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Xingu Solar: projeto no território indígena aumenta disponibilidade energética e poderia gerar economia para o país

Combinação de tecnologias poderia economizar mais de R$ 360 mil por ano em subsídios, mostra estudo do IEMA sobre instalação de energia solar do ISA

O Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) realizou dois estudos, um econ√īmico e outro qualitativo e quantitativo, sobre o projeto Xingu Solar do Instituto Socioambiental (ISA). At√© agora, pelo projeto do ISA j√° foram instalados 70 sistemas fotovoltaicos com pot√™ncia total combinada de 33.260 kWp em 65 aldeias do Territ√≥rio Ind√≠gena do Xingu (TIX). Segundo a avalia√ß√£o, a combina√ß√£o da produ√ß√£o de energia el√©trica de geradores a derivados de petr√≥leo com pain√©is fotovoltaicos poderia trazer a economia de mais de R$ 360 mil por ano em subs√≠dios federais, caso o atendimento fosse realizado no √Ęmbito do programa Luz para Todos. Al√©m disso, a pesquisa mostrou que as comunidades locais preferem energias renov√°veis devido √† seguran√ßa energ√©tica por n√£o depender da disponibilidade de combust√≠veis f√≥sseis e aos benef√≠cios ambientais.

Acesse o estudo em: http://www.energiaeambiente.org.br.

Nem todos os brasileiros est√£o conectados aos fios do Sistema Interligado Nacional (SIN), que distribui a energia gerada pelas diversas fontes do pa√≠s. Cerca de tr√™s milh√Ķes de pessoas s√£o atendidas por sistemas de energia el√©trica isolados do SIN. E a maior parte dessas pessoas est√° na Amaz√īnia. O problema disso √© que nem todas essas fontes locais de energia el√©trica s√£o seguras, deixando a popula√ß√£o que √© mais afastada carente de energia para carregar uma lanterna.

‚ÄúA motiva√ß√£o √© discutir o acesso √† energia el√©trica √†s centenas de milhares de brasileiros que vivem em √°reas remotas na Amaz√īnia, na expectativa de que o enfrentamento deste desafio se d√™ por meio de uma pol√≠tica p√ļblica articulada e inovadora que v√° al√©m do setor el√©trico‚ÄĚ, Pedro Bara, pesquisador do IEMA. O estudo avaliou os impactos econ√īmicos do uso de pain√©is solares no TIX e os aspectos socioculturais e comportamentais locais com rela√ß√£o ao acesso √† eletricidade. Para isso, foram realizadas entrevistas em 15 aldeias com 117 atores envolvidos no projeto: participantes dos cursos de forma√ß√£o, lideran√ßas ind√≠genas, parceiros e equipe do ISA.

Impacto nas contas p√ļblicas
O uso da energia solar no lugar dos geradores a diesel no TIX poderia ocasionar a economia de mais de R$ 360 mil por ano em subs√≠dios. Esse potencial econ√īmico √© ainda mais expressivo se considerar que a popula√ß√£o do TIX √© de sete mil pessoas e estima-se que at√© dois milh√Ķes no pa√≠s ainda n√£o t√™m acesso. Esse valor de economia √© decorrente da simula√ß√£o do cen√°rio em que as demandas reprimidas por energia el√©trica na regi√£o seriam atendidas.

O custo por unidade de energia el√©trica gerada √©: diesel, R$ 1,70; h√≠brida, R$ 1,42; e solar, R$ 1,04. A op√ß√£o fotovoltaica e a h√≠brida ‚Äď energia solar mais gerador derivado do petr√≥leo ‚Äď s√£o mais econ√īmicas.

Em um primeiro momento, a tecnologia a diesel tem vantagem sobre a solar. Isso porque apresenta menores custos de aquisi√ß√£o. Por√©m, o ciclo de vida de um painel solar √© de 25 anos. Para realizar uma compara√ß√£o econ√īmica adequada entre as tecnologias, √© preciso considerar as despesas operacionais (manuten√ß√£o do gerador e abastecimento com combust√≠vel) a longo prazo.

Além disso, apenas os geradores a diesel do Território Indígena do Xingu hoje emitem cerca de 600 toneladas de CO2 por ano. Para compensar essa emissão, seria necessário plantar árvores nativas em uma área equivalente a 74 campos de futebol, segundo estimativa baseada em dados do Projeto Carbono das Nascentes do Xingu. Se as comunidades locais fossem atendidas apenas por geradores a diesel de acordo com a real necessidade, seriam emitidas cerca de 1.200 toneladas de CO2 por ano.

Preferência pela solar
Os pain√©is foram instalados em constru√ß√Ķes de uso p√ļblico e n√£o em unidades familiares. No total, 96% dos habitantes com energia fotovoltaica preferem este tipo de gera√ß√£o do que de derivados do petr√≥leo.

A maior oferta de energia elétrica possibilitou expandir a utilização de equipamentos pequenos como celulares e lanternas. Este, principalmente, é um item muito usado pelos moradores. A realização de atividades como o ensino noturno foi facilitada. Os cursos de formação para operação dos sistemas e a participação local na instalação também foram mencionados como pontos positivos do projeto.

