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2019: um ano para estabilizar as transforma√ß√Ķes

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Entrei em 2019 com a impress√£o de que 2018 n√£o acabou. Parece que, agora, a energia desses dois anos chegou ao fim. Ufa. Acho que 2019 foi uma finaliza√ß√£o de 2018. Uma √©poca de mudan√ßas que, como todas elas, trazem fins e novos caminhos. Na verdade, um ano para estabilizar essas transforma√ß√Ķes. N√£o adianta lutarmos contra algo que precisa mudar, porque as consequ√™ncias em insistir no que n√£o √© para n√≥s podem ser piores. Resultando em somatiza√ß√Ķes no corpo, na mente, no esp√≠rito.

De maneira geral, este foi um ano de foco em muito trabalho e muita realiza√ß√£o nele. Sou grata! No primeiro semestre, fui colunista sobre meio ambiente de r√°dio! Para quem adora falar, esse tipo de trabalho √© um encontro. Minha coluna ia ao ar no programa Desperta, da R√°dio Transam√©rica. Quando eu tinha dez anos, pedi um r√°dio para meu padrinho para, justamente, ouvir essa frequ√™ncia. Que sinal…

Na mesma √©poca, me despedi da bolsa de divulga√ß√£o cient√≠fica do CNPq, onde planejava e executava a comunica√ß√£o nas redes sociais. Precisei aceitar essa finaliza√ß√£o de dez anos de trabalho em divulga√ß√£o cient√≠fica que come√ßou l√° com meu blog Xis-xis. Preenchi esse tempo com maior dedica√ß√£o ao meu n√ļcleo familiar. Minha base na vida. O blog, ali√°s, quase saiu do ar. Vamos ver o que vir√° com rela√ß√£o a meus projetos pessoais na √°rea de divulga√ß√£o da ci√™ncia.

Como retorno √† sociedade, dei in√ļmeras palestras sobre o projeto de comunica√ß√£o desenhado ao CNPq. Conheci mais pessoas da √°rea da comunica√ß√£o e divulga√ß√£o cient√≠fica das quais virei f√£. Fiz novas amizades. No IEMA, pude exercer com todo amor √† causa socioambiental meu trabalho em comunica√ß√£o. Gra√ßas √† organiza√ß√£o, conheci pessoas do terceiro setor ou ativistas que admiro – pude falar isso para elas.

No IEMA, aprendi a me colocar criticamente sem medo. Ali√°s, tamb√©m aprendi que devemos contar para as pessoas, principalmente mulheres, o quanto elas s√£o incr√≠veis. Como elas nos inspiram. N√£o de maneira leviana. Mas verdadeiramente. Viajei bastante a trabalho, algo que nem imaginava acontecer: Bras√≠lia, Rio de Janeiro, Recife, Manaus, Madri… E, coincidentemente, todas essas viagens trouxeram um retorno ao meu eu mais √≠ntimo e genu√≠no.

“Est√° de volta √† terrinha?”, parentes perguntavam quando disse estar em Manaus. Morei l√° e, agora, tive a oportunidade maravilhosa de me aproximar mais dos povos origin√°rios. Bras√≠lia se relevou uma paix√£o, um desejo. O Rio, lugar mais lindo do mundo, vive sempre em meu imagin√°rio de bossa. Em uma viagem √† Recife decidi casar com o Gustavo. E, em Madri, que j√° conheci no meu primeiro mochil√£o para fora do Brasil, realizei o sonho de trabalhar para um mundo melhor em uma Confer√™ncia das Partes (COP), encontro da ONU. Uau.

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O mundo √© feito de pessoas incr√≠veis. Em busca de uma Terra mais harm√īnica e justa para se viver. Obrigada natureza, ci√™ncia, astros, antroposofia. Obrigada a todas as minhas amigas e amigos que por horas me ouviram me ajudando a estabilizar as transforma√ß√Ķes deste ano. Obrigada √†s amigas e aos amigos que confiaram a mim conselhos e caminhos. Obrigada √† minha fam√≠lia que me ajudou a realizar todos esses sonhos. Na verdade, s√≥ pude tudo isso gra√ßas a voc√™s. Obrigada ao meu mais lindo e novo afilhadinho. Obrigada aos meus pais, irm√£o, Gustavo e Marina. Voc√™s s√£o tudo de mais importante para mim. Obrigada, universo. Filha, espero estar construindo com todas essas pessoas um mundo mais lindo para voc√™. Venha 2020!

