Arquivo da tag: peixe

Sua comida pode estar em extinção

Devido √† pesca predat√≥ria, in√ļmeras esp√©cies de peixes usadas como alimentos por n√≥s, humanos, est√£o em extin√ß√£o na √Āfrica do Sul – o mesmo ocorre aqui no Brasil. Para alertar os moradores e os turistas sobre esse problema, organiza√ß√Ķes p√ļblicas, n√£o governamentais e privadas se uniram na divulga√ß√£o colando cartazes de alerta em diversos pontos p√ļblicos como no Two Oceans Aquarium, em Cape Town (Cidade do Cabo).

Os cartazes s√£o simples. Neles, esp√©cies peixes com nomes e ilustra√ß√Ķes foram separadas em tr√™s categorias dentro das respectivas cores: green (verde), orange (laranja) e red (vermelho). Os peixes da categoria verde, como √© o caso da anchova e do dourado, podem ser consumidos. O cartaz alerta para o consumo moderado das esp√©cies colocadas na categoria laranja, como o bagre. Essas esp√©cies correm risco de extin√ß√£o, mas menos do que as inseridas na categoria vermelha como, por exemplo, o incomum peixe-serra. Veja aqui, no site da WWF, a lista completa.

Segundo a Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas para Alimenta√ß√£o e Agricultura (FAO), 85% dos estoques de peixes do mundo s√£o superexplorados ou j√° foram explorados ao m√°ximo. Para piorar a situa√ß√£o, estima-se que um quarto dos animais marinhos pescados s√£o muitas vezes mortos ou desperdi√ßados por terem sido capturados acidentalmente.

Parece que os restaurantes de modo geral da √Āfrica do Sul, gra√ßas a esse extenso alerta, t√™m evitado comercializar as esp√©cies em risco de extin√ß√£o – me corrija se eu estiver enganada. Mesmo assim, os peixes e alguns frutos do mar est√£o entre os principais alimentos consumidos por l√°. Eu, por exemplo, vivi a base de lula e peixe – mais saborosos do que os daqui!

A √Āfrica do Sul tem uma extensa √°rea costeira (3.798 quil√īmetros). L√°, peixe e frutos do mar custa cerca de tr√™s vezes menos do que os consumidos no Sudeste do Brasil, sendo que a costa brasileira √© de cerca de 8 mil quil√īmetros – mais que o dobro maior do que a sul-africana. Alguns estudos apontam maior quantidade de animais marinhos em √°guas frias como as da √Āfrica do Sul. Essa explica√ß√£o seria suficiente para justificar os pre√ßos mais altos dos frutos do mar por aqui, j√° que o litoral do Brasil √© relativamente quente? Ou os peixes do Brasil correm mais risco por diversos motivos?

Enfim, os recursos marinhos são finitos. O que está sendo feito no Brasil para cuidar dessas espécies e desse ambiente tão especial?

Peixes dependem da ligação entre manguezais e recifes

Querido leitor,

Ando numa correria maluca conciliando o trabalho, o curso de Radialista – Apresentador de TV (Senac) e a vida pessoal (incluindo este blog). Minha meta √© voltar mais sussa assim que acabar o curso no pr√≥ximo m√™s – isso se n√£o inventar mais nada novo para fazer… Bom, esses dias, entre a olhadela nos e-mails, encontrei o resultado de uma pesquisa que merece destaque, principalmente, porque comprova algo intuitivo – e que pode ser o caso de outras esp√©cies.Reproduzo parte do e-mail, que recebi da Conserva√ß√£o Internacional (CI),¬†sobre a pesquisa:

Estudo in√©dito realizado na Regi√£o dos Abrolhos comprova que esta conex√£o √© essencial para o ciclo de vida do Dent√£o ou Vermelho, esp√©cie de alto valor comercial cuja captura anual chega a 3.000 toneladas no pa√≠s; resultados exp√Ķem lacunas quanto a medidas de prote√ß√£o da esp√©cie.