J√° as vantagens do sistema fotovoltaico frente ao diesel citadas foram a inexist√™ncia de ru√≠do, maior facilidade de manuten√ß√£o por n√£o possuir partes m√≥veis como os geradores a diesel ‚Äď que est√£o sucateados ‚Äď e o fato de ser desnecess√°rio o abastecimento com combust√≠vel. Neste caso, quando acaba o combust√≠vel, a regi√£o fica dependente da entrega do mesmo para ter energia el√©trica. Por exemplo, 53% dos ind√≠genas com fontes de energia solar sentiram-se mais seguros no atendimento m√©dico de urg√™ncia contra 24% sem energia solar. Tamb√©m 43% das aldeias com energia solar tiveram escolas que disponibilizam ensino noturno contra 25% das demais.

Quem fornece energia
Este projeto √© importante porque a oferta de eletricidade no TIX √© restrita e, quando dispon√≠vel, a energia utilizada prov√©m de sistemas a diesel ou a gasolina adquiridos pelos pr√≥prios habitantes ou fornecidos pela Secretaria Especial de Sa√ļde Ind√≠gena (Sesai) do Minist√©rio da Sa√ļde.

O acesso à energia elétrica pode levar benefícios às comunidades como garantir a refrigeração de vacinas, soros antiofídicos, de alimentos, o bombeamento e armazenamento de água potável e possibilitar a ampliação de atividades produtivas, culturais e educacionais.

Para garantir que a universaliza√ß√£o seja realizada da melhor forma, potencializando todos esses benef√≠cios, √© necess√°rio o desenvolvimento de modelos de implementa√ß√£o que incluam as comunidades e que as pol√≠ticas p√ļblicas do setor el√©trico se adequem √†s realidades locais.

Foto: Divulgação/ IEMA

Como levar energia elétrica para comunidades na floresta

At√© o fim deste ano de 2019, o ISA, Instituto Socioambiental, e a Associa√ß√£o Terra Ind√≠gena Xingu‚Ää em parceria com o Instituto de Energia e Ambiente da USP v√£o levar sistemas de energia solar para 55 escolas, 22 postos de sa√ļde e para mais 12 pontos comunit√°rios da Amaz√īnia. O projeto Energia Limpa no Xingu pretende se tornar uma refer√™ncia em solu√ß√Ķes de energia renov√°vel e descentralizada em comunidades isoladas. Cerca de 760 mil brasileiros dependem dos sistemas desconectados daqueles fios de transmiss√£o do Sistema Interligado Nacional. Ali√°s, at√© Boa Vista, capital de Roraima, usa sistema independente de gera√ß√£o de energia. Muitas comunidades isoladas da Amaz√īnia, por exemplo, contam com geradores a diesel. Mas geradores a diesel s√£o barulhentos, d√£o muita manuten√ß√£o e custam caro para o bolso dos contribuintes e para o meio ambiente por serem extremamente poluidores. Usar torres de energia solar √© uma alternativa. Energia solar tem um custo alto na instala√ß√£o, mas compensa economicamente e ambientalmente ao longo do uso. O IEMA Instituto de Energia e Meio Ambiente est√° analisando os impactos do projeto piloto dessa instala√ß√£o. Ao que parece, todas e todos sairemos ganhando.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo. Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: IEMA

Pesquisa pode ajudar na criação de remédios para combater Chagas

Foi publicada na revista internacional de renome, a PLoS Neglected Tropical Diseases, uma recente pesquisa feita por brasileiros sobre a Doença de Chagas Рclique aqui para ler. Esta não tem cura e é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Quando o inseto barbeiro pica uma pessoa, suas fezes podem conter o protozoário. Ao coçar a região, a pessoa pode se infectar. Saiba mais sobre a descoberta na entrevista feita com Marcus Fernandes de Oliveira, professor associado do Instituto de Bioquimica Medica Leopoldo de Meis da Universidade Federal do Rio de Janeiro, chefe do Laboratório de Bioquímica de Resposta ao Estresse. Na foto, Caroline Ferreira, primeira autora do trabalho, e o pesquisador.

pesquisaxisxis1. A Doença de Chagas não tem cura. O que as pessoas devem fazer para evitar a contaminação?
Al√©m de n√£o ter cura quando n√£o diagnosticada pouco tempo ap√≥s a infec√ß√£o, o tratamento da doen√ßa de Chagas ocasiona diversos efeitos colaterais. A √ļnica forma de se evitar a contamina√ß√£o √© por meio do controle do inseto vetor. Ao identificar um inseto semelhante a um barbeiro, n√£o se deve esmag√°-lo, pois isso pode favorecer o contato dos parasitos com o ambiente. O recomendado √© que o inseto seja coletado com muita cautela, utilizando luvas e saco pl√°sticos e levados at√© um posto do SUS para an√°lise.

2. Atualmente, apenas trata-se os sintomas, correto?
Se diagnosticado durante a fase aguda, ou seja, durante a primeira fase da doen√ßa, o indiv√≠duo pode ser curado. Entretanto, essa fase dura cerca de tr√™s meses e o paciente raramente apresenta sintomas, o que dificulta o diagn√≥stico. Ap√≥s esse per√≠odo, o indiv√≠duo infectado passa a uma fase cr√īnica da doen√ßa, que n√£o tem cura. Nesse caso, os pacientes s√£o tratados com drogas utilizadas para diminuir a popula√ß√£o de Trypanosoma cruzi, que n√£o √© eliminada totalmente. Al√©m disso, √© necess√°rio sim tratar os sintomas da doen√ßa, que na fase cr√īnica consistem em disfun√ß√Ķes digestivas ou card√≠acas e podem levar √† morte.