Xingu Solar: projeto no território indígena aumenta disponibilidade energética e poderia gerar economia para o país

Combinação de tecnologias poderia economizar mais de R$ 360 mil por ano em subsídios, mostra estudo do IEMA sobre instalação de energia solar do ISA

O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) realizou dois estudos, um econ√īmico e outro qualitativo e quantitativo, sobre o projeto Xingu Solar do Instituto Socioambiental (ISA). At√© agora, pelo projeto do ISA j√° foram instalados 70 sistemas fotovoltaicos com pot√™ncia total combinada de 33.260 kWp em 65 aldeias do Territ√≥rio Ind√≠gena do Xingu (TIX). Segundo a avalia√ß√£o, a combina√ß√£o da produ√ß√£o de energia el√©trica de geradores a derivados de petr√≥leo com pain√©is fotovoltaicos poderia trazer a economia de mais de R$ 360 mil por ano em subs√≠dios federais, caso o atendimento fosse realizado no √Ęmbito do programa Luz para Todos. Al√©m disso, a pesquisa mostrou que as comunidades locais preferem energias renov√°veis devido √† seguran√ßa energ√©tica por n√£o depender da disponibilidade de combust√≠veis f√≥sseis e aos benef√≠cios ambientais.

Acesse o estudo em: http://www.energiaeambiente.org.br.

Nem todos os brasileiros est√£o conectados aos fios do Sistema Interligado Nacional (SIN), que distribui a energia gerada pelas diversas fontes do pa√≠s. Cerca de tr√™s milh√Ķes de pessoas s√£o atendidas por sistemas de energia el√©trica isolados do SIN. E a maior parte dessas pessoas est√° na Amaz√īnia. O problema disso √© que nem todas essas fontes locais de energia el√©trica s√£o seguras, deixando a popula√ß√£o que √© mais afastada carente de energia para carregar uma lanterna.

‚ÄúA motiva√ß√£o √© discutir o acesso √† energia el√©trica √†s centenas de milhares de brasileiros que vivem em √°reas remotas na Amaz√īnia, na expectativa de que o enfrentamento deste desafio se d√™ por meio de uma pol√≠tica p√ļblica articulada e inovadora que v√° al√©m do setor el√©trico‚ÄĚ, Pedro Bara, pesquisador do IEMA. O estudo avaliou os impactos econ√īmicos do uso de pain√©is solares no TIX e os aspectos socioculturais e comportamentais locais com rela√ß√£o ao acesso √† eletricidade. Para isso, foram realizadas entrevistas em 15 aldeias com 117 atores envolvidos no projeto: participantes dos cursos de forma√ß√£o, lideran√ßas ind√≠genas, parceiros e equipe do ISA.

Impacto nas contas p√ļblicas
O uso da energia solar no lugar dos geradores a diesel no TIX poderia ocasionar a economia de mais de R$ 360 mil por ano em subs√≠dios. Esse potencial econ√īmico √© ainda mais expressivo se considerar que a popula√ß√£o do TIX √© de sete mil pessoas e estima-se que at√© dois milh√Ķes no pa√≠s ainda n√£o t√™m acesso. Esse valor de economia √© decorrente da simula√ß√£o do cen√°rio em que as demandas reprimidas por energia el√©trica na regi√£o seriam atendidas.

O custo por unidade de energia el√©trica gerada √©: diesel, R$ 1,70; h√≠brida, R$ 1,42; e solar, R$ 1,04. A op√ß√£o fotovoltaica e a h√≠brida ‚Äď energia solar mais gerador derivado do petr√≥leo ‚Äď s√£o mais econ√īmicas.

Em um primeiro momento, a tecnologia a diesel tem vantagem sobre a solar. Isso porque apresenta menores custos de aquisi√ß√£o. Por√©m, o ciclo de vida de um painel solar √© de 25 anos. Para realizar uma compara√ß√£o econ√īmica adequada entre as tecnologias, √© preciso considerar as despesas operacionais (manuten√ß√£o do gerador e abastecimento com combust√≠vel) a longo prazo.

