Arquivo da categoria: meio ambiente

Mata Atl√Ęntica est√° se recuperando aos poucos, aponta estudo

Hoje trago uma boa not√≠cia. Um estudo cient√≠fico feito por mais de 20 pessoas de dez institui√ß√Ķes diferentes mostrou que cerca de 740 mil hectares de Mata Atl√Ęntica estavam em recupera√ß√£o entre os anos de 2011 e de 2015. Isso corresponde a 740 mil campos de futebol que agora est√£o se tornando floresta! O estudo foi organizado pelo Pacto para a Restaura√ß√£o da Mata Atl√Ęntica, um movimento criado em 2009 por empresas, √≥rg√£os do governo, ONGs e centros de pesquisa. Na √©poca do seu lan√ßamento, fiz uma mat√©ria sobre o assunto. O Pacto quer recuperar 15 milh√Ķes de hectares degradados at√© 2050, o equivalente a quase 100 cidades de S√£o Paulo. Algo que eles ainda consideram poss√≠vel. Para isso, o grupo procura fomentar pol√≠ticas p√ļblicas que facilitem o processo de recupera√ß√£o de √°reas e evitem desmatamentos. Al√©m disso, ONGs atuam no plantio de √°rvores nativas por meio do financiamento de pessoas e de empresas. √Č um grande trabalho em conjunto que est√° dando resultado. O Atlas da Mata Atl√Ęntica, uma iniciativa da SOS Mata Atl√Ęntica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), indica que 12,4% da √°rea original de Mata Atl√Ęntica est√° preservada. E o desmatamento nessa floresta cai a cada ano.

A foto eu tirei no Parque Nacional de São Joaquim.

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo. Uma vez por semana, minha coluna sobre sustentabilidade vai ao ar.

Fique a ver baleias!

Se voc√™ est√° no Facebook ou em algum grupo de WhatsApp, √© capaz que tenha recebido recentemente videos de baleias pulando em √°guas do litoral brasileiro. Um momento m√°gico! O Brasil √© um ber√ß√°rio para algumas baleias que vivem na Ant√°rtida. Quando chega o inverno, em julho, elas migram para c√° para parir seus filhotes e amament√°-los at√© o m√™s de novembro. Duas esp√©cies t√™m esse comportamento: a jubarte e a baleia franca. Mas elas costumam se deslocar para locais diferentes do Brasil. A jubarte segue pelo litoral brasileiro at√© chegar √† Bahia, onde fica Abrolhos, o maior ber√ßo reprodutivo dessa esp√©cie por aqui. J√° a baleia franca pode ser encontrada desde o Rio Grande do Sul at√© a Bahia tamb√©m, mas ela costuma se concentrar no Sul do Brasil. Ano passado, o Projeto de Monitoramento de Cet√°ceos estimou haver 842 jubartes entre Florian√≥polis e Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Ali√°s, vale lembrar que as baleias s√£o protegidas por lei no Brasil desde 1987. Segundo Gabriela Godinho, pesquisadora do Instituto Baleia Franca, o fim da ca√ßa e as √°reas de conserva√ß√£o garantiram maior prote√ß√£o das esp√©cies, aumentando o n√ļmero de baleias em mares brasileiros. A Lista Vermelha da Uni√£o Internacional para a Conserva√ß√£o da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) aponta um aumento da popula√ß√£o de jubartes no mundo. Sobre o risco que corre a baleia franca, a organiza√ß√£o n√£o tem dados suficientes. Se voc√™ quiser fazer um passeio de barco para avis√°-los, procure ag√™ncias credenciadas por √≥rg√£os p√ļblicos ou indicadas por ONGs. Deve-se manter cerca de 100 metros de dist√Ęncia do animal e permanecer com o motor desligado e sem m√ļsica alta.¬†

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo. Uma vez por semana, minha coluna sobre sustentabilidade vai ao ar.