3. Por que é tão difícil encontrar uma maneira de eliminar a doença? Seja por vacina ou por outros meios biológicos, por exemplo?
S√£o muitos os fatores que dificultam a descoberta de novos agentes de tratamento, entretanto, o principal deles √© a falta de investimentos na pesquisa dessa doen√ßa. Por atingir principalmente a popula√ß√£o de baixa renda, infelizmente, a doen√ßa de Chagas n√£o representa um ‚Äúmercado lucrativo‚ÄĚ para os grandes investidores. Dessa forma, muitas pesquisas b√°sicas s√£o realizadas e encontram f√°rmacos e mol√©culas-alvo que poderiam ser testadas como tratamentos alternativos, por√©m, as pesquisas raramente chegam √† fase cl√≠nica devido ao grande investimento financeiro requerido neste sentido. Por isto, a Doen√ßa de Chagas, assim como in√ļmeras outras como dengue, leishmaniose e esquistossomose, s√£o conhecidas por Doen√ßas Tropicais Negligenciadas. Al√©m disso, o T. cruzi √© um parasito muito complexo e com uma capacidade enorme de mudar sua composi√ß√£o e estrutura, apresenta v√°rias fases de desenvolvimento, com diferentes mol√©culas de superf√≠cie, habitat e metabolismo o que dificulta enormemente o desenvolvimento e a efic√°cia de drogas e vacinas. Soma-se a isto as redu√ß√Ķes dr√°sticas no financiamento a P&D que vem ocorrendo desde 2014 no Brasil.

4. Voc√™s descreveram a import√Ęncia de um mecanismo bioqu√≠mico essencial para a transmiss√£o da Doen√ßa de Chagas. Que mecanismo √© esse?
O artigo publicado na revista PLoS Neglected Tropical Diseases representa o trabalho de gradua√ß√£o, mestrado e parte do doutorado da aluna Caroline Ferreira, que oriento desde 2010. Caroline atualmente vem realizando seu doutoramento no curso de p√≥s gradua√ß√£o em Qu√≠mica Biol√≥gica do Instituto de Bioqu√≠mica M√©dica Leopoldo de Meis da UFRJ. Caroline descobriu que, ao ingerirem o sangue do hospedeiro, o barbeiro libera produtos t√≥xicos no interior do intestino como parte do processo de digest√£o do sangue. Na natureza, os insetos tem a capacidade engenhosa de cristalizar esses produtos em pedrinhas min√ļsculas que o inseto elimina nas fezes. Com isto, a cristaliza√ß√£o destes produtos t√≥xicos impede que estes causem danos √†s c√©lulas. Nosso trabalho demonstrou que esse mecanismo de cristaliza√ß√£o desses produtos t√≥xicos permite n√£o s√≥ que o inseto se reproduza, mas tamb√©m seja capaz de transmitir o T. cruzi. Quando impedimos essa cristaliza√ß√£o, por meio do uso de uma droga bem conhecida, a quinidina, h√° dano tecidual no interior do inseto que tamb√©m prejudica os parasitos, que acabam morrendo antes de serem transmitidos.

5. Qual a import√Ęncia da descoberta? Como ela pode ser usada para evitar a contamina√ß√£o ou at√© tratar a doen√ßa?
Nossa descoberta descreveu a import√Ęncia do mecanismo de cristaliza√ß√£o desses produtos t√≥xicos, por√©m ainda h√° outros estudos a serem feitos antes de podermos utiliz√°-la como alternativa ao controle da doen√ßa de Chagas. Creio que o ponto mais importante do trabalho √© demonstrar que o bloqueio da cristaliza√ß√£o de produtos t√≥xicos serve como uma excelente plataforma para desenvolvimento de drogas que v√£o interferir ao mesmo tempo na reprodu√ß√£o do inseto vetor e na sua capacidade de transmiss√£o do T. cruzi, amplificando a possibilidade de controle da Doen√ßa de Chagas.

6. Quais são os próximos passos agora do trabalho? Em que direção devem seguir?
O que temos que fazer daqui pra frente √© testar novas drogas no laborat√≥rio e analisar as possibilidades reais disso ser utilizado na natureza. Estamos otimistas e, encontrando resultados positivos, devemos buscar novos meios de se introduzir esses f√°rmacos como ‚Äúisca‚ÄĚ para os barbeiros, a fim de diminuir a transmiss√£o da doen√ßa. Al√©m disso, precisamos encontrar parceiros na academia e fora dela, que se interessem pela esta possibilidade, e eventualmente financiar estudos subsequentes. Mas a primeira coisa a se fazer √© conscientizar a popula√ß√£o de que a doen√ßa de Chagas √© perigosa e que a popula√ß√£o residente nas maiores √°reas de risco √© a que menos sabe sobre barbeiros e T. cruzi. S√£o necess√°rios novos tratamentos e vacinas mas, antes de tudo, √© necess√°rio que a popula√ß√£o entenda que este tipo de inseto transmite uma doen√ßa grave, que as fezes cont√©m parasitos que podem levar √† morte e que devem tomar todos os cuidados necess√°rios.