Além disso, apenas os geradores a diesel do Território Indígena do Xingu hoje emitem cerca de 600 toneladas de CO2 por ano. Para compensar essa emissão, seria necessário plantar árvores nativas em uma área equivalente a 74 campos de futebol, segundo estimativa baseada em dados do Projeto Carbono das Nascentes do Xingu. Se as comunidades locais fossem atendidas apenas por geradores a diesel de acordo com a real necessidade, seriam emitidas cerca de 1.200 toneladas de CO2 por ano.

Preferência pela solar
Os pain√©is foram instalados em constru√ß√Ķes de uso p√ļblico e n√£o em unidades familiares. No total, 96% dos habitantes com energia fotovoltaica preferem este tipo de gera√ß√£o do que de derivados do petr√≥leo.

A maior oferta de energia elétrica possibilitou expandir a utilização de equipamentos pequenos como celulares e lanternas. Este, principalmente, é um item muito usado pelos moradores. A realização de atividades como o ensino noturno foi facilitada. Os cursos de formação para operação dos sistemas e a participação local na instalação também foram mencionados como pontos positivos do projeto.

J√° as vantagens do sistema fotovoltaico frente ao diesel citadas foram a inexist√™ncia de ru√≠do, maior facilidade de manuten√ß√£o por n√£o possuir partes m√≥veis como os geradores a diesel ‚Äď que est√£o sucateados ‚Äď e o fato de ser desnecess√°rio o abastecimento com combust√≠vel. Neste caso, quando acaba o combust√≠vel, a regi√£o fica dependente da entrega do mesmo para ter energia el√©trica. Por exemplo, 53% dos ind√≠genas com fontes de energia solar sentiram-se mais seguros no atendimento m√©dico de urg√™ncia contra 24% sem energia solar. Tamb√©m 43% das aldeias com energia solar tiveram escolas que disponibilizam ensino noturno contra 25% das demais.

Quem fornece energia
Este projeto √© importante porque a oferta de eletricidade no TIX √© restrita e, quando dispon√≠vel, a energia utilizada prov√©m de sistemas a diesel ou a gasolina adquiridos pelos pr√≥prios habitantes ou fornecidos pela Secretaria Especial de Sa√ļde Ind√≠gena (Sesai) do Minist√©rio da Sa√ļde.

O acesso à energia elétrica pode levar benefícios às comunidades como garantir a refrigeração de vacinas, soros antiofídicos, de alimentos, o bombeamento e armazenamento de água potável e possibilitar a ampliação de atividades produtivas, culturais e educacionais.

Para garantir que a universaliza√ß√£o seja realizada da melhor forma, potencializando todos esses benef√≠cios, √© necess√°rio o desenvolvimento de modelos de implementa√ß√£o que incluam as comunidades e que as pol√≠ticas p√ļblicas do setor el√©trico se adequem √†s realidades locais.

Foto: Divulgação/ IEMA

Como levar energia elétrica para comunidades na floresta

At√© o fim deste ano de 2019, o ISA, Instituto Socioambiental, e a Associa√ß√£o Terra Ind√≠gena Xingu‚Ää em parceria com o Instituto de Energia e Ambiente da USP v√£o levar sistemas de energia solar para 55 escolas, 22 postos de sa√ļde e para mais 12 pontos comunit√°rios da Amaz√īnia. O projeto Energia Limpa no Xingu pretende se tornar uma refer√™ncia em solu√ß√Ķes de energia renov√°vel e descentralizada em comunidades isoladas. Cerca de 760 mil brasileiros dependem dos sistemas desconectados daqueles fios de transmiss√£o do Sistema Interligado Nacional. Ali√°s, at√© Boa Vista, capital de Roraima, usa sistema independente de gera√ß√£o de energia. Muitas comunidades isoladas da Amaz√īnia, por exemplo, contam com geradores a diesel. Mas geradores a diesel s√£o barulhentos, d√£o muita manuten√ß√£o e custam caro para o bolso dos contribuintes e para o meio ambiente por serem extremamente poluidores. Usar torres de energia solar √© uma alternativa. Energia solar tem um custo alto na instala√ß√£o, mas compensa economicamente e ambientalmente ao longo do uso. O IEMA Instituto de Energia e Meio Ambiente est√° analisando os impactos do projeto piloto dessa instala√ß√£o. Ao que parece, todas e todos sairemos ganhando.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo. Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: IEMA

Carnaval: pode usar glitter?