Um mapeamento at√© ent√£o desconhecido do ciclo de vida de uma importante esp√©cie de peixe para o pa√≠s demonstra que a conectividade entre manguezais e recifes √© essencial para sua sobreviv√™ncia. Conduzido ao longo de um ano por pesquisadores do Brasil e exterior, com apoio da Conserva√ß√£o Internacional (CI-Brasil), o estudo apresentou pela primeira vez os padr√Ķes de movimenta√ß√£o do vermelho (Lutjanus jocu) atrav√©s de diferentes h√°bitats na Regi√£o dos Abrolhos, o maior e mais biodiverso complexo recifal do Hemisf√©rio Sul. A descoberta, publicada recentemente na revista Estuarine, Coastal and Shelf Science, oferece informa√ß√Ķes-chave para o manejo da esp√©cie, que j√° apresenta acentuado decl√≠nio em seus estoques.

 

A pesquisa mostra que o tamanho do vermelho é menor nos estuários, intermediário nos recifes costeiros e maior na área do Parque Nacional Marinho (Parnam) dos Abrolhos, indicando que a espécie migra ao longo da plataforma continental na medida em que cresce. Confirmando o estudo recém publicado, dados provenientes da pesca comercial revelam que os maiores peixes, entre 70 e 80cm, são encontrados em recifes ainda mais profundos e afastados da costa. Foram investigadas 12 áreas que representam diferentes hábitats costeiros e recifais, abrangendo a Reserva Extrativista (Resex) de Cassurubá, os recifes Parcel das Paredes e Sebastião Gomes e o Parnam dos Abrolhos.

 

Segundo Guilherme F. Dutra, diretor do Programa Marinho da CI-Brasil, apesar de a conectividade entre ambientes costeiros e marinhos ser bastante difundida e aceita, poucos trabalhos foram exitosos em demonstr√°-la de maneira efetiva. ‘Esse √© o primeiro estudo que consegue provar a rela√ß√£o entre manguezais e recifes para essa esp√©cie que tem grande import√Ęncia comercial’, comemora.

 

As novas informa√ß√Ķes sobre o ciclo de vida do vermelho alertam para a condi√ß√£o de vulnerabilidade da esp√©cie cujos estudos recentes indicam redu√ß√£o nos estoques no Banco dos Abrolhos devido √† sobrepesca. Segundo informa√ß√Ķes dos desembarques, s√£o capturados pelo menos 3.000 toneladas da esp√©cie por ano nessa regi√£o, numa atividade que envolve cerca de 20 mil pescadores. ‘As medidas de manejo adotadas para assegurar a explora√ß√£o sustent√°vel dos vermelhos n√£o s√£o suficientes’, salienta Rodrigo Moura, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz e um dos co-autores do estudo. Ele explica que atualmente n√£o h√° qualquer restri√ß√£o √†s capturas dos adultos durante a fase reprodutiva ‚Äď entre junho e setembro ‚Äď ou tamanhos m√≠nimos de comercializa√ß√£o que assegurem que os peixes capturados tenham completado pelo menos um ciclo reprodutivo, o que ocorre acima de 35cm.

 

Para chegar at√© a idade adulta, o dent√£o precisa de ref√ļgio em manguezais e recifes pr√≥ximos √† costa, mesmo em √°reas liberadas para pesca. ‘Uma vez que a esp√©cie migra atrav√©s da plataforma continental, est√° claro que √°reas protegidas em unidades isoladas, tais como o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, n√£o s√£o efetivas para proteger as diversas etapas do ciclo de vida’, enfatiza Moura. (…)

 

Sobre a esp√©cie Lutjanus jocu – Associado aos ambientes rochosos e coralinos, o dent√£o – ou vermelho – √© um dos mais importantes recursos pesqueiros capturados em ecossistemas recifais no Atl√Ęntico Ocidental. Das 19 esp√©cies da fam√≠lia Lutjanidade que ocorrem no Brasil, a esp√©cie estudada est√° entre as cinco mais importantes para a pesca. Apesar de sua import√Ęncia e ampla distribui√ß√£o, com ocorr√™ncia da Fl√≥rida ao sudeste brasileiro, havia pouco conhecimento sobre o ciclo de vida da esp√©cie.”

Leia o texto na íntegra aqui.