Museu de Astronomia do Rio tem evento sobre divulgação de ciência na internet

Pessoal (quem gosta do tema, quer se aprofundar ou tem algum interesse), participe do evento sobre divulga√ß√£o cient√≠fica na internet no¬†Museu de Astronomia e Ci√™ncias Afins (MAST) do Rio de Janeiro. Ser√° nesta sexta-feira, dia 3 (sim, logo chegaremos em junho!), com entrada gratuita! Quem n√£o poder ir, pode acompanhar o debate ao vivo online. Um abra√ßo! ūüėÄ E uma estrelada semana!

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Cadê o aquecimento global com esse frio?

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O aquecimento global pode parecer um bicho-pap√£o que vai te pegar se voc√™ n√£o se comportar bem. E √© mais ou menos por a√≠, ao menos, segundo pesquisas cient√≠ficas. Pesquisas cient√≠ficas, aquecimento global, quanta coisa dif√≠cil! Mas vamos com calma tentar explicar que raios √© isso e se ele j√° est√° em a√ß√£o, apesar de ter nevado em Curitiba (PR) – suspiro, t√£o perto de Sampa… J√° se falou tanto em aquecimento global que ele deve fazer parte do inconsciente coletivo.

 

Resumindo a hist√≥ria, o nosso azul planeta Terra j√° passou por muitos aquecimentos e resfriamentos ao longo dos seus 4,6 bilh√Ķes de anos. Como sabemos disso? Devido a algumas evid√™ncias contidas, por exemplo, no gelo! De modo geral, quanto mais carbono h√° na atmosfera, mais isso indica que foram tempos quentes. Uma das maneiras de ver como era o clima da Terra √© analisando as bolhinhas de ar contidas nos glaciares – dep√≥sitos de gelo. Os cientistas calculam a idade do gelo (muitas vezes, quanto mais profundo, mais antigo) e verificam quanto de carbono tinha naquela √©poca.

 

E o que o carbono tem a ver com o clima do planeta? Ele √© um dos gases causadores do efeito estufa (a famosa sigla GEE, gases de efeito estufa). O efeito estufa, de certa maneira, √© √≥timo. Ele impede que o calor do Sol saia da nossa atmosfera terrestre. Gra√ßas a ele, temos um planeta com clima gostosinho para viver. Sem esse fen√īmeno, talvez, n√≥s nem existir√≠amos. Tome nota: o problema √© que, como era de se imaginar, quanto mais carbono na atmosfera, maior ser√° o resultado do efeito estufa.

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Ao longo dos 4,6 bilh√Ķes de anos, a√ß√Ķes naturais como as grandes erup√ß√Ķes vulc√Ęnicas fizeram a Terra esfriar porque impediram a entrada dos raios do Sol no planeta. Alguns pesquisadores acreditam que elas foram as respons√°veis pela extin√ß√£o, inclusive, dos dinossauros! Como as coisas parecem ser c√≠clicas neste planetinha perdido no universo, o clima da Terra voltou a esquentar. E, assim, a Terra seguiu vivendo.

 

Como eu disse acima, parece que o calor na Terra tem rela√ß√£o direta com o n√≠vel de carbono na atmosfera. Uso a palavra ‚Äúparece‚ÄĚ porque, em ci√™ncia, conforme os pesquisadores v√£o estudando, mais pe√ßas acham para montar o quebra-cabe√ßa da vida. J√° faz um tempo (mais de tr√™s d√©cadas) que os pesquisadores t√™m notado, com base em medi√ß√Ķes, que a temperatura de alguns lugares ficou mais quente. Por qu√™?

 

Vamos juntar as pe√ßas. Principalmente, desde a Segunda Revolu√ß√£o Industrial, quando o petr√≥leo foi ‚Äúdescoberto‚ÄĚ como fonte de energia, o planeta tem aquecido mais. Antes dessa explora√ß√£o, o petr√≥leo estava quietinho l√° nas profundezas da Terra (√†s vezes, nem t√£o fundo assim, apenas poucos metros da superf√≠cie do solo). A gente aprende na escola que o petr√≥leo foi, um dia, os dinossauros. Sabe-se que ele √© de origem org√Ęnica e composto por mol√©culas de carbono (r√°) e de hidrog√™nio.

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Agora, n√≥s, seres humanos, mandamos ver em queimar petr√≥leo. Queimamos para fazer ind√ļstrias funcionarem, para carros andarem, para avi√Ķes voarem. Essas mol√©culas de carbono v√£o para a atmosfera. Para piorar, a gente tem desmatado sem d√≥ as nossas maravilhosas florestas. As √°rvores ret√©m carbono, principalmente, durante o seu crescimento. Uma √°rvore da Mata Atl√Ęntica absorve 190 quilos de carbono, aproximadamente. Quando a gente desmata e, pior, queima essas √°rvores, aumenta a concentra√ß√£o de carbono na atmosfera. Lembra-se que, quanto maior a concentra√ß√£o de carbono na atmosfera, mais o planeta era quente? Matada a charada! Com base em estudos, estudos e mais estudos, os pesquisadores do famoso Painel Intergovernamental sobre Mudan√ßas Clim√°ticas (IPCC) projetam quanto o clima do planeta ficar√° mais quente.