Xingu Solar: projeto no território indígena aumenta disponibilidade energética e poderia gerar economia para o país

Combinação de tecnologias poderia economizar mais de R$ 360 mil por ano em subsídios, mostra estudo do IEMA sobre instalação de energia solar do ISA

O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) realizou dois estudos, um econ√īmico e outro qualitativo e quantitativo, sobre o projeto Xingu Solar do Instituto Socioambiental (ISA). At√© agora, pelo projeto do ISA j√° foram instalados 70 sistemas fotovoltaicos com pot√™ncia total combinada de 33.260 kWp em 65 aldeias do Territ√≥rio Ind√≠gena do Xingu (TIX). Segundo a avalia√ß√£o, a combina√ß√£o da produ√ß√£o de energia el√©trica de geradores a derivados de petr√≥leo com pain√©is fotovoltaicos poderia trazer a economia de mais de R$ 360 mil por ano em subs√≠dios federais, caso o atendimento fosse realizado no √Ęmbito do programa Luz para Todos. Al√©m disso, a pesquisa mostrou que as comunidades locais preferem energias renov√°veis devido √† seguran√ßa energ√©tica por n√£o depender da disponibilidade de combust√≠veis f√≥sseis e aos benef√≠cios ambientais.

Acesse o estudo em: http://www.energiaeambiente.org.br.

Nem todos os brasileiros est√£o conectados aos fios do Sistema Interligado Nacional (SIN), que distribui a energia gerada pelas diversas fontes do pa√≠s. Cerca de tr√™s milh√Ķes de pessoas s√£o atendidas por sistemas de energia el√©trica isolados do SIN. E a maior parte dessas pessoas est√° na Amaz√īnia. O problema disso √© que nem todas essas fontes locais de energia el√©trica s√£o seguras, deixando a popula√ß√£o que √© mais afastada carente de energia para carregar uma lanterna.

‚ÄúA motiva√ß√£o √© discutir o acesso √† energia el√©trica √†s centenas de milhares de brasileiros que vivem em √°reas remotas na Amaz√īnia, na expectativa de que o enfrentamento deste desafio se d√™ por meio de uma pol√≠tica p√ļblica articulada e inovadora que v√° al√©m do setor el√©trico‚ÄĚ, Pedro Bara, pesquisador do IEMA. O estudo avaliou os impactos econ√īmicos do uso de pain√©is solares no TIX e os aspectos socioculturais e comportamentais locais com rela√ß√£o ao acesso √† eletricidade. Para isso, foram realizadas entrevistas em 15 aldeias com 117 atores envolvidos no projeto: participantes dos cursos de forma√ß√£o, lideran√ßas ind√≠genas, parceiros e equipe do ISA.

Impacto nas contas p√ļblicas
O uso da energia solar no lugar dos geradores a diesel no TIX poderia ocasionar a economia de mais de R$ 360 mil por ano em subs√≠dios. Esse potencial econ√īmico √© ainda mais expressivo se considerar que a popula√ß√£o do TIX √© de sete mil pessoas e estima-se que at√© dois milh√Ķes no pa√≠s ainda n√£o t√™m acesso. Esse valor de economia √© decorrente da simula√ß√£o do cen√°rio em que as demandas reprimidas por energia el√©trica na regi√£o seriam atendidas.

O custo por unidade de energia el√©trica gerada √©: diesel, R$ 1,70; h√≠brida, R$ 1,42; e solar, R$ 1,04. A op√ß√£o fotovoltaica e a h√≠brida ‚Äď energia solar mais gerador derivado do petr√≥leo ‚Äď s√£o mais econ√īmicas.

Em um primeiro momento, a tecnologia a diesel tem vantagem sobre a solar. Isso porque apresenta menores custos de aquisi√ß√£o. Por√©m, o ciclo de vida de um painel solar √© de 25 anos. Para realizar uma compara√ß√£o econ√īmica adequada entre as tecnologias, √© preciso considerar as despesas operacionais (manuten√ß√£o do gerador e abastecimento com combust√≠vel) a longo prazo.