Est√° chegando, em alguns locais como na Bahia e nas capitais paulista e carioca j√° chegou, uma das √©pocas do ano que mais adoro: o Carnaval! E a cada ano aumenta a pol√™mica em torno de um brilho muito usado pelos foli√Ķes: o glitter. A maioria do glitter √© feito de pequenos peda√ßos de pl√°stico que demoram mais de 400 anos para se decompor. E, por serem t√£o pequenos, passam direto pelos filtros das esta√ß√Ķes de tratamentos de esgoto das cidades (quando h√° tratamento). Assim, caem nos rios e c√≥rregos que, mais cedo ou mais tarde, desembocar√£o no mar. Muitos animais aqu√°ticos como ostras, pequenos peixes e at√© baleias ingerem esse glitter. Ele pode ser confundido com os pl√Ęnctons, organismos bem pequenos que fazem parte da base da cadeia alimentar aqu√°tica. Ent√£o, surge a d√ļvida: o que usar no lugar do glitter comum? Escolha o glitter biodegrad√°vel, que n√£o prejudica o meio ambiente. No Brasil, existe at√© glitter vegano biodegrad√°vel. O problema √© que esses produtos ainda s√£o caros. Assim, deixo a dica para quem quer sair ecologicamente purpurinado: use glitter comest√≠vel para brilhar. No YouTube, d√° para encontrar receitas caseiras. Outra op√ß√£o √© comprar glitter comest√≠vel com aten√ß√£o ao r√≥tulo: ele deve ser livre de pl√°stico e de metais. E bom carnaval!

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Carnaval de 2018/ Isis Diniz

Ser é existir

Neste Dia das Mulheres, meu desejo √© que todas n√≥s possamos SER. Ser, acima de tudo. Porque n√£o, hoje n√≥s AINDA n√£o podemos. Que n√≥s possamos ser diretoras de empresas e, por isso, que nossos maridos assumam mais tempo com nossos filhos, sim ‚Äď n√£o ‚Äúfizemos‚ÄĚ sozinhas. Que n√≥s possamos ser gordinhas ‚Äď e isso n√£o justifica perder algo. Que n√≥s possamos ser algu√©m caminhando pelas ruas despreocupadamente, seja durante o dia ou durante a noite. Que n√≥s possamos ser mulheres que gostamos de ci√™ncia, mas, ao mesmo tempo, tamb√©m de maquiagem ‚Äď uma atitude n√£o invalida a outra. Que possamos ser ‚Äúbonitas‚ÄĚ sem sermos julgadas ‚Äúburras‚ÄĚ. Que n√≥s possamos ser excelentes motoristas, sim. Que possamos ser preocupadas com o meio ambiente ‚Äď ignorante √© aquele que ignora o seu pr√≥prio futuro. Que possamos ser ‚Äúmulher de fases‚ÄĚ. Aceitem: temos horm√īnios e nossos humores variam de acordo com eles. Sempre foi assim e isso n√£o significa que, se um dia estamos irritadas, √© porque estamos de TPM. Que possamos ser menininhas. Mulheronas. L√©sbicas. Bissexuais. Heterossexuais. Ou qualquer outra op√ß√£o sexual ‚Äď a ‚Äúescolha‚ÄĚ √© nossa, ningu√©m vai ‚Äúarrumar‚ÄĚ nada. Que tenhamos o direito de n√£o sermos vaidosas. Que possamos ser ‚Äúgostosas‚ÄĚ para n√≥s mesmas. Que possamos ser equiparadas com rela√ß√£o ao sal√°rio ‚Äď ali√°s, que possamos ganhar mais por termos estudado mais. Que possamos ser simp√°ticas sem sermos taxadas de ‚Äúbobinhas‚ÄĚ. Ou ser ‚Äúbobas‚ÄĚ quando quisermos. Ser m√£es que amamentam ap√≥s o beb√™ completar dois anos de idade. Ser m√£es do nosso jeito. Que n√≥s possamos optar n√£o por ser nada. Ou ter direito de n√£o querer ser. Apenas, nos deixem ser.