 

A√≠, √© aquela bola sem neve. Quanto mais aumentar o clima do planeta, mais os gelos nas regi√Ķes frias da Terra v√£o derreter. Essa √°gua correr√° para o mar, que ficar√° mais alto. Mais alto, ele alagar√° cidades litor√Ęneas (onde vive a maior parte da popula√ß√£o do Brasil, se n√£o me engano) e acabar√° com ilhas. Milh√Ķes de pessoas ficar√£o sem casa. Os fen√īmenos como furac√Ķes ser√£o mais frequentes e mais fortes. √Č tipo a anuncia√ß√£o do fim do mundo. Fim do mundo para n√≥s e para outros seres vivos. Porque a Terra, meu bem, esta seguir√° seu movimento de transla√ß√£o em volta do Sol normalmente. Talvez, o eixo de rota√ß√£o seja alterado, como aconteceu quando houve o terremoto que atingiu o Jap√£o em 2011.

 

Bom, agora, voltando √† pergunta do t√≠tulo. Sim, S√£o Paulo teve o dia mais frio dos √ļltimos 50 anos. Apesar da friaca nas regi√Ķes Sul, Sudeste e Centro-Oeste, os √ļltimos invernos t√™m tido as temperaturas altas mais altas das √ļltimas d√©cadas. Portanto, est√° frio, mas o aquecimento global bate a porta. E, muita gente me pergunta: as chuvas fortes do ver√£o, os ciclones, os furac√Ķes que acontecem agora s√£o culpa do aquecimento global? Minha resposta sempre a deixa desanimada: ‚ÄúN√£o podemos afirmar‚ÄĚ. Cient√≠ficamente ainda n√£o podemos dizer que os eventos extremos que acontecem neste momento s√£o culpa do aquecimento global. Pode ser que sim, pode ser que n√£o. O fato √© que fen√īmenos naturais s√£o inevit√°veis, mas as trag√©dias que eles causam podem ser evitadas. Pense nisso.

Dica: O excelente fot√≥grafo James Balog, especializado em natureza, reparou que alguns glaciares pareciam encolher. A√≠, o cara teve a genial ideia de fotografar cada minuto de geleiras nos Estados Unidos, Groenl√Ęndia, entre outros lugares durante tr√™s anos. A saga rendeu o document√°rio “Chasing Ice“. Ele conseguiu captar a maior ruptura de gelo j√° filmada. Um bloco do tamanho de Manhattan, em Nova Iorque, se desprendeu fazendo um barulho ensurdecedor. O document√°rio poderia ser melhor, peca por se centrar muito na figura do fot√≥grafo e n√£o no aquecimento global em si, deixando de explorar dados colocados interessantes e imagens maravilhosas. Mas, se voc√™ se interessa pelo tema, vale a pena. VEJA OS INCR√ćVEIS V√ćDEOS DOS GLACIARES AQUI.

Obs.: As fotos foram tiradas, respectivamente, na √Āfrica do Sul, no Chile e na divisa de S√£o Paulo com Minas Gerais.

São Paulo não é mais a Terra da Garoa

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V√≠deo produzido pelos colegas da Pesquisa FAPESP explica o porqu√™ de n√£o garoar como antigamente na capital paulista. A culpa √© da polui√ß√£o. As part√≠culas de sujeira pairando no ar impedem que as got√≠culas cheguem ao solo da cidade. Fica tudo junto sobre as nossas cabe√ßas, “agarrado”. Quando elas caem, √© em forma de p√© d’√°gua.

Al√©m disso, o v√≠deo tira a d√ļvida que ronda a nossa cabecinha branca: Chove mais forte em S√£o Paulo devido ao excesso do emprego de concreto na cidade ou devido √†s mudan√ßas clim√°ticas? Esta pergunta n√£o vou responder. Veja o v√≠deo para descobrir!

E tenha uma quinta-feira¬†liiiiiiiiiiiinda e com invers√£o t√©rmica – saiba mais sobre este fen√īmeno aqui, no texto e infogr√°fico que produzi enquanto trabalhava l√° na revista Pesquisa FAPESP!

Entrevista: astrofísica fala sobre meteoritos

Fiquei impressionada com o meteorito que caiu na regi√£o dos montes Urais, na R√ļssia, na sexta-feira (15). Filha de ge√≥logo, cresci aprendendo sobre os diversos tipos de rochas, inclusive sobre essas que “caem do c√©u”. E, justamente por ca√≠rem do c√©u, sempre chamaram mais a minha aten√ß√£o. √Č quando o mundo joga na nossa frente o fato de que h√° um universo (infinito?) em nossa volta e que somos menor que um gr√£o de areia dentro desse gigante, relativamente, pouco conhecido. Por isso, exceto pelos feridos, fiquei em √™xtase. Voltei ao meu tempo de crian√ßa em que viajava observando ora as rochas, ora o c√©u.