Além disso, apenas os geradores a diesel do Território Indígena do Xingu hoje emitem cerca de 600 toneladas de CO2 por ano. Para compensar essa emissão, seria necessário plantar árvores nativas em uma área equivalente a 74 campos de futebol, segundo estimativa baseada em dados do Projeto Carbono das Nascentes do Xingu. Se as comunidades locais fossem atendidas apenas por geradores a diesel de acordo com a real necessidade, seriam emitidas cerca de 1.200 toneladas de CO2 por ano.

Preferência pela solar
Os pain√©is foram instalados em constru√ß√Ķes de uso p√ļblico e n√£o em unidades familiares. No total, 96% dos habitantes com energia fotovoltaica preferem este tipo de gera√ß√£o do que de derivados do petr√≥leo.

A maior oferta de energia elétrica possibilitou expandir a utilização de equipamentos pequenos como celulares e lanternas. Este, principalmente, é um item muito usado pelos moradores. A realização de atividades como o ensino noturno foi facilitada. Os cursos de formação para operação dos sistemas e a participação local na instalação também foram mencionados como pontos positivos do projeto.

J√° as vantagens do sistema fotovoltaico frente ao diesel citadas foram a inexist√™ncia de ru√≠do, maior facilidade de manuten√ß√£o por n√£o possuir partes m√≥veis como os geradores a diesel ‚Äď que est√£o sucateados ‚Äď e o fato de ser desnecess√°rio o abastecimento com combust√≠vel. Neste caso, quando acaba o combust√≠vel, a regi√£o fica dependente da entrega do mesmo para ter energia el√©trica. Por exemplo, 53% dos ind√≠genas com fontes de energia solar sentiram-se mais seguros no atendimento m√©dico de urg√™ncia contra 24% sem energia solar. Tamb√©m 43% das aldeias com energia solar tiveram escolas que disponibilizam ensino noturno contra 25% das demais.

Quem fornece energia
Este projeto √© importante porque a oferta de eletricidade no TIX √© restrita e, quando dispon√≠vel, a energia utilizada prov√©m de sistemas a diesel ou a gasolina adquiridos pelos pr√≥prios habitantes ou fornecidos pela Secretaria Especial de Sa√ļde Ind√≠gena (Sesai) do Minist√©rio da Sa√ļde.

O acesso à energia elétrica pode levar benefícios às comunidades como garantir a refrigeração de vacinas, soros antiofídicos, de alimentos, o bombeamento e armazenamento de água potável e possibilitar a ampliação de atividades produtivas, culturais e educacionais.

Para garantir que a universaliza√ß√£o seja realizada da melhor forma, potencializando todos esses benef√≠cios, √© necess√°rio o desenvolvimento de modelos de implementa√ß√£o que incluam as comunidades e que as pol√≠ticas p√ļblicas do setor el√©trico se adequem √†s realidades locais.

Foto: Divulgação/ IEMA

Dia Mundial da √Āgua: o que voc√™ est√° fazendo com ela?

Hoje √© o Dia Mundial da √Āgua. Vale lembrar que o Brasil tem a maior reserva de √°gua doce dispon√≠vel do mundo, o que corresponde a 12% da √°gua doce l√≠quida do planeta. O pa√≠s tem os maiores aqu√≠feros, o maior rio, o Amazonas, e um litoral de mais de 8 mil quil√īmetros. Ser√° que valorizamos e manejamos sustentavelmente toda essa oferta? Um estudo coordenado pelo analista ambiental Rafael Magris, do ICMbio, Instituto Chico Mendes de Conserva√ß√£o da Biodiversidade, em parceria com universidades internacionais e patrocinado pelo CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient√≠fico e Tecnol√≥gico, mostrou que os sedimentos contaminados do desastre da barragem que rompeu em Mariana, em 2015 em Minas Gerais, atingiram o Rio Doce, o Arquip√©lago de Abrolhos, na Bahia, o Esp√≠rito Santo e bancos de algas calc√°rias da regi√£o. A intensidade dos impactos da destrui√ß√£o diminuir√°, mas a √°rea total de ecossistemas em risco ou afetados tende a aumentar com o passar do tempo, segundo a pesquisa. S√£o mananciais e litorais contaminados por subst√Ęncias qu√≠micas nocivas para nossa sa√ļde como metais pesados. O que prejudica ou inviabiliza o uso dessas √°guas. Temos que colocar em pr√°tica no Brasil o h√°bito de planejar o modo que empregamos os nossos recursos naturais, inclusive analisando e evitando os riscos dessas atividades. ¬†