As pessoas são uma história de geografia

Esta pequena cr√īnica n√£o tem nada a ver com ci√™ncia. Ou, pode ter. Tem a ver com geografia, hist√≥ria, geologia, sociologia. Mas, acima de tudo, tem a ver com a gente. Homo sapiens. Segue um pequeno texto feliz. Tenha um lindo dia!

M√ļsica traz cada lembran√ßa deliciosa… Estava ouvindo Caetano Veloso e Roberto Carlos cantar Wave, do meu amado Tom Jobim. Na hora, viajei no tempo para 2015 e no espa√ßo para Puerto Natales, no Chile. Est√°vamos, o Gustavo Mendes e eu, num restaurante. Conversei em espanhol com o gar√ßom magrinho, que trouxe o menu para a gente. Escolh√≠amos qual prato t√≠pico ia nos aquecer naquele cerca de 0 grau que fazia l√° fora, em pleno feriado super festivo da Independencia Nacional. O gar√ßom parou para observar um pouco de longe.

O chamamos e fizemos o pedido. E ficamos quentinhos observando as ruas cada vez mais agitadas, felizes, repletas de patriotas. Enquanto esper√°vamos o prato, o gar√ßom perguntou: “Voc√™s s√£o brasileiros?” “Sim”, dissemos animados. Ele contou que era colombiano (mal, na √©poca, eu saberia que hoje seria apaixonada pela Col√īmbia, que estaria pesquisando a hist√≥ria do pa√≠s), meio acanhado. Percebemos que, de repente, havia um certo preconceito por l√° contra colombianos.

Ele disse que morava h√° tempo no Chile e que a fam√≠lia dele tinha uma ‚Äúcasa nas montanhas‚ÄĚ. Um dos passatempos preferidos dele era, enquanto ca√≠a a neve, ficar na casa de campo bebendo vinho e ouvindo bossa nova! Detalhe, com a lareira acesa, claro. “Bossa nova √© a m√ļsica perfeita para esta ocasi√£o.” Eu, que sempre remeti √† brisa quente do Rio de Janeiro e, especialmente, ao Arpoador com aquele mar verde-√°gua ao tipo de m√ļsica, fiquei com um pingo de inveja. Deve ser bom, mesmo, e j√° me imaginei bebendo vinho, ouvindo Tom, com a neve caindo l√° fora. No entanto, nosso amigo gar√ßom estava aflito.

Ele queria saber os nomes dos cantores brasileiros de bossa nova para baixar e ouvir segurando sua bebida preferida. Ele n√£o entende portugu√™s, n√£o sabia por onde come√ßar. Veio com um guardanapo e uma caneta e pediu, um pouco escondido do chefe dele: “Voc√™s podem anotar o nome dos cantores para eu baixar as m√ļsicas?” No come√ßo, escrevemos nomes mais contempor√Ęneos como o de Roberta S√°. Fizemos uma lista com uns dez nomes. At√© que ele nos mostrou o CD que tinha.

Sabe aqueles que vende no aeroporto, colet√Ęnea com cantores menos conhecidos cantando os cl√°ssicos readaptados? Ficamos compadecidos. Precis√°vamos come√ßar do come√ßo: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Jo√£o Gilberto, Baden Powell… E os nomes aumentavam no papel… O guardanapo, com cerca de 25 m√ļsicos maravilhosos, ficou bem preenchido. O gar√ßom guardou no bolso e saiu todo feliz. Vimos comentar com o barman. Ap√≥s o jantar, ganhamos at√© uma bebida nacional, que √© servida no feriado (algum chileno sabe o nome?). Ali√°s, foram dois cop√Ķes da bebida deliciosa ‚Äď que nem era servida no lugar, mas preparam para a gente.

