O que você pensa sobre si mesmo, mas não sabe

Autor: Victor Keller (autor convidado)*

O que você pensa sobre si mesmo, mas não sabe

A visão que temos sobre nós mesmos, conhecida como a autoestima, tem um grande impacto em nossas vidas. Ela influi na nossa visão de mundo e, consequentemente, no nosso comportamento. Esta influência é bem conhecida na psicologia clínica, pois é um elemento associado a diversos transtornos mentais como a depressão e alguns transtornos de personalidade (e.g. narcisismo).

A autoestima pode ser entendida como a avalia√ß√£o que possu√≠mos sobre n√≥s mesmos, podendo variar entre uma avalia√ß√£o mais positiva ou negativa. Pessoas com uma autoestima muito positiva normalmente se consideram mais capazes e competentes para lidar com as situa√ß√Ķes, enquanto que pessoas com uma autoestima mais negativa normalmente pensam que s√£o menos capazes e preparadas para lidar com as situa√ß√Ķes e responsabilidades.

Se quisermos saber qual √© a avalia√ß√£o consciente, ou expl√≠cita, que uma pessoa possui sobre si mesma, poder√≠amos pergunta-la diretamente por meio de quest√Ķes como: voc√™ gosta de si mesma? Voc√™ se considera algu√©m capaz e competente? Existem v√°rios instrumentos validados que medem a autoestima expl√≠cita (por exemplo, a Escala de Rosenberg).

ResearchBlogging.orgEntretanto, como a pesquisa que faz uso de medidas impl√≠citas tem evidenciado, as pessoas nem sempre ser√£o capazes ou estar√£o dispostas a relatar as suas avalia√ß√Ķes. Muitas vezes, n√£o temos consci√™ncia de diversas avalia√ß√Ķes que possu√≠mos ou, se as percebemos, muitas vezes podemos nos sentir desconfort√°veis com relat√°-las. A partir desta linha de pesquisa, diversos pesquisadores passaram a se perguntar se as pessoas possuem avalia√ß√Ķes sobre si mesmas das quais elas n√£o tem consci√™ncia, mas que mesmo assim poderiam enviesar a percep√ß√£o e o comportamento delas. Esta linha de pesquisa indicou que a nossa autoestima inconsciente, ou impl√≠cita, pode nos influenciar de maneira consider√°vel.

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Religiosidade e bondade: O bom samaritano

O bom samaritano

“Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como tamb√©m Deus vos perdoou em Cristo.”

–¬†Ef√©sios 4:32, B√≠blia Sagrada.

Se algu√©m lhe pedir para pensar nas pessoas mais bondosas que voc√™ j√° ouviu falar, √© prov√°vel que venha √† sua mente, junto com alguns membros da sua pr√≥pria fam√≠lia, alguns famosos representantes religiosos como, por exemplo, a Madre Teresa de Calcut√°. Por sinal, a Madre Teresa foi usada em um estudo, j√° comentado aqui no blog, onde os participantes que tinham lido uma parte da biografia da Madre Teresa se demonstraram posteriormente mais prosociais com um desconhecido do que participantes que tinham lido uma parte da biografia da Margaret Thatcher. Ela se engajou frequentemente em diversos projetos sociais e por meio da ampla divulga√ß√£o de suas a√ß√Ķes generosas ao redor do mundo, ela se tornou praticamente um sin√īnimo de bondade.

Religi√Ķes extremamente difundidas atualmente, como a da Madre Teresa (cat√≥lica), incentivam explicitamente os seus seguidores a agirem de maneira benevolente com os seus pr√≥ximos (como na passagem que iniciou este texto), mas ser√° que a religiosidade de algu√©m como a Madre Teresa de Calcut√° tem alguma rela√ß√£o com a constante benevol√™ncia que ela demonstrou ao longo de sua vida? Ser√° que pessoas religiosas como ela s√£o mais generosas do que pessoas menos religiosas?

ResearchBlogging.orgPara tentar responder à estas perguntas, Ara Norenzayan e Azim Shariff publicaram na revista Science um artigo que buscou sistematizar o que conhecemos atualmente sobre a origem e a evolução da prosocialidade religiosa, ou seja, o suposto efeito facilitador que a religiosidade exerce na generosidade que as pessoas costumam exibir.

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GoCognitive: Aprenda neurociência cognitiva com os próprios pesquisadores

Se você se interessa pelo estudo da cognição humana, assim como eu, hoje você terá um presentinho aqui no blog!

Minha √ļltima descoberta na web foi o projeto GoCognitive.

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