Para saber mais sobre esse meteorito e compartilhar com voc√™ essas incr√≠veis informa√ß√Ķes, pedi para a¬†T√Ęnia Dominici, astrof√≠sica e pesquisadora do Laborat√≥rio Nacional de Astrof√≠sica (MCTI/LNA), responder algumas d√ļvidas. Atenciosa, T√Ęnia topou na hora dedicando um pouquinho do seu precioso tempo para nos ajudar a entender o que aconteceu na sexta-feira. Leia a entrevista abaixo e levante seus olhos ao c√©u!

Primeiro de tudo: o que é um meteorito?

Os meteoritos s√£o o material que sobrevive √† entrada de um meteoro na atmosfera terrestre e chega at√© o solo. O meteoro, por sua vez, pode ser originado por peda√ßos de asteroides ou restos de cometas. S√£o os eventos que, √†s vezes, observamos durante a noite e popularmente chamamos de ‚Äúestrelas cadentes‚ÄĚ.

Ou seja, o que se registrou na R√ļssia foi a queima de um meteoro na atmosfera durante o dia, sendo os meteoritos os restos que chegaram ao solo e est√£o sendo procurados e recolhidos desde ent√£o.

Recolher e estudar os meteoritos em laboratório é muito importante, porque eles são resquícios dos primórdios da formação do Sistema Solar. Assim, nos ajudam a entender como os planetas foram formados.

√Č comum meteoritos ca√≠rem na Terra?

Sim, ocorrem todos os dias (tanto meteoros quanto meteoritos). O que acontece √© que a maior parte da superf√≠cie terrestre √© coberta por oceanos ou √°reas desabitadas. Assim, eventos como o da R√ļssia, que ocorreu em uma √°rea urbana, raramente s√£o registrados.

Os meteoros podem ser originados por peda√ßos de material extraterrestre t√£o pequenos quanto um gr√£o de areia e, de fato, o evento russo parece ter sido causado pelo maior meteoro desde o Tunguska em 1908 que, estima-se, tinha cerca de 100 metros (contra 15 metros estimados do meteoro que queimou sobre os Montes Urais). Por este ponto de vista, o evento da √ļltima semana foi extremamente raro.

Existe algum lugar atingido por meteoritos com mais frequência, por quê?

N√£o. Eles podem cair em qualquer local. A probabilidade de um evento como o do dia 15 de fevereiro ocorrer na R√ļssia √© a mesma de que seja em S√£o Paulo ou Itajub√°…

O que acontece quando um meteorito atinge a atmosfera e o solo terrestres? Ele sempre explode ao entrar em contato com ambos?

Na verdade, ele n√£o explode. O material se queima pelo atrito com a atmosfera e contato com o oxig√™nio. O que vimos na R√ļssia, com os vidros estourando, portas e telhados sendo arrancados foram ocorr√™ncias causadas pela onda de choque provocada pelo deslocamento do ar durante a queima do meteoro na atmosfera, uma vez que ele entrou com velocidade superior a 50 mil km/h. Ou seja, as pessoas n√£o foram feridas por meteoritos, mas sim pelos estilha√ßos provocados pela onda de choque.

Em quanto tempo, desde que avistado na atmosfera, um meteorito pode atingir o solo? D√° para termos uma ideia?

√Č bastante dif√≠cil prever. Depende do tamanho do meteoro, da velocidade de entrada, da altitude da atmosfera onde ocorre a queima… De qualquer modo, ao avistar um meteoro como o da √ļltima sexta, o m√°ximo que as pessoas poderiam fazer seria rapidamente tentar se afastar das janelas e portas de vidro que poderiam se estilha√ßar.

Seria possível identificar quando um meteoro desse tamanho vai atingir a Terra?

Neste momento, v√°rios telesc√≥pios mundo afora est√£o dedicados √† descoberta e acompanhamento de asteroides e cometas. Observat√≥rios profissionais e astr√īnomos amadores trabalham de forma coordenada para isso. Praticamente todos aqueles asteroides muito grandes (centenas de metros a quil√īmetros) j√° s√£o catalogados e possuem suas √≥rbitas muito bem calculadas. Ou seja, a possibilidade de qualquer ocorr√™ncia potencialmente fatal para o planeta seria conhecida com muita anteced√™ncia.

J√° objetos menores como o que atingiu a R√ļssia s√£o os mais dif√≠ceis de serem descobertos e monitorados. Segundo os estudos iniciais, ele tinha cerca de 15 metros de comprimento e 10 toneladas. As observa√ß√Ķes desses corpos s√£o feitas, principalmente, por meio da an√°lise das suas varia√ß√Ķes de posi√ß√£o e brilho utilizando telesc√≥pios ou, ainda, por meio de medidas de radar.

De maneira geral, como se descobre um asteroide?

Em uma sequ√™ncia de imagens de uma mesma regi√£o do c√©u, os astr√īnomos procuram por objetos que estejam se movimentando em rela√ß√£o ao campo de estrelas (‚Äúno olho‚ÄĚ, comparando as imagens ou por programas de computador especialmente desenvolvidos). Uma vez encontrado um objeto potencialmente interessante e calculadas as suas efem√©rides, os dados s√£o cruzados com as bases de dados mantidas pela comunidade astron√īmica internacional. Assim, verifica-se se o objeto celeste j√° era conhecido ou n√£o. No caso de j√° ser conhecido, √© poss√≠vel que a √≥rbita j√° seja bem determinada ou que ele tenha sido perdido e esteja sendo redescoberto. Cada nova observa√ß√£o vai sendo utilizada para refinar o c√°lculo da √≥rbita de cada asteroide ou, mais raramente, de cometas.