IMG_20190306_085146175_HDRAgora, ap√≥s a trag√©dia de Brumadinho, a Ag√™ncia Nacional de Minera√ß√£o publicou uma resolu√ß√£o determinando o fim de todas as barragens do tipo “a montante”, como as duas que romperam em Minas Gerais.

A polui√ß√£o do ar est√° acima dos padr√Ķes da OMS

Ol√°! Bom dia! Pare e respire fundo… Voc√™ sabe o que tem nesse ar que respira? O IEMA, Instituto de Energia e Meio Ambiente, lan√ßou a plataforma da qualidade do ar que re√ļne dados do monitoramento feito em todo o Brasil e tamb√©m indica as ultrapassagens das recomenda√ß√Ķes feitas pela ONU. Dos 27 estados brasileiros, apenas nove realizam o monitoramento da qualidade do ar. S√£o eles: Bahia, Esp√≠rito Santo, Minas Gerais, S√£o Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paran√°, Goi√°s e Distrito Federal. Nesses locais, os poluentes material particulado fino e o oz√īnio seguem em alta. O material particulado fino √© um dos maiores respons√°veis por doen√ßas respirat√≥rias e cardiovasculares no mundo. Ele √© emitido pela queima de combust√≠veis e formado l√° na atmosfera a partir de rea√ß√Ķes qu√≠micas. J√° o oz√īnio pode ser causador de doen√ßas pulmonares e a asma. Ele aparece nos dias ensolarados a partir da rea√ß√£o qu√≠mica de outros poluentes. A concentra√ß√£o dele no Parque do Ibirapuera, por exemplo, chegou a ser o dobro do que a OMS recomenda. Mas uma not√≠cia boa: a maioria dos poluentes apresenta uma tend√™ncia clara de queda. Isso gra√ßas a programas como o de controle veicular (Proconve) que regulamenta a tecnologia dos motores e a qualidade dos combust√≠veis. O neg√≥cio √© olharmos para aquilo que a gente n√£o v√™.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Como levar energia elétrica para comunidades na floresta

At√© o fim deste ano de 2019, o ISA, Instituto Socioambiental, e a Associa√ß√£o Terra Ind√≠gena Xingu‚Ää em parceria com o Instituto de Energia e Ambiente da USP v√£o levar sistemas de energia solar para 55 escolas, 22 postos de sa√ļde e para mais 12 pontos comunit√°rios da Amaz√īnia. O projeto Energia Limpa no Xingu pretende se tornar uma refer√™ncia em solu√ß√Ķes de energia renov√°vel e descentralizada em comunidades isoladas. Cerca de 760 mil brasileiros dependem dos sistemas desconectados daqueles fios de transmiss√£o do Sistema Interligado Nacional. Ali√°s, at√© Boa Vista, capital de Roraima, usa sistema independente de gera√ß√£o de energia. Muitas comunidades isoladas da Amaz√īnia, por exemplo, contam com geradores a diesel. Mas geradores a diesel s√£o barulhentos, d√£o muita manuten√ß√£o e custam caro para o bolso dos contribuintes e para o meio ambiente por serem extremamente poluidores. Usar torres de energia solar √© uma alternativa. Energia solar tem um custo alto na instala√ß√£o, mas compensa economicamente e ambientalmente ao longo do uso. O IEMA Instituto de Energia e Meio Ambiente est√° analisando os impactos do projeto piloto dessa instala√ß√£o. Ao que parece, todas e todos sairemos ganhando.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo. Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: IEMA

Carnaval: pode usar glitter?