E, at√© hoje, eu me pego pensando. Ser√° que ele conseguiu baixar as m√ļsicas? Ser√° que era o que esperava? Ser√° que est√° feliz? Ou ser√° que nos xingou e perdeu a chance de pedir exato o que queria? Ser√° que veio para a Copa ou √†s Olimp√≠adas ‚Äď por onde a gente passava, convidada os novos amigos hermanos para passearem aqui, demos at√© nosso e-mail para v√°rios para ajud√°-los a enfrentar a Rep√ļblica Tupiniquim. Espalhamos dicas de seguran√ßa e de como se passar por brasileiros.

As viagens n√£o s√£o apenas feitas de paisagens indescrit√≠veis como do maci√ßo Paine, um dos locais mais lindos que j√° vi na vida. Ali√°s, Torres del Paine est√° para as montanhas como Fernando de Noronha est√° para o mar. As viagens s√£o feitas de momentos. Bons momentos passados ao lado das pessoas. Caiu, agora, uma l√°grima. Obrigada, amigo colombiano. Hoje, estudando mais sobre seu pa√≠s, desejo que ele seja t√£o lindo de se viver quanto √© maravilhoso em belezas naturais. E quanto a nossa conversa. Ah, e pena que esquecemos de colocar na sua lista esse CD do Caetano com o Roberto! Duas vozes que parecem feitas para a bossa nova…

Como mudar o mundo por meio das redes sociais e dos aplicativos?

RJ - RIO-DE-JANEIRO - 04/08/2016 - REVEZAMENTO DA TOCHA RIO 2016 - Revezamento da Tocha Olimpica para os Jogos Rio 2016. Foto: Rio2016/Fernando Soutello

N√≥s temos vontade de melhorar a nossa qualidade de vida, viver em equil√≠brio em comunidade, habitar um mundo mais igualit√°rio e deixar um planeta mais harmonioso para as futuras gera√ß√Ķes (nossos filhos, netos, sobrinhos, crian√ßas de toda a Terra). Tamb√©m, as pesquisas at√© t√™m apontado, cada vez mais queremos trabalhar em empresas que respeitem o ser humano e a natureza. Empresas que t√™m o prop√≥sito de cuidar do planeta ou que, ao menos, tenha a√ß√Ķes para compensar os seus impactos.

As redes sociais e os aplicativos se mostraram um espa√ßo para relaxarmos, mas tamb√©m para nos conectarmos a outros que pensam como n√≥s ou que t√™m o mesmo prop√≥sito ampliando as nossas vozes. E √©, por meio deles, que podemos unir a nossa vontade de viver em um mundo mais harm√īnico com empresas investindo em uma causa que melhora diretamente a qualidade de vida de todos no planeta: o plantio de √°rvores nativas.

O plantio de árvores nativas em áreas rurais visando recuperar a floresta que havia ali e degradamos no passado, chamada também de recuperação florestal, é tão importante que ganhou até destaque na abertura das Olimpíadas! Primeiro, é irresistível pegar uma mudinha ou imaginar que um clique nosso se reverterá em uma árvore plantada que viverá, talvez, por mais tempo que nós. Segundo, este é um legado que deixamos aqui na Terra.

iniciativa_verde_villa_lobos-360O plantio de uma pequena mudinha de árvore nativa envolve toda uma cadeia do bem. Ela é produzida em um viveiro do interior (que ajudou a gerar renda para uma população que, de repente, antes trabalhava degradando a mata!). Para se ter uma muda, precisamos da semente. Logo, ela é colhida em alguma floresta que necessita ser preservada para esse fim, entre outros. Em seguida, essa mudinha é plantada por, muitas vezes, uma pessoa que às vezes desmatava (ou estava desempregada) e, agora, consegue sustentar sua família cuidando do planeta.

Em seguida, a mudinha crescer√° em uma √°rea de prote√ß√£o ambiental (uma vez plantada uma √°rvore nativa, ela s√≥ pode ser derrubada se for por uma obra de interesse p√ļblico). Conforme vai crescendo, ela atrai borboletas, pequenos mam√≠feros, lobos-guar√°s, macaquinhos. Ela pode fornecer alimento e prote√ß√£o para diversos animais. As abelhas e os p√°ssaros polinizar√£o a √°rea onde est√° a mudinha (e suas outras amigas mudas) trazendo mais vegeta√ß√£o, diversificando e enriquecendo essa floresta que cresce.

