Por que as pessoas se importam com a opinião dos outros? (vídeo)

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Voc√™ j√° se sentiu mal depois de ouvir uma cr√≠tica de algu√©m ou se sentir ignorado nas redes sociais? Hoje vamos falar sobre como o passsado evolutivo da nossa esp√©cie e as circunst√Ęncias atuais em diferentes culturas podem te ajudar a entender porque essas coisas s√£o t√£o desconfort√°veis para tanta gente. Voc√™ pode ver o v√≠deo de hoje abaixo ou clicando aqui.

[youtube_sc url=”https://youtu.be/tp-H1i_nOak”]

A reputação funciona como um sinal que informa as outras pessoas sobre a propensão de alguém agir de uma certa forma. Hoje vamos falar especificamente da reputação enquanto um sinal de que uma pesssoa é cooperativa e tende a retribuir as ajudas que recebe. Nesse sentido, a reputação costuma ser fundamental para a harmonia e a estabilidade de um grupo, já que tende a incentivar a cooperação entre os membros e a reduzir comportamentos egoístas de aproveitadores ou trapaceiros. Ao que tudo indica, essa preocupação com a própria reputação e a dos outros é uma herança que herdamos da vida em grupo que os primeiros humanos caçadores-coletores levavam. Durante cerca de 95% da existência da nossa espécie, nós vivemos como grupos de caçadores-coletores. As pessoas que vivem em grupos assim são altamente dependentes da cooperação entre os membros para conseguir sobreviver e se reproduzir.

Referências recomendadas

Consulte a seguir diferentes materiais discutindo reputação, cooperação, evolução e trapaceiros: link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link.

 

O que leva alguém à desonestidade? (vídeo)

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Por que algumas pessoas agem desonestamente? Muita gente tem uma resposta para essa pergunta, mas hoje queremos mostrar um pouco do que a ciência tem a dizer sobre isso. Você pode ver o vídeo de hoje abaixo ou clicando aqui.

[youtube_sc url=”https://youtu.be/yWDYN09t_BU”]

Referências recomendadas

Veja alguns materiais relevantes sobre desonestidade nos links a seguir: link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link, link.

Psicologia Brazuca: Yamamoto e a psicologia evolucionista

Maria Emilia Yamamoto

Maria Em√≠lia Yamamoto pode ser considerada uma das ‚Äúm√£es‚ÄĚ da psicologia evolucionista brasileira. Pioneira na √°rea, ela hoje √© professora na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e tem participa√ß√£o fundamental na promo√ß√£o e no desenvolvimento da psicologia brasileira, especialmente da psicologia evolucionista (PE). Ela editou em co-autoria com a professora Emma Otta o livro¬†Psicologia evolucionista, primeiro manual brasileiro da √°rea.

Assim como o Dida, a Maria Emilia veio da etologia, mas sua carreira foi se direcionando cada vez mais também para a PE. A professora Maria Emilia se tornou uma porta-voz da área e tem divulgado o seu trabalho em diversos congressos, palestras e eventos. Ela gentilmente nos cedeu uma entrevista rica, na qual foram discutidos diversos assuntos que ela, assim como muitos pesquisadores no mundo todo, tem tentando relacionar na sua pesquisa, como a evolução, a prosocialidade, a religião e a moralidade.

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Religiosidade e bondade: O bom samaritano

O bom samaritano

“Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como tamb√©m Deus vos perdoou em Cristo.”

–¬†Ef√©sios 4:32, B√≠blia Sagrada.

Se algu√©m lhe pedir para pensar nas pessoas mais bondosas que voc√™ j√° ouviu falar, √© prov√°vel que venha √† sua mente, junto com alguns membros da sua pr√≥pria fam√≠lia, alguns famosos representantes religiosos como, por exemplo, a Madre Teresa de Calcut√°. Por sinal, a Madre Teresa foi usada em um estudo, j√° comentado aqui no blog, onde os participantes que tinham lido uma parte da biografia da Madre Teresa se demonstraram posteriormente mais prosociais com um desconhecido do que participantes que tinham lido uma parte da biografia da Margaret Thatcher. Ela se engajou frequentemente em diversos projetos sociais e por meio da ampla divulga√ß√£o de suas a√ß√Ķes generosas ao redor do mundo, ela se tornou praticamente um sin√īnimo de bondade.

Religi√Ķes extremamente difundidas atualmente, como a da Madre Teresa (cat√≥lica), incentivam explicitamente os seus seguidores a agirem de maneira benevolente com os seus pr√≥ximos (como na passagem que iniciou este texto), mas ser√° que a religiosidade de algu√©m como a Madre Teresa de Calcut√° tem alguma rela√ß√£o com a constante benevol√™ncia que ela demonstrou ao longo de sua vida? Ser√° que pessoas religiosas como ela s√£o mais generosas do que pessoas menos religiosas?