Est√° chegando, em alguns locais como na Bahia e nas capitais paulista e carioca j√° chegou, uma das √©pocas do ano que mais adoro: o Carnaval! E a cada ano aumenta a pol√™mica em torno de um brilho muito usado pelos foli√Ķes: o glitter. A maioria do glitter √© feito de pequenos peda√ßos de pl√°stico que demoram mais de 400 anos para se decompor. E, por serem t√£o pequenos, passam direto pelos filtros das esta√ß√Ķes de tratamentos de esgoto das cidades (quando h√° tratamento). Assim, caem nos rios e c√≥rregos que, mais cedo ou mais tarde, desembocar√£o no mar. Muitos animais aqu√°ticos como ostras, pequenos peixes e at√© baleias ingerem esse glitter. Ele pode ser confundido com os pl√Ęnctons, organismos bem pequenos que fazem parte da base da cadeia alimentar aqu√°tica. Ent√£o, surge a d√ļvida: o que usar no lugar do glitter comum? Escolha o glitter biodegrad√°vel, que n√£o prejudica o meio ambiente. No Brasil, existe at√© glitter vegano biodegrad√°vel. O problema √© que esses produtos ainda s√£o caros. Assim, deixo a dica para quem quer sair ecologicamente purpurinado: use glitter comest√≠vel para brilhar. No YouTube, d√° para encontrar receitas caseiras. Outra op√ß√£o √© comprar glitter comest√≠vel com aten√ß√£o ao r√≥tulo: ele deve ser livre de pl√°stico e de metais. E bom carnaval!

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Carnaval de 2018/ Isis Diniz

Tem um parque perto de você, talvez você nem saiba

Hoje, trago uma boa not√≠cia no estilo: ‚Äúantes tarde do que nunca‚ÄĚ. O Minist√©rio do Meio Ambiente lan√ßou nestas f√©rias o aplicativo para celular chamado Parques do Brasil. Ele ainda est√° na vers√£o beta. O aplicativo traz fotos das unidades de conserva√ß√£o, as atividades e as atra√ß√Ķes de cada uma delas. Tamb√©m mostra as unidades de conserva√ß√£o que est√£o mais perto de voc√™. As unidades de conserva√ß√£o s√£o √°reas naturais criadas e que deveriam ser protegidas pelo Poder P√ļblico. Duas conhecidas s√£o: o maravilhoso Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e o Parque Nacional do Igua√ßu, uma das sete maravilhas do mundo. O Brasil tem atualmente mais de 2200 unidades de conserva√ß√£o. E parte delas, ali√°s, est√° em risco. Segundo um recente relat√≥rio do Imazon, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz√īnia, o desmatamento em unidades de conserva√ß√£o da Amaz√īnia em rela√ß√£o ao total da floresta quase dobrou em dez anos: passou de 7%, em 2008, para 13%, em 2017. Por isso, precisamos estar por perto do que √© nosso para preservar e curtir este pa√≠s bonito por natureza.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Fernando de Noronha/ Isis Diniz

2019: este pode ser o ano mais quente

Uma falante novidade: sou colunista de sustentabilidade do programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Aqui, publico o que falei por lá.

Est√° calor a√≠? Aqui est√° muito quente! E parece que esse calor√£o todo vai permanecer. √Č bom se preparar: pesquisadores t√™m alertado que 2019 deve ser o ano mais quente j√° registrado! Isso porque a temperatura do planeta tem aumentado continuamente devido ao aquecimento global. As pesquisas mostram que as a√ß√Ķes humanas como uso intensivo de combust√≠veis f√≥sseis e queimadas de florestas lan√ßam na atmosfera gases que ret√©m o calor dos raios solares, esquentando o planeta mais do que deveriam. Somado a isso, desde dezembro de 2018 o fen√īmeno El Ni√Īo tem elevado a temperatura da superf√≠cie do mar do Pac√≠fico. E qualquer mudan√ßa na temperatura do oceano afeta diretamente o tempo do planeta todo, em menor ou maior quantidade. O El Ni√Īo pode contribuir com uma seca mais intensa no Nordeste, por exemplo. Al√©m disso, as regi√Ķes Sudeste, Sul e o estado do Mato Grosso do Sul devem ficar com temperaturas acima da m√©dia at√© junho. Essas informa√ß√Ķes s√£o do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Aproveite para sintonizar, todo dia entre 5h e 7h da manh√£, na r√°dio para saber as √ļltimas not√≠cias e ainda ouvir m√ļsica! ūüôā¬†