Essa mudinha come√ßa a reter a √°gua da chuva no solo com suas ra√≠zes (calcula-se que 80% da √°gua da chuva √© ‚Äúabsorvida‚ÄĚ por √°rvores da Mata Atl√Ęntica). Assim, aquele c√≥rrego que passa perto dela fica mais caudaloso. Ou a nascente que secou come√ßa a voltar √† vida. A popula√ß√£o do campo que n√£o tem recurso financeiro, que precisa diretamente da natureza para sobreviver, consegue voltar a plantar hortali√ßas e outros alimentos para comer e at√© vender. O espa√ßo da sua propriedade que cedeu para o plantio (que j√° estava com o solo degradado de tanto a vaquinha pisar ou de tanto plantar) valoriza o local! Al√©m de deixar a paisagem mais agrad√°vel e bonita.

Quem mora na cidade pode ir para o campo e fazer ecoturismo nesses locais. Pode respirar um ar mais puro. Pode ter mais √°gua na torneira e de melhor qualidade. Essa pequena mudinha, conforme vai crescendo, absorve o g√°s carb√īnico da atmosfera. Aos poucos, ela vai evitando que o temido e impalp√°vel aquecimento global nos atinja. Afinal, quando a gente muda o uso do solo (desmata, por exemplo), altera as chuvas. Ela evita que sejamos, aqui na cidade, atingidos por aguaceiros que alaguem tudo ou por secas que fazem nossos narizes co√ßarem insuportavelmente. Nossa sa√ļde agradece.

Como o efeito borboleta (‚Äúo bater de asas de uma borboleta no Brasil pode desencadear um tornado no Texas‚ÄĚ), essa pequena a√ß√£o pode mudar o nosso futuro para melhor. Durante o evento Social Media Week, vou dar a palestra ‚ÄúJ√° pensou em plantar √°rvores por meio da internet?‚ÄĚ para mostrar como podemos plantar mudinhas por meio das redes sociais, de aplicativos e da internet em geral. Mostrarei a√ß√Ķes de marcas como a Sky ou a Wappa com a Iniciativa Verde¬†que envolvem o plantio de √°rvores nativas. Lindos casos. Que marca a sua marca quer deixar no mundo?

Fotos de cima para baixo: Rio2016/Fernando Soutello, Marcelo Scandaroli/ Iniciativa Verde, Isis Nóbile Diniz/ Iniciativa Verde

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Museu de Astronomia do Rio tem evento sobre divulgação de ciência na internet

Pessoal (quem gosta do tema, quer se aprofundar ou tem algum interesse), participe do evento sobre divulga√ß√£o cient√≠fica na internet no¬†Museu de Astronomia e Ci√™ncias Afins (MAST) do Rio de Janeiro. Ser√° nesta sexta-feira, dia 3 (sim, logo chegaremos em junho!), com entrada gratuita! Quem n√£o poder ir, pode acompanhar o debate ao vivo online. Um abra√ßo! ūüėÄ E uma estrelada semana!

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Diversidade representada na 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

Veja como foi o segundo dia da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (4aCNPM), contado pela Cládice Nóbile Diniz, delegada pelo Rio de Janeiro e relatora.

Hoje, fiquei para relatar um grupo que tratou das propostas de dois eixos: o de pol√≠ticas p√ļblicas para as mulheres e o de sistema de pol√≠ticas p√ļblicas para as mulheres. O primeiro tinha 88 propostas enviadas pelas confer√™ncias municipais e estaduais, sendo 32 a ter que se selecionar as dez mais priorit√°rias. O segundo tinha 30, onde se devia selecionar cinco. No eixo das pol√≠ticas, eram propostas e as dez tiradas foram consideradas como desafios. No sistema nacional de pol√≠ticas para mulheres, as seis propostas foram selecionadas como recomenda√ß√Ķes (as propostas e mon√ß√Ķes devem entrar no site do evento).