ResearchBlogging.orgPara tentar responder à estas perguntas, Ara Norenzayan e Azim Shariff publicaram na revista Science um artigo que buscou sistematizar o que conhecemos atualmente sobre a origem e a evolução da prosocialidade religiosa, ou seja, o suposto efeito facilitador que a religiosidade exerce na generosidade que as pessoas costumam exibir.

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Nojo, moralidade e preconceito

O que nojo tem a ver com moralidade?

Se voc√™ sentir um cheiro forte de fezes logo ap√≥s entrar em um banheiro p√ļblico, voc√™ provavelmente sentir√° nojo. De maneira semelhante, se voc√™ ouvir uma hist√≥ria sobre um caso de pedofilia, √© prov√°vel que voc√™ tamb√©m sinta, em algum n√≠vel, nojo. Esta emo√ß√£o poderia eliciar em voc√™ um padr√£o de express√£o facial muito parecido com o que a maioria das pessoas ao redor do mundo exibiria: seu l√°bio superior levantaria, seu nariz se¬†enrugaria, suas p√°lpebras levantariam e suas sobrancelhas abaixariam [1] – a famosa “cara de nojinho.” Em sua forma mais aguda, este estado mental de nojo poderia vir acompanhado de n√°useas e v√īmitos.

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O que religi√£o tem a ver com moralidade?

Religi√£o e moralidade

Para muitos religiosos, a pergunta “O que religi√£o tem a ver com moralidade?” teria uma resposta √≥bvia: “a religi√£o √© a base da moralidade e torna as pessoas moralmente melhores.” Entretanto, para muitos ateus, a resposta seria bem diferente, algo como: “a moralidade independe da religi√£o e a religi√£o torna as pessoas moralmente piores.” Podemos passar horas a fio construindo argumentos contra cada uma destas posi√ß√Ķes, mas melhor do que isso talvez seja analisar o conhecimento emp√≠rico que temos sobre a rela√ß√£o entre ambas. Foi com esse intuito que Paul Bloom, professor na Universidade Yale, publicou recentemente uma revis√£o discutindo a evolu√ß√£o da religi√£o e da moralidade e como estes dois fen√īmenos se relacionam [1]. Trago abaixo uma breve discuss√£o dos principais pontos discutidos por Bloom.

ResearchBlogging.orgA avers√£o que as maiores religi√Ķes do mundo compartilham por aqueles que “n√£o cr√™em,” frequentemente vistos como indiv√≠duos sem moralidade, ilustra a import√Ęncia central que usualmente se d√° √†s cren√ßas religiosas¬†para a moralidade. “Se um indiv√≠duo n√£o compartilha de determinadas cren√ßas religiosas, ele deve possuir uma moralidade menos s√≥lida do que a minha, que acredito”, reza a lenda. Por outro lado, o que um grande corpo de evid√™ncias tem demonstrado nos √ļltimos anos √© que se a religi√£o tem alguma influ√™ncia na moralidade das pessoas, esta influ√™ncia n√£o se deve √†s cren√ßas religiosas, mas √† outros aspectos menos aparentes das religi√Ķes, compartilhados por outros grupos sociais. Como muitas vezes as pesquisas na psicologia e nas ci√™ncias humanas indicam, mesmo intui√ß√Ķes t√£o difundidas , como as que relacionam moralidade com cren√ßas religiosas, podem se mostrar equivocadas a partir de um exame rigoroso.

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A Gentileza de Estranhos

Fonte: Project Syndicate

Autor: Paul Bloom

Tradução: André Rabelo

Porque somos gentis com estranhos?

Eu admito que esta seja uma maneira incomum de ver o mundo, mas, ao ler o jornal, eu fico constantemente impressionado com a extens√£o da gentileza humana. A mais nova boa not√≠cia vem do Centro sobre a Riqueza e Filantropia no Boston College, que estima que os americanos v√£o doar cerca de¬†$250 bilh√Ķes em contribui√ß√Ķes¬†individuais¬†de caridade ¬†em 2010, muitos bilh√Ķes a mais do que no ano passado.

Pessoas doam seu sangue a estranhos, viajam em miss√Ķes humanit√°rias para lugares como o Haiti e o Sud√£o e arriscam suas vidas para lutar contra a injusti√ßa em outros lugares. E nova-iorquinos t√™m crescido acostumados a ler sobre her√≥is do metr√ī – bravas almas que saltam em dire√ß√£o aos trilhos para resgatar passageiros e ent√£o frequentemente somem, inconfort√°veis com a aten√ß√£o ou o cr√©dito.

