Psicologia Brazuca: Gerson A. Janczura e a memória

Gerson A. Janczura

O professor Gerson A. Janczura estuda a mem√≥ria humana no Laborat√≥rio de Processos Cognitivos da Universidade de Bras√≠lia (UnB). Sendo um dos pioneiros da √°rea, Gerson teve um papel importante na introdu√ß√£o e expans√£o da psicologia cognitiva no Brasil.¬†Nesta entrevista que ele gentilmente nos cedeu, o professor explorou um pouco do conhecimento que possu√≠mos hoje acerca de como a mem√≥ria humana funciona, de como somos capazes de formar mem√≥rias falsas, das interven√ß√Ķes pr√°ticas que a psicologia cognitiva pode subsidiar e das dificuldades que a psicologia cognitiva enfrenta para ganhar espa√ßo no Brasil.

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Psicologia Brazuca: M√īnica, a neuropsicologia e o TDAH

M√īnica C. Miranda √© pesquisadora pela Associa√ß√£o Fundo de Incentivo √† Pesquisa (AFIP), formada em Psicologia pela Universidade S√£o Marcos e possui Mestrado e Doutorado em Psicobiologia pela Universidade Federal de S√£o Paulo. √Č orientadora do Programa de P√≥s-Gradua√ß√£o em Educa√ß√£o e Sa√ļde e Pesquisadora do Depto de Psicobiologia da Universidade Federal de S√£o Paulo. Coordena o N√ļcleo de Atendimento Neuropsicol√≥gico Infantil Interdisciplinar (NANI) do Centro Paulista de Neuropsicologia. M√īnica √© tamb√©m uma das autoras do livro Neuropsicologia do Desenvolvimento: conceitos e abordagens, publicado em 2006. Al√©m disso, ela tamb√©m √© uma das organizadoras do livro Neuropsicologia do Desenvolvimento: Transtornos do neurodesenvolvimento, que ser√° publicado em outubro de 2012 pela Editora Rubio. Nesta entrevista, a M√īnica ofereceu a sua perspectiva, enquanto uma profissional da √°rea, sobre as recentes pol√™micas envolvendo o Transtorno do D√©ficit de Aten√ß√£o com Hiperatividade¬†(TDAH), al√©m de comentar sobre os seus projetos de pesquisa. Fa√ßam bom proveito!

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Medidas implícitas: Indo além da consciência

Indo além da consiência

Como comecei a comentar no √ļltimo texto,¬†a psicologia t√™m desvendado nos √ļltimos anos a dimens√£o impl√≠cita ou inconsciente de nossas mentes, que na maior parte do tempo n√£o somos capazes de perceber ou n√£o temos motiva√ß√£o para relatar. Isso significa que, a princ√≠pio, podemos possuir avalia√ß√Ķes negativas de grupos, como conservadores ou homossexuais, das quais nem nos damos conta ou nos sentimos desencorajados a revelar em p√ļblico, mas que podem ainda assim enviesar nossos pensamentos e a√ß√Ķes no cotidiano.

ResearchBlogging.orgPara lidar com estes¬†problemas – o da limitada capacidade de introspec√ß√£o e da falta de motiva√ß√£o para relatar certas informa√ß√Ķes -, os psic√≥logos buscaram alternativas para as medidas de auto-relato, e foi a partir dai que o estudo da¬†cogni√ß√£o impl√≠cita passou a se tornar uma vasta √°rea de pesquisa n√£o s√≥ na psicologia social, mas abrangendo os mais diversos t√≥picos de interesse – preconceito racial, auto-estima, relacionamento rom√Ęntico, religi√£o, transtornos mentais, tend√™ncias suicidas, v√≠cio em drogas [1, 2] – e sub√°reas da psicologia – psicologia cl√≠nica, psicologia forense, psicologia pol√≠tica, psicologia do desenvolvimento, psicologia da sa√ļde e psicologia do consumidor [1, 2]. Uma das principais contribui√ß√Ķes que essa √°rea ofereceu foi o desenvolvimento das chamadas medidas impl√≠citas, que nos permitiram tentar responder a perguntas sobre o que estava al√©m da consci√™ncia.