O ambiente no grupo foi muito rico. Vale ressaltar que um grupo de interesse somente tinha suas reivindica√ß√Ķes compreendidas e acatadas se ao menos houvesse uma interessada presente. Por exemplo, as √≠ndias iam ficar com suas reivindica√ß√Ķes encaminhadas em um ‚Äúsacol√£o‚ÄĚ geral, mas sendo informadas disso por uma militante negra, apareceram e passaram a atuar bem articuladas conseguindo garantir o que elas achavam o mais importante hoje: a demarca√ß√£o das terras ind√≠genas e quilombolas. Eram do Mato Grosso e denunciaram o assassinato no ano passado de um l√≠der e a mutila√ß√£o de outro, que ficou em cadeira de rodas.
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Uma mo√ßa com um carrinho de beb√™ era uma presidi√°ria em liberdade condicional que trazia reivindica√ß√Ķes para as presidi√°rias e √†s em liberdade condicional. Curiosamente, no grupo havia uma lideran√ßa das agentes penitenci√°rias, sendo ela respons√°vel por um grupo em liberdade condicional. Ela confirmou as den√ļncias da jovem, ratificando a necessidade de pol√≠ticas afirmativas de prote√ß√£o. Um caso que ambas comentaram como exemplo √© o da necessidade de escolta de emerg√™ncia de sa√ļde para as presas que adoecem. A pol√≠cia n√£o providencia e elas ficam sofrendo sem socorro.

Houve muitos outros casos interessantes relatados por outras mulheres (os homens que aparecem na foto estão trabalhando no evento). Aliás, essa foi a primeira conferência com representação das mulheres ciganas. Eram um grande grupo muito colorido, lindo. Na volta em frente ao hotel encontramos com os que vinham da manifestação. A tristeza e a desolação me lembraram as pinturas do Portinari.

Notícias da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

*Abri espa√ßo neste blog para que a Cl√°dice N√≥bile Diniz,¬†delegada pelo Rio de Janeiro¬†e relatora da¬†4¬™ Confer√™ncia Nacional de Pol√≠ticas para as Mulheres, dividisse conosco suas impress√Ķes e o¬†que est√° acontecendo esta semana no respectivo evento em Bras√≠lia. Ah, se estranhou o sobrenome, sim, somos parentes. Ela √© minha tia-madrinha <3. Vamos l√° √†s novidades.¬†

A 4aCNPM foi decidida em mar√ßo de 2015. √Č um evento que ocorre a cada quatro anos. Neste participam quase tr√™s mil mulheres eleitas em confer√™ncias estaduais. Fui eleita delegada pelo Rio de Janeiro e convidada para ser relatora. Aqui tudo √© grandioso: uma relatora para grupo de 150 delegadas. Vinte grupos sobre quatro eixos. Vai ser um trabalho incr√≠vel!

Hoje foi fogo. Houve de tudo. Uma delegada do Rio eleita e aprovada foi barrada na √ļltima hora por que ia com o filho de quatro anos. Foram detidas 73 delegadas da Bahia porque elas tinham gritado no avi√£o “n√£o vai ter golpe”. Esta manifesta√ß√£o foi contra a deputada federal Eronildes Vasconcelos, a “Tia Eron “, e o Deputado Federal Jos√© Carlos Aleluia, ambos da Bahia. Foram liberadas depois de quatro horas quando¬†o Jos√© Eduardo Cardozo, da Advocacia-Geral da Uni√£o,¬†e a secret√°ria especial de Pol√≠ticas para as Mulheres Eleonora Menicucci foram l√°.

Chegaram pouco antes da fala da¬†Dilma e foram ovacionadas e recebidas em p√© e com¬†palmas. O discurso da Dilma foi emocionante. Afirmou que vai honrar seus 54 milh√Ķes de eleitores, nunca tendo pensado em renunciar. A ministra Eleonora falou bonito tamb√©m. Lembrou que, nas d√©cadas de 60 e 70, as mulheres “vestiram cal√ßas” e sa√≠ram para trabalhar. Mas os homens n√£o “vestiram saias” e n√£o se ocuparam da¬†parte do trabalho deles em¬†suas casas.

A delegada pela¬†Uni√£o Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes,¬†avisou em plen√°ria que a CPI da merenda tinha sido instalada e o audit√≥rio veio abaixo. As mulheres conseguiram aprovar a elimina√ß√£o dos delegados homens ap√≥s tensa disputa, com seis interven√ß√Ķes pr√≥ss e outras tantas contra.

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Mãe e filho na roda do berimbau tocado só por mulheres