Como um psic√≥logo, eu sou fascinado pela origem e as consequ√™ncias de tal gentileza. Alguns de nossos sentimentos morais e motiva√ß√Ķes morais s√£o o produto da evolu√ß√£o biol√≥gica. Isso explica porque n√≥s somos frequentemente gentis com a nossa pr√≥pria carne e sangue ‚Äď aqueles que compartilham nossos genes. Isto tamb√©m pode explicar nossas liga√ß√Ķes morais com aqueles que vemos como membros da nossa tribo imediata. Continue lendo…

Enterrados por M√°s Decis√Ķes

A espécie humana se encontra hoje em uma situação grave em relação ao seu ambiente. São problemas sérios a serem enfrentados e que oferecem riscos para a nossa sobrevivência, como o aquecimento global, a expansão populacional, a escassez de recursos naturais e a destruição de florestas.

Mesmo com uma capacidade de racioc√≠nio l√≥gico t√£o suprema no reino animal, n√£o fomos capazes at√© aqui de cuidar do nosso ambiente de forma sustent√°vel, mesmo que soubessemos o que deveriamos fazer j√° h√° algum tempo. Nossas p√©ssimas decis√Ķes no passado poder√£o ter consequ√™ncias dr√°sticas para a vida da nossa esp√©cie na Terra.

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O psic√≥logo social Daniel Gilbert da Universidade de Harvard explica em um recente artigo publicado na revista Nature que possuimos c√©rebros otimizados para buscar comida e parceiros na savana africana, mas n√£o t√£o bons para estimar consequ√™ncias de longo prazo ou o impacto do consumo excessivo de recursos (Gilbert, 2011). Somos “pr√©-programados” para tomar decis√Ķes baseadas em necessidades de curto prazo. Continue lendo…

A Nova Ciência da Moralidade

“Algo radicalmente novo est√° no ar: novos meios de entender os sistemas f√≠sicos, novos meios de pensar sobre o pensamento que questionam muitas das nossas suposi√ß√Ķes. Uma biologia da mente realista, avan√ßos na biologia evolucionista, f√≠sica, tecnologia da informa√ß√£o, gen√©tica, neurobiologia, psicologia, engenharia, a qu√≠mica dos materiais: todas essas s√£o perguntas de import√Ęncia cr√≠tica em rela√ß√£o ao que significa ser um humano.

Pela primeira vez, temos as ferramentas e a vontade para nos empreendermos no estudo cient√≠fico da natureza humana”(tradu√ß√£o minha). Esse √© o texto traduzido que abre a p√°gina da web sobre a confer√™ncia organizada pela Edge, na qual v√°rios cientistas discutiram a nova ci√™ncia da moralidade. Continue lendo…

Beb√™s t√™m no√ß√Ķes de moralidade?!

Muito se discute hoje em uma √°rea de pesquisa da psicologia chamada de Moral Psychology (Psicologia da Moral) sobre os aspectos gen√©ticos e culturais envolvidos no desenvolvimento do julgamento moral e das no√ß√Ķes de certo e errado que n√≥s temos sobre os nossos e os comportamentos dos outros.

Por muito tempo uma id√©ia dominante foi a de que esses padr√Ķes de moralidade s√≥ podem existir atrav√©s de um aprendizado formal, alguns chegando at√© a afirmar que s√≥ atrav√©s de uma educa√ß√£o religiosa isso √© poss√≠vel e que sem a religi√£o n√≥s ser√≠amos selvagens, violentos e desumanos.

A despeito das na√ß√Ķes mais desenvolvidas hoje em dia serem as menos religiosas (e.g. Su√©cia, Noruega, Dinamarca), como descreve Phil Zuckerman em seu livro Society Without God, esse argumento ainda v√™m sendo usado, at√© mesmo pelo pobre papa Bento XVI, em v√°rias declara√ß√Ķes infelizes recentemente, apontando o dedo para novos inimigos (ateus) na tentativa de mostrar a import√Ęncia da igreja no mundo e tirar o foco da aten√ß√£o nos casos de abuso sexual que h√° muito tempo a igreja v√™m abafando nos seus bastidores (aonde est√° essa moralidade t√£o imponente que a educa√ß√£o religiosa oferece nesses padres abusadores de criancinhas?).

ResearchBlogging.orgUm artigo publicado em 2007 na Nature, uma das revistas cient√≠ficas mais importantes no mundo e de maior impacto, traz dados sobre a “avalia√ß√£o” de comportamentos sociais por parte de beb√™s de 10 e 6 meses de idade. Os resultados indicaram que ao observar uma intera√ß√£o entre um boneco que ajudava o outro a subir uma montanha e um boneco que atrapalhava o outro a subir uma montanha, mais de 90% dos beb√™s escolheram o boneco que ajudava o outro a subir a montanha. Mais precisamente, 14 dos 16 beb√™s de 10 meses de idade e 12 dos 12 beb√™s de 6 meses de idade escolhiam o boneco que havia ajudado o outro na intera√ß√£o que o beb√™ tinha assistido. Continue lendo…