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Dizendo mais sobre nós mesmos do que podemos saber

O que podemos saber sobre o que influencia nossos comportamentos?

Imagine o seguinte cen√°rio: algu√©m lhe pergunta qual era o nome de solteira da sua m√£e. Voc√™ consegue responder com grande facilidade. Em seguida, a pessoa lhe faz outra pergunta: “como foi que voc√™ conseguiu lembrar disso?” Provavelmente, voc√™ responderia algo como: “eu n√£o sei, eu s√≥ lembrei mesmo.” No dia-a-dia, confiamos regularmente na capacidade das pessoas de explicarem seus pr√≥prios comportamentos, como quando perguntamos “porque voc√™ fez isso?” ou “porque voc√™ n√£o gosta disso?”

Tamb√©m confiamos, sem perceber, na nossa pr√≥pria capacidade de avaliar isso, considerando a rapidez com que somos capazes de oferecer explica√ß√Ķes para os nossos comportamentos quando somos questionados sobre porque fizemos algo. Mas ao considerarmos o que a psicologia tem a dizer sobre esta capacidade, as pesquisas indicam que com frequ√™ncia dizemos mais sobre n√≥s mesmos do que poder√≠amos saber.

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O que é o jeitinho brasileiro?

Zé Carioca, personagem simbolizando a malandragem brasileira

O Brasil √© o pa√≠s do “jeitinho.” Somos famosos mundialmente por “dar um jeitinho para tudo” e pela nossa malandragem. O potencial brasileiro para a improvisa√ß√£o e para a criatividade, caracter√≠sticas centrais do jeitinho, √© ao mesmo tempo algo que podemos sentir orgulho e vergonha, pois ao mesmo tempo que o jeitinho se refere a uma habilidade refinada para a resolu√ß√£o criativa de problemas, tamb√©m se refere √† nossa capacidade engenhosa de agir corruptamente para obter benef√≠cios pessoais de maneira criativa.

Nas sociedades chinesas, √© comum se observar um construto cultural semelhante ao jeitinho, o guanxi. O guanxi tamb√©m √© uma estrat√©gia usada cotidianamente para a resolu√ß√£o de problemas, mas se diferencia do jeitinho em diversos aspectos, principalmente porque o jeitinho n√£o envolve rela√ß√Ķes previamente existentes entre as pessoas ou a a√ß√£o de qualquer mecanismo de reciprocidade, como √© o caso do guanxi.

O jeitinho pode ser entendido como um tipo de a√ß√£o visando obter benef√≠cio pr√≥prio ou a resolu√ß√£o de um problema pr√°tico, ¬†fazendo uso de criatividade, cordialidade, engano e outros processos sociais [1]. Tanto na antropologia quanto na sociologia, o fen√īmeno do jeitinho brasileiro t√™m sido muito estudado e enfatizado como um aspecto central da identidade cultural brasileira. O s√≠mbolo do malandro, ilustrado pelo personagem de desenho Z√© Carioca na imagem acima, captura a ess√™ncia deste modo flex√≠vel, por√©m muitas vezes prejudicial a terceiros, de navegar socialmente.

Um problema enfrentado nas √°reas que tradicionalmente estudam o jeitinho √© no seu pr√≥prio significado, pois diversas defini√ß√Ķes costumaram capturar diferentes aspectos do jeitinho sem fazer refer√™ncia aos outros aspectos. Foi visando compreender de maneira mais sistem√°tica o jeitinho brasileiro que um grupo de pesquisadores, incluindo v√°rios brasileiros, publicou este ano um artigo no Personality and Social Psychology Bulletin [1].

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