √°reas mais importantes da economia atualmente, a economia comportamental. Mais detalhes sobre os modelos de processamento duplo discutidos por Kahneman¬†podem ser encontrados aqui no blog.

Estes modelos ainda carecem de uma formalização e aprofundamento, pois muitos deles  se mantiveram em uma dimensão mais descritiva e a sua utilidade tem se situado principalmente no valor heurístico que eles oferecem para a interpretação de dados e elaboração de hipóteses. Existem, entretanto, esforços na área para formalizar computacionalmente estes modelos e oferecer um maior poder explicativo.

Para um aprofundamento mais denso neste tema e um panorama da √°rea, juntamente com as contribui√ß√Ķes da filosofia, recomendo a leitura do livro In two minds: Dual processes and beyond.¬†Jonathan Evans, primeiro autor do livro anterior, tamb√©m lan√ßou em 2010 o livro¬†Thinking Twice: Two minds in one brain.¬†Este trabalho vai em uma dire√ß√£o muito semelhante ao do Kahneman,¬†divulgando os achados na psicologia sobre os nossos sistemas cognitivos.¬†A leitura destes livros s√£o dicas para aqueles interessados na racionalidade humana, na intui√ß√£o e na consci√™ncia.

2012: N√£o acabe com o seu mundo antes que o mundo se acabe

 

Blogagem coletiva Fim do Mundo
Eis a ironia deste ano: mal come√ßou 2012 e j√° n√£o conseguimos parar de falar do seu fim. Ao que parece, ¬†os maias j√° haviam previsto¬†que 2012 seria o √ļltimo fim de ano da humanidade. √Č uma pena mesmo se isto for verdade, pois neste ano n√£o ter√£o fogos de artif√≠cio na praia de Copacabana e assistiremos pela √ļltima vez os desfiles das escolas de samba… mas calma, n√£o entre em desespero! Quem sabe estas hist√≥rias n√£o passam de lendas… certo?

Jim Jones

Poderíamos até pensar que histórias sobre o fim do mundo em 2012 são bobagens e só acreditam nelas pessoas supersticiosas e pouco instruídas, ou seja, que estas ideias são inofensivas. Afinal de contas, como levar a sério histórias contadas em escritos de um povo tão antigo?

Entretanto, o conhecimento produzido pela psicologia social tem uma li√ß√£o muito clara para nos dar sobre este assunto: pessoas com diversas hist√≥rias de vida, n√≠veis de educa√ß√£o e sa√ļde mental s√£o vulner√°veis √† influ√™ncias sociais e cognitivas t√£o poderosas que podem passar a acreditar de maneira veemente nas hist√≥rias mais cabeludas que voc√™ imaginar! Isso inclui eu, voc√™ e at√© aquele seu amigo super inteligente! Hist√≥rias reais ilustrando isso √© o que n√£o faltam.

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Nielsen: Ciência aberta

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Cientistas poderiam ser incentivados a aderir a uma nova cultura cient√≠fica aberta, onde compartilhar em tempo real dados de pesquisa e se engajar na promo√ß√£o da ci√™ncia aberta seria parte do pr√≥prio “fazer cient√≠fico”. Isto poderia promover avan√ßos no processo de descoberta cient√≠fica sem precedentes hist√≥ricos.

Defendendo esta linha de pensamento, Michael Nielsen, atualmente um engajado entusiasta e desenvolvedor de ferramentas de colaboração científica aberta, oferece acima uma palestra crítica, com uma oratória impecável e inspiradora sobre as ferramentas que estão surgindo e acelerando a primavera acadêmica.

Nielsen, que j√° ofereceu v√°rias contribui√ß√Ķes cient√≠ficas na f√≠sica e na computa√ß√£o qu√Ęntica no passado, lan√ßou no fim do ano passado o livro Reinventing Discovery: The New Era of Networked Science¬†(Reinventando a Descoberta: A Nova Era da Ci√™ncia na Rede), no qual ele desenvolve a defesa desta nova forma de fazer ci√™ncia que ¬†vem entusiasmado diversos cientistas ao redor do mundo.

A primavera acadêmica: O livre acesso ao conhecimento científico

A quem as editoras servem?

Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios. 

Artigo XXVII da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948.

Um assunto anda bem quente na comunidade cient√≠fica desde que, no m√™s passado, o professor de matem√°tica da Universidade de Cambridge,¬†Timothy Gowers, publicou um texto em um blog explicando porque ele boicotava as revistas publicadas por uma das maiores editoras de revistas cient√≠ficas. ¬†As reclama√ß√Ķes dos pre√ßos altos para submiss√£o e assinatura das revistas, assim como das diretrizes que estas editoras adotam, j√° s√£o antigas, mas o ano de 2012 come√ßou com uma novidade: um grupo de cientistas cada vez maior est√° se unindo para boicotar uma das maiores editoras, a Elsevier, ¬†por meio de uma peti√ß√£o online que j√° conta com mais de 2700 assinaturas de cientistas ao redor do mundo. Este impacto da “blogada” de Gowers reflete a insatisfa√ß√£o crescente da comunidade com as editoras. Seria este o in√≠cio da “primavera acad√™mica”?

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Como adivinhar de verdade o que alguém está pensando

Lendo pensamentos no cérebro

Quem nunca brincou de tentar adivinhar o que outra pessoa estava pensando? Será que conseguiremos algum dia pedir para alguém pensar em alguma coisa e então adivinhar, sem que a pessoa fale absolutamente nada? Ao que parece, os primeiros passos para isso acontecer estão sendo dados pelo pessoal do Gallant Lab, na Universidade da Califórnia, Berkeley.

Eu j√° havia traduzido um texto aqui no blog comentando sobre o artigo publicado na revista Current Biology onde o pessoal deste laborat√≥rio conseguiu, a partir de registros da atividade neural dos participantes, reconstituir de maneira aproximada as imagens que os participantes observavam. Neste link, tem o v√≠deo comparando as reconstitui√ß√Ķes obtidas com as imagens que de fato os participantes olharam.

ResearchBlogging.orgDesta vez, os destemidos membros deste laboratório publicaram um estudo na revista PLoS Biology onde eles conseguiram, novamente a partir da atividade neural, reconstruir palavras nas quais os participantes estavam pensando. Em outras palavras, eles conseguiram adivinhar a palavra que a pessoa estava pensando só a partir da atividade elétrica do cérebro dos participantes! Sim, é isto mesmo, você não está lendo nada errado!

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