Existem sistemas de alerta que avisam os observadores quando algum objeto novo é descoberto, para que eles direcionem os seus telescópios e ajudem a monitorá-lo. Inclusive, já temos telescópios robóticos que recebem os alertas automáticos e se posicionam imediatamente, sem precisar de interferência humana.

A observa√ß√£o da varia√ß√£o do brilho ao longo do tempo oferece outras informa√ß√Ķes al√©m da trajet√≥ria desses corpos celestes como a forma, dimens√Ķes e pistas sobre a composi√ß√£o qu√≠mica. Ent√£o, se o objeto √© muito pequeno, a luz (do Sol) que ele ir√° refletir ser√° mais t√™nue e, por isso, mais dif√≠cil de ser detectada pelos nossos telesc√≥pios. Outro ponto em rela√ß√£o ao meteoro que atingiu a R√ļssia foi o fato de que o evento ocorreu durante o dia, portanto inacess√≠vel aos telesc√≥pios √≥pticos. Apenas radares poderiam registrar a aproxima√ß√£o.

No Brasil, o Observat√≥rio Nacional (MCTI/ON) est√° desenvolvendo o projeto IMPACTON. √Č um telesc√≥pio de opera√ß√£o remota, com espelho prim√°rio de um metro de di√Ęmetro instalado em Itacuruba (PE) e totalmente dedicado √† observa√ß√£o de pequenos corpos do Sistema Solar.¬†Al√©m disso, v√°rios grandes projetos internacionais que ajudar√£o a suprir as lacunas para a detec√ß√£o de objetos muito t√™nues est√£o em desenvolvimento como, por exemplo, a miss√£o europeia Gaia ou o telesc√≥pio LSST de oito metros de di√Ęmetro a ser instalado no Norte do Chile e que ser√° dedicado a monitorar todo o c√©u com profundidade e detalhamento sem precedentes.

 

Obs.: A¬†T√Ęnia Dominici tem um blog sobre polui√ß√£o luminosa¬†– clique aqui para conhecer –, um problema que nos impede de vermos as estrelas no c√©u (e atrapalha as pesquisas).

Foto: El coleccionista de instantes.

Peixes dependem da ligação entre manguezais e recifes

Querido leitor,

Ando numa correria maluca conciliando o trabalho, o curso de Radialista – Apresentador de TV (Senac) e a vida pessoal (incluindo este blog). Minha meta √© voltar mais sussa assim que acabar o curso no pr√≥ximo m√™s – isso se n√£o inventar mais nada novo para fazer… Bom, esses dias, entre a olhadela nos e-mails, encontrei o resultado de uma pesquisa que merece destaque, principalmente, porque comprova algo intuitivo – e que pode ser o caso de outras esp√©cies.Reproduzo parte do e-mail, que recebi da Conserva√ß√£o Internacional (CI),¬†sobre a pesquisa:

Estudo in√©dito realizado na Regi√£o dos Abrolhos comprova que esta conex√£o √© essencial para o ciclo de vida do Dent√£o ou Vermelho, esp√©cie de alto valor comercial cuja captura anual chega a 3.000 toneladas no pa√≠s; resultados exp√Ķem lacunas quanto a medidas de prote√ß√£o da esp√©cie.

Um mapeamento at√© ent√£o desconhecido do ciclo de vida de uma importante esp√©cie de peixe para o pa√≠s demonstra que a conectividade entre manguezais e recifes √© essencial para sua sobreviv√™ncia. Conduzido ao longo de um ano por pesquisadores do Brasil e exterior, com apoio da Conserva√ß√£o Internacional (CI-Brasil), o estudo apresentou pela primeira vez os padr√Ķes de movimenta√ß√£o do vermelho (Lutjanus jocu) atrav√©s de diferentes h√°bitats na Regi√£o dos Abrolhos, o maior e mais biodiverso complexo recifal do Hemisf√©rio Sul. A descoberta, publicada recentemente na revista Estuarine, Coastal and Shelf Science, oferece informa√ß√Ķes-chave para o manejo da esp√©cie, que j√° apresenta acentuado decl√≠nio em seus estoques.

 

A pesquisa mostra que o tamanho do vermelho é menor nos estuários, intermediário nos recifes costeiros e maior na área do Parque Nacional Marinho (Parnam) dos Abrolhos, indicando que a espécie migra ao longo da plataforma continental na medida em que cresce. Confirmando o estudo recém publicado, dados provenientes da pesca comercial revelam que os maiores peixes, entre 70 e 80cm, são encontrados em recifes ainda mais profundos e afastados da costa. Foram investigadas 12 áreas que representam diferentes hábitats costeiros e recifais, abrangendo a Reserva Extrativista (Resex) de Cassurubá, os recifes Parcel das Paredes e Sebastião Gomes e o Parnam dos Abrolhos.