Foto: Welcomia/ Freepik

Cad√™ a ‚Äúgalinha‚ÄĚ brasileira que estava aqui?

Estava na ‚Äúcopa do beb√™‚ÄĚ, em um hotel fazenda a cerca de uma hora de dist√Ęncia de S√£o Paulo, procurando frutas para minha beb√™ comer quando uma ave estranha me olhou desconfiada do jardim. Sou daquelas pessoas que v√™ rosto at√© onde n√£o existe, um fen√īmeno psicol√≥gico chamado de pareidolia. Imagine um movimento estranho de uma ave com cerca de um metro camuflada entre as √°rvores. Na hora fui fisgada. E encantada.

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Era uma ave que andava elegantemente e delicadamente, com um bico alaranjado neon, o entorno do olho azul turquesa, canto agudo e com um penacho na cabeça como se fosse desfilar no carnaval. Linda! Claro que abrimos a porta para o jardim para chegarmos perto. Claro que a criança correu atrás dela, mas a ave fugiu e ficou nos fitando de longe.

Aos poucos, nos aproximamos. Nunca tinha visto uma ave daquela. Amigos me contaram pelas redes sociais que se tratava de uma siriema. Fiquei até envergonhada. Como assim sou brasileira, trabalho com meio ambiente há mais de dez anos e nunca tinha visto uma siriema ao ponto de nem reconhecer o animal?

Outras aves que encontramos aos bandos por l√° foram jacus, patos de diversas esp√©cies e coloridos, minhas amadas curicacas, muitas andorinhas, gavi√Ķes, os barulhentos quero-queros e maritacas e diversos p√°ssaros. Ah, uma observa√ß√£o, voc√™ sabia que nem toda ave pode ser chamada de passarinho? Todo passarinho √© ave, mas os p√°ssaros s√£o da ordem Passeriforme ‚Äď que fica logo abaixo da classe Aves na taxonomia, uma t√©cnica cient√≠fica de classifica√ß√£o de seres vivos.

Em seguida, veio a reflex√£o: ‚ÄúOnde est√£o essas aves t√£o brasileiras que mal conhecemos?‚ÄĚ Apenas nos livros did√°ticos? Aves que deveriam ser comuns, que ‚Äúpastavam‚ÄĚ por toda a cidade de S√£o Paulo e outros locais degradados por n√≥s. Algumas conseguiram se adaptar ao nosso horroroso ambiente concretado ‚Äď conhecidos por animais sinantr√≥picos ‚Äď como os gavi√Ķes, os urubus e as maritacas.

Os gavi√Ķes, por exemplo, s√£o muito observados nas beiras das rodovias. Entre outros, se alimentam de restos de animais atropelados e de pequenos bichos como roedores que circulam pelas monoculturas. Sobre os urubus nem preciso falar muito, tamb√©m se alimentam de carca√ßa ‚Äď se bobear, ainda invadem sua casa e te d√£o umas bicadas, principalmente se voc√™ for um piloto de avi√£o, a vingan√ßa. As maritacas comem os frutos das √°rvores na cidade.

Já imaginou uma delicada siriema circulando pelo quase nulo canteiro da paulistana Avenida Bandeirantes, por exemplo? Ia morrer de estresse apenas com a infernal poluição sonora. Agora, se essas grandes aves brasileiras estivessem nos parcos parques paulistas, sendo respeitadas, poderia ser viável, não? Já temos tucanos, garças, patos… Neste caso, mais valeria uma ave retomando o ambiente que é dela do que voando para outros locais.