Um saboroso aqu√°rio em S√£o Paulo


Hoje, depois de dormir mais de dez horas, acordei cedo e – j√° que… – aproveitei o doming√£o para ir √† feira! Mas n√£o qualquer uma: para a Feira de Produtos Org√Ęnicos do Parque da √Āgua Branca. Recomendo. Os produtos naturebas e hortali√ßas s√£o mais carinhos, mas, mais saborosos. A Laura do blog “Comer Comer” fez um post bacana e ilustrado sobre o lugar – leia aqui. Sempre que poss√≠vel, prefiro esse tipo de alimento, j√° basta respirar polui√ß√£o o dia todo.

Carregada com as compras, n√£o aguentei a curiosidade. O Parque da √Āgua Branca possui v√°rias atra√ß√Ķes, al√©m dos “bichos da fazenda” soltos pelo lugar como a pavoa deixando seus ovos sozinhos para bicar os pintinhos da galinha. Entre elas, est√£o os museus e um aqu√°rio. Aqu√°rio, eis a palavra m√°gica. Nem preciso dizer que adoro o ambiente aqu√°tico em geral. Resolvi conhecer.

Paguei dois reais pela entrada inteira, girei a catraca como solicitado e a luz j√° diminuiu. Em minha frente, apareceu um corredor lotado de gente empolgada com os bichinhos e de esp√©cies separadas em pequenos aqu√°rios dispostos em ambos os lados. O local √© simples, n√£o espere um ambiente sofisticado como o Aqu√°rio de S√£o Paulo. O que n√£o deixa de ser bacana. Ali√°s, foi uma viagem para minha inf√Ęncia, quando frequentava museus e parques p√ļblicos de apresenta√ß√£o simples.O aqu√°rio √© mantido pelo Instituto de Pesca do estado de S√£o Paulo. L√°, todos os peixes s√£o de √°gua doce e usados na alimenta√ß√£o. A maioria √© natural da Bacia do Paran√°, onde est√° localizado o estado, mas h√° tamb√©m indiv√≠duos do Norte como o gigante – e fofo – Pirarucu e de outros pa√≠ses como bagres. Os peixes est√£o dispostos, praticamente, em apenas dois corredores e os aqu√°rios, na altura dos olhos de um adulto. Pr√≥ximos √† sa√≠da, est√£o os simp√°ticos – e com fei√ß√£o de s√°bios – sapos.

Vale a visita! Os peixinhos parecem ser bem tratados, apesar de algumas esp√©cies se espremerem em um aqu√°rio muito pequeno. Bom, independente do tamanho do expositor, as crian√ßas piravam ao ver os peixes. Quanto mais estranhos – como a Til√°pia – ou maiores – Pacu – mais a crian√ßada se divertia. Baixinho entre n√≥s: os adultos tamb√©m… Agora, um detalhe, quando conhecer o aqu√°rio n√£o deixe de ler as placas com as informa√ß√Ķes sobre as esp√©cies! S√£o uma atra√ß√£o √† parte.

Em Bonito (MS), realmente como vende a propaganda, me senti dentro de um aqu√°rio natural ao praticar flutua√ß√£o nos rios da regi√£o. √Č bonito de mais – piada besta. Fiquei encantada pela vida fluvial, pelos peixes em busca de alimentos nas pedrinhas ao fundo, pelas plantas se movendo lentamente, etc. Terminado o passeio, perguntaram: “Depois de ver os peixinhos ‘pastando’, d√° d√≥ comer peixe, n√©?”.

 

“N√£o”, respondi. Poxa, nunca vi uma infinidade de peixe carnudo de tudo quanto √© tipo… S√£o “gracinhas” – n√£o preciso dizer que amo e defendo a prote√ß√£o dos animais aqu√°ticos, certo? – , mas deliciosos. Parece que a mesma √°gua na boca sentiu a pessoa que escreveu as informa√ß√Ķes sobre as esp√©cies do aqu√°rio do Parque da √Āgua Branca. S√≥ faltou dar a receita completa, porque em v√°rios casos estava escrito algo como, “ele √© muito saboroso frito” ou “fica gostoso assado” (clique na imagem da placa para aumentar). S√©rio. √Äs vezes, a placa indicava at√© a bebida de acompanhamento. Tudo depois de uma breve explica√ß√£o sobre a biologia ou ecologia do peixe. Imperd√≠vel.

Obs.: Obrigada a minha tia e a meus pais que colheram no s√≠tio dela mais hortali√ßas org√Ęnicas! Esta semana ser√° recheada de salada e de frutas, bora comer para n√£o estragar.