 

Segundo Guilherme F. Dutra, diretor do Programa Marinho da CI-Brasil, apesar de a conectividade entre ambientes costeiros e marinhos ser bastante difundida e aceita, poucos trabalhos foram exitosos em demonstr√°-la de maneira efetiva. ‘Esse √© o primeiro estudo que consegue provar a rela√ß√£o entre manguezais e recifes para essa esp√©cie que tem grande import√Ęncia comercial’, comemora.

 

As novas informa√ß√Ķes sobre o ciclo de vida do vermelho alertam para a condi√ß√£o de vulnerabilidade da esp√©cie cujos estudos recentes indicam redu√ß√£o nos estoques no Banco dos Abrolhos devido √† sobrepesca. Segundo informa√ß√Ķes dos desembarques, s√£o capturados pelo menos 3.000 toneladas da esp√©cie por ano nessa regi√£o, numa atividade que envolve cerca de 20 mil pescadores. ‘As medidas de manejo adotadas para assegurar a explora√ß√£o sustent√°vel dos vermelhos n√£o s√£o suficientes’, salienta Rodrigo Moura, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz e um dos co-autores do estudo. Ele explica que atualmente n√£o h√° qualquer restri√ß√£o √†s capturas dos adultos durante a fase reprodutiva ‚Äď entre junho e setembro ‚Äď ou tamanhos m√≠nimos de comercializa√ß√£o que assegurem que os peixes capturados tenham completado pelo menos um ciclo reprodutivo, o que ocorre acima de 35cm.

 

Para chegar at√© a idade adulta, o dent√£o precisa de ref√ļgio em manguezais e recifes pr√≥ximos √† costa, mesmo em √°reas liberadas para pesca. ‘Uma vez que a esp√©cie migra atrav√©s da plataforma continental, est√° claro que √°reas protegidas em unidades isoladas, tais como o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, n√£o s√£o efetivas para proteger as diversas etapas do ciclo de vida’, enfatiza Moura. (…)

 

Sobre a esp√©cie Lutjanus jocu – Associado aos ambientes rochosos e coralinos, o dent√£o – ou vermelho – √© um dos mais importantes recursos pesqueiros capturados em ecossistemas recifais no Atl√Ęntico Ocidental. Das 19 esp√©cies da fam√≠lia Lutjanidade que ocorrem no Brasil, a esp√©cie estudada est√° entre as cinco mais importantes para a pesca. Apesar de sua import√Ęncia e ampla distribui√ß√£o, com ocorr√™ncia da Fl√≥rida ao sudeste brasileiro, havia pouco conhecimento sobre o ciclo de vida da esp√©cie.”

Leia o texto na íntegra aqui.

Quais as 10 florestas mais ameçadas do mundo?

DSC08177.JPGO povo n√£o t√° falando muito nisso, s√£o tantos acontecimentos importantes e tr√°gicos pelo mundo, mas este ano √© o Ano Internacional das Florestas, declarado pela ONU. Ali√°s, hoje √© o √ļltimo dia de uma esp√©cie de confer√™ncia que est√° rolando em Nova York para lan√ßar a efem√©ride.
Sugerindo para escrevermos algo sobre o assunto no Yahoo!, acabou chegando o dif√≠cil pedido: conte quais s√£o as florestas mais ame√ßadas do planeta. Gostei – a curiosidade √© mais forte que eu. Fui atr√°s de pesquisadores – a maioria de f√©rias. Bom, ap√≥s apura√ß√Ķes e conversas “em off”, corri para as ONGs que, geralmente, contam com estat√≠sticas internacionais.
A Conserva√ß√£o Internacional (CI) possui dados de regi√Ķes do planeta que possuem uma enorme diversidade biol√≥gica, mas que j√° perderam 90% ou mais da vegeta√ß√£o original – os chamados “hotspots”. Adivinha? Um bioma brasileiro est√° entre os primeiros lugares.
Veja a lista das dez florestas mais em perigo no mundo – fonte CI:

  • Bacia do Mediterr√Ęneo, Sul da Europa, Norte da √Āfrica, Oeste da √Āsia (a mais amea√ßada, com 5% da sua cobertura original preservada);
  • Indo-Birm√Ęnia (nos pa√≠ses asi√°ticos Mianmar, Cambodia, Laos, Tail√Ęndia e Vietn√£, com 5% da vegeta√ß√£o natural);
  • Nova Zel√Ęndia (tamb√©m 5%);
  • Sunda (Indon√©sia, Mal√°sia, e Brunei, com 7%);
  • Filipinas (7%);
  • Mata Atl√Ęntica (no Brasil, com 8%);
  • Montanhas do Centro-Sul da China (8%);
  • Prov√≠ncia Flor√≠stica da Calif√≥rnia, nos Estados Unidos (10%);
  • Florestas de Afromontane (em Mo√ßambique, Tanz√Ęnia, Qu√™nia e Som√°lia, com 10%);
  • Madagascar e Ilhas do Oceano √ćndico (Madagastar, Seichelles, Ilhas Maur√≠cio, Uni√£o das Comores e Reuni√£o, 10%).

E saiba mais lendo a matéria na íntegra. Pense nisso.